Categoria: Dermatologia

  • Melanoma: sinais, diagnóstico e por que identificar cedo faz diferença

    Melanoma: sinais, diagnóstico e por que identificar cedo faz diferença

    Em poucas palavras

    O melanoma é o câncer de pele que nasce dos melanócitos, as células que produzem o pigmento da pele. É bem menos frequente que os carcinomas, mas é o tipo com maior capacidade de se espalhar para outros órgãos. A maioria dos casos é diagnosticada quando o tumor ainda está restrito à pele, fase em que o tratamento costuma ser cirúrgico e o prognóstico é, em geral, favorável [2]. Quanto mais fino o melanoma no momento do diagnóstico, melhores tendem a ser os resultados [4]. Uma pinta nova não significa melanoma, mas lesões que mudam, que são diferentes das outras ou que crescem como um nódulo devem ser avaliadas por um dermatologista. O diagnóstico só é confirmado pela análise da lesão ao microscópio.

    O que é melanoma

    Melanoma é um tumor maligno originado dos melanócitos. Na grande maioria das vezes, surge na pele, mas também pode aparecer em mucosas e nos olhos; este artigo trata do melanoma cutâneo, o da pele.

    O melanoma pode surgir em pele aparentemente normal ou a partir de uma pinta que já existia. Em uma metanálise de 38 estudos observacionais, 29,1% dos melanomas analisados estavam associados a uma pinta preexistente; nos demais casos (70,9%), não foi identificada pinta prévia [5]. Por isso, tanto o aparecimento de lesões novas quanto a mudança em pintas antigas merecem atenção.

    Por que o melanoma exige atenção, mesmo sendo menos frequente

    Para cada ano entre 2026 e 2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 9.360 casos novos de melanoma no Brasil; em 2024, foram registradas 2.031 mortes pela doença [1]. É um número muito menor que o dos carcinomas de pele, mas, segundo a diretriz europeia, o melanoma responde por cerca de 90% das mortes por câncer de pele, porque pode se disseminar pelos vasos linfáticos e sanguíneos [2].

    A diretriz europeia informa que cerca de 90% dos melanomas são diagnosticados como tumores primários, sem sinais de metástase. O trecho da diretriz não identifica a população de origem dessa proporção, que por isso não deve ser lida como estimativa para o Brasil nem como valor universal. Nesse grupo, a mesma diretriz descreve sobrevida específica pela doença em dez anos entre 85% e 95% [2]. Esses números se referem a grupos de pacientes; a perspectiva de cada pessoa depende das características do seu tumor.

    Quem tem mais risco

    Segundo a diretriz europeia, o fator de risco mais importante é o número total de pintas no corpo, seguido da presença de pintas atípicas, maiores e de aspecto irregular [2]. Também aumentam o risco o tipo de pele, o dano solar acumulado e o histórico familiar de melanoma [2]. O INCA destaca ainda a exposição intensa ao sol, sobretudo na infância e na adolescência, o bronzeamento artificial, a pele e os olhos claros e o histórico pessoal de câncer de pele [1].

    Ter um ou mais desses fatores não significa que a pessoa terá melanoma, assim como a ausência deles não elimina a possibilidade. Os fatores de risco ajudam o dermatologista a definir quem se beneficia de acompanhamento mais próximo. A visão geral sobre prevenção e fatores de risco do câncer de pele está no artigo sobre câncer de pele.

    Como o melanoma pode se apresentar

    O aspecto mais conhecido é o de uma lesão escura, assimétrica, com bordas irregulares, várias cores e que muda ao longo do tempo, características resumidas na regra ABCDE. Mas nem todo melanoma segue esse padrão, e algumas apresentações são mais difíceis de reconhecer [2]. Os sinais de alerta em pintas, a regra ABCDE e o sinal do patinho feio estão detalhados no artigo sobre pinta suspeita.

    Ilustração das formas de melanoma: clássica, nodular, acral na unha e pouco pigmentado

    Melanoma nodular

    Surge como um nódulo elevado, firme e muitas vezes simétrico, que pode ser escuro, azulado, avermelhado ou rosado e cresce em semanas ou poucos meses [6]. Como pode não ter bordas irregulares nem várias cores, costuma escapar dos critérios clássicos [2, 6]. Um nódulo novo que cresce rapidamente deve ser avaliado sem demora, mesmo que pareça regular.

    Melanoma em palmas, plantas e unhas

    O melanoma acral aparece nas palmas das mãos, nas plantas dos pés e embaixo das unhas, em áreas pouco expostas ao sol, e pode ocorrer em qualquer tom de pele [2]. Na unha, o sinal de atenção é uma faixa escura nova, que se alarga ou cuja pigmentação passa para a pele ao redor. Por ser confundido com manchas, calos ou traumas, pode ser diagnosticado mais tarde, e a diretriz europeia registra prognóstico menos favorável para esse subtipo em comparação com outros [2].

    Melanoma pouco pigmentado

    Alguns melanomas têm pouco ou nenhum pigmento e podem parecer uma lesão rosada, avermelhada ou da cor da pele [2]. Por não serem escuros, são facilmente confundidos com lesões benignas ou inflamatórias. Uma lesão rosada nova, que persiste e cresce, também merece avaliação.

    Por que o ABCDE não basta para diagnosticar

    A regra ABCDE é uma ferramenta de alerta, não um teste diagnóstico. Na maior parte das vezes, alterações como essas na pele não são causadas por câncer [1], e melanomas nodulares ou pouco pigmentados podem não preencher esses critérios [2, 6]. Por isso, a decisão de investigar uma lesão depende do exame dermatológico, da comparação com as demais pintas e, principalmente, da mudança ao longo do tempo.

    Como é feito o diagnóstico

    A investigação começa pelo exame da pele como um todo. A dermatoscopia, exame com aumento e iluminação especial, melhora a precisão do diagnóstico de melanoma quando usada em conjunto com a inspeção visual por profissionais treinados [3].

    Quando há suspeita, a confirmação depende sempre do exame histopatológico, isto é, da análise do tecido ao microscópio [2]. A diretriz europeia recomenda que a lesão suspeita seja retirada por completo, com margens estreitas, para permitir o diagnóstico e a medição correta da espessura [7]. A forma de obtenção da amostra é definida pelo médico conforme o tamanho e a localização da lesão.

    Etapas do diagnóstico do melanoma: exame da pele, dermatoscopia, retirada da lesão e exame histopatológico

    Espessura de Breslow: o que o laudo informa

    Quando o diagnóstico é confirmado, o laudo do exame traz informações que orientam o tratamento. A principal é a espessura de Breslow: a profundidade do tumor, medida em milímetros no exame histopatológico, em geral a partir da camada granulosa da epiderme (ou da base da ulceração, quando presente) até a célula tumoral invasiva mais profunda [2, 4]. Em geral, quanto mais fino o melanoma, menor o risco de disseminação.

    O laudo também informa se há ulceração, isto é, perda da camada superficial da pele sobre o tumor, que indica comportamento mais agressivo [4]. Pelo sistema de estadiamento da AJCC, os melanomas são classificados em T1 (até 1,0 mm), T2 (mais de 1,0 até 2,0 mm), T3 (mais de 2,0 até 4,0 mm) e T4 (mais de 4,0 mm), cada um subdividido conforme a presença de ulceração [4]. O melanoma in situ, restrito à camada mais superficial da pele, não tem invasão e corresponde ao estágio 0.

    Esquema da espessura de Breslow nas camadas da pele e classificação T1 a T4 do melanoma

    Estadiamento e prognóstico

    O estadiamento resume a extensão da doença. De forma simplificada:

    • Estágio 0: melanoma in situ, restrito à epiderme;
    • Estágios I e II: tumor restrito à pele, classificado pela espessura e pela ulceração;
    • Estágio III: comprometimento de linfonodos (gânglios) da região ou de pele próxima ao tumor;
    • Estágio IV: metástase para órgãos distantes.

    Para melanomas a partir de 1,0 mm de espessura, ou a partir de 0,8 mm com outros fatores de risco no laudo, a diretriz europeia recomenda oferecer a biópsia do linfonodo sentinela, que avalia o primeiro gânglio que drena a região do tumor [7]. Esse exame é importante para o estadiamento e para a decisão de tratamento; a própria diretriz ressalta que ainda não há benefício claro de sobrevida atribuído a ele [7].

    A tabela abaixo mostra a sobrevida específica pelo melanoma por estágio patológico na base de dados internacional que embasou a 8ª edição do estadiamento da AJCC [4]:

    Estágio patológico (AJCC 8ª ed.) Sobrevida específica em 5 anos Sobrevida específica em 10 anos
    I 98% 95%
    II 90% 84%
    III 77% 69%

    Observação: os dados vêm de mais de 46 mil pacientes com melanoma em estágios patológicos I a III, diagnosticados a partir de 1998 em 10 centros em diferentes países [4]. Sobrevida específica considera apenas mortes causadas pelo melanoma. Os números descrevem grupos, não o prognóstico de uma pessoa, e não representam resultados garantidos dos tratamentos atuais, que podem não estar refletidos nessa base histórica. O estágio IV não foi incluído nessa análise.

    Tratamento em linhas gerais

    As informações abaixo resumem as recomendações da diretriz europeia de 2024 e não substituem a avaliação individual [7]. As decisões em casos mais avançados são tomadas por equipe multidisciplinar, e nem todas as etapas são realizadas pelo mesmo profissional ou no mesmo serviço.

    Melanoma localizado

    O tratamento padrão é a ampliação cirúrgica da área onde estava o melanoma, com margens de segurança de 1 a 2 cm, definidas pela espessura do tumor; margens maiores que 2 cm não são recomendadas [7]. Conforme a espessura, pode ser indicada a biópsia do linfonodo sentinela. Em tumores de maior risco já operados, a partir do estágio IIB, pode ser proposto tratamento complementar (adjuvante) com imunoterapia [7].

    Melanoma com comprometimento de linfonodos ou metástases

    No estágio III, além da cirurgia, a diretriz recomenda considerar imunoterapia antes da cirurgia (neoadjuvante) em casos com linfonodos clinicamente comprometidos, e tratamento adjuvante com imunoterapia ou, em tumores com mutação no gene BRAF, terapia-alvo [7]. No melanoma em estágio III irressecável ou em estágio IV, a diretriz indica tratamento sistêmico em todos os casos: imunoterapia, isolada ou combinada, e, em tumores com mutação BRAF, terapia-alvo em situações selecionadas [7].

    Esses tratamentos têm efeitos adversos próprios e indicação individual. A diretriz é revisada periodicamente, e a versão atual tem validade prevista até o fim de 2026 [7].

    Acompanhamento após o tratamento

    Depois do tratamento, o acompanhamento é definido conforme o estágio e os fatores de risco de cada pessoa [2]. A diretriz europeia recomenda seguimento específico por estágio por pelo menos cinco anos e avaliação da pele por dez anos, observando que as recomendações de frequência variam entre os países e se baseiam em dados limitados [2]. Metástases podem ocorrer mesmo depois de cinco anos, o que reforça a importância de manter o acompanhamento [2].

    Entre as consultas, a orientação para observar a própria pele e procurar o médico diante de lesões novas ou de alterações na região tratada faz parte do cuidado [2].

    Perguntas frequentes

    Melanoma tem cura?

    Quando o melanoma é diagnosticado cedo, ainda restrito à pele, o tratamento é cirúrgico e a sobrevida em dez anos nesse grupo é alta. Não é possível garantir o resultado de cada caso: o prognóstico depende principalmente da espessura, da ulceração e do comprometimento de linfonodos, e é avaliado individualmente.

    Toda pinta nova é melanoma?

    Não. Uma pinta nova não significa, por si só, melanoma. Ela merece avaliação quando é diferente das outras, cresce, muda de forma ou de cor, ou sangra sem motivo.

    Melanoma pode aparecer na unha?

    Sim. O melanoma pode surgir embaixo da unha, geralmente como uma faixa escura nova que se alarga ou cuja cor se estende para a pele ao redor. Esse sinal deve ser avaliado por um dermatologista.

    Melanoma é sempre escuro?

    Não. Alguns melanomas têm pouco ou nenhum pigmento e podem ser rosados, avermelhados ou da cor da pele. O melanoma nodular também pode ter aspecto regular. Por isso, uma lesão nova que cresce deve ser avaliada mesmo que não seja escura.

    Pele morena ou negra pode ter melanoma?

    Pode. O melanoma acral, nas palmas, plantas e unhas, ocorre em qualquer tom de pele e pode ser diagnosticado mais tarde por ser confundido com manchas ou traumas.

    O que significa a espessura de Breslow no laudo?

    É a profundidade do melanoma, medida em milímetros. Ela é um dos principais fatores para definir o estágio, a necessidade de exames complementares e o tratamento. Quanto menor a espessura, em geral, melhor o prognóstico.

    O melanoma pode voltar depois de retirado?

    Pode, e por isso o acompanhamento é recomendado por vários anos, com frequência definida pelo estágio. Observar a própria pele entre as consultas também faz parte do cuidado.

    Referências

    1. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de pele melanoma — versão para a população. Atualizado em 16 set. 2025. Disponível em: www.gov.br
    2. Garbe C, Amaral T, Peris K, et al. European consensus-based interdisciplinary guideline for melanoma. Part 1: Diagnostics — update 2024. Eur J Cancer. 2025;215:115152. DOI: 10.1016/j.ejca.2024.115152
    3. Dinnes J, Deeks JJ, Chuchu N, et al. Dermoscopy, with and without visual inspection, for diagnosing melanoma in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2018;(12):CD011902. DOI: 10.1002/14651858.CD011902.pub2
    4. Gershenwald JE, Scolyer RA, Hess KR, et al. Melanoma staging: evidence-based changes in the American Joint Committee on Cancer eighth edition cancer staging manual. CA Cancer J Clin. 2017;67(6):472-492. DOI: 10.3322/caac.21409
    5. Pampena R, Kyrgidis A, Lallas A, Moscarella E, Argenziano G, Longo C. A meta-analysis of nevus-associated melanoma: prevalence and practical implications. J Am Acad Dermatol. 2017;77(5):938-945.e4. DOI: 10.1016/j.jaad.2017.06.149
    6. Chamberlain AJ, Fritschi L, Kelly JW. Nodular melanoma: patients’ perceptions of presenting features and implications for earlier detection. J Am Acad Dermatol. 2003;48(5):694-701. DOI: 10.1067/mjd.2003.216
    7. Garbe C, Amaral T, Peris K, et al. European consensus-based interdisciplinary guideline for melanoma. Part 2: Treatment — update 2024. Eur J Cancer. 2025;215:115153. DOI: 10.1016/j.ejca.2024.115153

    Autoria, revisão médica e transparência

    Autoria e revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior — Dermatologista, CRM-PR 24.645 | RQE 2.050, diretor técnico do Instituto Pontello.
    Revisão médica: 19 de outubro de 2026
    Área de atuação: Dermatologia
    Publicado em: 19 de outubro de 2026
    Conflitos de interesse: O Dr. Rubens Pontello Junior declara não possuir conflitos de interesse relacionados a este artigo.
    Transparência: as afirmações clínicas estão sustentadas pelas referências científicas listadas acima. Nenhuma marca de produto é citada. As opções de tratamento descritas refletem diretrizes e não indicam quais procedimentos são realizados pelo Dr. Rubens. Este conteúdo tem caráter informativo, não substitui a consulta médica individualizada e não permite autodiagnóstico.

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  • Carcinoma basocelular e espinocelular: os cânceres de pele mais comuns, e que nem sempre são pintas

    Carcinoma basocelular e espinocelular: os cânceres de pele mais comuns, e que nem sempre são pintas

    Em poucas palavras

    O carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular são os tipos mais frequentes de câncer de pele e, na maioria das vezes, não se parecem com uma pinta. Podem surgir como um nódulo rosado ou perolado, uma mancha avermelhada que descama, uma lesão áspera que forma crosta ou uma ferida que sangra e não fecha. O basocelular costuma crescer devagar e raramente se espalha, mas pode invadir e destruir os tecidos ao redor se não for tratado. O espinocelular também tem, em geral, ótimo prognóstico quando tratado cedo, mas tem maior capacidade de atingir camadas profundas e, numa parcela pequena dos casos, de chegar aos gânglios linfáticos [1–3]. Uma lesão que não cicatriza, volta a abrir ou sangra com facilidade deve ser avaliada por um dermatologista: o diagnóstico é confirmado, quando necessário, por biópsia, e o tratamento é definido caso a caso.

    O que são os carcinomas da pele

    Os carcinomas nascem dos queratinócitos, as células que formam a maior parte da camada mais superficial da pele. Por isso são chamados, em conjunto, de câncer de pele não melanoma, em oposição ao melanoma, que nasce das células que produzem pigmento. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o carcinoma basocelular responde por cerca de 80% desses casos e o espinocelular, por cerca de 20% [1].

    Os dois aparecem com mais frequência em áreas expostas ao sol, sobretudo na cabeça e no pescoço [2], mas não se comportam da mesma forma. Por isso, cada um é explicado separadamente a seguir. Para uma visão geral de todos os tipos de câncer de pele, incluindo o melanoma, veja o artigo sobre câncer de pele.

    Carcinoma basocelular

    Como costuma aparecer

    Na forma mais comum, o carcinoma basocelular é uma pápula (pequena elevação na pele) ou um nódulo da cor da pele, rosado ou avermelhado, com brilho perolado ou aspecto translúcido e pequenos vasos visíveis na superfície. Com o tempo, o centro pode afundar, ulcerar e sangrar [1, 2]. Também existem outras apresentações [2]:

    • Superficial: mancha rosada ou avermelhada, plana e levemente descamativa, mais frequente no tronco;
    • Esclerodermiforme (morfeiforme): área endurecida, esbranquiçada ou semelhante a uma cicatriz, com limites pouco nítidos;
    • Pigmentado: variante com pigmento, que pode ser marrom ou acinzentada e, por isso, ser confundida com outras lesões escuras.

    A região da cabeça e do pescoço é a localização mais comum [2].

    Comportamento: cresce devagar, mas pode invadir

    O carcinoma basocelular costuma começar como uma lesão pequena e crescer lentamente, ao longo de meses ou anos [2]. A metástase, isto é, a disseminação para outros órgãos, é muito rara [2]. O que torna o tumor relevante é a capacidade de crescer localmente: quando não tratado, pode invadir e destruir pele, cartilagem e outras estruturas próximas, o que pesa especialmente em áreas delicadas do rosto [2].

    O crescimento lento não é motivo para adiar a avaliação: a própria diretriz europeia recomenda explicar ao paciente as consequências de deixar o tumor sem tratamento [2].

    Carcinoma espinocelular

    Como costuma aparecer

    No início, o carcinoma espinocelular costuma ser uma pápula ou placa da cor da pele ou avermelhada, com superfície áspera e descamativa, às vezes difícil de distinguir de uma ceratose actínica [3]. Com o tempo, aumenta de tamanho e frequentemente forma crosta, ferida e sangramento [1, 3]. Algumas lesões ficam endurecidas e mais elevadas, com aspecto verrucoso; outras podem ficar sensíveis ao toque ou doloridas, o que merece atenção [3].

    Comportamento e fatores de maior risco

    A maior parte dos carcinomas espinocelulares tem ótimo prognóstico quando diagnosticada e tratada corretamente, com taxas de cura em cinco anos acima de 90% [3]. Ainda assim, o espinocelular é diferente do basocelular: pode crescer em profundidade e, numa minoria dos casos, atingir os gânglios linfáticos ou outros órgãos. Em dois estudos citados pela diretriz europeia, com populações e tempos de acompanhamento diferentes, a taxa de metástase foi de 4% em 615 pacientes operados e acompanhados por uma mediana de cerca de três anos e meio, e a de doença linfonodal foi de 3,7% em mais de 900 pacientes de um único centro acompanhados por cerca de dez anos [3]. Os dois números não devem ser somados nem comparados diretamente.

    Esse risco não é igual para todos os tumores. A diretriz europeia aponta características associadas a maior risco de recidiva (retorno do tumor) ou metástase, entre elas [3]:

    • tumor com 2 cm ou mais de diâmetro ou com grande espessura;
    • invasão além da gordura sob a pele ou ao redor de nervos;
    • tumores pouco diferenciados ou de subtipos mais agressivos, definidos na análise ao microscópio;
    • localização na orelha;
    • imunossupressão, como em pessoas transplantadas, com algumas doenças do sangue ou com infecção pelo HIV.

    Parte dessas características só pode ser avaliada no exame do tecido retirado, o que reforça a importância do diagnóstico histopatológico, isto é, da análise do tecido ao microscópio.

    Ceratose actínica: a lesão que pode vir antes

    A ceratose actínica é uma lesão áspera e descamativa causada pelo dano solar acumulado, comum no rosto, no couro cabeludo calvo, nas orelhas e no dorso das mãos. A maior parte dos carcinomas espinocelulares surge em pele com ceratoses actínicas e sinais de dano solar crônico [3]. Isso não significa que toda ceratose vá virar câncer. Estudos observacionais encontraram taxas de progressão de ceratose actínica para carcinoma espinocelular entre 0% e 0,075% por lesão ao ano. Entretanto, os dados disponíveis são limitados e não permitem estimar com segurança o risco individual de progressão. O risco pode ser maior em pessoas com histórico de câncer de pele não melanoma [5]. Parte das lesões regride espontaneamente [5].

    Na prática, a presença de ceratoses actínicas indica pele com dano solar importante, que merece avaliação dermatológica e acompanhamento.

    Basocelular e espinocelular lado a lado

    Ilustração comparando carcinoma basocelular, nódulo rosado e perolado, e carcinoma espinocelular, lesão avermelhada e áspera
    Carcinoma basocelular Carcinoma espinocelular
    Frequência Cerca de 80% dos cânceres de pele não melanoma [1] Cerca de 20% dos cânceres de pele não melanoma [1]
    Aparência mais comum Nódulo rosado, perolado ou translúcido, com vasos visíveis; pode ulcerar [1, 2] Lesão avermelhada, áspera ou descamativa, que forma crosta e ferida [1, 3]
    Crescimento Geralmente lento [2] Variável; pode ser mais rápido [3]
    Metástase Muito rara [2] Incomum, mais provável em tumores de maior risco [3]

    Observação: a tabela resume padrões frequentes. A distinção entre os dois, e entre eles e outras lesões, depende do exame dermatológico e, quando indicado, da análise ao microscópio.

    A ferida que não cicatriza: quando desconfiar

    Um dos sinais mais característicos dos carcinomas é a ferida que não fecha. Ela pode parecer um machucado comum, formar crosta, cair e voltar a abrir no mesmo lugar, ou sangrar com atritos mínimos, como ao secar o rosto ou passar a roupa [1]. Merecem avaliação:

    • feridas sem causa clara que não cicatrizam ou que cicatrizam e reabrem no mesmo ponto;
    • lesões que sangram com facilidade ou formam crosta repetidamente;
    • nódulos rosados ou perolados, ou manchas ásperas e descamativas, que persistem ou aumentam;
    • áreas endurecidas, com aspecto de cicatriz, que surgem sem cirurgia ou trauma anterior.

    O INCA orienta que qualquer lesão ou ferida na pele que não se resolva em 15 dias seja avaliada por um especialista [1]. Esse prazo é um limite, não um tempo de espera: uma lesão que cresce, sangra espontaneamente ou já parece suspeita deve ser avaliada sem aguardar.

    Ciclo da ferida que não cicatriza e orientação de avaliar lesões que não se resolvem em 15 dias

    Por que nem todo câncer de pele parece uma pinta

    Muitas pessoas associam câncer de pele apenas a pintas escuras. Essa é a apresentação típica do melanoma, que nasce das células de pigmento. Os carcinomas, ao contrário, geralmente são rosados, avermelhados, perolados ou da cor da pele, e por isso podem passar despercebidos ou ser confundidos com espinhas, irritações ou feridas comuns. A regra ABCDE, pensada para pintas pigmentadas, não ajuda a reconhecê-los. Para os sinais de alerta em pintas, veja o artigo sobre pinta suspeita.

    Como é feito o diagnóstico

    A suspeita começa no exame clínico. Para o carcinoma basocelular, a diretriz europeia considera que o diagnóstico se baseia no aspecto clínico e na dermatoscopia (exame com aumento e iluminação especial), com confirmação histopatológica obrigatória quando a lesão é duvidosa [2]. No espinocelular, as lesões iniciais podem ser difíceis de distinguir de ceratoses actínicas e de outras lesões, e a análise do tecido também define características que influenciam o risco e o tratamento, como espessura, grau de diferenciação e invasão de nervos [3].

    Por isso, quando há suspeita, o dermatologista pode indicar uma biópsia, que retira uma amostra ou a lesão inteira para análise ao microscópio. A forma de obter a amostra depende do tamanho, da localização e do aspecto da lesão. Em tumores de maior risco ou avançados, podem ser necessários exames complementares de estadiamento, que avaliam se o tumor se estendeu além da pele, conforme a avaliação médica [3].

    Opções de tratamento em linhas gerais

    As informações abaixo descrevem, de forma geral, o que as diretrizes recomendam. Elas não substituem a avaliação individual nem indicam quais procedimentos são realizados em um consultório específico: a escolha depende do tipo, do subtipo, do tamanho, da localização e do risco do tumor, além da saúde e das preferências de cada pessoa. Quando o melhor tratamento exige outro especialista ou outro serviço, o paciente é encaminhado.

    Carcinoma basocelular

    • Cirurgia com retirada completa do tumor: é o tratamento de primeira escolha [1, 2].
    • Cirurgia micrográfica (como a cirurgia de Mohs): técnica em que as margens são examinadas durante o procedimento; é recomendada para tumores de alto risco, recidivados ou localizados em áreas anatômicas críticas [2].
    • Tratamentos tópicos, terapia fotodinâmica e métodos destrutivos (como curetagem, eletrocoagulação ou crioterapia): podem ser considerados em tumores de baixo risco, principalmente superficiais, conforme indicação [2]. A crioterapia e o laser destroem o tecido e não permitem análise ao microscópio do material [2].
    • Radioterapia: alternativa para quem não pode ou não deseja ser operado, especialmente pessoas mais idosas [2].
    • Casos avançados: tumores localmente avançados ou com metástase são discutidos por equipe multidisciplinar e podem receber medicamentos de uso sistêmico específicos [2].

    Carcinoma espinocelular

    • Cirurgia com avaliação das margens ou cirurgia micrográfica: é o tratamento de primeira escolha; obter margens livres é o ponto mais importante [4].
    • Métodos destrutivos: por consenso dos especialistas, curetagem com eletrocoagulação, crioterapia, terapia fotodinâmica e laser não devem ser usados como tratamento do carcinoma espinocelular invasivo primário [4].
    • Radioterapia: considerada quando a cirurgia não é possível ou não é aceita [4].
    • Casos com metástase ou localmente avançados: exigem decisão de equipe multidisciplinar e podem incluir cirurgia dos gânglios, radioterapia e imunoterapia [4].

    Limites das evidências

    Nem todas as recomendações têm o mesmo nível de evidência: algumas, como a contraindicação de métodos destrutivos no espinocelular invasivo, são consensos de especialistas, por falta de estudos comparativos [4]. Em todos os casos, tratar uma lesão sem diagnóstico, com cauterização, ácidos ou pomadas por conta própria, pode atrasar o tratamento adequado e eliminar o tecido necessário para a análise.

    Depois do tratamento: acompanhamento e novos tumores

    Ter um carcinoma de pele aumenta a chance de desenvolver outros ao longo da vida. Em uma metanálise citada pela diretriz europeia, o risco acumulado de um novo carcinoma basocelular em cinco anos, em pessoas que já tiveram um carcinoma basocelular, foi de 36%. Segundo a mesma diretriz, a maioria desses novos tumores surge nos três primeiros anos após o diagnóstico, embora o risco continue elevado depois disso [2]. Quem teve basocelular também tem risco maior de espinocelular e de melanoma [2].

    O acompanhamento é individualizado. Para o carcinoma basocelular de baixo risco, não há evidência de que consultas muito frequentes melhorem os resultados; ainda assim, a diretriz considera razoável oferecer a todos uma consulta de retorno para orientar sobre o diagnóstico, a proteção solar e a observação da própria pele, e recomenda acompanhamento prolongado para quem teve tumores de alto risco ou múltiplos [2]. No espinocelular, o maior risco de recidiva está nos dois primeiros anos, a frequência das consultas depende do risco de cada caso, e a orientação inclui observar a pele e as regiões dos gânglios [4]. Pessoas imunossuprimidas exigem atenção especial [4].

    Entre as consultas, vale procurar o dermatologista ao notar qualquer alteração na área tratada ou uma lesão nova com as características descritas neste artigo.

    Perguntas frequentes

    Carcinoma basocelular é grave?

    É um câncer, e por isso precisa de tratamento, mas na grande maioria dos casos tem comportamento local e raramente se espalha. O risco está no crescimento ao redor da lesão, que pode destruir tecidos quando o tratamento é adiado. Diagnosticado cedo, costuma ter tratamento eficaz.

    Carcinoma basocelular dá metástase?

    Muito raramente. A metástase do basocelular é considerada excepcional; o que preocupa é a invasão local, especialmente no rosto.

    Qual é mais perigoso: basocelular ou espinocelular?

    Em geral, o espinocelular, porque tem maior capacidade de crescer em profundidade e, em uma minoria dos casos, de atingir gânglios ou outros órgãos. Ainda assim, a maioria dos espinocelulares tem ótimo prognóstico quando tratada cedo e corretamente.

    Uma ferida no rosto que não cicatriza pode ser câncer de pele?

    Pode. Feridas que não fecham, que cicatrizam e reabrem ou que sangram com facilidade estão entre as formas mais comuns de apresentação dos carcinomas. Não é preciso esperar que ela complete um prazo para procurar avaliação se já houver sinais suspeitos.

    Toda ceratose actínica vira câncer?

    Não. A chance de uma ceratose isolada evoluir para carcinoma espinocelular é baixa, e algumas regridem sozinhas. Mas a ceratose indica dano solar importante e pele com maior risco, por isso deve ser avaliada e acompanhada pelo dermatologista.

    Pomadas podem tratar carcinoma de pele?

    Alguns carcinomas basocelulares superficiais de baixo risco podem ser tratados com medicamentos tópicos, sempre com indicação e acompanhamento médico, depois do diagnóstico. Para o espinocelular invasivo, o tratamento recomendado é cirúrgico ou, quando a cirurgia não é possível, a radioterapia. Usar pomadas por conta própria pode atrasar o tratamento correto.

    Depois de tratar um carcinoma, pode aparecer outro?

    Sim. Quem já teve um carcinoma de pele tem risco maior de desenvolver novos tumores, inclusive em outras áreas. Por isso, o acompanhamento e a observação da própria pele continuam importantes depois do tratamento, com frequência definida conforme o risco de cada pessoa.

    Referências

    1. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de pele não melanoma — versão para profissionais de saúde. Atualizado em 7 jul. 2023. Disponível em: www.gov.br
    2. Peris K, Fargnoli MC, Kaufmann R, et al. European consensus-based interdisciplinary guideline for diagnosis and treatment of basal cell carcinoma—update 2023. Eur J Cancer. 2023;192:113254. DOI: 10.1016/j.ejca.2023.113254
    3. Stratigos AJ, Garbe C, Dessinioti C, et al. European consensus-based interdisciplinary guideline for invasive cutaneous squamous cell carcinoma. Part 1: Diagnostics and prevention—update 2023. Eur J Cancer. 2023;193:113251. DOI: 10.1016/j.ejca.2023.113251
    4. Stratigos AJ, Garbe C, Dessinioti C, et al. European consensus-based interdisciplinary guideline for invasive cutaneous squamous cell carcinoma. Part 2: Treatment—update 2023. Eur J Cancer. 2023;193:113252. DOI: 10.1016/j.ejca.2023.113252
    5. Werner RN, Sammain A, Erdmann R, Hartmann V, Stockfleth E, Nast A. The natural history of actinic keratosis: a systematic review. Br J Dermatol. 2013;169(3):502-518. DOI: 10.1111/bjd.12420

    Autoria, revisão médica e transparência

    Autoria e revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior — Dermatologista, CRM-PR 24.645 | RQE 2.050, diretor técnico do Instituto Pontello.
    Revisão médica: 19 de outubro de 2026
    Área de atuação: Dermatologia
    Publicado em: 19 de outubro de 2026
    Conflitos de interesse: O Dr. Rubens Pontello Junior declara não possuir conflitos de interesse relacionados a este artigo.
    Transparência: as afirmações clínicas estão sustentadas pelas referências científicas listadas acima. Nenhuma marca de produto é citada. As opções de tratamento descritas refletem diretrizes e não indicam quais procedimentos são realizados pelo Dr. Rubens. Este conteúdo tem caráter informativo, não substitui a consulta médica individualizada e não permite autodiagnóstico.

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  • Pinta suspeita: quando uma pinta merece avaliação e por que o ABCDE não basta

    Pinta suspeita: quando uma pinta merece avaliação e por que o ABCDE não basta

    Em poucas palavras

    A maioria das pintas é benigna e permanece estável por anos. Uma pinta merece avaliação dermatológica quando está mudando de tamanho, forma ou cor, é diferente das outras pintas da mesma pessoa, surge na vida adulta com alguma dessas características, ou passa a coçar, sangrar ou formar crosta sem motivo aparente. A regra ABCDE ajuda a reconhecer esses sinais, mas não é um teste de diagnóstico: há pintas benignas que preenchem os critérios e melanomas que não os seguem. O que define o diagnóstico é o exame feito pelo dermatologista e, quando necessário, a análise da lesão ao microscópio.

    O que é uma pinta

    Na linguagem médica, a pinta comum é chamada de nevo melanocítico. Ela é formada por um agrupamento de melanócitos, as células que produzem o pigmento da pele. Pintas surgem principalmente na infância e na adolescência [11]; podem ser planas ou elevadas e variam do marrom-claro ao marrom-escuro.

    Ter pintas é normal. Pessoas com muitas pintas, porém, têm risco maior de melanoma, e o risco cresce com o número de pintas comuns e com a presença de pintas atípicas, de aspecto irregular [7]. Mesmo assim, a maioria dos melanomas não nasce de uma pinta que já existia. Em uma metanálise de 38 estudos observacionais, a proporção de melanomas associados a uma pinta preexistente foi de 29,1%; nos demais casos analisados (70,9%), o melanoma surgiu sem pinta prévia identificada [6]. Esses percentuais refletem os estudos incluídos na análise e não representam o risco de uma pessoa específica. Por isso, observar o surgimento de lesões novas é tão importante quanto acompanhar as antigas.

    Pinta comum ou lesão suspeita: o que muda

    Nenhuma característica isolada separa com segurança uma pinta benigna de um melanoma. Ainda assim, alguns padrões costumam distinguir uma pinta comum de uma lesão que merece avaliação [1, 3]:

    Características frequentemente observadas em pintas benignas Características que merecem avaliação
    Formato Redonda ou oval, simétrica Assimétrica, com contorno irregular
    Bordas Bem definidas Borradas, recortadas ou mal definidas
    Cor Um tom uniforme de marrom Vários tons (marrom, preto, vermelho, azulado, áreas claras)
    Comportamento Estável ao longo dos anos Mudança de tamanho, forma, cor, relevo ou sintomas
    Comparação com as outras Parecida com as demais pintas da pessoa Diferente de todas as outras (“patinho feio”)
    Momento de surgimento Surgimento na infância ou na adolescência Pinta nova na vida adulta que muda ou é diferente das demais

    Observação: nenhuma característica isolada confirma ou exclui melanoma. A tabela reúne padrões frequentes; a conclusão depende do exame dermatológico.

    A regra ABCDE

    A regra ABCDE foi criada para ajudar pacientes e profissionais a reconhecer pintas que precisam de atenção. A letra E, de evolução, foi incorporada depois, quando se percebeu que a mudança ao longo do tempo é um dos sinais mais importantes [2].

    Infográfico da regra ABCDE comparando pinta comum e sinal de atenção: assimetria, borda, cor, diâmetro e evolução

    A — Assimetria

    Se a pinta fosse dividida ao meio, as duas metades não seriam iguais em forma, cor ou estrutura.

    B — Bordas

    O contorno é irregular, recortado ou borrado, sem limite nítido com a pele ao redor.

    C — Cor

    Há mais de um tom na mesma lesão: marrom-claro e escuro, preto, vermelho, azulado ou áreas mais claras.

    D — Diâmetro

    O diâmetro é maior que cerca de 6 mm, aproximadamente o tamanho da borracha na ponta de um lápis. Melanomas em fase inicial, porém, podem ser menores que isso [2, 3].

    E — Evolução

    A pinta muda de tamanho, formato, cor, relevo ou passa a causar sintomas, como coceira, sangramento ou crosta. Entre todos os critérios, a evolução é o sinal que mais pesa na decisão de procurar avaliação [1, 2].

    Por que o ABCDE não basta

    O ABCDE é uma ferramenta de alerta, não de diagnóstico. Ele tem limitações importantes:

    • pintas benignas podem apresentar um ou mais desses sinais sem ser câncer: na maior parte das vezes, alterações como essas na pele não são causadas por câncer [1];
    • alguns melanomas não seguem o padrão, como os nodulares, que costumam crescer como um nódulo simétrico, elevado e firme, e os pouco pigmentados, que podem ser rosados ou da cor da pele [3, 8];
    • melanomas iniciais podem ser pequenos e ainda regulares [2, 3];
    • a regra foi pensada para pintas pigmentadas e não ajuda a reconhecer outros tipos de câncer de pele, como os carcinomas, que costumam ser rosados, perolados ou descamativos.

    Por isso, o ABCDE deve ser usado junto com outros sinais, como a mudança ao longo do tempo e a comparação com as demais pintas, e nunca como forma de descartar uma lesão que preocupa.

    O sinal do patinho feio

    As pintas de uma mesma pessoa costumam se parecer entre si. O sinal do patinho feio chama atenção para a pinta que foge desse padrão: maior, mais escura, mais clara, de formato diferente ou com aspecto que destoa das demais [4]. Em um estudo com dermatologistas, considerar esse sinal ajudou a selecionar melhor as lesões que precisavam de investigação [5].

    Ilustração de costas com várias pintas parecidas e uma pinta diferente destacada, representando o sinal do patinho feio

    Na prática, comparar as pintas entre si costuma ser mais útil do que avaliar uma pinta isoladamente.

    Pintas novas na vida adulta

    A maior parte das pintas surge na infância e na adolescência [11]. Na vida adulta, novas pintas também podem aparecer, e isso, por si só, não significa câncer. A American Academy of Dermatology orienta que, em adultos, pintas novas e mudanças em pintas já existentes podem ser sinal de melanoma e merecem atenção [11]. O que mais pesa é a evolução da lesão (se cresce ou muda de forma, cor ou relevo) e o quanto ela difere das outras pintas da mesma pessoa. Como a maior parte dos melanomas surge sem pinta prévia [6], uma lesão nova que evolui ou destoa das demais deve ser avaliada, e essa avaliação é sempre individual, considerando o histórico e os fatores de risco de cada pessoa.

    Pintas que crescem, mudam, coçam ou sangram

    Mudança é o sinal que mais pesa. Merecem avaliação as pintas que:

    • aumentam de tamanho ou ficam mais elevadas;
    • mudam de formato ou de cor, inclusive quando ficam mais claras ou ganham áreas avermelhadas;
    • passam a coçar de forma persistente, sem causa aparente;
    • sangram, formam crosta ou ferida sem ter sido machucadas.

    A coceira tem muitas causas benignas e, na maior parte das vezes, alterações como essa não são causadas por câncer [1]. O sintoma ganha importância quando é persistente ou vem junto com alguma mudança de tamanho, forma ou cor [1, 11]. Uma pinta que sangra depois de um trauma evidente, como um arranhão ou o atrito com a roupa, também deve ser observada: se não cicatrizar ou continuar alterada, precisa ser examinada.

    Quando o melanoma não tem o aspecto clássico

    Nem todo melanoma é uma mancha escura e irregular. Alguns se apresentam de forma diferente [3, 8]:

    Melanoma nodular

    Surge como um nódulo elevado, firme e simétrico, que cresce em semanas ou poucos meses. Pode ser escuro, azulado ou avermelhado. Por crescer em profundidade de forma mais rápida e nem sempre ter bordas irregulares, costuma escapar do ABCDE [8].

    Melanoma pouco pigmentado

    Tem pouco ou nenhum pigmento e pode parecer uma lesão rosada, avermelhada ou da cor da pele, às vezes confundida com uma lesão inflamatória [3].

    Palmas, plantas e unhas

    O melanoma pode aparecer em áreas pouco expostas ao sol, como palmas das mãos, plantas dos pés e embaixo das unhas, em qualquer tom de pele [3]. Na unha, o sinal de atenção é uma faixa escura nova, que se alarga ou cuja pigmentação passa para a pele ao redor.

    Lesões benignas que podem ser confundidas com câncer

    Várias lesões comuns e benignas podem assustar pela cor ou pelo relevo. Entre elas:

    • Ceratose seborreica: lesão bem delimitada, marrom a preta, com aspecto “grudado” na pele e superfície aveludada ou áspera; é frequente e se torna mais comum com o avançar da idade [12].
    • Lentigo solar: mancha marrom e plana em áreas expostas ao sol, como rosto, mãos, pescoço e braços, mais comum com o avançar da idade [13].
    • Dermatofibroma: pequeno nódulo firme, mais comum nas pernas, que costuma afundar levemente no centro quando a pele ao redor é pressionada [14].
    • Angioma rubi: pequena lesão vermelha ou arroxeada, formada por vasos sanguíneos; é o tumor vascular benigno mais comum da pele e se torna mais frequente com a idade [15].

    A semelhança visual entre essas lesões e alguns cânceres de pele é justamente o motivo pelo qual a distinção deve ser feita em consulta, e não por comparação com fotos na internet.

    O que observar na própria pele

    Conhecer a própria pele facilita perceber mudanças. Algumas orientações práticas:

    • observe a pele periodicamente, com boa iluminação, usando um espelho de corpo inteiro e um espelho de mão; a frequência deve ser combinada com o dermatologista, de acordo com o seu risco;
    • inclua áreas pouco vistas: couro cabeludo, costas, nádegas, plantas dos pés, entre os dedos e embaixo das unhas;
    • peça ajuda a alguém para as regiões que você não consegue ver;
    • fotografias feitas por você, sempre com a mesma distância e luz, podem ajudar a documentar mudanças ao longo do tempo, mas não substituem o exame clínico nem a avaliação dermatoscópica, quando indicada;
    • anote pintas novas ou mudanças e leve essas informações à consulta.
    Mapa corporal de frente e costas com as áreas pouco vistas no autoexame da pele e passo a passo de como fazer

    O autoexame complementa, mas não substitui, a avaliação dermatológica. Aplicativos de celular que prometem avaliar o risco de uma pinta também não substituem a consulta: uma revisão sistemática concluiu que eles não têm precisão confiável e podem tanto deixar de identificar melanomas quanto gerar preocupação desnecessária [9].

    Quando procurar avaliação dermatológica

    Procure um dermatologista quando notar:

    • uma pinta nova na vida adulta que cresce, muda ou é diferente das demais;
    • uma pinta que muda de tamanho, forma, cor ou relevo;
    • uma pinta que coça de forma persistente, sangra ou forma crosta sem motivo aparente;
    • um nódulo novo, firme ou que cresce rapidamente, de qualquer cor;
    • uma faixa escura nova em uma unha;
    • qualquer lesão que preocupe, mesmo sem um desses sinais.

    Lesões que crescem rapidamente, sangram espontaneamente ou mudam de forma importante não devem esperar: justificam avaliação sem demora. Na consulta, o dermatologista examina a pele como um todo, compara as pintas entre si e pode usar a dermatoscopia, exame com aumento e iluminação especial que melhora a precisão na avaliação de lesões pigmentadas [10]. Quando há suspeita de câncer de pele, o dermatologista pode indicar uma biópsia para análise do tecido ao microscópio. A forma de obtenção da amostra depende da avaliação clínica. Nas lesões melanocíticas suspeitas, a investigação deve ser feita por métodos que permitam análise histopatológica adequada [3]. Para entender os tipos de câncer de pele e outros sinais de alerta, veja o artigo sobre câncer de pele.

    Por que não remover ou tratar uma pinta sem diagnóstico

    Tentar eliminar uma pinta suspeita com cauterização, laser, ácidos, pomadas ou produtos caseiros, sem avaliação prévia, pode trazer dois problemas. O primeiro é destruir o tecido que seria necessário para o exame ao microscópio, que é o que confirma ou descarta um melanoma [3]. O segundo é que a lesão pode voltar com aspecto alterado, o que dificulta avaliações futuras.

    Retirar uma pinta por motivo estético é possível, mas a decisão sobre a técnica deve ser tomada depois da avaliação dermatológica. Quando uma lesão é retirada, a análise do material permite confirmar sua natureza.

    Perguntas frequentes

    Toda pinta preta é perigosa?

    Não. A cor escura, sozinha, não indica câncer: muitas pintas benignas são marrom-escuras ou pretas. O que chama atenção é a combinação de sinais, como cores variadas na mesma pinta, mudança recente ou aspecto diferente das demais.

    Pinta que coça é sinal de câncer?

    Na maioria das vezes, não. Coceira isolada tem muitas causas benignas. Ela passa a ser relevante quando é persistente ou vem acompanhada de mudança de tamanho, forma, cor, sangramento ou crosta.

    Uma pinta pode virar câncer?

    Pode, mas é incomum. A maioria das pintas permanece benigna por toda a vida, e a maior parte dos melanomas surge em pele que não tinha pinta. Por isso, vale observar tanto as pintas antigas quanto o aparecimento de lesões novas.

    É normal surgirem pintas novas depois dos 30 anos?

    Algumas pintas novas podem surgir na vida adulta e ser benignas. Ainda assim, uma pinta nova nessa fase merece mais atenção, sobretudo se for diferente das outras ou continuar mudando.

    Posso tirar uma pinta só por estética?

    Sim, após avaliação dermatológica. Retirar ou destruir uma pinta sem diagnóstico pode eliminar o material necessário para descartar um melanoma.

    Aplicativos de celular conseguem dizer se a pinta é câncer?

    Não de forma confiável. Estudos mostram que esses aplicativos podem deixar de identificar melanomas e também gerar alarmes falsos. Eles não substituem a consulta.

    Com que frequência devo examinar minhas pintas?

    Observar a própria pele de tempos em tempos ajuda a perceber mudanças. A frequência das consultas de acompanhamento depende do risco de cada pessoa e deve ser combinada com o dermatologista.

    Referências

    1. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de pele melanoma — versão para a população. Atualizado em 16 set. 2025. Disponível em: www.gov.br
    2. Abbasi NR, Shaw HM, Rigel DS, et al. Early diagnosis of cutaneous melanoma: revisiting the ABCD criteria. JAMA. 2004;292(22):2771-2776. DOI: 10.1001/jama.292.22.2771
    3. Garbe C, Amaral T, Peris K, et al. European consensus-based interdisciplinary guideline for melanoma. Part 1: Diagnostics — update 2024. Eur J Cancer. 2025;215:115152. DOI: 10.1016/j.ejca.2024.115152
    4. Grob JJ, Bonerandi JJ. The “ugly duckling” sign: identification of the common characteristics of nevi in an individual as a basis for melanoma screening. Arch Dermatol. 1998;134(1):103. DOI: 10.1001/archderm.134.1.103-a
    5. Gaudy-Marqueste C, Wazaefi Y, Bruneu Y, et al. Ugly duckling sign as a major factor of efficiency in melanoma detection. JAMA Dermatol. 2017;153(4):279. DOI: 10.1001/jamadermatol.2016.5500
    6. Pampena R, Kyrgidis A, Lallas A, Moscarella E, Argenziano G, Longo C. A meta-analysis of nevus-associated melanoma: prevalence and practical implications. J Am Acad Dermatol. 2017;77(5):938-945.e4. DOI: 10.1016/j.jaad.2017.06.149
    7. Gandini S, Sera F, Cattaruzza MS, et al. Meta-analysis of risk factors for cutaneous melanoma: I. Common and atypical naevi. Eur J Cancer. 2005;41(1):28-44. DOI: 10.1016/j.ejca.2004.10.015
    8. Chamberlain AJ, Fritschi L, Kelly JW. Nodular melanoma: patients’ perceptions of presenting features and implications for earlier detection. J Am Acad Dermatol. 2003;48(5):694-701. DOI: 10.1067/mjd.2003.216
    9. Freeman K, Dinnes J, Chuchu N, et al. Algorithm based smartphone apps to assess risk of skin cancer in adults: systematic review of diagnostic accuracy studies. BMJ. 2020;368:m127. DOI: 10.1136/bmj.m127
    10. Dinnes J, Deeks JJ, Chuchu N, et al. Dermoscopy, with and without visual inspection, for diagnosing melanoma in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2018;(12):CD011902. DOI: 10.1002/14651858.CD011902.pub2
    11. American Academy of Dermatology (AAD). Moles: Overview. Disponível em: aad.org. Acesso em: 19 out. 2026.
    12. Lubis SND, Putra IB. An update on the diagnosis and treatment of seborrheic keratosis. Front Med (Lausanne). 2026;13:1764657. DOI: 10.3389/fmed.2026.1764657
    13. Mardani G, Nasiri MJ, Namazi N, Farshchian M, Abdollahimajd F. Treatment of solar lentigines: a systematic review of clinical trials. J Cosmet Dermatol. 2025;24(4):e70133. DOI: 10.1111/jocd.70133
    14. Wan L, Park A, Almatroud L, Khachemoune A. Dermatofibroma: reappraisal and updated review. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2025;18:1873-1887. DOI: 10.2147/CCID.S526191
    15. Pastor-Tomás N, Bañuls J, Nagore E. Clinical relevance of cherry angiomas. Actas Dermosifiliogr. 2023;114(3):T240-T246. DOI: 10.1016/j.ad.2022.10.040

    Autoria, revisão médica e transparência

    Autoria e revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior — Dermatologista, CRM-PR 24.645 | RQE 2.050, diretor técnico do Instituto Pontello.
    Revisão médica: 19 de outubro de 2026
    Área de atuação: Dermatologia
    Publicado em: 19 de outubro de 2026
    Conflitos de interesse: O Dr. Rubens Pontello Junior declara não possuir conflitos de interesse relacionados a este artigo.
    Transparência: as afirmações clínicas estão sustentadas pelas referências científicas listadas acima. Nenhuma marca de produto é citada. Este conteúdo tem caráter informativo, não substitui a consulta médica individualizada e não permite autodiagnóstico.

    Quer uma avaliação personalizada? Agende uma consulta com o Dr. Rubens Pontello Junior, dermatologista em Londrina.

  • Câncer de pele: tipos, sinais de alerta e quando procurar o dermatologista

    Câncer de pele: tipos, sinais de alerta e quando procurar o dermatologista

    Em poucas palavras

    Câncer de pele não é uma doença única. Os carcinomas basocelular e espinocelular são os tumores mais frequentes do Brasil e, na grande maioria dos casos, permanecem restritos ao local onde surgiram. O melanoma é bem menos comum, mas é o mais grave, porque tem maior capacidade de se espalhar para outros órgãos. Nem todo câncer de pele é uma pinta escura: uma lesão rosada ou perolada, uma mancha áspera que descama ou uma ferida que não cicatriza também merecem atenção. Lesões novas, que mudam ou que persistem por mais de 15 dias devem ser avaliadas por um dermatologista. Esse prazo não significa que seja necessário esperar 15 dias para procurar atendimento. Lesões que apresentam sinais suspeitos, como crescimento rápido, alterações importantes ou sangramento espontâneo, podem justificar avaliação antes desse período. Para pessoas sem sintomas, não há recomendação de exame periódico igual para todos: a frequência do acompanhamento depende do risco de cada um.

    O que é o câncer de pele

    Câncer de pele é o crescimento descontrolado de células da pele que sofreram alterações no seu material genético. A principal causa conhecida é a radiação ultravioleta, do sol ou de fontes artificiais, seja acumulada ao longo da vida, seja recebida em queimaduras intensas [1, 2].

    O tipo de célula de origem define a doença. Quando o tumor nasce dos queratinócitos, as células que formam a maior parte da epiderme, fala-se em carcinoma, ou câncer de pele não melanoma. Quando nasce dos melanócitos, as células que produzem pigmento, fala-se em melanoma. A diferença não é apenas técnica: frequência, aparência, velocidade de crescimento, risco de disseminação e tratamento são distintos.

    Quantos casos o Brasil registra

    Para cada ano do triênio 2026–2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 263.280 novos casos de câncer de pele não melanoma e 9.360 de melanoma no Brasil [3]. O não melanoma é o câncer mais frequente do país. O melanoma corresponde a uma parcela pequena dos casos, mas é o tipo com maior potencial de disseminação; em 2024, foram registrados 2.031 óbitos por melanoma no país [1].

    Números do câncer de pele no Brasil segundo o INCA: 263.280 casos de não melanoma e 9.360 de melanoma por ano

    Melanoma e carcinomas: por que não são a mesma doença

    Esquema da epiderme mostrando queratinócitos, células basais e melanócitos, onde começam os tipos de câncer de pele
    Carcinoma basocelular Carcinoma espinocelular Melanoma
    Célula de origem Células da camada basal da epiderme Queratinócitos da epiderme Melanócitos
    Frequência Cerca de 80% dos casos de não melanoma [2] Cerca de 20% dos casos de não melanoma [2] Cerca de 9 mil casos por ano no Brasil [3]
    Aparência típica Nódulo ou ferida de bordas rosadas, translúcidas ou peroladas Lesão avermelhada, áspera, que descama e pode sangrar Pinta nova ou que muda; geralmente escura, nem sempre
    Comportamento Crescimento lento; raramente se espalha, mas pode invadir tecidos vizinhos Pode crescer mais rápido; em uma minoria dos casos, atinge gânglios Maior potencial de disseminação; a espessura no diagnóstico é o principal fator prognóstico
    Onde aparece Áreas expostas ao sol, sobretudo o rosto Áreas expostas: rosto, lábio inferior, orelhas, couro cabeludo, dorso das mãos Qualquer área, inclusive pouco expostas ao sol, como palmas, plantas e unhas

    Carcinoma basocelular

    É o câncer de pele mais comum. Costuma surgir como um nódulo brilhante, rosado ou perolado, às vezes com pequenos vasos visíveis na superfície, ou como uma ferida que se forma, parece melhorar e volta a abrir [2]. Raramente se espalha para outros órgãos, mas, sem tratamento, pode invadir e destruir estruturas vizinhas, o que é especialmente delicado no rosto, perto de olhos, nariz e orelhas [4].

    Carcinoma espinocelular

    Geralmente aparece como uma lesão avermelhada, áspera ou endurecida, que descama, forma crosta e sangra com facilidade [2]. Pode se desenvolver sobre uma ceratose actínica, lesão áspera causada pelo sol acumulado, comum no rosto, no couro cabeludo calvo e no dorso das mãos [5]. Em comparação com o basocelular, tem maior capacidade de crescer em profundidade e, em uma minoria dos casos, de atingir gânglios. O risco é maior em lábios e orelhas e em pessoas com imunidade reduzida, como transplantados de órgãos [5].

    Melanoma

    Pode surgir em pele aparentemente normal ou a partir de uma pinta que já existia e passa a mudar de tamanho, cor ou forma [1]. Na maioria das vezes é escuro, mas existem melanomas avermelhados ou da cor da pele [8]. O principal fator prognóstico é a espessura do tumor no momento do diagnóstico, medida no exame anatomopatológico [6]. Por isso, reconhecer o melanoma cedo faz diferença.

    Quem tem mais risco

    Qualquer pessoa pode ter câncer de pele, inclusive quem tem pele morena ou negra. Alguns fatores, porém, aumentam o risco [1, 2, 4, 5]:

    • pele clara, que se queima com facilidade e pouco bronzeia; olhos claros; cabelos ruivos ou loiros;
    • exposição solar intensa ao longo da vida, especialmente queimaduras na infância e na adolescência;
    • trabalho ou lazer ao ar livre por longos períodos;
    • uso de bronzeamento artificial;
    • histórico pessoal ou familiar de câncer de pele;
    • grande número de pintas ou pintas atípicas (fator ligado sobretudo ao melanoma);
    • imunossupressão, como em transplantados de órgãos.

    Esses fatores indicam quem se beneficia de atenção maior. Ninguém está isento apenas por não tê-los.

    Sinais que merecem avaliação

    Não existe um sinal único que confirme ou descarte câncer de pele. O que orienta a decisão de procurar avaliação é o conjunto: a lesão é nova, está mudando, é diferente das demais ou não desaparece.

    Pintas que mudam

    A regra ABCDE resume características que tornam uma pinta mais suspeita: assimetria, bordas irregulares, cores variadas, diâmetro acima de cerca de 6 mm e evolução, isto é, mudança de tamanho, forma, cor ou sintomas [1, 7]. É um alerta, não um diagnóstico. A maioria das pintas com algum desses critérios é benigna [1], e alguns melanomas não seguem o padrão: os nodulares crescem como um nódulo simétrico e elevado, e os pouco pigmentados podem ser rosados [8]. Por isso, o sinal mais importante é a mudança. Também chama atenção a pinta que destoa das demais da mesma pessoa, o chamado sinal do “patinho feio” [9].

    Lesões que não são escuras

    Boa parte dos cânceres de pele não tem cor escura. Merecem avaliação [2]:

    • um nódulo brilhante, rosado ou perolado, que cresce aos poucos;
    • uma mancha avermelhada e áspera que descama e não melhora com hidratante;
    • uma “casquinha” que cai e volta a se formar no mesmo lugar;
    • uma lesão endurecida, elevada, que sangra com pequenos atritos.

    Feridas que não cicatrizam

    Uma ferida sem causa evidente, que sangra, forma crosta e não fecha, deve ser examinada. O INCA orienta que lesões que persistem por mais de 15 dias sejam avaliadas por um especialista [2]. O sinal vale especialmente para rosto, lábios, orelhas, couro cabeludo e dorso das mãos.

    Palmas, plantas e unhas

    O melanoma também pode aparecer em áreas pouco expostas ao sol, como palmas das mãos, plantas dos pés e embaixo das unhas, em qualquer tom de pele [8]. Uma faixa escura nova na unha, sobretudo se alarga ou se a pigmentação passa para a pele ao redor, deve ser avaliada.

    Câncer de pele no rosto

    O rosto concentra boa parte dos carcinomas, porque recebe sol todos os dias por décadas. Nariz, têmporas, testa, lábio inferior e orelhas são regiões frequentes [4, 5]. Ali, o diagnóstico precoce importa não só para a saúde, mas também para a preservação estética e funcional: lesões menores costumam exigir tratamentos menores. Uma lesão que “parece uma espinha que não sara” ou uma descamação persistente no lábio são exemplos que merecem consulta.

    Investigação de lesões suspeitas é diferente de rastreamento

    São duas situações distintas, e a diferença muda a conduta.

    Investigação de uma lesão suspeita. Quando há uma pinta que mudou, uma lesão nova diferente das demais ou uma ferida que não cicatriza, a avaliação dermatológica é indicada. Esse é o diagnóstico precoce, recomendado pelo INCA para todas as pessoas [1, 2].

    Rastreamento de pessoas sem sintomas. É o exame periódico da pele inteira em quem não tem queixa nem fator de risco relevante. Para pessoas sem sintomas, ainda não existem evidências suficientes para determinar se os benefícios do rastreamento sistemático por exame visual da pele superam seus possíveis danos. Isso não se aplica à investigação de lesões suspeitas, e pessoas com fatores de risco podem necessitar de acompanhamento individualizado. Com base nesse cenário, o INCA não recomenda o rastreamento populacional [1, 2], e a Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos (USPSTF) classificou a evidência como insuficiente em 2023 [10].

    Isso não significa que examinar a pele seja inútil. Pessoas com histórico pessoal ou familiar de câncer de pele, muitas pintas, pintas atípicas, pele muito clara com grande exposição solar ou imunossupressão podem precisar de acompanhamento regular, definido pelo dermatologista [4, 5, 8].

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico começa pela conversa e pelo exame clínico da pele. A dermatoscopia, exame feito com um aparelho de aumento e iluminação especial, permite observar estruturas invisíveis a olho nu; uma revisão Cochrane mostrou que, associada ao exame visual, ela aumenta a precisão no diagnóstico de melanoma [11]. A confirmação vem da biópsia e da análise ao microscópio (exame anatomopatológico), que define o tipo de tumor e, no melanoma, a espessura que orienta os próximos passos [6, 8].

    Câncer de pele tem cura?

    Quando o diagnóstico é precoce, as chances de cura são altas na maioria dos casos. Carcinomas basocelulares e espinocelulares pequenos costumam ser tratados com procedimentos locais [4, 12]. No melanoma, quanto mais fino o tumor no diagnóstico, melhor o prognóstico [6]. O tratamento é sempre individual e depende do tipo, do tamanho, da localização e do estágio.

    Prevenção: o que reduz o risco e o que não garante proteção

    A fotoproteção reduz o risco, mas nenhuma medida isolada elimina a possibilidade de câncer de pele.

    No principal ensaio clínico sobre o tema, realizado na Austrália, o uso diário de protetor solar reduziu o número de carcinomas espinocelulares, sem diferença significativa na proporção de pessoas que desenvolveram o primeiro carcinoma basocelular ou espinocelular durante o estudo [13]. No acompanhamento de longo prazo do mesmo grupo, houve menos melanomas entre os usuários regulares: a redução foi limítrofe do ponto de vista estatístico para o total e mais consistente para os melanomas invasivos [14].

    Na prática, a proteção combina várias medidas [1, 15]:

    • evitar o sol intenso entre 10h e 16h e procurar sombra;
    • usar roupas, chapéu de abas largas e óculos com proteção UV;
    • aplicar protetor solar de amplo espectro em quantidade adequada e reaplicar ao longo do dia, inclusive nos lábios;
    • não usar bronzeamento artificial, proibido no Brasil para fins estéticos desde 2009 [16].

    O Consenso Brasileiro de Fotoproteção faz um alerta: quem confia apenas no protetor tende a ficar mais tempo ao sol, o que reduz o benefício [15].

    Medidas de prevenção do câncer de pele: sombra, roupas e chapéu, protetor solar e não fazer bronzeamento artificial

    Quando procurar o dermatologista

    Procure avaliação quando notar:

    • uma pinta nova na vida adulta, ou diferente das demais;
    • uma pinta que muda de tamanho, cor, forma ou relevo, coça ou sangra;
    • uma lesão rosada, perolada ou avermelhada que cresce ou descama;
    • uma ferida sem causa clara que não cicatriza em mais de 15 dias;
    • uma faixa escura nova em uma unha;
    • qualquer lesão que preocupe, mesmo sem um desses sinais.

    Quem tem fatores de risco importantes deve combinar com o dermatologista uma rotina de acompanhamento adequada ao seu caso.

    Perguntas frequentes

    Câncer de pele dói?

    Na maioria das vezes, não, especialmente no início. A ausência de dor não é sinal de benignidade. Coceira, sangramento ou sensibilidade em uma lesão que muda merecem avaliação.

    Pele morena ou negra tem câncer de pele?

    Sim. O risco é menor do que em peles claras, mas existe. O melanoma também pode surgir em áreas pouco expostas ao sol, como palmas, plantas e unhas, que merecem atenção em qualquer tom de pele. Em estudos norte-americanos, pessoas não brancas tiveram o melanoma diagnosticado com mais frequência em estágio avançado [17].

    Toda pinta que coça é câncer?

    Não. Coceira tem muitas causas benignas. Se vier acompanhada de mudança de tamanho, cor, forma ou de sangramento, a pinta deve ser examinada.

    Uma ferida que não cicatriza pode ser câncer de pele?

    Pode. Feridas sem causa clara que sangram, formam crosta e não fecham por mais de 15 dias devem ser avaliadas por um especialista, conforme orienta o INCA.

    Usar protetor solar todos os dias elimina o risco?

    Não. O protetor reduz o risco, e nos estudos o efeito mais consistente foi sobre o carcinoma espinocelular. Ele funciona melhor associado a sombra, roupas, chapéu e horários adequados. Nenhuma medida isolada garante proteção total.

    Preciso fazer um exame de pele todo ano?

    Depende do seu risco. Não há recomendação de rastreamento igual para toda a população sem sintomas. Quem tem histórico de câncer de pele, muitas pintas ou outros fatores de risco pode precisar de acompanhamento regular, definido em consulta. Lesões novas ou que mudam devem ser avaliadas a qualquer momento.

    Referências

    1. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de pele melanoma — versão para a população. Atualizado em 16 set. 2025. gov.br/inca
    2. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de pele não melanoma — versão para profissionais de saúde. Atualizado em 7 jul. 2023. gov.br/inca
    3. Martins LFL, Chaves GV, Oliveira JFP, et al. Perfil epidemiológico da incidência de câncer no Brasil e regiões: estimativas para o triênio 2026–2028. Rev Bras Cancerol. 2026;72(2). DOI: 10.32635/2176-9745.RBC.2026v72n2.5587
    4. Peris K, Fargnoli MC, Kaufmann R, et al. European consensus-based interdisciplinary guideline for diagnosis and treatment of basal cell carcinoma — update 2023. Eur J Cancer. 2023;192:113254. DOI: 10.1016/j.ejca.2023.113254
    5. Stratigos AJ, Garbe C, Dessinioti C, et al. European consensus-based interdisciplinary guideline for invasive cutaneous squamous cell carcinoma. Part 1: Diagnostics and prevention — update 2023. Eur J Cancer. 2023;193:113251. DOI: 10.1016/j.ejca.2023.113251
    6. Gershenwald JE, Scolyer RA, Hess KR, et al. Melanoma staging: evidence-based changes in the American Joint Committee on Cancer eighth edition cancer staging manual. CA Cancer J Clin. 2017;67(6):472-492. DOI: 10.3322/caac.21409
    7. Abbasi NR, Shaw HM, Rigel DS, et al. Early diagnosis of cutaneous melanoma: revisiting the ABCD criteria. JAMA. 2004;292(22):2771-2776. DOI: 10.1001/jama.292.22.2771
    8. Garbe C, Amaral T, Peris K, et al. European consensus-based interdisciplinary guideline for melanoma. Part 1: Diagnostics — update 2024. Eur J Cancer. 2025;215:115152. DOI: 10.1016/j.ejca.2024.115152
    9. Grob JJ, Bonerandi JJ. The “ugly duckling” sign: identification of the common characteristics of nevi in an individual as a basis for melanoma screening. Arch Dermatol. 1998;134(1):103. DOI: 10.1001/archderm.134.1.103-a
    10. US Preventive Services Task Force. Screening for skin cancer: US Preventive Services Task Force recommendation statement. JAMA. 2023. DOI: 10.1001/jama.2023.4342
    11. Dinnes J, Deeks JJ, Chuchu N, et al. Dermoscopy, with and without visual inspection, for diagnosing melanoma in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2018;(12):CD011902. DOI: 10.1002/14651858.CD011902.pub2
    12. Stratigos AJ, Garbe C, Dessinioti C, et al. European consensus-based interdisciplinary guideline for invasive cutaneous squamous cell carcinoma. Part 2: Treatment — update 2023. Eur J Cancer. 2023;193:113252. DOI: 10.1016/j.ejca.2023.113252
    13. Green A, Williams G, Neale R, et al. Daily sunscreen application and betacarotene supplementation in prevention of basal-cell and squamous-cell carcinomas of the skin: a randomised controlled trial. Lancet. 1999;354(9180):723-729. DOI: 10.1016/S0140-6736(98)12168-2
    14. Green AC, Williams GM, Logan V, Strutton GM. Reduced melanoma after regular sunscreen use: randomized trial follow-up. J Clin Oncol. 2011;29(3):257-263. DOI: 10.1200/JCO.2010.28.7078
    15. Schalka S, Steiner D, Ravelli FN, et al. Brazilian Consensus on Photoprotection. An Bras Dermatol. 2014;89(6 Suppl 1):1-76. DOI: 10.1590/abd1806-4841.20143971
    16. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Resolução RDC nº 56, de 9 de novembro de 2009. Proíbe em todo território nacional o uso dos equipamentos para bronzeamento artificial, com finalidade estética. Biblioteca Virtual em Saúde
    17. Cormier JN, Xing Y, Ding M, et al. Ethnic differences among patients with cutaneous melanoma. Arch Intern Med. 2006;166(17):1907-1914. DOI: 10.1001/archinte.166.17.1907

    Autoria, revisão médica e transparência

    Autoria e revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior — Dermatologista, CRM-PR 24.645 | RQE 2.050, diretor técnico do Instituto Pontello.
    Revisão médica: 18 de outubro de 2026
    Área de atuação: Dermatologia
    Publicado em: 18 de outubro de 2026
    Conflitos de interesse: O Dr. Rubens Pontello Junior declara não possuir conflitos de interesse relacionados a este artigo.
    Transparência: as afirmações clínicas estão sustentadas pelas referências científicas listadas acima. Nenhuma marca de produto é citada. Este conteúdo tem caráter informativo, não substitui a consulta médica individualizada e não permite autodiagnóstico.

    Quer uma avaliação personalizada? Agende uma consulta com o Dr. Rubens Pontello Junior, dermatologista em Londrina.

  • Dermatologista em Londrina: o Dr. Rubens atende convênio? Particular, Unimed e reembolso

    Dermatologista em Londrina: o Dr. Rubens atende convênio? Particular, Unimed e reembolso

    Dr. Rubens Pontello Junior, médico dermatologista em Londrina, CRM-PR 24.645 | RQE 2.050
    Dr. Rubens Pontello Junior
    CRM-PR 24.645 | RQE 2.050

    O Dr. Rubens Pontello Junior, dermatologista em Londrina (CRM-PR 24.645 | RQE 2.050), atende exclusivamente em caráter particular: não é credenciado à Unimed nem a outros convênios. Todas as consultas e procedimentos são acompanhados de nota fiscal ou recibo, documento que o paciente pode apresentar ao próprio plano de saúde para solicitar reembolso, conforme as regras do seu contrato.

    Consulta particular, presencial, mediante agendamento prévio.

    Agendar pelo WhatsAppComo é a consulta

    Em poucas palavras

    • Convênio: o Dr. Rubens atende somente particular. No Instituto Pontello, clínica onde ele atende, há outros especialistas que atendem pela Unimed.
    • Documentação: a clínica emite nota fiscal ou recibo de todas as consultas e procedimentos. Outros documentos que o plano venha a solicitar, como relatório médico, são pedidos diretamente ao médico.
    • Reembolso: é definido pela operadora, de acordo com o contrato de cada paciente.
    • Estética: procedimentos com finalidade estética não integram a cobertura obrigatória dos planos de saúde no Brasil.
    • Endereço: Rua Engenheiro Omar Rupp, 186, Jardim Londrilar, Londrina/PR. Segunda a sexta, das 8h às 19h.

    Uma consulta pensada para o tempo que a pele exige

    A opção pelo atendimento particular decorre do modelo de consulta que o Dr. Rubens construiu ao longo da carreira. Com cerca de vinte anos de formação em medicina e dermatologia, e uma trajetória de atualização constante por meio de cursos, congressos e especializações, ele conduz cada consulta como um exame aprofundado, e não como uma etapa para escolher um procedimento. É na consulta que se define se existe indicação de tratamento, qual é a mais adequada e em que momento ela faz sentido.

    Esse modelo se apoia em três pilares, que pedem tempo, estrutura e atenção individual.

    Escuta e exame sem pressa

    A avaliação começa pela história de cada paciente: o que incomoda, desde quando, o que já foi feito, o que trouxe resultado e o que não trouxe. A pele, o couro cabeludo (quando pertinente), os hábitos e o histórico de saúde são observados em conjunto antes de qualquer conduta. A literatura médica reconhece o tempo de consulta como um dos elementos que sustentam a qualidade da relação entre médico e paciente, ao lado da forma como esse tempo é conduzido (Dugdale, Epstein e Pantilat, 1999).

    Um plano de cuidados individual

    Duas pessoas com a mesma queixa, sejam manchas, flacidez ou acne, podem ter causas, características de pele e históricos muito distintos. Por isso, o plano de cuidados nasce do que é encontrado no exame e dos objetivos de cada paciente, e não de um protocolo padronizado ou de um equipamento escolhido de antemão. Em alguns casos, a conclusão da consulta é justamente que nenhum procedimento é necessário naquele momento.

    Documentação por imagem com QuantifiCare LifeViz 3D

    Quando há indicação, o Dr. Rubens complementa o exame clínico com o QuantifiCare LifeViz 3D, sistema francês de fotografia médica tridimensional. O equipamento produz registros padronizados e reconstruções da face em três dimensões, que servem como ponto de partida da avaliação e como referência para comparar, com mais precisão, diferentes momentos do acompanhamento. Sistemas de imagem tridimensional de superfície vêm sendo estudados quanto à precisão e à reprodutibilidade das medidas faciais (Tzou et al., 2014). A tecnologia é um recurso complementar: não substitui o exame clínico, o diagnóstico nem a decisão médica.

    ▶ Assista no Instagram do Dr. Rubens: como o QuantifiCare LifeViz 3D é usado na consulta

    Formação e áreas de atuação

    O Dr. Rubens Pontello Junior é médico dermatologista, Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), e Membro da Academia Americana de Dermatologia (AAD). Foi professor assistente de Dermatologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) de 2013 a 2019 e é diretor técnico do Instituto Pontello. Conheça a trajetória completa do Dr. Rubens.

    Sua atuação se organiza em quatro frentes:

    A relação completa de tratamentos está na página de procedimentos. A indicação de cada um depende sempre da avaliação individual.

    Consulta clínica e procedimentos estéticos: o que o plano de saúde costuma cobrir

    Para quem pretende solicitar reembolso, é útil distinguir dois tipos de atendimento:

    • Consulta médica e tratamento de doenças de pele: a consulta em consultório integra a cobertura obrigatória dos planos com segmentação ambulatorial. Quando o atendimento é particular, a possibilidade de reembolso depende do que está previsto no contrato.
    • Procedimentos com finalidade estética: a Lei nº 9.656/1998, que regula os planos de saúde, exclui da cobertura obrigatória os procedimentos clínicos ou cirúrgicos para fins estéticos (art. 10, II). Alguns contratos podem ter regras próprias, e a confirmação deve ser feita diretamente com a operadora.

    Um mesmo tratamento pode ter finalidade terapêutica ou estética, conforme o caso. O enquadramento é feito pela operadora a partir da documentação apresentada.

    Como solicitar reembolso ao plano de saúde

    As regras variam conforme o contrato e a operadora. Em linhas gerais, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o caminho é este:

    1. Consulte o seu contrato. Verifique se o plano prevê reembolso por livre escolha de prestadores e quais são os limites e as tabelas usadas no cálculo. A operadora deve informar essas regras ao beneficiário.
    2. Guarde a nota fiscal ou o recibo. A clínica emite o documento de todas as consultas e procedimentos, com a descrição do atendimento realizado, a data e o valor efetivamente pago. A ANS informa que recibos e notas fiscais são aceitos como comprovante de pagamento.
    3. Verifique se o plano pede documentos complementares. Algumas operadoras solicitam relatório ou pedido médico. Esses documentos são solicitados diretamente ao médico.
    4. Faça a solicitação à operadora. Pelo aplicativo, site ou canal de atendimento do plano, dentro do prazo previsto no contrato. Segundo a ANS, a operadora deve concluir a análise e efetuar o pagamento em até 30 dias a partir da solicitação.

    A decisão sobre o reembolso e o seu valor cabe exclusivamente à operadora, conforme o contrato do paciente.

    Onde fica o consultório e como agendar

    O Dr. Rubens atende presencialmente no consultório da Rua Engenheiro Omar Rupp, 186, Jardim Londrilar, Londrina/PR, CEP 86015-360, de segunda a sexta, das 8h às 19h, mediante agendamento prévio.

    Agende sua consulta com o Dr. Rubens Pontello Junior

    Telefone e WhatsApp: (43) 3323-7860 · Segunda a sexta, 8h às 19h

    Agendar pelo WhatsAppVer endereço e mapa

    Acompanhe o Dr. Rubens: Instagram @dr.rubenspontello · YouTube · Doctoralia

    Perguntas frequentes

    O Dr. Rubens Pontello Junior atende pela Unimed?

    Não. O Dr. Rubens Pontello Junior atende exclusivamente em caráter particular e não é credenciado à Unimed nem a outros convênios. O paciente pode solicitar reembolso ao próprio plano, conforme as regras do seu contrato.

    Há dermatologistas que atendem Unimed na mesma clínica?

    Sim. No Instituto Pontello, clínica onde o Dr. Rubens atende, há outros especialistas que atendem pela Unimed. Para saber quais profissionais e planos estão disponíveis, a orientação é consultar a equipe pelo WhatsApp (43) 3323-7860.

    A consulta particular com dermatologista dá direito a reembolso?

    Depende do contrato. Planos que preveem livre escolha de prestadores reembolsam dentro dos limites e tabelas definidos no contrato. Quem confirma se há reembolso e qual o valor é a operadora do plano de saúde.

    Quais documentos a clínica fornece para o reembolso?

    A clínica emite nota fiscal ou recibo de todas as consultas e procedimentos. Outros documentos que a operadora venha a solicitar, como relatório médico, são pedidos diretamente ao médico.

    O plano de saúde cobre procedimentos estéticos?

    Em regra, não. A Lei nº 9.656/1998 exclui da cobertura obrigatória os procedimentos com finalidade estética. Contratos podem ter regras específicas, e a confirmação deve ser feita com a operadora.

    Como agendar consulta com o Dr. Rubens Pontello Junior em Londrina?

    Pelo WhatsApp (43) 3323-7860 ou pela página Agendar consulta. O atendimento é presencial, de segunda a sexta, das 8h às 19h, na Rua Engenheiro Omar Rupp, 186, Jardim Londrilar, Londrina/PR.

    Autoria, revisão médica e transparência

    • Conteúdo médico e revisão: Dr. Rubens Pontello Junior — CRM-PR 24.645 | RQE 2.050 · perfil profissional
    • Área de atuação: Dermatologia e Cosmiatria
    • Produção editorial: Equipe de Conteúdo do Instituto Pontello, Londrina — Paraná
    • Publicado em: 6 de outubro de 2026 · Última revisão médica: 6 de outubro de 2026
    • Próxima revisão programada: outubro de 2027
    • Conflitos de interesse: não há. O Dr. Rubens Pontello Junior não tem vínculo com operadoras de planos de saúde nem com fabricantes das tecnologias citadas.
    • Transparência: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta às regras do seu contrato com a operadora. Não são informados valores de consulta ou procedimentos, conforme a Resolução CFM nº 2.336/2023.

    Referências

    1. Dugdale DC, Epstein R, Pantilat SZ. Time and the patient-physician relationship. Journal of General Internal Medicine. 1999;14(Suppl 1):S34–S40. doi:10.1046/j.1525-1497.1999.00263.x
    2. Tzou CHJ, Artner NM, Pona I, et al. Comparison of three-dimensional surface-imaging systems. Journal of Plastic, Reconstructive & Aesthetic Surgery. 2014;67(4):489–497. doi:10.1016/j.bjps.2014.01.003
    3. Brasil. Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998. Dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde. Art. 10, II. planalto.gov.br
    4. Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Reembolso. gov.br/ans
  • Vitanol-A ou Vitacid: qual a diferença entre as duas tretinoínas?

    Vitanol-A ou Vitacid: qual a diferença entre as duas tretinoínas?

    Vitanol-A e Vitacid são dois medicamentos de uso tópico com o mesmo princípio ativo, a tretinoína (ácido retinoico), e com as mesmas indicações aprovadas em bula: acne vulgar e fotoenvelhecimento da pele, em adultos e maiores de 12 anos. O que muda entre eles não é o ativo, e sim a base da fórmula, as apresentações e as concentrações disponíveis. A escolha entre um e outro, e a concentração, começa pela avaliação dermatológica.

    Em poucas palavras

    • Mesmo ativo: os dois contêm tretinoína, um retinoide derivado da vitamina A.
    • Mesmas indicações em bula: acne vulgar com predomínio de comedões, pápulas e pústulas, e fotoenvelhecimento cutâneo.
    • O que muda: os excipientes (a base do creme ou gel), as apresentações (creme ou gel) e as concentrações disponíveis em cada marca.
    • “Mais forte” é concentração, não marca: 0,1% é mais concentrado que 0,05%, que é mais concentrado que 0,025%, em qualquer das duas.
    • Venda sob prescrição: os dois são medicamentos e a bula de ambos prevê venda sob prescrição.

    O que Vitanol-A e Vitacid têm em comum

    Os dois são nomes comerciais de medicamentos à base de tretinoína, também chamada de ácido retinoico. Entre os retinoides, a tretinoína é o mais investigado no tratamento do fotoenvelhecimento (Mukherjee et al., 2006): atua na renovação das células da epiderme, reduz a formação de comedões (cravos) e, com uso prolongado, melhora sinais do fotoenvelhecimento, como rugas finas e textura irregular (Kligman et al., 1986; Mukherjee et al., 2006; Reynolds et al., 2024).

    As bulas dos dois produtos trazem as mesmas indicações aprovadas (acne vulgar e fotoenvelhecimento) e a mesma orientação de uso noturno em camada fina. As reações irritativas descritas para a tretinoína tópica, como vermelhidão, descamação e ardência, dizem respeito ao ativo, e não à marca (Mukherjee et al., 2006). No fotoenvelhecimento, a melhora é gradual: os estudos avaliam resultados ao longo de semanas a meses de uso (Kligman et al., 1986; Mukherjee et al., 2006).

    Para entender a tretinoína em profundidade (mecanismo, indicações, concentrações e cuidados), veja o guia Vitacid (tretinoína): o que é, como funciona, benefícios, riscos e cuidados.

    O que muda: apresentações e concentrações

    De acordo com as bulas vigentes dos fabricantes, as apresentações disponíveis são estas:

    Vitanol-A (GSK) Vitacid (Theraskin)
    Princípio ativo tretinoína tretinoína
    Formas creme gel e creme
    0,025% creme gel
    0,05% creme creme
    0,1% creme creme (Vitacid XT)
    Bisnaga 30 g 25 g

    Uma consequência prática: quem precisa de tretinoína a 0,025% em creme encontra essa apresentação no Vitanol-A; no Vitacid, a concentração de 0,025% é em gel, uma forma de veículo diferente, com álcool na composição.

    O que muda: a base da fórmula

    A tretinoína representa uma fração muito pequena do produto. Todo o restante é o veículo: a base que dissolve, estabiliza e espalha o ativo na pele. É nessa base que estão as diferenças reais entre as duas marcas.

    Vitanol-A creme

    Entre os excipientes listados em bula estão glicerol (umectante), esqualano e triglicérides cáprico/caprílico (emolientes), silicones e ectoína, uma molécula de origem natural estudada como protetora celular em formulações dermatológicas (Graf et al., 2008). A fórmula também contém conservantes do grupo dos parabenos (metilparabeno e propilparabeno).

    Vitacid creme (0,05%) e Vitacid XT (0,1%)

    Entre os excipientes listados em bula estão nicotinamida (niacinamida), acetato de vitamina E e ácido ascórbico, além de silicones, emolientes, quatro parabenos (metil, etil, propil e butilparabeno), outros conservantes e fragrância. A nicotinamida tópica tem estudos próprios sobre a aparência da pele envelhecida (Bissett et al., 2005).

    Vitacid gel (0,025%)

    É um veículo diferente: a bula informa que o gel contém 82% de álcool etílico, além de nicotinamida e fragrância. Por isso, gel e creme não devem ser trocados entre si sem orientação médica.

    O que essas diferenças significam, e o que não significam

    Como as bases são diferentes, a experiência de uso pode não ser igual entre as duas marcas. Pessoas com alergia conhecida a fragrâncias ou a algum conservante precisam conferir a composição antes de usar qualquer um dos dois. Também é importante não superestimar a presença de ativos coadjuvantes na base: o tratamento continua sendo a tretinoína.

    Até a data desta revisão, não foi localizado estudo clínico publicado que compare diretamente Vitanol-A e Vitacid em eficácia ou tolerância. Por isso, afirmações de que uma marca “funciona melhor” que a outra não têm sustentação científica. O que se pode afirmar é que o ativo é o mesmo e que as bases são diferentes.

    Quadro comparativo entre Vitanol-A e Vitacid com apresentações, embalagem e base da fórmula de cada um, e gráfico das concentrações de tretinoína 0,025%, 0,05% e 0,1%, indicando que a intensidade depende da concentração e não da marca

    Qual é “mais forte”?

    Nenhuma das marcas é “mais forte” por si: o que muda de um produto para outro é a concentração de tretinoína. Um creme a 0,1% tem mais ativo do que um a 0,05%, que tem mais do que um a 0,025%, em qualquer das duas marcas. Concentração maior não significa resultado melhor para todos; a concentração e a frequência de uso são definidas e ajustadas pelo médico ao longo do acompanhamento.

    Quando a tretinoína é considerada

    Nas indicações aprovadas em bula, a tretinoína tópica é usada no tratamento da acne vulgar e do fotoenvelhecimento. Na acne, os retinoides tópicos estão entre os tratamentos recomendados pela diretriz da Academia Americana de Dermatologia (Reynolds et al., 2024). No fotoenvelhecimento, estudos com tretinoína tópica mostraram melhora de rugas finas, textura e manchas do fotoenvelhecimento (Kligman et al., 1986; Mukherjee et al., 2006).

    Para outras condições, como o melasma, veja o artigo sobre tratamento do melasma e, para acne e suas marcas, o artigo sobre acne, tipos de lesão e cicatrizes.

    O que nenhum dos dois resolve

    A tretinoína atua na pele. Os estudos no fotoenvelhecimento avaliam sinais como rugas, textura e manchas (Kligman et al., 1986; Mukherjee et al., 2006); ela não substitui tratamentos voltados a outras queixas, como perda de volume facial ou cicatrizes de acne já estabelecidas, que são avaliadas separadamente. Trocar de marca não muda esses limites, porque o ativo é o mesmo.

    Cuidados, riscos e contraindicações

    Os cuidados abaixo não substituem a orientação individual:

    • Irritação: vermelhidão, descamação e ardência são as reações irritativas mais associadas à tretinoína tópica (Mukherjee et al., 2006).
    • Sol: a fotossensibilização é um efeito descrito com os retinoides, sobretudo no início do tratamento; a orientação é evitar exposição solar excessiva e usar protetor solar (Mukherjee et al., 2006).
    • Gestação e amamentação: o uso não é recomendado durante a gravidez segundo as bulas. Uma revisão sistemática não encontrou aumento consistente de malformações após exposição a retinoides tópicos no primeiro trimestre (Kaplan et al., 2015), mas a orientação de bula prevalece e a decisão é sempre médica.
    • Idade: as bulas indicam uso a partir de 12 anos.
    • Outras precauções: a bula de cada produto traz precauções adicionais de uso; o tratamento segue a orientação do médico que prescreveu.

    Como a escolha entra no planejamento

    No consultório, a pergunta raramente é “qual marca”, e sim se a tretinoína é a melhor opção para aquela pele e, se for, em qual concentração, veículo e frequência. Entram nessa decisão o diagnóstico (acne, fotoenvelhecimento, outras condições), o tipo de pele, a sensibilidade, a rotina de cuidados, a exposição solar, a possibilidade de gestação e os tratamentos que serão combinados. Para o Dr. Rubens Pontello Junior, a indicação começa pela avaliação: só depois dela faz sentido discutir marca e concentração.

    Vídeo do Dr. Rubens sobre Vitanol-A e Vitacid

    O Dr. Rubens Pontello Junior também falou sobre a diferença entre as duas tretinoínas em um vídeo curto no Instagram: assista ao vídeo no perfil @dr.rubenspontello.

    Quando o ácido retinoico não é suficiente

    Vitanol-A e Vitacid são ferramentas de uso diário, mas raramente resolvem sozinhos manchas, acne ativa ou sinais de envelhecimento. Na consulta de dermatologia, a escolha do retinoide entra em um plano mais amplo, que pode incluir cuidados de cosmiatria e, quando há indicação, tecnologias como o Coolaser para textura e qualidade da pele. Se você quer saber qual faz sentido para o seu caso, agende uma avaliação.

    Perguntas frequentes

    Vitanol-A e Vitacid são a mesma coisa?

    Têm o mesmo princípio ativo, a tretinoína, e as mesmas indicações em bula. Não são idênticos porque a base da fórmula, as apresentações e as concentrações disponíveis são diferentes.

    Qual é mais forte, Vitanol-A ou Vitacid?

    Nenhuma das marcas é mais forte por si. O que muda é a concentração de tretinoína: 0,1% é mais concentrado que 0,05%, que é mais concentrado que 0,025%.

    Qual Vitanol é mais forte: 0,025% ou 0,05%?

    O Vitanol-A 0,05% tem o dobro da concentração de tretinoína do 0,025%. A concentração mais alta do Vitanol-A é a de 0,1%. Mais concentração não significa necessariamente melhor resultado; a escolha é feita na avaliação.

    Vitanol-A ou Vitacid: qual é melhor para melasma?

    Não há estudo que compare as duas marcas no melasma. O tratamento do melasma é definido na avaliação e envolve mais de uma frente; veja o artigo sobre tratamento do melasma.

    Qual irrita menos?

    Não há comparação direta publicada entre as duas marcas. A tolerância varia de pessoa para pessoa e é acompanhada pelo médico ao longo do tratamento.

    Posso trocar Vitanol-A por Vitacid, ou o contrário?

    O ativo é o mesmo, mas concentração, veículo (creme ou gel) e componentes da fórmula mudam. A substituição deve ser orientada pelo médico que prescreveu.

    Vitanol-A e Vitacid precisam de receita?

    Sim. Os dois são medicamentos, e as bulas indicam venda sob prescrição.

    Posso usar Vitanol-A ou Vitacid na gravidez?

    Segundo as bulas, o uso não é recomendado durante a gravidez, e a bula do Vitanol-A também não recomenda o uso durante a amamentação. Quem está grávida, amamentando ou planejando engravidar deve informar o médico antes de usar.

    Referências

    1. Kligman AM, Grove GL, Hirose R, Leyden JJ. Topical tretinoin for photoaged skin. J Am Acad Dermatol. 1986;15(4):836-859. DOI: 10.1016/S0190-9622(86)70242-9
    2. Mukherjee S, Date A, Patravale V, Korting HC, Roeder A, Weindl G. Retinoids in the treatment of skin aging: an overview of clinical efficacy and safety. Clin Interv Aging. 2006;1(4):327-348. DOI: 10.2147/ciia.2006.1.4.327
    3. Reynolds RV, Yeung H, Cheng CE, et al. Guidelines of care for the management of acne vulgaris. J Am Acad Dermatol. 2024;90(5):1006.e1-1006.e30. DOI: 10.1016/j.jaad.2023.12.017
    4. Kaplan YC, Ozsarfati J, Etwel F, Nickel C, Nulman I, Koren G. Pregnancy outcomes following first-trimester exposure to topical retinoids: a systematic review and meta-analysis. Br J Dermatol. 2015;173(5):1132-1141. DOI: 10.1111/bjd.14053
    5. Graf R, Anzali S, Buenger J, Pfluecker F, Driller H. The multifunctional role of ectoine as a natural cell protectant. Clin Dermatol. 2008;26(4):326-333. DOI: 10.1016/j.clindermatol.2008.01.002
    6. Bissett DL, Oblong JE, Berge CA. Niacinamide: a B vitamin that improves aging facial skin appearance. Dermatol Surg. 2005;31(7 Pt 2):860-866. DOI: 10.1111/j.1524-4725.2005.31732
    7. GlaxoSmithKline Brasil Ltda. Vitanol-A (tretinoína) creme: bula para o profissional de saúde. Texto de bula de 15/04/2026. br.gsk.com
    8. Theraskin Farmacêutica Ltda. Vitacid (tretinoína) gel, creme e XT creme: bula. theraskin.com.br

    Autoria, revisão médica e transparência

    Autoria e revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior — Dermatologista, CRM-PR 24.645 | RQE 2.050, diretor técnico do Instituto Pontello.
    Área de atuação: Dermatologia e Cosmiatria
    Publicado em: 5 de outubro de 2026
    Conflitos de interesse: o Dr. Rubens Pontello Junior declara não possuir conflitos de interesse relacionados ao conteúdo deste artigo.
    Transparência: as marcas são citadas apenas para fins informativos, porque são os nomes pelos quais os pacientes procuram o tema. As informações de composição, apresentações, indicações aprovadas e condição de venda foram conferidas nas bulas vigentes dos fabricantes; as afirmações clínicas estão sustentadas pelas referências científicas com DOI listadas acima. Este conteúdo não substitui consulta médica individualizada e não constitui recomendação de uso de nenhum produto.

    Quer uma avaliação personalizada? Agende uma consulta com o Dr. Rubens Pontello Junior, dermatologista em Londrina.

  • Os cabelos também envelhecem: o que muda e o que pode ser feito

    Os cabelos também envelhecem: o que muda e o que pode ser feito

    Resposta rápida: assim como a pele, o cabelo envelhece de forma estrutural e progressiva: os fios ficam mais finos, o crescimento desacelera, a produção de melanina diminui (causando os fios brancos) e a fibra capilar perde parte de sua resistência e brilho natural. Exposição solar, poluição, tabagismo, estresse oxidativo e fatores genéticos aceleram esse processo. Não existe forma de reverter o envelhecimento capilar, mas é possível retardar sua progressão e melhorar a qualidade visível dos fios com cuidados direcionados e, quando indicado, acompanhamento dermatológico.

    O que muda estruturalmente no cabelo com o envelhecimento

    O envelhecimento capilar envolve alterações em diferentes níveis da fibra e do folículo piloso. Estudos de microscopia mostram mudanças mensuráveis na superfície e no diâmetro do fio ao longo da vida, incluindo maior porosidade da cutícula — a camada externa que protege a fibra capilar — e redução progressiva do diâmetro médio dos fios.

    No nível do folículo, o envelhecimento reduz gradualmente a fase de crescimento ativo (anágena) do ciclo capilar, o que contribui tanto para a redução da densidade quanto para a miniaturização progressiva de alguns fios, tornando-os mais finos e menos pigmentados.

    Corte transversal esquemático comparando o fio de cabelo jovem, com diâmetro maior e pigmento preservado, ao fio envelhecido, mais fino, com cutícula porosa, menos melanina e fase de crescimento mais curta

    Por que os cabelos ficam brancos

    O embranquecimento capilar (canície) ocorre pela redução progressiva da atividade dos melanócitos — as células responsáveis por produzir a melanina que dá cor ao fio — dentro do folículo piloso. Esse processo é geneticamente programado, mas fatores como estresse oxidativo, tabagismo e certas condições de saúde podem acelerá-lo, explicando por que algumas pessoas apresentam cabelos brancos precocemente.

    Fatores que aceleram o envelhecimento capilar

    Fator Como contribui
    Exposição solar Danifica a queratina da fibra capilar, reduzindo brilho e resistência
    Poluição e estresse oxidativo Acelera o dano celular no folículo e na fibra
    Tabagismo Associado a canície precoce e menor densidade capilar
    Química capilar frequente Enfraquece a cutícula e aumenta a quebra dos fios
    Deficiências nutricionais Podem comprometer a qualidade do crescimento capilar

    O que pode ser feito

    Embora não seja possível reverter o processo de envelhecimento capilar, algumas medidas ajudam a retardar sua progressão e a preservar a qualidade visível dos fios: uso de protetor solar capilar em exposições prolongadas, produtos reparadores que reduzam a porosidade da cutícula, e uma avaliação dermatológica para investigar causas tratáveis de queda ou afinamento capilar, como desequilíbrios hormonais ou carências nutricionais específicas.

    Antes de iniciar suplementos vitamínicos ou tratamentos capilares específicos, vale uma consulta com dermatologista, já que o uso indiscriminado de suplementos sem indicação não tem eficácia comprovada e pode mascarar causas tratáveis de queda capilar.

    Perguntas frequentes sobre envelhecimento capilar

    É possível reverter cabelos brancos?

    Não existe tratamento comprovado capaz de reverter a canície já estabelecida. Tinturas e coloração permanecem as opções para disfarçar os fios brancos existentes.

    Estresse causa cabelo branco?

    O estresse crônico é um dos fatores que podem acelerar o envelhecimento capilar e a canície em pessoas predispostas geneticamente, embora não seja a única causa.

    Vitaminas revertem o envelhecimento dos fios?

    Suplementos vitamínicos podem ajudar apenas quando existe uma deficiência nutricional real e diagnosticada. Sem essa deficiência, não há evidência de que suplementação extra reverta o envelhecimento capilar natural.

    Cortar o cabelo com frequência atrasa o envelhecimento dos fios?

    Cortar as pontas não afeta o processo biológico de envelhecimento do folículo, mas ajuda a remover pontas duplas e melhorar a aparência geral do cabelo.

    Quando devo procurar um dermatologista por causa do cabelo?

    Sempre que notar queda de cabelo acima do habitual, afinamento progressivo perceptível, áreas de rarefação ou canície muito precoce, vale investigar possíveis causas tratáveis com um dermatologista especializado em tricologia.

    Referências científicas

    • Investigation of aging effects in human hair using atomic force microscopy. PubMed
    • Premature Graying of Hair: Review with Updates. PMC

    Revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior, dermatologista, CRM-PR 24.645 | RQE 2.050.

  • Consulta dermatológica completa: por que ela pode detectar mais do que rugas

    Consulta dermatológica completa: por que ela pode detectar mais do que rugas

    Resposta rápida: uma consulta dermatológica completa não avalia apenas rugas, manchas ou indicações estéticas. Durante o exame da pele antes de procedimentos como toxina botulínica ou preenchimento, o dermatologista examina toda a superfície cutânea de forma sistemática, o que permite identificar lesões suspeitas — incluindo cânceres de pele, como o melanoma — muitas vezes antes que o próprio paciente tenha notado qualquer alteração. Estudos mostram que o rastreamento cutâneo completo, mesmo quando motivado por outro procedimento, está associado ao diagnóstico de melanomas mais finos e com melhor prognóstico.

    Por que um procedimento estético pode revelar um problema de saúde

    Grande parte dos pacientes procura uma clínica de dermatologia com um objetivo estético específico: suavizar linhas de expressão, tratar manchas ou melhorar a firmeza da pele. O que nem sempre fica evidente é que, para realizar esses procedimentos com segurança, o dermatologista precisa examinar a pele da região tratada — e, na maioria das consultas bem conduzidas, também revisa áreas adjacentes e outros pontos do corpo.

    Esse exame, ainda que direcionado a um procedimento cosmético, segue o mesmo raciocínio clínico de um exame dermatológico completo. Por isso, pintas, manchas ou lesões que o paciente nunca havia notado — muitas vezes em áreas de difícil autoexame, como o couro cabeludo, as costas ou atrás das orelhas — podem ser identificadas nesse momento.

    O que a ciência mostra sobre o rastreamento cutâneo

    Um estudo publicado na literatura dermatológica avaliou o impacto de exames de pele completos realizados rotineiramente em consultório: pacientes rastreados dessa forma foram diagnosticados com melanomas significativamente mais finos — portanto, em estágio mais inicial e com prognóstico mais favorável — do que pacientes que buscaram atendimento apenas após notar uma lesão por conta própria (Aldridge et al., 2014). Outras revisões reforçam que o exame completo da pele, mesmo quando o motivo da consulta é outro, aumenta a taxa de detecção incidental de cânceres cutâneos.

    Isso não significa que toda consulta estética deva ser tratada como um rastreamento oncológico formal. Significa, no entanto, que contar com um médico dermatologista — treinado especificamente para reconhecer padrões de malignidade cutânea — para realizar procedimentos estéticos agrega uma camada adicional de segurança que profissionais não médicos não podem oferecer.

    Sinais de alerta que um dermatologista observa

    Durante a avaliação da pele, alguns critérios ajudam a diferenciar uma pinta comum de uma lesão que merece investigação adicional. Na dermatologia, esses critérios são resumidos na regra ABCDE:

    • Assimetria: metade da lesão não é igual à outra metade;
    • Bordas irregulares, mal definidas ou denteadas;
    • Cor heterogênea, com tons de marrom, preto, vermelho ou azulado na mesma lesão;
    • Diâmetro geralmente maior que 6 mm;
    • Evolução: qualquer mudança de tamanho, cor, formato ou sintoma (coceira, sangramento) ao longo do tempo.

    Nenhum desses sinais, isoladamente, confirma um diagnóstico — apenas um exame clínico (e, quando indicado, uma biópsia) pode fazer isso. Mas são justamente esses padrões que o olhar treinado de um dermatologista busca durante qualquer avaliação da pele, inclusive antes de um procedimento estético.

    Infográfico da regra ABCDE comparando pinta comum e sinal de atenção: assimetria, borda, cor, diâmetro e evolução

    Por que isso reforça a importância de escolher um médico dermatologista

    Procedimentos como toxina botulínica, preenchimento e tecnologias a laser vêm sendo oferecidos por uma variedade cada vez maior de profissionais e estabelecimentos. Quando esses procedimentos são conduzidos por um médico dermatologista, o paciente ganha algo que vai além da técnica: um profissional habilitado a reconhecer quando uma lesão da pele foge do padrão esperado e precisa de investigação — e, se necessário, encaminhar para biópsia e tratamento adequados.

    No consultório do Dr. Rubens Pontello Junior, em Londrina, a avaliação da pele que antecede qualquer procedimento cosmiátrico segue esse princípio: tratar a pele como o maior órgão do corpo, e não apenas como uma superfície a ser esteticamente ajustada.

    Perguntas frequentes sobre a consulta dermatológica completa

    Toda consulta estética inclui exame de pele completo?

    Não necessariamente — depende do profissional e do protocolo da clínica. Por isso, se você tem histórico familiar de câncer de pele, pele clara, muitas pintas ou exposição solar intensa ao longo da vida, vale perguntar diretamente ao seu dermatologista se é possível incluir uma avaliação mais ampla da pele na mesma consulta.

    Quem pode fazer o exame de rastreamento de câncer de pele?

    O exame clínico da pele deve ser realizado por um médico dermatologista. Profissionais não médicos, mesmo com treinamento em procedimentos estéticos, não têm formação para diagnosticar ou diferenciar lesões suspeitas de alterações benignas.

    Com que frequência devo fazer uma avaliação completa da pele?

    Isso varia conforme o risco individual — histórico familiar, tipo de pele, exposição solar e histórico pessoal de lesões. Em geral, recomenda-se pelo menos uma avaliação anual, com maior frequência para quem já teve lesões prévias ou tem fatores de risco relevantes.

    Uma pinta que muda de aspecto é sempre câncer de pele?

    Não. A maioria das alterações em pintas é benigna. Ainda assim, qualquer mudança de tamanho, cor, formato ou sintoma deve ser avaliada por um dermatologista, já que apenas o exame clínico (e, quando necessário, a biópsia) pode confirmar a natureza da lesão.

    O autoexame da pele substitui a consulta com o dermatologista?

    Não. O autoexame é uma ferramenta importante para que o paciente conheça seu próprio corpo e perceba mudanças, mas não substitui o olhar clínico treinado, especialmente em áreas de difícil visualização, como o couro cabeludo, as costas e a região posterior das orelhas.

    Referências científicas

    • Aldridge RB, Naysmith L, Ooi ET, Murray CS, Rees JL. Melanoma screening by means of complete skin exams for all patients in a dermatology practice reduces the thickness of primary melanomas at diagnosis. JAMA Dermatology, 2014. PubMed
    • Argenziano G, et al. Complete skin examination is essential in the assessment of dermatology patients. British Journal of Dermatology. PubMed

    Revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior, dermatologista, CRM-PR 24.645 | RQE 2.050.

  • Rosácea: causas, gatilhos e o papel dos lasers no controle da vermelhidão

    Rosácea: causas, gatilhos e o papel dos lasers no controle da vermelhidão

    Rosácea: causas, gatilhos e o papel dos lasers no controle da vermelhidão

    Rosácea é uma doença inflamatória crônica da pele do rosto, que costuma se manifestar por vermelhidão persistente, vasos sanguíneos visíveis (telangiectasias), episódios de rubor (os chamados “flushings”) e, em parte dos casos, lesões semelhantes a espinhas (pápulas e pústulas). Em estágios mais avançados e menos frequentes, pode haver espessamento da pele, principalmente no nariz.

    Sua causa ainda não é totalmente compreendida, mas envolve uma combinação de fatores: alteração na resposta imune inata da pele, disfunção vascular, colonização por micro-organismos como o ácaro Demodex e sensibilidade aumentada a estímulos ambientais1. Por isso, a rosácea não tem uma única causa nem um único tratamento — o plano depende do subtipo predominante e dos sinais presentes em cada pessoa.

    Um ponto importante: vermelhidão facial nem sempre é rosácea. Dermatite seborreica, dermatite perioral, reações a cosméticos e sensibilidade cutânea podem produzir aspecto parecido. Por isso, o primeiro passo do tratamento é sempre o diagnóstico correto, feito por avaliação dermatológica.

    Resposta rápida: a rosácea é uma doença inflamatória crônica, com causas multifatoriais, que costuma ser controlada — mas não curada — com uma combinação de cuidados diários, identificação de gatilhos, medicações tópicas ou orais conforme o subtipo, e, quando indicado, tecnologias a laser voltadas ao componente vascular, como vasos visíveis e vermelhidão persistente.

    Quais são os subtipos de rosácea?

    Tradicionalmente, a rosácea é descrita em apresentações que podem se sobrepor: a forma eritemato-telangiectásica (predomínio de vermelhidão e vasos visíveis), a forma pápulo-pustulosa (lesões inflamatórias semelhantes à acne), a forma fimatosa (espessamento da pele, mais comum no nariz) e a forma ocular (irritação nos olhos e pálpebras). Uma mesma pessoa pode apresentar características de mais de um subtipo ao longo do tempo.

    Ilustrações esquemáticas dos quatro subtipos de rosácea: eritemato-telangiectásica, pápulo-pustulosa, fimatosa e ocular

    Quais são os gatilhos mais comuns da rosácea?

    Exposição solar, variações bruscas de temperatura, bebidas alcoólicas, alimentos picantes ou muito quentes, estresse emocional e determinados cosméticos estão entre os gatilhos mais relatados. Identificar quais desses fatores pioram o quadro em cada pessoa é parte do plano de controle a longo prazo, junto com o uso diário de protetor solar e uma rotina de cuidados com a pele adequada à sensibilidade típica da rosácea.

    Ícones dos gatilhos mais comuns da rosácea: sol, mudanças bruscas de temperatura, bebidas alcoólicas, comida apimentada ou muito quente, estresse emocional e alguns cosméticos

    Como é feito o tratamento clínico da rosácea?

    O tratamento costuma combinar cuidados de pele direcionados, proteção solar rigorosa e medicações tópicas ou orais conforme o subtipo e a intensidade — por exemplo, metronidazol tópico, ácido azelaico, ivermectina tópica ou antibióticos orais em baixa dose para o componente inflamatório1. Esse tratamento de base é o que sustenta o controle da doença ao longo do tempo.

    Lasers “curam” a rosácea?

    Não. Tecnologias a laser não tratam a causa inflamatória da rosácea nem substituem o tratamento clínico — elas atuam especificamente sobre um sintoma: os vasos sanguíneos dilatados e a vermelhidão visível. Por isso, são consideradas um recurso complementar, e não a base do tratamento.

    Entre as tecnologias com atuação sobre o componente vascular, sistemas como o RedTouch — que combina, segundo o fabricante, ação sobre vasos, pigmentação e estímulo de colágeno em uma mesma sessão — podem ser avaliados como parte do plano quando a queixa principal é a vermelhidão persistente ou os vasos visíveis, sempre depois que o diagnóstico de rosácea (e não de outra causa de vermelhidão) está confirmado.

    Revisões da literatura sobre lasers e luz pulsada intensa mostram redução do eritema e das telangiectasias associadas à rosácea em parte relevante dos pacientes tratados, com necessidade de sessões repetidas e manutenção ao longo do tempo2,3.

    Existe um “melhor laser” para rosácea?

    Não existe uma tecnologia universalmente superior — a escolha depende do padrão de vasos (finos ou mais calibrosos), da profundidade, do fototipo da pele e da experiência do profissional com cada equipamento. Diferentes plataformas a laser e de luz pulsada têm sido comparadas na literatura, sem que uma única opção se mostre claramente superior para todos os perfis de paciente3.

    O tratamento a laser tem risco?

    Como qualquer procedimento, sim — variando conforme a tecnologia, os parâmetros utilizados e as características da pele tratada. Vermelhidão temporária, manchas transitórias e, mais raramente, alterações de pigmentação podem ocorrer. Por isso, a indicação, os parâmetros e o número de sessões devem ser sempre definidos por avaliação individual.

    Conheça também as demais opções de tratamento avaliadas caso a caso pelo Dr. Rubens.


    Perguntas frequentes sobre rosácea

    Rosácea é a mesma coisa que acne?

    Não. Apesar de a forma pápulo-pustulosa da rosácea poder lembrar acne, são doenças diferentes, com mecanismos e tratamentos distintos. É possível, inclusive, que a mesma pessoa tenha as duas condições associadas.

    Rosácea tem cura?

    Rosácea é uma condição crônica, controlada mas geralmente não curada. O objetivo do tratamento é reduzir a frequência e a intensidade das crises, e não eliminar definitivamente a predisposição.

    Posso usar o mesmo creme do corpo no rosto se tenho rosácea?

    Não é recomendado. A pele do rosto é mais fina e sensível que a do corpo, e na rosácea essa sensibilidade costuma ser ainda maior. Produtos formulados para o corpo podem conter fragrâncias ou ativos irritantes que funcionam como gatilho de crises.

    Qual o melhor protetor solar para quem tem rosácea?

    De forma geral, protetores solares físicos (à base de filtros minerais) tendem a ser mais bem tolerados por peles com rosácea, por serem menos associados a irritação. Ainda assim, a escolha ideal depende da tolerância individual e deve ser orientada pelo dermatologista.

    Álcool sempre piora a rosácea?

    É um dos gatilhos mais relatados, mas a sensibilidade varia de pessoa para pessoa — algumas notam piora nítida, outras não percebem relação clara. Observar a resposta individual ajuda a personalizar as orientações.

    Maquiagem piora a rosácea?

    Não necessariamente. O problema costuma estar em fórmulas com álcool, fragrância ou outros ingredientes irritantes, e não na maquiagem em si. Produtos indicados para pele sensível, aplicados com técnica adequada, geralmente são bem tolerados.


    Principais referências científicas

    1. Fisher GW, Travers JB, Rohan CA. Rosacea pathogenesis and therapeutics: current treatments and a look at future targets. Frontiers in Medicine. 2023;10:1292722. doi:10.3389/fmed.2023.1292722.
    2. Kwon WJ, Park BW, Cho EB, Park EJ, Kim KH, Kim KJ. Comparison of efficacy between long-pulsed Nd:YAG laser and pulsed dye laser to treat rosacea-associated nasal telangiectasia. Journal of Cosmetic and Laser Therapy. 2018;20(5):260-264. doi:10.1080/14764172.2017.1418510.
    3. Husein-ElAhmed H, Steinhoff M. Laser and light-based therapies in the management of rosacea: an updated systematic review. Lasers in Medical Science. 2021;36(6):1151-1160. doi:10.1007/s10103-020-03200-1.
    4. Zhai Q, Cheng S, Liu R, Xie J, Han X, Yu Z. Meta-analysis of the efficacy of intense pulsed light and pulsed-dye laser therapy in the management of rosacea. Journal of Cosmetic Dermatology. 2024. doi:10.1111/jocd.16549.

    Este conteúdo tem finalidade exclusivamente educativa e não substitui uma consulta médica. Cada paciente apresenta características clínicas próprias e deve ser avaliado individualmente por um dermatologista.

    Revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior — dermatologista (CRM-PR 24.645 | RQE 2.050), Instituto Pontello (Londrina/PR).

  • Acne: causas, tipos de lesão e o papel dos lasers no tratamento das cicatrizes

    Acne: causas, tipos de lesão e o papel dos lasers no tratamento das cicatrizes

    Acne: causas, tipos de lesão e o papel dos lasers no tratamento das cicatrizes

    Acne vulgar é uma doença da unidade pilossebácea — o conjunto formado pelo folículo piloso e pela glândula sebácea. Ela envolve, de forma combinada, aumento da produção de sebo, alteração na descamação do canal folicular (hiperqueratinização), colonização pela bactéria Cutibacterium acnes e um processo inflamatório que pode variar de discreto a intenso.

    Por isso, a acne não tem uma única causa nem um único tratamento. Fatores hormonais, genéticos, uso de determinados cosméticos ou medicamentos, atrito mecânico e até hábitos de manipulação das lesões podem influenciar o quadro. Duas pessoas com “espinhas” podem estar diante de graus e mecanismos bastante diferentes.

    Essa variação é o motivo pelo qual o tratamento deve ser definido a partir de uma avaliação individual — o que inclui reconhecer se a fase é de acne ativa (lesões inflamatórias em curso) ou de sequela (cicatrizes e manchas que permanecem depois que a inflamação já passou), já que as abordagens indicadas para cada momento são diferentes.

    Resposta rápida: a acne é uma doença inflamatória da pele com causas múltiplas (produção de sebo, obstrução folicular, bactérias e inflamação), tratada principalmente com medicações tópicas e/ou orais conforme a gravidade. Já as cicatrizes de acne — quando presentes — podem ser avaliadas para tecnologias a laser, como laser de CO2, laser picossegundo/nanossegundo ou outros recursos, sempre depois que a fase inflamatória está controlada.

    O que causa a acne?

    A acne resulta da combinação de pelo menos quatro mecanismos: aumento da produção de sebo pelas glândulas sebáceas (frequentemente estimulado por hormônios andrógenos), obstrução do canal folicular por queratinócitos descamados de forma anômala, proliferação da bactéria C. acnes dentro do folículo obstruído e resposta inflamatória do organismo a esse processo. Fatores adicionais — como estresse, alguns medicamentos, oclusão por cosméticos comedogênicos e influências genéticas — podem agravar ou perpetuar o quadro.

    Quais são os principais tipos de lesão da acne?

    As lesões podem ser não inflamatórias (comedões abertos e fechados, popularmente chamados de “cravos”) ou inflamatórias (pápulas, pústulas e, nos casos mais intensos, nódulos e cistos). Quanto mais profunda e intensa é a inflamação, maior a chance de deixar sequelas — cicatrizes atróficas (deprimidas), cicatrizes hipertróficas ou manchas residuais (eritema pós-inflamatório ou hiperpigmentação pós-inflamatória).

    Corte esquemático da pele com os tipos de lesão da acne: comedão aberto e comedão fechado, não inflamatórios, e pápula, pústula, nódulo e cisto, inflamatórios

    Como é feito o tratamento da acne ativa?

    A diretriz mais recente da Academia Americana de Dermatologia para o tratamento da acne vulgar reúne evidências sobre as principais opções terapêuticas, que incluem retinoides tópicos, peróxido de benzoíla, antibióticos tópicos e orais, terapia hormonal (em pacientes selecionadas) e isotretinoína oral para os casos mais graves ou resistentes1. A escolha entre essas opções depende do tipo de lesão predominante, da gravidade, do histórico do paciente e da resposta a tratamentos anteriores.

    Tecnologias a laser também podem ser consideradas como recurso complementar em determinados perfis de acne ativa — por exemplo, em modos de emissão térmica que atuam sobre a glândula sebácea — mas isso não substitui o tratamento clínico de base quando ele está indicado, e depende de avaliação dermatológica individual.

    Toda cicatriz de acne é igual?

    Não. As cicatrizes atróficas — as mais comuns — podem ser subdivididas em diferentes padrões (por exemplo, em “picote de gelo”, “vagão” ou “boxcar”, e onduladas ou “rolling”), cada um com profundidade e formato diferentes. Já o eritema pós-inflamatório (as marcas avermelhadas que ficam depois que a espinha já secou) tem origem vascular, e não estrutural — ou seja, não é propriamente uma cicatriz, e costuma se comportar de forma diferente ao longo do tempo e diante dos tratamentos.

    Essa distinção importa porque cada padrão de sequela responde de forma diferente às tecnologias disponíveis — não existe um único recurso que trate igualmente bem todos os tipos.

    Corte esquemático da pele com os três tipos de cicatriz de acne: picote de gelo, vagão (boxcar) e rolling (ondulada), além da marca avermelhada pós-inflamatória, que não é cicatriz

    Quais tecnologias a laser podem ser consideradas para cicatrizes de acne?

    Depois que a fase inflamatória da acne está controlada, algumas tecnologias a laser têm evidência científica no tratamento de cicatrizes atróficas. O laser de CO₂ fracionado, por exemplo, está entre os recursos estudados para esse fim, com meta-análises mostrando melhora do aspecto das cicatrizes atróficas em parte relevante dos pacientes tratados2,3. Na prática clínica do Dr. Rubens Pontello Junior, esse recurso é utilizado no Coolaser, seu protocolo autoral realizado com a plataforma DuoGlide.

    Sistemas a laser com múltiplos comprimentos de onda e regimes de pulso — como o TORO, que combina modos em picossegundos, nanossegundos e emissão térmica — também têm sido estudados especificamente para cicatrizes atróficas de acne, com revisões sistemáticas indicando resultados favoráveis e bom perfil de segurança4. Já tecnologias voltadas à uniformidade da pele e à textura, como o Fotona StarWalker, podem ser um recurso adicional quando há também poros dilatados ou manchas residuais associadas ao quadro.

    A tabela a seguir resume, de forma geral, essas três tecnologias — sem substituir a avaliação individual, que é sempre o que determina qual (ou quais) recurso é adequado para cada caso.

    Tecnologia Princípio Uso mais estudado
    Coolaser (laser de CO2) Laser fracionado ablativo Cicatrizes atróficas de acne, textura e poros
    TORO Múltiplos comprimentos de onda (picossegundo, nanossegundo e modo térmico) Cicatrizes atróficas de acne e acne ativa (modo térmico), manchas
    Fotona StarWalker Laser Nd:YAG Q-switched multimodal Manchas, textura, poros dilatados

    E as marcas vermelhas que ficam depois da espinha?

    O eritema pós-inflamatório — aquelas marcas avermelhadas que demoram a sumir depois que a lesão de acne já cicatrizou — tem origem em vasos superficiais dilatados, e não em uma alteração estrutural da pele. Por isso, tecnologias com atuação sobre o componente vascular, como o RedTouch, podem ser um dos recursos considerados nesse contexto específico — sempre depois de confirmado que se trata de eritema, e não de uma cicatriz atrófica, já que os dois exigem abordagens diferentes.

    Conheça também as demais opções de tratamento avaliadas caso a caso pelo Dr. Rubens.


    Perguntas frequentes sobre acne

    Espremer a espinha ajuda a resolver mais rápido?

    Não. Manipular as lesões de acne aumenta o risco de piorar a inflamação, espalhar a infecção para tecidos vizinhos e deixar cicatrizes ou manchas que poderiam ser evitadas.

    Colágeno em pó ajuda no tratamento da acne?

    Não existe evidência de que a suplementação de colágeno em pó trate ou previna a acne. A acne é uma condição inflamatória do folículo pilossebáceo, e sua origem não está relacionada à quantidade de colágeno ingerida.

    Dieta influencia a acne?

    Alguns estudos sugerem associação entre alimentos de alto índice glicêmico ou laticínios e piora da acne em determinados indivíduos, mas a resposta varia de pessoa para pessoa. A dieta pode ser discutida como parte do plano, mas não substitui o tratamento clínico quando ele é indicado.

    Protetor solar piora a acne?

    Não deveria. Fórmulas descritas como “não comedogênicas” ou “oil-free” são desenvolvidas para reduzir esse risco. Interromper o uso de protetor solar por medo de piorar a acne pode expor a pele a outros problemas, incluindo o agravamento de manchas residuais.

    Depois de iniciar o tratamento, a acne piora antes de melhorar?

    Em alguns tratamentos tópicos (como retinoides), é possível haver um período inicial de irritação ou de “purga”, com aparecimento de lesões que já estavam em formação. Isso deve ser discutido com o dermatologista responsável, que pode ajustar a forma de uso.

    Quando procurar um dermatologista para tratar acne?

    Idealmente, antes que as lesões inflamatórias se tornem frequentes ou intensas — quanto mais cedo o tratamento adequado é iniciado, menor a chance de cicatrizes e manchas residuais permanentes.


    Principais referências científicas

    1. Reynolds RV, Yeung H, Cheng CE, et al. Guidelines of care for the management of acne vulgaris. Journal of the American Academy of Dermatology. 2024;90(5):1006.e1-1006.e30. doi:10.1016/j.jaad.2023.12.017.
    2. Zhang DD, Zhao WY, Fang QQ, et al. The efficacy of fractional CO2 laser in acne scar treatment: a meta-analysis. Dermatologic Therapy. 2021;34(1):e14539. doi:10.1111/dth.14539.
    3. Liu F, Zhou Q, Tao M, Shu L, Cao Y. Efficacy and safety of CO2 fractional laser versus Er:YAG fractional laser in the treatment of atrophic acne scar: a meta-analysis and systematic review. Journal of Cosmetic Dermatology. 2024;23(9):2768-2778. doi:10.1111/jocd.16348.
    4. Li J, Duan F, Kuang J. Fractional picosecond laser for atrophic acne scars: a meta-analysis. Journal of Cosmetic Dermatology. 2023;22(8):2205-2217. doi:10.1111/jocd.15862.

    Este conteúdo tem finalidade exclusivamente educativa e não substitui uma consulta médica. Cada paciente apresenta características clínicas próprias e deve ser avaliado individualmente por um dermatologista.

    Revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior — dermatologista (CRM-PR 24.645 | RQE 2.050), Instituto Pontello (Londrina/PR).

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