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  • Quanto tempo dura a harmonização facial? Entenda a duração e a manutenção dos resultados

    Quanto tempo dura a harmonização facial? Entenda a duração e a manutenção dos resultados

    Por Dr. Rubens Pontello Junior — Médico dermatologista em Londrina
    CRM-PR 24.645 | RQE 2.050

    A harmonização facial não tem uma duração única. O tempo de permanência dos resultados depende dos procedimentos realizados, dos produtos, das regiões tratadas e da resposta individual. Preenchimento com ácido hialurônico, bioestimuladores de colágeno e tratamentos para qualidade da pele não evoluem da mesma maneira. Por isso, não é preciso — nem necessariamente adequado — repetir todo o planejamento quando uma parte do resultado muda.

    Há outra distinção importante: redução do inchaço, diminuição do efeito estético e absorção do produto são situações diferentes. Um rosto menos volumoso do que nos primeiros dias não demonstra, sozinho, que o preenchimento desapareceu. Da mesma forma, a presença de material nos tecidos não significa que o resultado continue igual ou que uma nova aplicação seja indicada.

    A harmonização de Vini Jr. “saiu”? O que uma notícia pode nos ensinar

    Em 7 de outubro de 2026, uma reportagem do Gshow sobre a aparência de Vini Jr. repercutiu a dúvida sobre a duração de procedimentos estéticos após comparações de fotografias. A matéria questiona a ideia de desaparecimento completo do resultado; não comprova que isso aconteceu.

    O debate ajuda a formular uma pergunta útil para qualquer paciente: o que realmente mudou desde o tratamento? Fotografias públicas, sem conhecimento do histórico clínico, não permitem identificar todos os procedimentos, medir a absorção de produtos ou definir necessidade de manutenção. Ângulo, iluminação, expressão e o momento da recuperação podem modificar a comparação.

    Este artigo não avalia clinicamente o jogador. A repercussão serve como ponto de partida para explicar a duração dos diferentes componentes de um planejamento facial.

    Por que o resultado pode parecer menor depois das primeiras semanas?

    Depois de procedimentos injetáveis, pode ocorrer edema, que é o inchaço dos tecidos. Essa alteração transitória participa da aparência inicial. À medida que a recuperação acontece, o rosto pode ficar menos volumoso, sem que essa mudança corresponda à perda de todo o efeito do tratamento.

    O tempo de recuperação varia conforme procedimento, região, extensão da aplicação e resposta individual. O médico deve orientar quando comparar fotografias e quando retornar. Inchaço persistente, progressivo ou acompanhado de outros sintomas merece avaliação; não deve ser automaticamente considerado parte normal da recuperação.

    O que está sendo observado O que significa O que não permite concluir sozinho
    Redução do inchaço Parte da mudança inicial pode estar ligada à recuperação dos tecidos. Que todo o produto foi absorvido.
    Diminuição do efeito visível O resultado percebido mudou em relação à comparação anterior. Que repetir a mesma quantidade é a melhor conduta.
    Material identificado nos tecidos Há achados compatíveis com persistência de material na região examinada. Que o benefício estético permanece igual ou que não existem complicações.

    Harmonização facial é mais do que preenchimento

    Harmonização facial é um termo utilizado para um planejamento que pode considerar proporções, volumes, contorno, expressão e características da pele. Não corresponde a um produto único ou a uma receita de pontos de aplicação.

    Na abordagem apresentada pelo Dr. Rubens Pontello Junior, médico dermatologista em Londrina–PR, CRM-PR 24.645 | RQE 2.050, no artigo sobre harmonização facial além do preenchimento, a avaliação do rosto precede a escolha dos recursos. O objetivo é compreender quais alterações participam da queixa e quais delas realmente têm indicação de tratamento.

    Uma percepção de perda de contorno pode envolver anatomia, volume, posição dos tecidos, firmeza da pele ou uma combinação de fatores. Aumentar o volume indiscriminadamente não resolve todas essas situações. Estimular colágeno também não é uma resposta universal.

    Avaliar diferentes camadas e estruturas não significa intervir em todas elas. Dependendo do caso, o planejamento pode priorizar qualidade da pele, bioestimulação ou preenchimento localizado. Também pode indicar acompanhamento sem novos procedimentos. A individualização preserva proporções, expressão e identidade facial.

    Quanto tempo dura o preenchimento com ácido hialurônico?

    O preenchimento com ácido hialurônico utiliza um gel injetável para modificar determinados aspectos de volume, projeção ou contorno. Sua duração depende da formulação, da área tratada, da técnica e do resultado avaliado.

    Como referência geral, a FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, descreve efeitos de materiais à base de ácido hialurônico em torno de 6 a 12 meses [1]. Essa informação não representa um limite para todos os produtos. Há documentação específica de maior duração: no estudo descrito no material de orientação do Juvéderm Voluma XC para aumento de volume das bochechas, resultados chegaram a dois anos em uma maioria dos participantes [2]. O protocolo incluiu possibilidade de retoque.

    Esses dados ilustram a variação entre produtos e indicações. Não significam que qualquer preenchimento dure dois anos, que a aparência permaneça constante durante todo o período ou que a reaplicação deva ocorrer exatamente no mês indicado. Informações regulatórias estrangeiras também não substituem a verificação do produto e de suas indicações no Brasil.

    O produto pode permanecer depois que o efeito parece diminuir?

    Sim, isso pode acontecer. Um estudo publicado em 2024 avaliou ressonâncias do terço médio facial de 33 pacientes que relataram não receber preenchimento naquela região havia pelo menos dois anos. Os autores encontraram achados compatíveis com persistência de ácido hialurônico em todos os casos [3].

    É um estudo observacional pequeno, sem acompanhamento seriado desde a aplicação. Ele não mede uma duração universal, não determina a mesma evolução para lábios ou outras áreas e não demonstra que todo o sinal identificado corresponda a gel intacto ou benefício estético preservado.

    A implicação prática é evitar a suposição de que um produto necessariamente desapareceu porque passou determinado número de meses. Histórico, exame e, quando houver indicação clínica, métodos de imagem podem ajudar a avaliação. O estudo não justifica solicitar ressonância de rotina para todos os pacientes.

    Quanto tempo duram os resultados dos bioestimuladores de colágeno?

    Os bioestimuladores de colágeno são materiais utilizados para induzir uma resposta dos tecidos relacionada à formação de colágeno. Sua evolução depende do material, da aplicação e do organismo. “Bioestimulador” não identifica um único produto.

    PLLA: resposta progressiva

    O ácido poli-L-láctico, ou PLLA, é o componente bioestimulador do Sculptra. A melhora relacionada ao tratamento é progressiva. A documentação da FDA para correção de linhas e rugas das bochechas informa resultados que podem durar até 24 meses, em contexto de um estudo que permitiu até quatro sessões [4]. Esse prazo não é uma garantia individual nem corresponde necessariamente ao efeito de uma aplicação isolada.

    CaHA: a indicação e a forma de aplicação importam

    A hidroxiapatita de cálcio, ou CaHA, tem propriedades diferentes do PLLA. A FDA descreve efeitos em torno de 18 meses para seu uso como material de preenchimento [1]. Não é correto transferir automaticamente esse prazo para qualquer protocolo de bioestimulação com CaHA diluída ou hiperdiluída.

    A formulação, a diluição e o plano de aplicação interferem no objetivo do tratamento. Comparar materiais exige saber se estamos avaliando correção de volume, características da pele ou outro desfecho.

    Produtos híbridos têm componentes diferentes

    Alguns produtos combinam ácido hialurônico e CaHA. O componente de suporte e a resposta de bioestimulação não devem ser interpretados como um efeito único, com começo e término iguais. Também não é adequado deduzir a duração de um produto híbrido apenas a partir dos prazos de seus componentes isolados.

    O tempo para aparecer uma melhora, o tempo de observação dessa melhora e a necessidade de manutenção são perguntas diferentes. A resposta deve considerar o produto efetivamente utilizado e o objetivo estabelecido na consulta.

    Resumo: por que não existe um prazo único?

    Recurso Referência de duração Limite da interpretação
    Ácido hialurônico Referência geral de 6 a 12 meses; há produtos com dados de até 24 meses em indicações específicas [1,2]. Produto, região e protocolo precisam ser identificados. Efeito visível não equivale à absorção completa.
    PLLA / Sculptra Resultados de até 24 meses em indicação e protocolo estudados [4]. Não garante a mesma resposta em todos os pacientes ou após uma sessão.
    CaHA Referência aproximada de 18 meses em uso como material de preenchimento [1]. Não aplicar esse prazo indistintamente à bioestimulação diluída ou a produtos híbridos.
    Tratamentos de qualidade da pele e tecnologias Precisam de dados próprios para a alteração e o tratamento escolhidos. Não existe uma duração compartilhada por todos os lasers, radiofrequências, ultrassons e cuidados dermatológicos.

    Os períodos apresentados são referências de estudos e documentação regulatória, não um calendário de reaplicação. Uma duração maior também não torna um produto automaticamente mais adequado para determinado rosto.

    Qualidade da pele também faz parte do planejamento facial

    Modificar volume não trata necessariamente manchas, irregularidades de textura, alterações vasculares ou outros problemas da pele. Da mesma forma, melhorar a superfície cutânea não corrige toda alteração de projeção ou volume.

    Na avaliação dermatológica, a qualidade da pele pode envolver firmeza, textura, uniformidade da pigmentação, hidratação e integridade da barreira cutânea. Cada dimensão pode exigir uma conduta própria. Por isso, a sensação de que o rosto “voltou ao que era” precisa ser examinada: o que mudou foi o contorno, a firmeza, a textura ou outra característica?

    Tratamentos tópicos, cuidados de rotina e tecnologias podem integrar o planejamento quando houver indicação. Lasers, radiofrequência e ultrassom têm mecanismos, profundidades e limitações diferentes. Sua escolha deve acompanhar o diagnóstico, e não a intenção de utilizar todos os recursos disponíveis.

    Falar em manutenção da pele pode envolver continuidade de cuidados ou tratamento de uma condição específica. Isso é diferente de repetir um preenchimento e não deve ser vendido como forma garantida de prolongar um injetável.

    O que pode modificar a aparência ao longo do tempo?

    O rosto continua mudando depois de um procedimento. Envelhecimento, oscilações de peso e alterações dos tecidos podem influenciar a aparência, mesmo que um produto ainda esteja presente. Fotografias feitas em condições diferentes também podem sugerir mudanças maiores ou menores do que as observadas em uma avaliação padronizada.

    Quem pratica exercício perde o preenchimento mais rápido?

    Não é adequado afirmar que qualquer pessoa que treina absorve o preenchimento rapidamente. A aparência facial de um atleta pode mudar por diferentes motivos, inclusive alterações de composição corporal. Isso não equivale a demonstrar que o exercício, isoladamente, acelerou a degradação do gel.

    Uma estimativa individual exige conhecer o tratamento e acompanhar o resultado. “Metabolismo acelerado” não deve substituir essa investigação nem servir como justificativa automática para aplicações mais frequentes.

    Skincare e proteção solar fazem o preenchimento durar mais?

    Cuidados dermatológicos podem ser importantes para a saúde da pele conforme a indicação. Mas benefícios gerais para a pele não devem ser convertidos em promessa de maior permanência de um preenchedor. Um hábito pode interferir na aparência dos tecidos sem que isso demonstre alteração direta da absorção do produto.

    Na consulta: como o Dr. Rubens avalia quando a harmonização parece ter “saído”

    As respostas abaixo são do Dr. Rubens Pontello Junior, médico dermatologista em Londrina–PR, sobre as situações mais comuns na reavaliação de pacientes que já fizeram harmonização facial.

    O que é avaliado primeiro?

    “Primeiro, procuro entender o que o paciente percebe como perda de resultado. Ele está falando de projeção do queixo, contorno da mandíbula, volume das bochechas ou firmeza da pele? Essas queixas podem parecer semelhantes, mas envolvem estruturas e tratamentos diferentes. Depois, comparo o aspecto atual com os registros anteriores e reviso quais produtos foram utilizados, em quais regiões e há quanto tempo. Também considero mudanças de peso e a possibilidade de a comparação estar sendo feita com o período de inchaço. A percepção do paciente é importante, mas não permite concluir, sozinha, que o produto foi absorvido.”

    Quando é melhor esperar em vez de reaplicar?

    “Recomendo esperar quando o resultado ainda está em evolução ou quando não identifico uma indicação clara para acrescentar produto. Isso pode acontecer durante a recuperação de um preenchimento ou enquanto se desenvolve a resposta de um tratamento de bioestimulação. Também é preciso cautela quando o rosto já apresenta volume suficiente, mas a insatisfação está relacionada à firmeza, à textura ou a outra característica da pele. Se houver inchaço persistente, nódulos, dor ou assimetria inesperada, a prioridade é investigar a causa. Nesses casos, reaplicar não deve ser uma tentativa de resolver algo que ainda não foi compreendido.”

    O equívoco de querer “refazer tudo”

    “Uma premissa que precisa ser revista é imaginar que todo o planejamento anterior perdeu o efeito ao mesmo tempo. O rosto continua mudando, e os tratamentos utilizados têm funções e evoluções distintas. Repetir as mesmas regiões e quantidades sem uma nova avaliação pode acrescentar volume onde ele já é suficiente e deixar sem tratamento a alteração que realmente incomoda. A pergunta mais útil não é ‘quanto vamos colocar novamente?’, mas ‘o que este rosto precisa hoje?’. Às vezes, a resposta envolve uma intervenção localizada; em outras, cuidados com a pele ou acompanhamento.”

    Como a evolução é documentada

    “Uma comparação útil exige registros feitos em condições semelhantes: iluminação, posicionamento da cabeça, distância da câmera e expressão. Fotografias de redes sociais dificilmente oferecem esse controle. A documentação padronizada permite observar mudanças com mais consistência e discutir com o paciente o que melhorou, o que permanece e quais são os limites do tratamento. O LifeViz pode complementar esse acompanhamento com registros tridimensionais, mas não mede, por si só, a absorção de um preenchedor. O momento da reavaliação deve acompanhar o procedimento e a resposta esperada; não existe um intervalo único adequado para todos.”

    No acompanhamento do Dr. Rubens, o LifeViz é utilizado em todas as consultas, antes e depois de todos os procedimentos. Saiba mais sobre o uso do QuantifiCare LifeViz na consulta dermatológica.

    Volume e qualidade da pele: um exemplo

    “Um exemplo didático é uma pessoa que percebe o rosto menos definido e acredita precisar de mais preenchimento. Na avaliação, é possível encontrar projeção e volume adequados, enquanto a queixa está relacionada principalmente à firmeza ou à textura da pele. Nessa situação, acrescentar volume pode deixar a face mais pesada sem responder ao problema principal. O contrário também acontece: uma pele bem cuidada não elimina uma necessidade específica de correção de projeção ou proporção. Por isso, separo essas dimensões na avaliação, embora elas participem juntas da aparência do rosto.”

    Quando fazer manutenção da harmonização facial?

    A manutenção deve ser definida pela reavaliação, não apenas pelo calendário. Antes de indicar uma nova intervenção, é necessário comparar o objetivo inicial com o resultado atual e verificar o que realmente precisa ser tratado.

    Essa avaliação considera o histórico de produtos e regiões, a resposta obtida, eventuais efeitos adversos e mudanças do próprio rosto. Fotografias clínicas com condições semelhantes ajudam a comparação, mas não substituem o exame.

    Na prática, a conduta pode ser repetir um recurso em uma área selecionada, mudar a estratégia, tratar outra característica da pele ou aguardar. Não é obrigatório refazer toda a harmonização, nem reproduzir a quantidade utilizada anteriormente.

    Por que acrescentar produto pode não resolver?

    Se a alteração percebida estiver ligada à flacidez, à qualidade da pele ou à mudança das proporções, aumentar volume pode não responder à necessidade. Aplicações sucessivas sem avaliação podem levar a excesso de volume ou complicações. Mesmo quando o preenchimento continua indicado, quantidade e localização devem ser revistas.

    Um planejamento responsável também precisa reconhecer limites. Nem toda alteração pode ser corrigida por procedimentos não cirúrgicos, e combinar tratamentos não garante resultado superior para todas as pessoas.

    Riscos e sinais que exigem avaliação

    Procedimentos injetáveis podem provocar inchaço, sensibilidade e manchas roxas. Também podem ocorrer infecção, nódulos, reações inflamatórias e outras complicações, inclusive tardias. Nos preenchimentos, a injeção inadvertida em um vaso sanguíneo pode causar necrose da pele e complicações graves, como alterações visuais e acidente vascular cerebral [5].

    Dor intensa ou incomum, mudança importante da cor da pele ou sintomas visuais após aplicação exigem atendimento imediato. Não espere uma consulta de manutenção nem tente corrigir a situação acrescentando produto.

    Materiais diferentes têm possibilidades de manejo diferentes. A hialuronidase pode ser utilizada em situações selecionadas relacionadas ao ácido hialurônico, sob avaliação médica, mas não dissolve todos os tipos de bioestimuladores. Ter uma possibilidade de tratamento não torna um procedimento livre de riscos [5].

    Condições de saúde, medicamentos, alergias, gestação, amamentação e histórico de procedimentos precisam ser informados na consulta. A segurança deve ser avaliada para o produto e a indicação específicos.

    Perguntas frequentes sobre a duração da harmonização facial

    A harmonização facial pode “sumir” em dois ou três meses?

    Uma mudança de aparência nesse período não comprova absorção completa do produto. Redução de inchaço, diferenças nas fotografias e mudanças do rosto precisam ser consideradas. Se o resultado parecer inadequado ou houver sintomas, a conduta é retornar para avaliação.

    Preciso refazer a harmonização facial todos os anos?

    Não existe uma obrigação anual. Cada componente do planejamento deve ser reavaliado conforme seu objetivo, sua evolução e as necessidades atuais. Uma consulta de acompanhamento não implica necessariamente nova aplicação.

    Quanto tempo leva para ver o resultado final?

    Depende do procedimento. O resultado de um preenchimento deve ser avaliado considerando a recuperação dos tecidos; tratamentos de bioestimulação envolvem resposta progressiva. O profissional responsável deve orientar o período de avaliação para o tratamento realizado.

    Bioestimulador dura mais que preenchimento?

    Não é possível estabelecer um vencedor universal. Produtos, regiões e objetivos diferem, e os estudos podem avaliar desfechos distintos. A indicação deve considerar a necessidade clínica, não apenas o maior prazo anunciado.

    Se não percebo o preenchimento, ele já foi absorvido?

    Não necessariamente. A percepção estética e a persistência de material nos tecidos são diferentes. Exame, histórico e, em situações selecionadas, métodos de imagem podem ajudar a investigação.

    É possível fazer harmonização facial sem preenchimento?

    Sim. Se não houver indicação para modificar volume ou projeção com preenchimento, o planejamento pode considerar outras necessidades ou apenas acompanhamento. Nenhum paciente precisa receber todos os recursos disponíveis.

    Aplicar mais produto faz o resultado durar mais?

    Não é uma estratégia universal. A quantidade deve corresponder à indicação e à anatomia. Aumentar volume com a intenção de prolongar o efeito pode produzir excesso e não resolver a causa da insatisfação.

    Antes de repetir, entenda o que mudou

    A pergunta sobre duração deve ser acompanhada de outra: qual resultado está sendo avaliado? Contorno, volume, firmeza e qualidade da pele não mudam da mesma maneira. Entender essa diferença ajuda a construir expectativas realistas e evita transformar manutenção em repetição automática de procedimentos.

    O Dr. Rubens Pontello Junior atende no Instituto Pontello, em Londrina–PR. A avaliação individual permite discutir as necessidades do rosto, as alternativas, os limites e a pertinência de acompanhamento ou tratamento.

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    Conteúdo educativo. As informações não substituem avaliação médica individualizada.

    Referências

    1. FDA. FDA-Approved Dermal Fillers. Referências gerais sobre materiais; as indicações regulatórias citadas são dos Estados Unidos.
    2. FDA. About Juvéderm Voluma XC — patient labeling. Dados de duração para aumento de volume das bochechas em protocolo específico.
    3. Master M, Azizeddin A, Master V. Hyaluronic Acid Filler Longevity in the Mid-face: A Review of 33 Magnetic Resonance Imaging Studies. Plastic and Reconstructive Surgery – Global Open. 2024;12(7):e5934. DOI: 10.1097/GOX.0000000000005934.
    4. FDA. Sculptra – P030050/S039. Indicação aprovada em 2023 para linhas e rugas das bochechas e informações sobre o estudo clínico.
    5. FDA. Dermal Filler Do’s and Don’ts for Wrinkles, Lips and More. Segurança e complicações dos preenchimentos.
  • PLLA e CaHA: diferenças entre os bioestimuladores de colágeno

    PLLA e CaHA: diferenças entre os bioestimuladores de colágeno

    Por Dr. Rubens Pontello Junior — Médico dermatologista em Londrina
    CRM-PR 24.645 | RQE 2.050

    PLLA e CaHA são duas siglas que aparecem com frequência quando o assunto é bioestimulador de colágeno. A primeira corresponde ao ácido poli-L-láctico, conhecido pelo nome comercial Sculptra®. A segunda, à hidroxiapatita de cálcio, conhecida pelo nome comercial Radiesse®. Ambos estimulam o organismo a produzir colágeno, mas são materiais distintos, que se comportam de maneiras diferentes no tecido.

    Este artigo explica o que cada um é, como agem, o que a ciência mostra até aqui e por que a escolha entre eles não pode ser feita por comparação de rótulos.

    Resposta direta

    PLLA (ácido poli-L-láctico) e CaHA (hidroxiapatita de cálcio) são bioestimuladores de colágeno de composição diferente. O PLLA é um polímero sintético absorvível, cujo efeito se desenvolve de forma gradual ao longo de semanas a meses. A CaHA é formada por microesferas de mineral suspensas em um gel, que oferece algum volume já na aplicação, enquanto as microesferas estimulam a produção de colágeno. Os dois podem estimular colágeno, e nenhum é superior ao outro de forma universal: a indicação depende da avaliação individual de cada rosto.

    Neste artigo

    1. O que são bioestimuladores de colágeno?
    2. O que é PLLA?
    3. O que é CaHA?
    4. PLLA e CaHA: quais são as principais diferenças?
    5. Para que esses materiais podem ser utilizados?
    6. Qual é melhor: PLLA ou CaHA?
    7. Quando aparecem os resultados e quanto tempo duram?
    8. Quais são os riscos e os cuidados?
    9. Perguntas frequentes
    10. A escolha começa pela avaliação
    11. Referências

    O que são bioestimuladores de colágeno?

    Bioestimuladores de colágeno são substâncias injetáveis que provocam uma resposta controlada do tecido, levando células chamadas fibroblastos a produzir colágeno novo ao longo do tempo.4 O objetivo é melhorar a sustentação e a qualidade da pele a partir de uma resposta do próprio organismo. Uma visão geral desse grupo de tratamentos está na página sobre bioestimuladores de colágeno.

    É útil separar três ideias que costumam ser confundidas:

    • Bioestimulação é o mecanismo: o estímulo à produção de colágeno, que acontece de forma progressiva.
    • Preenchimento é a reposição de volume pelo próprio material injetado, perceptível logo após a aplicação.
    • Resultado clínico é o que se observa no rosto, e depende do material, da região, da forma de uso e da resposta de cada pessoa.

    Essas categorias não são estanques. Alguns materiais combinam efeito de volume imediato e bioestimulação, e a proporção entre eles muda conforme o produto e a forma de utilização.6 A diferença entre bioestimulador e preenchimento com ácido hialurônico, por isso, é de predominância, não de oposição absoluta.

    O que é PLLA?

    PLLA é a sigla de ácido poli-L-láctico, um polímero sintético, biocompatível e absorvível pelo organismo. O produto mais conhecido dessa categoria é o Sculptra®, mas o nome comercial não deve ser confundido com a substância: existem outras formulações à base de PLLA, e os dados de um produto não se transferem automaticamente para outro.

    O PLLA é apresentado como pó, que precisa ser reconstituído com água estéril antes da aplicação.13 Logo após o procedimento, o volume percebido vem principalmente do líquido injetado, que é absorvido em poucos dias. O efeito que interessa ao tratamento se forma depois.4

    Como o tecido responde ao PLLA

    As micropartículas de PLLA desencadeiam uma reação inflamatória controlada, chamada reação de corpo estranho subclínica. Células de defesa envolvem as partículas e liberam sinais que ativam os fibroblastos, que passam a depositar colágeno, predominantemente do tipo I.4 Esse processo leva semanas a meses e é a razão pela qual o tratamento com PLLA costuma ser planejado em mais de uma sessão, com intervalos entre elas.11,13

    O que é CaHA?

    CaHA é a sigla de hidroxiapatita de cálcio, um mineral semelhante ao componente mineral dos ossos e dentes. No produto mais estudado, o Radiesse®, a CaHA está na forma de microesferas de 25 a 45 micrômetros, suspensas em um gel aquoso de carboximetilcelulose e glicerina.12,14

    O gel ocupa espaço no momento da aplicação, o que gera um efeito de volume já perceptível. Com o tempo, o gel é absorvido e as microesferas funcionam como uma estrutura de apoio, em torno da qual os fibroblastos produzem colágeno.5 Em um estudo histológico com biópsias, a CaHA foi associada a aumento de colágeno e de fibras elásticas em comparação com um preenchedor de ácido hialurônico.5

    A forma de utilização muda o comportamento

    A CaHA pode ser usada em sua forma original, quando o objetivo inclui volume e contorno, ou diluída, quando a intenção é distribuir o material em uma área maior e priorizar o estímulo de colágeno na pele. Essa distinção vem principalmente de consensos de especialistas, que têm nível de evidência menor do que ensaios clínicos.6 A forma diluída tem dados controlados recentes em uma indicação específica, as rugas do colo.12

    E os produtos híbridos?

    Existem também produtos que combinam CaHA e ácido hialurônico na mesma seringa, como o HarmonyCa™. Eles não são equivalentes à CaHA isolada: reúnem o efeito de volume do ácido hialurônico ao estímulo da CaHA. Uma revisão sistemática sobre essas combinações encontrou resultados estéticos favoráveis e eventos adversos em geral leves, mas destacou a necessidade de estudos mais longos e de protocolos padronizados.9

    PLLA e CaHA: quais são as principais diferenças?

    A principal diferença está na composição e na forma como o efeito se distribui no tempo. Ambos estimulam colágeno, e em ambos o resultado final depende do protocolo. A tabela resume os mesmos critérios para os dois materiais.

    Critério PLLA (ácido poli-L-láctico) CaHA (hidroxiapatita de cálcio)
    Composição Micropartículas de polímero sintético absorvível, reconstituídas em água estéril antes do uso. Microesferas de mineral (25 a 45 µm) em gel de carboximetilcelulose.
    Comportamento inicial O volume inicial vem do líquido e desaparece em poucos dias. O gel oferece volume perceptível no momento da aplicação.
    Desenvolvimento dos efeitos Progressivo, por estímulo de colágeno ao longo de semanas a meses. Volume inicial seguido de estímulo de colágeno em torno das microesferas, também progressivo.
    Objetivos clínicos estudados Perda de volume facial (incluindo lipoatrofia), sulcos e rugas faciais. Sulcos e rugas faciais, lipoatrofia, dorso das mãos e, na forma diluída, rugas do colo.
    Particularidades do planejamento Costuma exigir mais de uma sessão, com intervalos; a reconstituição e a técnica influenciam a segurança. Pode ser usada pura ou diluída, com objetivos diferentes; é visível em exames de imagem como tomografia.
    Comparação direta Os estudos disponíveis avaliaram cada material separadamente, com comparadores e protocolos diferentes. Isso não permite afirmar que um seja superior ao outro.

    Fontes da tabela: referências 1 a 6, 11 a 14.

    Para que esses materiais podem ser utilizados?

    Na face, PLLA e CaHA foram estudados principalmente para recuperar volume perdido, suavizar sulcos e rugas e melhorar aspectos relacionados à firmeza e à qualidade da pele.1–3

    • PLLA: uma revisão sistemática reuniu 11 ensaios clínicos randomizados, com cerca de 1.268 participantes, a maioria tratada para lipoatrofia facial e para sulcos nasogenianos. Os autores observaram melhora, mas classificaram a qualidade da evidência como baixa.2
    • CaHA: uma revisão de 13 estudos controlados, com 1.171 participantes, encontrou melhora estética consistente na face e no dorso das mãos. A maior parte desses estudos não era randomizada nem cega.3

    As indicações aprovadas variam entre países e entre produtos. Nos Estados Unidos, por exemplo, a FDA aprovou o Sculptra® para lipoatrofia facial associada ao HIV (2004), sulcos nasogenianos e outras rugas faciais (2009) e linhas finas da bochecha (2023).11 O Radiesse® foi aprovado para sulcos e rugas faciais moderados a graves e para lipoatrofia associada ao HIV (2006), para o dorso das mãos (2015) e, na forma diluída, para rugas do colo (2026).12 Usos fora dessas indicações existem na prática clínica, mas devem ser entendidos como tal.

    O que esses materiais não resolvem

    O envelhecimento do rosto envolve pele, gordura, ligamentos, músculos e ossos. Estimular colágeno atua sobre parte desse conjunto, não sobre todas as suas causas. Excesso de pele, flacidez acentuada ou perda de sustentação profunda podem exigir outras abordagens. O artigo sobre as causas da flacidez no rosto detalha essas estruturas e por que nenhum material resolve todas elas.

    Qual é melhor: PLLA ou CaHA?

    Não há um melhor em termos absolutos. Os estudos disponíveis não comparam os dois materiais frente a frente de forma robusta: cada um foi avaliado contra comparadores diferentes, como colágeno, ácido hialurônico ou ausência de tratamento.2,3 Uma revisão sistemática que analisou os dois concluiu que ambos são eficazes e seguros para a face, e que ainda é necessário padronizar técnicas e avaliar a segurança a longo prazo.1

    A escolha, portanto, é clínica. Na avaliação, o dermatologista considera:

    • a queixa principal: perda de volume, contorno, qualidade da pele ou uma combinação;
    • a anatomia: estrutura óssea, distribuição de gordura e espessura dos tecidos;
    • a região: cada área do rosto tem riscos e respostas próprios;
    • tratamentos anteriores: produtos já aplicados e sua localização;
    • condições de saúde: doenças, medicamentos em uso, alergias, gestação ou amamentação;
    • expectativas: o tempo que a pessoa aceita esperar pelo resultado e o que é realista alcançar.

    Em alguns casos, um dos materiais faz mais sentido; em outros, nenhum dos dois é a prioridade. A avaliação do envelhecimento facial vem antes da escolha do produto.

    Quando aparecem os resultados e quanto tempo duram?

    É preciso diferenciar o efeito inicial da mudança progressiva. Com PLLA, quase todo o resultado é progressivo, e a melhora costuma ser avaliada ao longo de meses.4 Com CaHA, parte do efeito é imediata, pelo volume do gel, e outra parte se desenvolve com o estímulo de colágeno.5

    Sobre a duração, os números dependem do produto, da região, do protocolo e do tempo de acompanhamento de cada estudo:

    • Em um estudo randomizado com PLLA para sulcos nasogenianos, a melhora avaliada pelos investigadores se manteve acima de 85% até 25 meses.7
    • No estudo que levou à aprovação do Sculptra® para a bochecha, com até 4 sessões, 70,7% dos tratados responderam ao tratamento em 12 meses, contra 25,9% dos controles sem tratamento.11
    • Em um estudo randomizado com CaHA, com duas sessões, 79% dos sulcos tratados ainda apresentavam melhora em 12 meses, contra 43% dos tratados com o ácido hialurônico usado como comparação.8
    • Uma revisão sistemática descreveu efeitos de até 25 meses para PLLA e de 12 a 18 meses para CaHA nos estudos incluídos, avaliados separadamente.1

    Esses dados descrevem grupos de pacientes em condições de estudo, não uma garantia individual. O número de sessões, o intervalo entre elas e a necessidade de manutenção são definidos caso a caso, e o próprio envelhecimento continua ao longo do tempo.

    A diferença entre inchaço, resultado visível e permanência do produto, além dos critérios de manutenção, está detalhada no artigo quanto tempo dura a harmonização facial.

    Quais são os riscos e os cuidados?

    Os efeitos mais comuns dos dois materiais são locais e temporários: inchaço, vermelhidão, dor ou sensibilidade e hematomas no local da aplicação.2,3

    Pápulas e nódulos

    Com PLLA, pequenos nódulos sob a pele são o evento mais discutido. A frequência variou muito entre os estudos, chegando a 41% em um ensaio antigo, com protocolo diferente do atual, e foi baixa em estudos recentes.2,11 As instruções de uso do fabricante registram que eles podem surgir semanas ou meses depois da aplicação.13 Com CaHA, nódulos na face foram pouco frequentes nos estudos controlados.3 Nos lábios, a segurança da CaHA não foi estabelecida e há relatos de nódulos.14

    Complicações vasculares

    Qualquer material injetável pode, raramente, obstruir um vaso sanguíneo, com risco de necrose da pele e, em casos excepcionais, de perda da visão. Uma revisão de 511 casos de perda visual após preenchimentos, publicados ao longo de um século, identificou 13 casos associados à CaHA e 7 ao PLLA, entre outros materiais.10 Uma revisão sistemática registrou um caso grave de necrose por compressão com CaHA.1 Por isso, conhecimento de anatomia, técnica e acompanhamento médico são parte do tratamento.

    Contraindicações e situações de cautela

    As instruções de uso dos fabricantes listam, entre outras situações: alergia aos componentes, infecção ou inflamação ativa na região, histórico de queloides (no caso do PLLA) e distúrbios de coagulação (no caso da CaHA). A segurança não foi estabelecida na gestação e na amamentação, e há cautela em doenças autoimunes ou do tecido conjuntivo.13,14 A CaHA também aparece em exames de imagem, como tomografia, o que deve ser informado ao médico que solicitar o exame.14

    Qualquer alteração depois do procedimento, como dor intensa, mudança de cor da pele ou alteração visual, deve ser comunicada imediatamente ao médico responsável.

    Perguntas frequentes

    PLLA e CaHA são a mesma coisa?

    Não. Os dois são bioestimuladores de colágeno, mas o PLLA é um polímero sintético absorvível e a CaHA é um mineral em microesferas suspensas em gel. Eles se comportam de forma diferente no tecido e no tempo.

    Bioestimulador é igual a preenchimento?

    Não exatamente. O preenchimento repõe volume com o próprio material; o bioestimulador estimula o organismo a produzir colágeno. Alguns produtos, como a CaHA, fazem as duas coisas em proporções diferentes.

    Sculptra e Radiesse são equivalentes?

    Não. Sculptra® é um produto à base de PLLA e Radiesse®, à base de CaHA. Têm composição, comportamento e indicações aprovadas diferentes, e não há estudos robustos que os comparem frente a frente.

    Podem ser usados em qualquer região?

    Não. Cada produto tem regiões estudadas e regiões em que o uso não é recomendado, como os lábios no caso da CaHA. A indicação considera a anatomia e os riscos de cada área.

    Uma sessão é suficiente?

    Depende do material, da região e do objetivo. O PLLA costuma ser planejado em mais de uma sessão. Com CaHA, o número varia conforme o caso. O plano é definido na avaliação.

    É possível associá-los a outros tratamentos?

    Sim, quando a avaliação identifica mais de um componente no envelhecimento do rosto. Bioestimuladores podem fazer parte de um plano com outras abordagens, em sequência definida pelo médico.

    Como saber qual faz sentido para mim?

    Somente com avaliação presencial. O médico analisa queixa, anatomia, qualidade da pele, histórico de saúde, tratamentos anteriores e expectativas antes de indicar qualquer material, ou de indicar que nenhum deles é necessário.

    A escolha começa pela avaliação

    PLLA e CaHA são ferramentas diferentes, com evidências próprias e limites claros. Saber qual delas faz sentido, ou se alguma faz, depende do que mudou no rosto de cada pessoa. O Dr. Rubens Pontello Junior, médico dermatologista em Londrina, realiza essa avaliação em consulta.

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    Conteúdo educativo. Não substitui consulta médica: a indicação de qualquer tratamento depende de avaliação individual. Sculptra® e Radiesse® são marcas registradas de seus respectivos fabricantes e foram citadas apenas como exemplos.

    Referências

    1. Ferreira ACM, Silva LR, Espasandin I, et al. Efficacy, Durability, and Safety of Collagen Biostimulators Based on Poly-L-Lactic Acid (PLLA) and Calcium Hydroxyapatite (CaHA) in the Face: A Systematic Review. Aesthetic Plastic Surgery. 2026;50(3):1291–1300. doi:10.1007/s00266-025-05412-8
    2. Signori R, de Paula Barbosa A, Cezar-dos-Santos F, et al. Efficacy and Safety of Poly-l-Lactic Acid in Facial Aesthetics: A Systematic Review. Polymers. 2024;16(18):2564. doi:10.3390/polym16182564
    3. Amiri M, Meçani R, Llanaj E, et al. Calcium Hydroxylapatite (CaHA) and Aesthetic Outcomes: A Systematic Review of Controlled Clinical Trials. Journal of Clinical Medicine. 2024;13(6):1686. doi:10.3390/jcm13061686
    4. Avelar LE, Nabhani S, Wüst S. Unveiling the Mechanism: Injectable Poly-L-Lactic Acid’s Evolving Role—Insights From Recent Studies. Journal of Cosmetic Dermatology. 2025;24(1):e16635. doi:10.1111/jocd.16635
    5. Yutskovskaya Y, Kogan E, Leshunov E. A Randomized, Split-Face, Histomorphologic Study Comparing a Volumetric Calcium Hydroxylapatite and a Hyaluronic Acid-Based Dermal Filler. Journal of Drugs in Dermatology. 2014;13(9):1047–1052. jddonline.com
    6. de Almeida AT, Figueredo V, da Cunha ALG, et al. Consensus Recommendations for the Use of Hyperdiluted Calcium Hydroxyapatite (Radiesse) as a Face and Body Biostimulatory Agent. Plastic and Reconstructive Surgery – Global Open. 2019;7(3):e2160. doi:10.1097/GOX.0000000000002160
    7. Brandt FS, Cazzaniga A, Baumann L, et al. Investigator Global Evaluations of Efficacy of Injectable Poly-L-Lactic Acid Versus Human Collagen in the Correction of Nasolabial Fold Wrinkles. Aesthetic Surgery Journal. 2011;31(5):521–528. doi:10.1177/1090820X11411161
    8. Moers-Carpi MM, Tufet JO. Calcium hydroxylapatite versus nonanimal stabilized hyaluronic acid for the correction of nasolabial folds: a 12-month, multicenter, prospective, randomized, controlled, split-face trial. Dermatologic Surgery. 2008;34(2):210–215. doi:10.1111/j.1524-4725.2007.34039.x
    9. Meçani R, Amiri M, Kadouch J, et al. Combined and Hybrid Treatments of Hyaluronic Acid (HA) and Calcium Hydroxylapatite (CaHA): A Systematic Review of Mechanisms of Action, Aesthetic Effectiveness, Satisfaction, and Safety Profile. Aesthetic Plastic Surgery. 2025;49(19):5292–5313. doi:10.1007/s00266-025-04904-x
    10. Doyon VC, Liu C, Fitzgerald R, et al. Update on Blindness From Filler: Review of Prognostic Factors, Management Approaches, and a Century of Published Cases. Aesthetic Surgery Journal. 2024;44(10):1091–1104. doi:10.1093/asj/sjae091
    11. U.S. Food and Drug Administration. Sculptra (P030050/S039): Summary of Safety and Effectiveness Data. 2023. accessdata.fda.gov
    12. U.S. Food and Drug Administration. Radiesse (P050052/S162): Summary of Safety and Effectiveness Data. 2026. accessdata.fda.gov
    13. Galderma. Sculptra: Instructions for Use (Estados Unidos). 2023. galderma.com
    14. Merz Aesthetics. Radiesse: Instructions for Use (décolletage). 2026. radiesse.com

    Sobre o autor
    Dr. Rubens Pontello Junior
    Médico dermatologista
    CRM-PR 24.645 | RQE 2.050
    Londrina — Paraná

    Membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD) e membro da American Academy of Dermatology (AAD). Sua prática integra dermatologia, cosmiatria, estudo do envelhecimento facial e qualidade da pele, com avaliação individual antes da escolha de qualquer procedimento.

    Revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior
    Última revisão: 6 de outubro de 2026
    Declaração de interesses: o autor não possui vínculo com fabricantes dos produtos citados.

  • Flacidez no rosto: por que acontece e quais tratamentos realmente fazem sentido

    Flacidez no rosto: por que acontece e quais tratamentos realmente fazem sentido

    Por Dr. Rubens Pontello Junior — Médico dermatologista em Londrina
    CRM-PR 24.645 | RQE 2.050

    Resposta rápida

    A flacidez facial não acontece apenas porque a pele “perde colágeno”.

    O envelhecimento do rosto é um processo tridimensional. Com o passar do tempo, ocorrem mudanças na pele, nos compartimentos de gordura, nos ligamentos de sustentação, nos músculos e até nos ossos da face.

    Por isso, duas pessoas que dizem ter “flacidez” podem apresentar problemas completamente diferentes — e, consequentemente, precisar de estratégias diferentes.

    Radiofrequência, ultrassom focado, bioestimuladores de colágeno, lasers, preenchedores e outros procedimentos podem fazer parte do tratamento em situações específicas. Entretanto, nenhuma tecnologia é universalmente a melhor para flacidez facial.

    O ponto de partida é identificar qual estrutura está contribuindo para a alteração percebida no rosto.

    O que é flacidez facial?

    A palavra “flacidez” é usada para descrever várias mudanças diferentes.

    O paciente pode perceber:

    • bochechas mais baixas;
    • perda da definição da mandíbula;
    • formação ou acentuação do “bigode chinês”;
    • linhas de marionete;
    • papada;
    • pele mais fina ou enrugada;
    • pescoço menos definido;
    • sensação de que o rosto está “caindo”;
    • mudança do formato do rosto ao longo dos anos.

    Esses sinais podem aparecer juntos, mas não necessariamente possuem a mesma causa.

    É por isso que, na dermatologia, flacidez deve ser entendida mais como uma manifestação do envelhecimento do que como um diagnóstico único.

    A pergunta mais útil não é apenas:

    “Quanto de flacidez essa pessoa tem?”

    Mas:

    “Quais estruturas estão produzindo essa aparência?”

    Essa diferença muda completamente o planejamento do tratamento.

    Por que o rosto fica flácido com o envelhecimento?

    O rosto é formado por diferentes camadas que funcionam de maneira integrada.

    De forma simplificada, podemos pensar em:

    1. pele;
    2. tecido subcutâneo e compartimentos superficiais de gordura;
    3. sistema músculo-aponeurótico e musculatura;
    4. compartimentos profundos de gordura e estruturas de sustentação;
    5. esqueleto facial.

    Todas essas estruturas sofrem modificações ao longo da vida.1,4

    Por isso, o envelhecimento facial não ocorre apenas “de fora para dentro”.

    Ele também acontece de dentro para fora.

    1. A pele perde parte de sua capacidade de sustentação

    Colágeno e elastina são componentes importantes da matriz extracelular da pele.

    Com o envelhecimento, ocorrem alterações na produção, organização e degradação dessas estruturas.5–7

    A exposição solar acumulada, especialmente à radiação ultravioleta, também contribui para acelerar alterações relacionadas ao envelhecimento cutâneo.5,6

    Clinicamente, isso pode aparecer como:

    • pele mais fina;
    • menor elasticidade;
    • linhas finas;
    • textura irregular;
    • perda de firmeza;
    • rugas;
    • alterações de pigmentação.

    Mas existe um ponto fundamental:

    melhorar a qualidade da pele não necessariamente reposiciona todas as estruturas responsáveis pela mudança do contorno facial.

    A pele é apenas uma das camadas envolvidas.

    2. Os compartimentos de gordura do rosto também mudam

    A gordura facial não é uma camada homogênea distribuída igualmente pelo rosto.

    Ela está organizada em diferentes compartimentos, superficiais e profundos.3

    Esses compartimentos possuem anatomia e comportamento próprios.

    Ao longo do envelhecimento, determinadas regiões podem perder volume, enquanto outras sofrem deslocamentos ou alterações de proporção.

    Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas percebem:

    • região das têmporas mais funda;
    • olhos mais encovados;
    • perda de volume na região média da face;
    • acentuação do sulco nasogeniano;
    • formação de jowls;
    • alteração do contorno mandibular.

    Portanto, nem sempre aquilo que o paciente chama de “pele caída” corresponde apenas à pele.

    Em alguns casos, parte importante da alteração está relacionada à redistribuição ou perda de volume em planos mais profundos.

    3. Os ligamentos de sustentação participam do envelhecimento facial

    O rosto possui ligamentos que conectam e estabilizam diferentes planos dos tecidos faciais.

    Eles ajudam a manter determinadas estruturas em suas posições anatômicas.2

    O envelhecimento modifica a relação entre pele, gordura, ligamentos e estruturas profundas.

    Como consequência, determinadas transições do rosto tornam-se mais evidentes.

    Podem aparecer:

    • sulcos;
    • depressões;
    • alterações na transição entre bochecha e mandíbula;
    • perda de definição do contorno;
    • mudança na posição aparente dos tecidos.

    Essa anatomia ajuda a explicar por que simplesmente “estimular colágeno” pode não resolver todos os casos descritos como flacidez.

    4. O esqueleto facial também envelhece

    Esse é um dos aspectos menos conhecidos pelos pacientes.

    O osso não permanece exatamente igual durante toda a vida.

    O envelhecimento também envolve remodelação do esqueleto facial.1,4

    Mudanças podem ocorrer em regiões como:

    • órbitas;
    • maxila;
    • mandíbula;
    • região perioral.

    Essas estruturas funcionam como parte do suporte sobre o qual os tecidos moles estão organizados.

    Quando essa base se modifica, a relação entre pele, gordura e musculatura também pode mudar.

    Por isso, tratar envelhecimento facial olhando exclusivamente para a superfície é uma simplificação excessiva.

    5. Os músculos continuam participando da aparência do rosto

    A musculatura facial também influencia o envelhecimento.

    Alguns músculos estão continuamente envolvidos nas expressões faciais.

    Com o tempo, movimentos repetidos contribuem para linhas que inicialmente aparecem apenas durante a expressão e posteriormente podem permanecer visíveis mesmo em repouso.

    Na parte inferior do rosto e no pescoço, músculos como o platisma também podem participar de alterações do contorno mandibular e cervical.

    Isso significa que uma alteração percebida como “flacidez” pode ter componentes de:

    pele + volume + sustentação + estrutura óssea + dinâmica muscular.

    E a proporção entre esses componentes varia de pessoa para pessoa.

    Então flacidez facial não é apenas falta de colágeno?

    Não.

    A perda e a remodelação do colágeno são componentes importantes do envelhecimento cutâneo, mas não explicam isoladamente todo o envelhecimento facial.

    Esse é um dos conceitos mais importantes para compreender tratamentos de rejuvenescimento.

    Quando o problema predominante está na qualidade e firmeza da pele, estratégias voltadas à remodelação de colágeno podem fazer sentido.

    Quando existe perda estrutural de volume, a necessidade pode ser diferente.

    Quando existe excesso significativo de pele, determinados procedimentos não cirúrgicos possuem limitações.

    Quando há alteração muscular, outro mecanismo precisa ser considerado.

    E frequentemente mais de um desses fatores está presente simultaneamente.

    Por isso, a pergunta:

    “Qual é o melhor tratamento para flacidez?”

    não possui uma resposta universal.

    Quais regiões do rosto costumam mostrar flacidez primeiro?

    Isso varia conforme anatomia, genética, exposição solar, qualidade da pele, variações de peso e outros fatores.

    Entretanto, algumas regiões costumam chamar mais atenção.

    Bochechas

    Mudanças na região média da face podem alterar a transição entre pálpebra, bochecha e sulco nasogeniano.

    O paciente frequentemente descreve essa mudança dizendo que “a bochecha caiu”.

    Linha mandibular

    A mandíbula jovem costuma apresentar uma transição mais definida entre rosto e pescoço.

    Com alterações de volume, sustentação, pele e musculatura, essa linha pode ficar progressivamente menos nítida.

    É comum o paciente perceber pequenos abaulamentos próximos à mandíbula, conhecidos como jowls.

    Bigode chinês

    O sulco nasogeniano é uma estrutura anatômica normal.

    Entretanto, alterações na região média da face podem torná-lo mais evidente ao longo do envelhecimento.

    Por isso, simplesmente preencher o sulco nem sempre significa tratar o mecanismo responsável pela mudança.

    Pescoço

    No pescoço, a aparência pode envolver diferentes componentes:

    • pele;
    • gordura;
    • músculo platisma;
    • estrutura mandibular;
    • posição dos tecidos;
    • anatomia do queixo.

    Por isso, “flacidez no pescoço” também não representa um diagnóstico único.

    Leia também: Envelhecimento do pescoço e platisma: causas e tratamentos

    Papada

    A papada pode decorrer de gordura submentoniana, flacidez, anatomia mandibular, pouca projeção do queixo, alterações do platisma ou combinações desses fatores.

    Leia também: Papada: causas, tratamentos e como melhorar o contorno do rosto e do pescoço

    Por que algumas pessoas apresentam flacidez antes de outras?

    A idade cronológica é apenas um dos fatores.

    Duas pessoas de 45 anos podem apresentar padrões de envelhecimento completamente diferentes.

    Entre os fatores que podem influenciar estão:

    • genética;
    • anatomia facial;
    • formato do rosto;
    • espessura da pele;
    • exposição solar acumulada;
    • tabagismo;
    • variações importantes de peso;
    • distribuição dos compartimentos de gordura;
    • alterações hormonais;
    • qualidade da pele;
    • hábitos de vida;
    • histórico de tratamentos;
    • características individuais do esqueleto facial.

    Isso explica por que comparar o próprio envelhecimento com o de outra pessoa da mesma idade costuma ser pouco útil.

    Leia também: Envelhecimento facial: por que cada rosto precisa de uma estratégia diferente

    Emagrecer pode aumentar a aparência de flacidez no rosto?

    Pode, especialmente quando existe perda significativa ou rápida de peso.

    O rosto possui compartimentos de gordura que participam do volume e das transições faciais.

    Quando ocorre perda de volume, a relação entre o conteúdo facial e o envelope de pele pode mudar.

    Entretanto, isso não significa que emagrecer necessariamente “envelheça” todas as pessoas.

    A repercussão depende de:

    • quantidade de peso perdido;
    • velocidade da perda;
    • idade;
    • distribuição de gordura;
    • elasticidade da pele;
    • anatomia facial inicial.

    Por isso, pacientes que passaram por grandes variações de peso precisam ser avaliados considerando também essa história.

    Sol piora a flacidez?

    A exposição crônica à radiação ultravioleta é um dos principais fatores extrínsecos relacionados ao envelhecimento da pele.

    O chamado fotoenvelhecimento está associado a alterações na matriz extracelular, incluindo colágeno e elastina.5,6

    Por isso, fotoproteção não deve ser entendida apenas como estratégia para evitar manchas.

    Ela também faz parte da prevenção do envelhecimento cutâneo.

    Entretanto, novamente é importante separar os conceitos:

    fotoproteção protege a pele, mas não impede todas as alterações estruturais do envelhecimento facial.

    Existe uma idade certa para começar a tratar a flacidez?

    Não existe uma idade universal.

    Tratamento não deveria ser indicado simplesmente porque alguém completou 30, 40 ou 50 anos.

    A decisão depende de:

    • alterações presentes;
    • velocidade percebida de mudança;
    • características da pele;
    • anatomia;
    • objetivos pessoais;
    • histórico de saúde;
    • expectativa de resultado.

    Em uma pessoa mais jovem, a estratégia pode estar muito mais relacionada à prevenção do dano solar e à manutenção da qualidade da pele.

    Em outra pessoa, pode existir uma alteração estrutural que justifique outra abordagem.

    Idade ajuda a contextualizar. Não substitui diagnóstico.

    Qual é o melhor tratamento para flacidez no rosto?

    Não existe um procedimento que seja o melhor para todos os pacientes.

    A escolha depende principalmente da camada e do mecanismo predominantes.

    Entre as possibilidades que podem fazer parte de um planejamento estão:

    • cuidados dermatológicos e fotoproteção;
    • bioestimuladores de colágeno;
    • radiofrequência;
    • radiofrequência microagulhada;
    • ultrassom focado;
    • lasers;
    • preenchimentos em situações selecionadas;
    • tratamentos combinados;
    • procedimentos cirúrgicos quando existe indicação.

    Esses tratamentos não são equivalentes.

    Eles atuam por mecanismos e em profundidades diferentes.

    Radiofrequência funciona para flacidez facial?

    A radiofrequência utiliza corrente elétrica de alta frequência para gerar aquecimento controlado nos tecidos.

    Esse estímulo térmico pode desencadear processos relacionados à remodelação de colágeno.

    Revisões da literatura descrevem melhora de parâmetros relacionados à firmeza, elasticidade e laxidez em pacientes selecionados.8–10

    Entretanto, “radiofrequência” não representa um único tratamento.

    Existem diferentes equipamentos, frequências, formas de entrega de energia, profundidades, sistemas de resfriamento e protocolos.

    Por isso, resultados obtidos com uma tecnologia não devem automaticamente ser atribuídos a todas as outras.

    Na prática do Dr. Rubens Pontello Junior, diferentes tecnologias de radiofrequência podem ser consideradas conforme o objetivo e a anatomia identificados durante a avaliação.

    XERF

    O XERF é um sistema de radiofrequência monopolar que utiliza duas frequências associadas, permitindo diferentes distribuições de energia nos tecidos.

    Conheça o XERF

    Morpheus8

    O Morpheus8 combina microagulhamento com radiofrequência fracionada, permitindo entrega de energia através de microagulhas em profundidades determinadas.

    Conheça o Morpheus8

    Esses equipamentos não devem ser entendidos como concorrentes em uma lista de “qual é melhor”.

    A pergunta clínica é outra:

    qual mecanismo e qual profundidade fazem sentido para aquele tecido?

    Ultrassom focado funciona para flacidez?

    O ultrassom focado utiliza energia acústica concentrada em profundidades determinadas.

    Isso permite produzir estímulos térmicos localizados em planos específicos.

    Assim como acontece com a radiofrequência, existem diferentes equipamentos, cartuchos, profundidades e protocolos.

    O ultrassom pode fazer parte de estratégias relacionadas à sustentação e ao contorno em pacientes selecionados.11,12

    Entretanto, a profundidade e o objetivo precisam ser definidos cuidadosamente.

    Isso é particularmente relevante em rostos magros ou com perda de volume, nos quais determinados estímulos em planos inadequados podem ser indesejáveis.

    Na prática clínica do Dr. Rubens Pontello Junior, o LinearZ é uma das tecnologias de ultrassom focado disponíveis para planejamentos nos quais esse mecanismo apresenta indicação.

    Conheça o LinearZ

    Bioestimulador de colágeno funciona para flacidez?

    Bioestimuladores são substâncias injetáveis utilizadas para estimular processos relacionados à formação e remodelação de colágeno.13,14

    Podem ser considerados quando a avaliação identifica perda de firmeza ou qualidade da pele compatível com esse mecanismo.

    Entretanto, bioestimulador também não deve ser tratado como sinônimo de lifting.

    Ele atua principalmente sobre aspectos relacionados à matriz dérmica e à produção de colágeno.

    Se a principal alteração estiver relacionada a outro componente anatômico, estimular colágeno isoladamente pode não responder completamente à queixa.

    Entenda como funcionam os bioestimuladores de colágeno

    Veja também como PLLA e CaHA se diferenciam.

    Preenchimento trata flacidez?

    Não diretamente.

    Preenchedores podem ser úteis quando existe indicação de recuperar volume, suporte ou determinadas proporções faciais.

    Mas isso é diferente de simplesmente “preencher um rosto flácido”.

    Esse conceito é importante.

    Um rosto que perdeu volume em regiões estratégicas pode se beneficiar de reposição criteriosa.

    Por outro lado, adicionar volume indiscriminadamente a um rosto que já apresenta peso ou excesso de tecido pode produzir uma aparência mais pesada.

    Por isso, preenchimento não deve ser utilizado automaticamente como resposta para flacidez.

    Laser trata flacidez?

    Depende do laser e do objetivo.

    “Laser” também não representa um único tratamento.

    Existem diferentes comprimentos de onda, formas de emissão e profundidades de interação com a pele.

    Alguns recursos podem ser utilizados principalmente para textura, pigmentação ou remodelação cutânea.

    Outros podem produzir estímulos térmicos relacionados à formação de colágeno.

    Portanto, dizer apenas que alguém “fez laser para flacidez” fornece pouca informação.

    É necessário saber:

    • qual tecnologia;
    • qual comprimento de onda;
    • qual objetivo;
    • qual profundidade;
    • qual indicação.

    Dá para tratar flacidez sem cirurgia?

    Em muitos casos, é possível melhorar determinados componentes da flacidez facial com tratamentos não cirúrgicos.

    Mas existe um limite.

    Tecnologias e injetáveis não reproduzem o efeito de uma cirurgia quando existe excesso importante de pele ou deslocamento estrutural significativo.

    Esse limite precisa ser discutido antes do tratamento.

    Prometer um “lifting sem cirurgia” equivalente a um procedimento cirúrgico cria uma expectativa que nem sempre corresponde ao que as tecnologias conseguem entregar.

    Em alguns pacientes, uma melhora discreta e progressiva é exatamente o objetivo.

    Em outros, o grau de alteração pode fazer com que tratamentos não cirúrgicos tenham benefício limitado.

    Reconhecer essa diferença também faz parte de uma boa indicação.

    Uma sessão é suficiente para tratar flacidez?

    Não existe uma resposta única.

    Algumas tecnologias são utilizadas em protocolos com menor número de sessões e acompanhamento da resposta ao longo dos meses.

    Outras estratégias são planejadas em séries.

    Bioestimuladores, lasers e diferentes equipamentos também possuem protocolos próprios.

    O número de sessões depende de:

    • tecnologia utilizada;
    • intensidade e parâmetros;
    • área tratada;
    • grau de alteração;
    • objetivo;
    • resposta biológica individual;
    • combinação com outros tratamentos.

    Por isso, o número de sessões não deveria ser definido apenas pela queixa descrita por mensagem ou por uma fotografia.

    Quanto tempo demora para aparecer o resultado?

    Tratamentos que dependem de remodelação de colágeno normalmente produzem mudanças progressivas.

    O organismo precisa de tempo para responder biologicamente ao estímulo.

    Por isso, dependendo do tratamento, a evolução pode continuar ao longo de semanas ou meses.

    Também é importante distinguir:

    resultado imediato de resultado biológico tardio.

    Uma fotografia realizada logo após determinado procedimento pode refletir edema, contração transitória ou outras alterações temporárias e não necessariamente representar o resultado final.

    O acompanhamento ao longo do tempo é parte importante da avaliação.

    O resultado do tratamento para flacidez é permanente?

    Não.

    Nenhum tratamento interrompe o envelhecimento.

    Mesmo quando existe melhora, os processos biológicos relacionados ao envelhecimento continuam acontecendo.

    Exposição solar, genética, alterações hormonais, variações de peso e outros fatores continuam influenciando pele e estruturas faciais.

    Por isso, o tratamento do envelhecimento deve ser entendido mais como acompanhamento ao longo do tempo do que como uma correção definitiva realizada uma única vez.

    Combinar tratamentos é melhor?

    Não necessariamente.

    Combinar procedimentos pode fazer sentido quando existem alterações diferentes que exigem mecanismos diferentes.

    Por exemplo, um paciente pode apresentar simultaneamente:

    • alteração de qualidade da pele;
    • perda de firmeza;
    • perda localizada de volume;
    • atividade muscular;
    • alterações de pigmentação.

    Nesse cenário, esperar que uma única ferramenta resolva todas as dimensões seria pouco realista.

    Mas isso não significa que utilizar mais procedimentos produza necessariamente um resultado melhor.

    Combinação só faz sentido quando cada componente possui uma indicação clara.

    Caso contrário, existe apenas acúmulo de tratamentos.

    Como o Dr. Rubens Pontello Junior avalia a flacidez facial?

    Na avaliação dermatológica, o objetivo não é simplesmente classificar a pessoa como tendo “pouca” ou “muita” flacidez.

    A análise procura entender onde está a alteração e o que está produzindo aquela aparência.

    Entre os aspectos considerados estão:

    • Qualidade da pele: Textura, espessura, pigmentação, dano solar, firmeza e características da superfície.
    • Distribuição de volume: Presença de perda, redistribuição ou excesso de volume em determinadas regiões.
    • Contorno facial: Transição entre bochecha, mandíbula, queixo e pescoço.
    • Estrutura e proporções: Características anatômicas que influenciam suporte e aparência do rosto.
    • Movimento: Comportamento da musculatura durante repouso e expressão.
    • Histórico: Exposição solar, variações de peso, tratamentos anteriores, condições dermatológicas e outros fatores relevantes.

    Quando necessário, a documentação fotográfica e a análise tridimensional com QuantifiCare LifeViz podem complementar o acompanhamento, permitindo comparar determinadas características ao longo do tempo.

    Entenda como o LifeViz 3D é utilizado na avaliação dermatológica

    O objetivo dessa análise é responder a uma pergunta simples:

    o que realmente precisa ser tratado — e o que não precisa?

    O maior erro é escolher primeiro o aparelho

    Novas tecnologias aparecem continuamente.

    Com isso, é natural que pacientes cheguem à consulta perguntando:

    “XERF é melhor?”

    “Preciso de ultrassom?”

    “Devo fazer bioestimulador?”

    “Morpheus8 funciona?”

    “Qual aparelho levanta mais?”

    Essas perguntas são compreensíveis.

    Mas elas começam pelo final do raciocínio.

    Uma tecnologia pode ser excelente e ainda assim não ser a melhor ferramenta para determinada alteração.

    Por isso, na abordagem utilizada pelo Dr. Rubens Pontello Junior, a tecnologia é a última pergunta, não a primeira.

    Primeiro:

    o que mudou?

    Depois:

    em qual camada?

    Depois:

    qual é a prioridade?

    E somente então:

    qual recurso pode produzir uma resposta biologicamente coerente naquela estrutura?

    Flacidez facial tem prevenção?

    Não é possível impedir completamente o envelhecimento.

    Entretanto, alguns fatores modificáveis influenciam especialmente o envelhecimento da pele.

    Entre eles:

    • fotoproteção adequada;
    • evitar tabagismo;
    • tratamento das doenças dermatológicas presentes;
    • cuidados tópicos orientados conforme a pele;
    • evitar oscilações extremas de peso quando possível;
    • hábitos gerais compatíveis com saúde.

    Essas medidas não impedem alterações ósseas, ligamentares ou todas as mudanças relacionadas ao tempo.

    Mas fazem parte de uma estratégia de saúde da pele ao longo da vida.

    Leia mais sobre Saúde da Pele e Longevidade

    Perguntas frequentes sobre flacidez facial

    Qual é o melhor tratamento para flacidez no rosto?

    Não existe um tratamento universalmente melhor. Radiofrequência, ultrassom focado, bioestimuladores, lasers, preenchimentos e outras estratégias atuam sobre mecanismos diferentes. A escolha depende da anatomia, da camada predominante e do grau de alteração identificado na avaliação.

    O que realmente funciona para firmar a pele do rosto?

    Existem tratamentos capazes de produzir melhora de parâmetros relacionados à firmeza e à qualidade da pele em pacientes adequadamente selecionados. Entre eles estão algumas modalidades de radiofrequência, ultrassom focado, bioestimulação e determinados lasers. A magnitude do resultado varia conforme o paciente, a tecnologia, os parâmetros e o mecanismo responsável pela queixa.

    Flacidez facial é falta de colágeno?

    Não apenas. A perda e remodelação do colágeno fazem parte do envelhecimento cutâneo, mas o envelhecimento facial também envolve gordura, ligamentos, músculos e estrutura óssea.

    Radiofrequência ou ultrassom: qual é melhor?

    Não existe vencedor universal. São formas diferentes de entregar energia aos tecidos. A escolha depende da profundidade que se pretende atingir, das características anatômicas, da qualidade da pele e do objetivo do tratamento.

    Bioestimulador ou XERF: qual é melhor para flacidez?

    Eles não são equivalentes. Bioestimuladores são substâncias injetáveis que estimulam processos relacionados à produção de colágeno. O XERF é uma tecnologia de radiofrequência monopolar. Podem ser considerados isoladamente ou dentro de estratégias diferentes, conforme a avaliação.

    Flacidez no rosto pode melhorar sem preenchimento?

    Sim. Preenchimento não é obrigatório no tratamento da flacidez. Ele pode ser considerado quando existe uma indicação relacionada a volume ou suporte. Outros pacientes podem ter estratégias sem preenchimento.

    Dá para melhorar o contorno da mandíbula sem preencher?

    Em alguns pacientes, sim. Depende do motivo da perda de definição. Pele, gordura, platisma, estrutura óssea e distribuição de volume podem influenciar o contorno mandibular.

    Depois dos 40 anos a flacidez acelera?

    O envelhecimento é progressivo e não começa subitamente aos 40 anos. Entretanto, mudanças hormonais, exposição ambiental acumulada e alterações estruturais podem tornar determinados sinais mais perceptíveis nessa fase. A velocidade e o padrão variam entre indivíduos.

    Emagrecer deixa o rosto flácido?

    Pode aumentar a percepção de flacidez em algumas pessoas, especialmente após perda significativa ou rápida de peso. O efeito depende da quantidade de volume perdido, da elasticidade da pele, da idade e da anatomia facial.

    Creme consegue tratar flacidez facial?

    Cuidados tópicos podem contribuir para qualidade da pele e determinadas alterações relacionadas ao fotoenvelhecimento, dependendo dos ativos utilizados. Entretanto, um cosmético não reposiciona compartimentos de gordura, não recupera suporte ósseo e não produz os mesmos efeitos de procedimentos que atuam em planos mais profundos.

    Colágeno oral acaba com a flacidez?

    Não há evidência para afirmar que suplementação oral de colágeno seja capaz de corrigir isoladamente a flacidez facial estrutural. A flacidez possui múltiplos componentes anatômicos e não pode ser reduzida a uma única deficiência nutricional.

    Quando a cirurgia deve ser considerada?

    Quando existe excesso importante de pele ou deslocamento estrutural significativo, procedimentos não cirúrgicos podem apresentar benefício limitado. Nesses casos, uma avaliação cirúrgica pode ser necessária para discutir possibilidades e expectativas realistas.

    Em resumo

    A flacidez facial não é uma doença única e não possui um tratamento único.

    O que percebemos como “rosto caindo” pode resultar da combinação de alterações na:

    pele → gordura → ligamentos → musculatura → estrutura óssea.

    Por isso, escolher primeiro um aparelho e depois tentar encaixá-lo no paciente inverte a lógica do tratamento.

    Uma abordagem mais racional começa identificando:

    1. o que mudou;
    2. qual estrutura participa dessa mudança;
    3. qual é a prioridade;
    4. qual resultado é realisticamente possível;
    5. e somente então qual tratamento ou tecnologia faz sentido.

    Essa é a lógica utilizada pelo Dr. Rubens Pontello Junior, médico dermatologista em Londrina, na avaliação do envelhecimento facial.

    A tecnologia pode ser uma ferramenta importante.

    A indicação vem antes dela.

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    Sobre o autor

    Dr. Rubens Pontello Junior
    Médico dermatologista
    CRM-PR 24.645 | RQE 2.050
    Londrina — Paraná

    Sua prática integra dermatologia, cosmiatria, estudo do envelhecimento facial, qualidade da pele e tecnologias médicas. A avaliação parte da anatomia e das características individuais de cada paciente antes da escolha de procedimentos ou equipamentos.

    Revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior
    Última revisão: 29 de setembro de 2026

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    Conteúdo médico informativo: Este artigo possui finalidade educativa e não substitui consulta médica. A indicação de qualquer tratamento depende de avaliação individual, histórico clínico, exame da pele, anatomia facial, objetivos e contraindicações de cada paciente.

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