Por Dr. Rubens Pontello Junior — Médico dermatologista em Londrina
CRM-PR 24.645 | RQE 2.050
Resposta rápida
A flacidez facial não acontece apenas porque a pele “perde colágeno”.
O envelhecimento do rosto é um processo tridimensional. Com o passar do tempo, ocorrem mudanças na pele, nos compartimentos de gordura, nos ligamentos de sustentação, nos músculos e até nos ossos da face.
Por isso, duas pessoas que dizem ter “flacidez” podem apresentar problemas completamente diferentes — e, consequentemente, precisar de estratégias diferentes.
Radiofrequência, ultrassom focado, bioestimuladores de colágeno, lasers, preenchedores e outros procedimentos podem fazer parte do tratamento em situações específicas. Entretanto, nenhuma tecnologia é universalmente a melhor para flacidez facial.
O ponto de partida é identificar qual estrutura está contribuindo para a alteração percebida no rosto.
O que é flacidez facial?
A palavra “flacidez” é usada para descrever várias mudanças diferentes.
O paciente pode perceber:
- bochechas mais baixas;
- perda da definição da mandíbula;
- formação ou acentuação do “bigode chinês”;
- linhas de marionete;
- papada;
- pele mais fina ou enrugada;
- pescoço menos definido;
- sensação de que o rosto está “caindo”;
- mudança do formato do rosto ao longo dos anos.
Esses sinais podem aparecer juntos, mas não necessariamente possuem a mesma causa.
É por isso que, na dermatologia, flacidez deve ser entendida mais como uma manifestação do envelhecimento do que como um diagnóstico único.
A pergunta mais útil não é apenas:
“Quanto de flacidez essa pessoa tem?”
Mas:
“Quais estruturas estão produzindo essa aparência?”
Essa diferença muda completamente o planejamento do tratamento.
Por que o rosto fica flácido com o envelhecimento?
O rosto é formado por diferentes camadas que funcionam de maneira integrada.
De forma simplificada, podemos pensar em:
- pele;
- tecido subcutâneo e compartimentos superficiais de gordura;
- sistema músculo-aponeurótico e musculatura;
- compartimentos profundos de gordura e estruturas de sustentação;
- esqueleto facial.
Todas essas estruturas sofrem modificações ao longo da vida.1,4
Por isso, o envelhecimento facial não ocorre apenas “de fora para dentro”.
Ele também acontece de dentro para fora.
1. A pele perde parte de sua capacidade de sustentação
Colágeno e elastina são componentes importantes da matriz extracelular da pele.
Com o envelhecimento, ocorrem alterações na produção, organização e degradação dessas estruturas.5–7
A exposição solar acumulada, especialmente à radiação ultravioleta, também contribui para acelerar alterações relacionadas ao envelhecimento cutâneo.5,6
Clinicamente, isso pode aparecer como:
- pele mais fina;
- menor elasticidade;
- linhas finas;
- textura irregular;
- perda de firmeza;
- rugas;
- alterações de pigmentação.
Mas existe um ponto fundamental:
melhorar a qualidade da pele não necessariamente reposiciona todas as estruturas responsáveis pela mudança do contorno facial.
A pele é apenas uma das camadas envolvidas.
2. Os compartimentos de gordura do rosto também mudam
A gordura facial não é uma camada homogênea distribuída igualmente pelo rosto.
Ela está organizada em diferentes compartimentos, superficiais e profundos.3
Esses compartimentos possuem anatomia e comportamento próprios.
Ao longo do envelhecimento, determinadas regiões podem perder volume, enquanto outras sofrem deslocamentos ou alterações de proporção.
Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas percebem:
- região das têmporas mais funda;
- olhos mais encovados;
- perda de volume na região média da face;
- acentuação do sulco nasogeniano;
- formação de jowls;
- alteração do contorno mandibular.
Portanto, nem sempre aquilo que o paciente chama de “pele caída” corresponde apenas à pele.
Em alguns casos, parte importante da alteração está relacionada à redistribuição ou perda de volume em planos mais profundos.
3. Os ligamentos de sustentação participam do envelhecimento facial
O rosto possui ligamentos que conectam e estabilizam diferentes planos dos tecidos faciais.
Eles ajudam a manter determinadas estruturas em suas posições anatômicas.2
O envelhecimento modifica a relação entre pele, gordura, ligamentos e estruturas profundas.
Como consequência, determinadas transições do rosto tornam-se mais evidentes.
Podem aparecer:
- sulcos;
- depressões;
- alterações na transição entre bochecha e mandíbula;
- perda de definição do contorno;
- mudança na posição aparente dos tecidos.
Essa anatomia ajuda a explicar por que simplesmente “estimular colágeno” pode não resolver todos os casos descritos como flacidez.
4. O esqueleto facial também envelhece
Esse é um dos aspectos menos conhecidos pelos pacientes.
O osso não permanece exatamente igual durante toda a vida.
O envelhecimento também envolve remodelação do esqueleto facial.1,4
Mudanças podem ocorrer em regiões como:
- órbitas;
- maxila;
- mandíbula;
- região perioral.
Essas estruturas funcionam como parte do suporte sobre o qual os tecidos moles estão organizados.
Quando essa base se modifica, a relação entre pele, gordura e musculatura também pode mudar.
Por isso, tratar envelhecimento facial olhando exclusivamente para a superfície é uma simplificação excessiva.
5. Os músculos continuam participando da aparência do rosto
A musculatura facial também influencia o envelhecimento.
Alguns músculos estão continuamente envolvidos nas expressões faciais.
Com o tempo, movimentos repetidos contribuem para linhas que inicialmente aparecem apenas durante a expressão e posteriormente podem permanecer visíveis mesmo em repouso.
Na parte inferior do rosto e no pescoço, músculos como o platisma também podem participar de alterações do contorno mandibular e cervical.
Isso significa que uma alteração percebida como “flacidez” pode ter componentes de:
pele + volume + sustentação + estrutura óssea + dinâmica muscular.
E a proporção entre esses componentes varia de pessoa para pessoa.
Então flacidez facial não é apenas falta de colágeno?
Não.
A perda e a remodelação do colágeno são componentes importantes do envelhecimento cutâneo, mas não explicam isoladamente todo o envelhecimento facial.
Esse é um dos conceitos mais importantes para compreender tratamentos de rejuvenescimento.
Quando o problema predominante está na qualidade e firmeza da pele, estratégias voltadas à remodelação de colágeno podem fazer sentido.
Quando existe perda estrutural de volume, a necessidade pode ser diferente.
Quando existe excesso significativo de pele, determinados procedimentos não cirúrgicos possuem limitações.
Quando há alteração muscular, outro mecanismo precisa ser considerado.
E frequentemente mais de um desses fatores está presente simultaneamente.
Por isso, a pergunta:
“Qual é o melhor tratamento para flacidez?”
não possui uma resposta universal.
Quais regiões do rosto costumam mostrar flacidez primeiro?
Isso varia conforme anatomia, genética, exposição solar, qualidade da pele, variações de peso e outros fatores.
Entretanto, algumas regiões costumam chamar mais atenção.
Bochechas
Mudanças na região média da face podem alterar a transição entre pálpebra, bochecha e sulco nasogeniano.
O paciente frequentemente descreve essa mudança dizendo que “a bochecha caiu”.
Linha mandibular
A mandíbula jovem costuma apresentar uma transição mais definida entre rosto e pescoço.
Com alterações de volume, sustentação, pele e musculatura, essa linha pode ficar progressivamente menos nítida.
É comum o paciente perceber pequenos abaulamentos próximos à mandíbula, conhecidos como jowls.
Bigode chinês
O sulco nasogeniano é uma estrutura anatômica normal.
Entretanto, alterações na região média da face podem torná-lo mais evidente ao longo do envelhecimento.
Por isso, simplesmente preencher o sulco nem sempre significa tratar o mecanismo responsável pela mudança.
Pescoço
No pescoço, a aparência pode envolver diferentes componentes:
- pele;
- gordura;
- músculo platisma;
- estrutura mandibular;
- posição dos tecidos;
- anatomia do queixo.
Por isso, “flacidez no pescoço” também não representa um diagnóstico único.
Leia também: Envelhecimento do pescoço e platisma: causas e tratamentos
Papada
A papada pode decorrer de gordura submentoniana, flacidez, anatomia mandibular, pouca projeção do queixo, alterações do platisma ou combinações desses fatores.
Leia também: Papada: causas, tratamentos e como melhorar o contorno do rosto e do pescoço
Por que algumas pessoas apresentam flacidez antes de outras?
A idade cronológica é apenas um dos fatores.
Duas pessoas de 45 anos podem apresentar padrões de envelhecimento completamente diferentes.
Entre os fatores que podem influenciar estão:
- genética;
- anatomia facial;
- formato do rosto;
- espessura da pele;
- exposição solar acumulada;
- tabagismo;
- variações importantes de peso;
- distribuição dos compartimentos de gordura;
- alterações hormonais;
- qualidade da pele;
- hábitos de vida;
- histórico de tratamentos;
- características individuais do esqueleto facial.
Isso explica por que comparar o próprio envelhecimento com o de outra pessoa da mesma idade costuma ser pouco útil.
Leia também: Envelhecimento facial: por que cada rosto precisa de uma estratégia diferente
Emagrecer pode aumentar a aparência de flacidez no rosto?
Pode, especialmente quando existe perda significativa ou rápida de peso.
O rosto possui compartimentos de gordura que participam do volume e das transições faciais.
Quando ocorre perda de volume, a relação entre o conteúdo facial e o envelope de pele pode mudar.
Entretanto, isso não significa que emagrecer necessariamente “envelheça” todas as pessoas.
A repercussão depende de:
- quantidade de peso perdido;
- velocidade da perda;
- idade;
- distribuição de gordura;
- elasticidade da pele;
- anatomia facial inicial.
Por isso, pacientes que passaram por grandes variações de peso precisam ser avaliados considerando também essa história.
Sol piora a flacidez?
A exposição crônica à radiação ultravioleta é um dos principais fatores extrínsecos relacionados ao envelhecimento da pele.
O chamado fotoenvelhecimento está associado a alterações na matriz extracelular, incluindo colágeno e elastina.5,6
Por isso, fotoproteção não deve ser entendida apenas como estratégia para evitar manchas.
Ela também faz parte da prevenção do envelhecimento cutâneo.
Entretanto, novamente é importante separar os conceitos:
fotoproteção protege a pele, mas não impede todas as alterações estruturais do envelhecimento facial.
Existe uma idade certa para começar a tratar a flacidez?
Não existe uma idade universal.
Tratamento não deveria ser indicado simplesmente porque alguém completou 30, 40 ou 50 anos.
A decisão depende de:
- alterações presentes;
- velocidade percebida de mudança;
- características da pele;
- anatomia;
- objetivos pessoais;
- histórico de saúde;
- expectativa de resultado.
Em uma pessoa mais jovem, a estratégia pode estar muito mais relacionada à prevenção do dano solar e à manutenção da qualidade da pele.
Em outra pessoa, pode existir uma alteração estrutural que justifique outra abordagem.
Idade ajuda a contextualizar. Não substitui diagnóstico.
Qual é o melhor tratamento para flacidez no rosto?
Não existe um procedimento que seja o melhor para todos os pacientes.
A escolha depende principalmente da camada e do mecanismo predominantes.
Entre as possibilidades que podem fazer parte de um planejamento estão:
- cuidados dermatológicos e fotoproteção;
- bioestimuladores de colágeno;
- radiofrequência;
- radiofrequência microagulhada;
- ultrassom focado;
- lasers;
- preenchimentos em situações selecionadas;
- tratamentos combinados;
- procedimentos cirúrgicos quando existe indicação.
Esses tratamentos não são equivalentes.
Eles atuam por mecanismos e em profundidades diferentes.
Radiofrequência funciona para flacidez facial?
A radiofrequência utiliza corrente elétrica de alta frequência para gerar aquecimento controlado nos tecidos.
Esse estímulo térmico pode desencadear processos relacionados à remodelação de colágeno.
Revisões da literatura descrevem melhora de parâmetros relacionados à firmeza, elasticidade e laxidez em pacientes selecionados.8–10
Entretanto, “radiofrequência” não representa um único tratamento.
Existem diferentes equipamentos, frequências, formas de entrega de energia, profundidades, sistemas de resfriamento e protocolos.
Por isso, resultados obtidos com uma tecnologia não devem automaticamente ser atribuídos a todas as outras.
Na prática do Dr. Rubens Pontello Junior, diferentes tecnologias de radiofrequência podem ser consideradas conforme o objetivo e a anatomia identificados durante a avaliação.
XERF
O XERF é um sistema de radiofrequência monopolar que utiliza duas frequências associadas, permitindo diferentes distribuições de energia nos tecidos.
Morpheus8
O Morpheus8 combina microagulhamento com radiofrequência fracionada, permitindo entrega de energia através de microagulhas em profundidades determinadas.
Esses equipamentos não devem ser entendidos como concorrentes em uma lista de “qual é melhor”.
A pergunta clínica é outra:
qual mecanismo e qual profundidade fazem sentido para aquele tecido?
Ultrassom focado funciona para flacidez?
O ultrassom focado utiliza energia acústica concentrada em profundidades determinadas.
Isso permite produzir estímulos térmicos localizados em planos específicos.
Assim como acontece com a radiofrequência, existem diferentes equipamentos, cartuchos, profundidades e protocolos.
O ultrassom pode fazer parte de estratégias relacionadas à sustentação e ao contorno em pacientes selecionados.11,12
Entretanto, a profundidade e o objetivo precisam ser definidos cuidadosamente.
Isso é particularmente relevante em rostos magros ou com perda de volume, nos quais determinados estímulos em planos inadequados podem ser indesejáveis.
Na prática clínica do Dr. Rubens Pontello Junior, o LinearZ é uma das tecnologias de ultrassom focado disponíveis para planejamentos nos quais esse mecanismo apresenta indicação.
Bioestimulador de colágeno funciona para flacidez?
Bioestimuladores são substâncias injetáveis utilizadas para estimular processos relacionados à formação e remodelação de colágeno.13,14
Podem ser considerados quando a avaliação identifica perda de firmeza ou qualidade da pele compatível com esse mecanismo.
Entretanto, bioestimulador também não deve ser tratado como sinônimo de lifting.
Ele atua principalmente sobre aspectos relacionados à matriz dérmica e à produção de colágeno.
Se a principal alteração estiver relacionada a outro componente anatômico, estimular colágeno isoladamente pode não responder completamente à queixa.
Entenda como funcionam os bioestimuladores de colágeno
Veja também como PLLA e CaHA se diferenciam.
Preenchimento trata flacidez?
Não diretamente.
Preenchedores podem ser úteis quando existe indicação de recuperar volume, suporte ou determinadas proporções faciais.
Mas isso é diferente de simplesmente “preencher um rosto flácido”.
Esse conceito é importante.
Um rosto que perdeu volume em regiões estratégicas pode se beneficiar de reposição criteriosa.
Por outro lado, adicionar volume indiscriminadamente a um rosto que já apresenta peso ou excesso de tecido pode produzir uma aparência mais pesada.
Por isso, preenchimento não deve ser utilizado automaticamente como resposta para flacidez.
Laser trata flacidez?
Depende do laser e do objetivo.
“Laser” também não representa um único tratamento.
Existem diferentes comprimentos de onda, formas de emissão e profundidades de interação com a pele.
Alguns recursos podem ser utilizados principalmente para textura, pigmentação ou remodelação cutânea.
Outros podem produzir estímulos térmicos relacionados à formação de colágeno.
Portanto, dizer apenas que alguém “fez laser para flacidez” fornece pouca informação.
É necessário saber:
- qual tecnologia;
- qual comprimento de onda;
- qual objetivo;
- qual profundidade;
- qual indicação.
Dá para tratar flacidez sem cirurgia?
Em muitos casos, é possível melhorar determinados componentes da flacidez facial com tratamentos não cirúrgicos.
Mas existe um limite.
Tecnologias e injetáveis não reproduzem o efeito de uma cirurgia quando existe excesso importante de pele ou deslocamento estrutural significativo.
Esse limite precisa ser discutido antes do tratamento.
Prometer um “lifting sem cirurgia” equivalente a um procedimento cirúrgico cria uma expectativa que nem sempre corresponde ao que as tecnologias conseguem entregar.
Em alguns pacientes, uma melhora discreta e progressiva é exatamente o objetivo.
Em outros, o grau de alteração pode fazer com que tratamentos não cirúrgicos tenham benefício limitado.
Reconhecer essa diferença também faz parte de uma boa indicação.
Uma sessão é suficiente para tratar flacidez?
Não existe uma resposta única.
Algumas tecnologias são utilizadas em protocolos com menor número de sessões e acompanhamento da resposta ao longo dos meses.
Outras estratégias são planejadas em séries.
Bioestimuladores, lasers e diferentes equipamentos também possuem protocolos próprios.
O número de sessões depende de:
- tecnologia utilizada;
- intensidade e parâmetros;
- área tratada;
- grau de alteração;
- objetivo;
- resposta biológica individual;
- combinação com outros tratamentos.
Por isso, o número de sessões não deveria ser definido apenas pela queixa descrita por mensagem ou por uma fotografia.
Quanto tempo demora para aparecer o resultado?
Tratamentos que dependem de remodelação de colágeno normalmente produzem mudanças progressivas.
O organismo precisa de tempo para responder biologicamente ao estímulo.
Por isso, dependendo do tratamento, a evolução pode continuar ao longo de semanas ou meses.
Também é importante distinguir:
resultado imediato de resultado biológico tardio.
Uma fotografia realizada logo após determinado procedimento pode refletir edema, contração transitória ou outras alterações temporárias e não necessariamente representar o resultado final.
O acompanhamento ao longo do tempo é parte importante da avaliação.
O resultado do tratamento para flacidez é permanente?
Não.
Nenhum tratamento interrompe o envelhecimento.
Mesmo quando existe melhora, os processos biológicos relacionados ao envelhecimento continuam acontecendo.
Exposição solar, genética, alterações hormonais, variações de peso e outros fatores continuam influenciando pele e estruturas faciais.
Por isso, o tratamento do envelhecimento deve ser entendido mais como acompanhamento ao longo do tempo do que como uma correção definitiva realizada uma única vez.
Combinar tratamentos é melhor?
Não necessariamente.
Combinar procedimentos pode fazer sentido quando existem alterações diferentes que exigem mecanismos diferentes.
Por exemplo, um paciente pode apresentar simultaneamente:
- alteração de qualidade da pele;
- perda de firmeza;
- perda localizada de volume;
- atividade muscular;
- alterações de pigmentação.
Nesse cenário, esperar que uma única ferramenta resolva todas as dimensões seria pouco realista.
Mas isso não significa que utilizar mais procedimentos produza necessariamente um resultado melhor.
Combinação só faz sentido quando cada componente possui uma indicação clara.
Caso contrário, existe apenas acúmulo de tratamentos.
Como o Dr. Rubens Pontello Junior avalia a flacidez facial?
Na avaliação dermatológica, o objetivo não é simplesmente classificar a pessoa como tendo “pouca” ou “muita” flacidez.
A análise procura entender onde está a alteração e o que está produzindo aquela aparência.
Entre os aspectos considerados estão:
- Qualidade da pele: Textura, espessura, pigmentação, dano solar, firmeza e características da superfície.
- Distribuição de volume: Presença de perda, redistribuição ou excesso de volume em determinadas regiões.
- Contorno facial: Transição entre bochecha, mandíbula, queixo e pescoço.
- Estrutura e proporções: Características anatômicas que influenciam suporte e aparência do rosto.
- Movimento: Comportamento da musculatura durante repouso e expressão.
- Histórico: Exposição solar, variações de peso, tratamentos anteriores, condições dermatológicas e outros fatores relevantes.
Quando necessário, a documentação fotográfica e a análise tridimensional com QuantifiCare LifeViz podem complementar o acompanhamento, permitindo comparar determinadas características ao longo do tempo.
Entenda como o LifeViz 3D é utilizado na avaliação dermatológica
O objetivo dessa análise é responder a uma pergunta simples:
o que realmente precisa ser tratado — e o que não precisa?
O maior erro é escolher primeiro o aparelho
Novas tecnologias aparecem continuamente.
Com isso, é natural que pacientes cheguem à consulta perguntando:
“XERF é melhor?”
“Preciso de ultrassom?”
“Devo fazer bioestimulador?”
“Morpheus8 funciona?”
“Qual aparelho levanta mais?”
Essas perguntas são compreensíveis.
Mas elas começam pelo final do raciocínio.
Uma tecnologia pode ser excelente e ainda assim não ser a melhor ferramenta para determinada alteração.
Por isso, na abordagem utilizada pelo Dr. Rubens Pontello Junior, a tecnologia é a última pergunta, não a primeira.
Primeiro:
o que mudou?
Depois:
em qual camada?
Depois:
qual é a prioridade?
E somente então:
qual recurso pode produzir uma resposta biologicamente coerente naquela estrutura?
Flacidez facial tem prevenção?
Não é possível impedir completamente o envelhecimento.
Entretanto, alguns fatores modificáveis influenciam especialmente o envelhecimento da pele.
Entre eles:
- fotoproteção adequada;
- evitar tabagismo;
- tratamento das doenças dermatológicas presentes;
- cuidados tópicos orientados conforme a pele;
- evitar oscilações extremas de peso quando possível;
- hábitos gerais compatíveis com saúde.
Essas medidas não impedem alterações ósseas, ligamentares ou todas as mudanças relacionadas ao tempo.
Mas fazem parte de uma estratégia de saúde da pele ao longo da vida.
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Perguntas frequentes sobre flacidez facial
Qual é o melhor tratamento para flacidez no rosto?
Não existe um tratamento universalmente melhor. Radiofrequência, ultrassom focado, bioestimuladores, lasers, preenchimentos e outras estratégias atuam sobre mecanismos diferentes. A escolha depende da anatomia, da camada predominante e do grau de alteração identificado na avaliação.
O que realmente funciona para firmar a pele do rosto?
Existem tratamentos capazes de produzir melhora de parâmetros relacionados à firmeza e à qualidade da pele em pacientes adequadamente selecionados. Entre eles estão algumas modalidades de radiofrequência, ultrassom focado, bioestimulação e determinados lasers. A magnitude do resultado varia conforme o paciente, a tecnologia, os parâmetros e o mecanismo responsável pela queixa.
Flacidez facial é falta de colágeno?
Não apenas. A perda e remodelação do colágeno fazem parte do envelhecimento cutâneo, mas o envelhecimento facial também envolve gordura, ligamentos, músculos e estrutura óssea.
Radiofrequência ou ultrassom: qual é melhor?
Não existe vencedor universal. São formas diferentes de entregar energia aos tecidos. A escolha depende da profundidade que se pretende atingir, das características anatômicas, da qualidade da pele e do objetivo do tratamento.
Bioestimulador ou XERF: qual é melhor para flacidez?
Eles não são equivalentes. Bioestimuladores são substâncias injetáveis que estimulam processos relacionados à produção de colágeno. O XERF é uma tecnologia de radiofrequência monopolar. Podem ser considerados isoladamente ou dentro de estratégias diferentes, conforme a avaliação.
Flacidez no rosto pode melhorar sem preenchimento?
Sim. Preenchimento não é obrigatório no tratamento da flacidez. Ele pode ser considerado quando existe uma indicação relacionada a volume ou suporte. Outros pacientes podem ter estratégias sem preenchimento.
Dá para melhorar o contorno da mandíbula sem preencher?
Em alguns pacientes, sim. Depende do motivo da perda de definição. Pele, gordura, platisma, estrutura óssea e distribuição de volume podem influenciar o contorno mandibular.
Depois dos 40 anos a flacidez acelera?
O envelhecimento é progressivo e não começa subitamente aos 40 anos. Entretanto, mudanças hormonais, exposição ambiental acumulada e alterações estruturais podem tornar determinados sinais mais perceptíveis nessa fase. A velocidade e o padrão variam entre indivíduos.
Emagrecer deixa o rosto flácido?
Pode aumentar a percepção de flacidez em algumas pessoas, especialmente após perda significativa ou rápida de peso. O efeito depende da quantidade de volume perdido, da elasticidade da pele, da idade e da anatomia facial.
Creme consegue tratar flacidez facial?
Cuidados tópicos podem contribuir para qualidade da pele e determinadas alterações relacionadas ao fotoenvelhecimento, dependendo dos ativos utilizados. Entretanto, um cosmético não reposiciona compartimentos de gordura, não recupera suporte ósseo e não produz os mesmos efeitos de procedimentos que atuam em planos mais profundos.
Colágeno oral acaba com a flacidez?
Não há evidência para afirmar que suplementação oral de colágeno seja capaz de corrigir isoladamente a flacidez facial estrutural. A flacidez possui múltiplos componentes anatômicos e não pode ser reduzida a uma única deficiência nutricional.
Quando a cirurgia deve ser considerada?
Quando existe excesso importante de pele ou deslocamento estrutural significativo, procedimentos não cirúrgicos podem apresentar benefício limitado. Nesses casos, uma avaliação cirúrgica pode ser necessária para discutir possibilidades e expectativas realistas.
Em resumo
A flacidez facial não é uma doença única e não possui um tratamento único.
O que percebemos como “rosto caindo” pode resultar da combinação de alterações na:
pele → gordura → ligamentos → musculatura → estrutura óssea.
Por isso, escolher primeiro um aparelho e depois tentar encaixá-lo no paciente inverte a lógica do tratamento.
Uma abordagem mais racional começa identificando:
- o que mudou;
- qual estrutura participa dessa mudança;
- qual é a prioridade;
- qual resultado é realisticamente possível;
- e somente então qual tratamento ou tecnologia faz sentido.
Essa é a lógica utilizada pelo Dr. Rubens Pontello Junior, médico dermatologista em Londrina, na avaliação do envelhecimento facial.
A tecnologia pode ser uma ferramenta importante.
A indicação vem antes dela.
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Sobre o autor
Dr. Rubens Pontello Junior
Médico dermatologista
CRM-PR 24.645 | RQE 2.050
Londrina — Paraná
Sua prática integra dermatologia, cosmiatria, estudo do envelhecimento facial, qualidade da pele e tecnologias médicas. A avaliação parte da anatomia e das características individuais de cada paciente antes da escolha de procedimentos ou equipamentos.
Revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior
Última revisão: 29 de setembro de 2026
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Conteúdo médico informativo: Este artigo possui finalidade educativa e não substitui consulta médica. A indicação de qualquer tratamento depende de avaliação individual, histórico clínico, exame da pele, anatomia facial, objetivos e contraindicações de cada paciente.
