Ceratose actínica: o que é, se vira câncer e como tratar

Ilustração de lesões ásperas na pele causadas pelo sol, capa do artigo sobre ceratose actínica

Resposta rápida: ceratose actínica é uma lesão da pele causada pelo sol acumulado ao longo dos anos. Aparece como manchas ásperas, avermelhadas ou cor da pele, que descamam e voltam, principalmente no rosto, nas orelhas, no couro cabeludo calvo, no colo e no dorso das mãos. É considerada uma lesão pré-cancerosa: a maioria não evolui, mas uma parte pode se transformar em carcinoma espinocelular. Segundo o dermatologista Dr. Rubens Pontello Junior, o exame da pele define quais lesões tratar, como tratar e quais precisam de biópsia.

O que é a ceratose actínica

É uma alteração das células da camada mais superficial da pele (queratinócitos), provocada pela radiação ultravioleta. Por isso é mais comum em pessoas de pele clara, acima dos 40 anos, com muitos anos de exposição ao sol, trabalho ao ar livre ou histórico de queimaduras solares. Pessoas com imunidade reduzida, como transplantados, também têm risco maior.

Geralmente há mais de uma lesão, e a pele ao redor também tem dano solar, mesmo quando parece normal. Esse conjunto é chamado de “campo de cancerização”.

Como reconhecer

  • Manchas ou pequenas placas ásperas ao toque, como uma lixa, às vezes mais fáceis de sentir do que de ver.
  • Cor da pele, rosadas, avermelhadas ou acastanhadas.
  • Descamação ou crosta que sai e volta.
  • Locais expostos ao sol: rosto, orelhas, lábio inferior, couro cabeludo calvo, colo, antebraços e mãos.

Quando a lesão fica mais grossa, cresce rápido, dói, sangra ou forma uma ferida que não cicatriza, a avaliação deve ser rápida, porque esses sinais podem indicar transformação em carcinoma. Veja também o artigo sobre carcinoma basocelular e espinocelular.

Ceratose actínica vira câncer?

Na maioria das vezes, não. Em um estudo que acompanhou mais de 7 mil lesões, o risco de uma ceratose actínica se transformar em carcinoma espinocelular foi de 0,6% em 1 ano e 2,6% em 4 anos; muitas lesões desapareceram sozinhas no período. Mas o mesmo estudo mostrou que cerca de 65% dos carcinomas espinocelulares surgiram em lugares onde antes havia uma ceratose actínica [1].

Como não é possível prever qual lesão vai evoluir, e como quem tem ceratoses tem pele com mais dano solar, o acompanhamento com dermatologista é recomendado. Saiba mais sobre câncer de pele.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico costuma ser feito no exame da pele, com ajuda da dermatoscopia. Lesões grossas, que crescem, doem, sangram ou não respondem ao tratamento podem precisar de biópsia para descartar carcinoma.

Tratamentos

A diretriz da Academia Americana de Dermatologia faz recomendação forte para [2]:

  • Crioterapia (congelamento com nitrogênio líquido), indicada principalmente para lesões isoladas;
  • Cremes de 5-fluorouracil e de imiquimode, que tratam a lesão e a área ao redor (campo);
  • Proteção contra a radiação ultravioleta.

A terapia fotodinâmica (creme fotossensibilizante ativado por luz) e o diclofenaco em gel têm recomendação condicional [2]. A escolha depende do número e do tipo das lesões, da região, da tolerância à irritação durante o tratamento e do histórico de câncer de pele. Os tratamentos de campo costumam causar vermelhidão e crostas temporárias na área tratada.

Prevenção

  • Protetor solar diário: em um estudo randomizado, quem usou protetor regularmente teve menos ceratoses novas e mais regressão das existentes do que quem usou só creme sem filtro [3]. Veja como escolher e aplicar no artigo sobre protetor solar.
  • Roupas, chapéu de aba larga e sombra, principalmente entre 10h e 15h.
  • Nicotinamida: em um estudo com pessoas de alto risco que já tinham tido câncer de pele, a nicotinamida oral reduziu em 23% os novos cânceres de pele não melanoma e em cerca de 13% as ceratoses actínicas em 12 meses [4]. É uma opção para casos selecionados, sempre com orientação médica.
  • Exame periódico da pele, com frequência definida pelo dermatologista.

Avaliação em Londrina

O Dr. Rubens Pontello Junior, dermatologista em Londrina, avalia as lesões com dermatoscopia, indica biópsia quando necessário, realiza a crioterapia no consultório e define o tratamento e a frequência das revisões. O atendimento é particular.

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Perguntas frequentes

Ceratose actínica é câncer?

Não. É uma lesão pré-cancerosa: a maioria não evolui, mas uma parte pode se transformar em carcinoma espinocelular [1]. Por isso é tratada e acompanhada.

Ceratose actínica tem cura?

As lesões costumam responder bem ao tratamento, mas novas lesões podem surgir, porque a pele mantém o dano solar acumulado. A prevenção e as revisões são contínuas.

Qual é a diferença entre ceratose actínica e ceratose seborreica?

A ceratose actínica é causada pelo sol e é pré-cancerosa. A ceratose seborreica é uma lesão benigna comum, acastanhada e de aspecto “colado” na pele, sem relação com câncer. O exame dermatológico diferencia as duas.

Posso tirar a ceratose actínica em casa?

Não. Arrancar a crosta ou usar produtos por conta própria não trata a lesão e pode atrasar o diagnóstico de um carcinoma.

O tratamento deixa marca?

Os tratamentos de campo e a crioterapia causam vermelhidão e crostas temporárias. Manchas claras ou escuras podem ocorrer em algumas pessoas, principalmente após crioterapia.

Leia também: Câncer de pele: tipos, sinais e quando avaliar; Carcinoma basocelular e espinocelular; Protetor solar: como escolher, quanto passar e quando reaplicar; Pinta suspeita.

Referências científicas

  1. Criscione VD, et al. Actinic keratoses: natural history and risk of malignant transformation in the Veterans Affairs Topical Tretinoin Chemoprevention Trial. Cancer. 2009;115(11):2523-2530. DOI: 10.1002/cncr.24284
  2. Eisen DB, et al. Guidelines of care for the management of actinic keratosis. J Am Acad Dermatol. 2021;85(4):e209-e233. DOI: 10.1016/j.jaad.2021.02.082
  3. Thompson SC, et al. Reduction of solar keratoses by regular sunscreen use. N Engl J Med. 1993;329(16):1147-1151. DOI: 10.1056/NEJM199310143291602
  4. Chen AC, et al. A phase 3 randomized trial of nicotinamide for skin-cancer chemoprevention. N Engl J Med. 2015;373(17):1618-1626. DOI: 10.1056/NEJMoa1506197

Autoria, revisão médica e transparência

Escrito por Dr. Rubens Pontello Junior · Dermatologista em Londrina–PR · CRM-PR 24.645 | RQE 2.050 · Diretor técnico do Instituto Pontello.

Revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior — dermatologista (CRM-PR 24.645 | RQE 2.050). Revisado em 30/10/2026.

Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica.

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