Retinol: o que é, como usar, mitos e diferença para a tretinoína

Ilustração de um frasco de sérum com gotas, capa do artigo sobre retinol

Resposta rápida: retinol é uma forma de vitamina A usada em cosméticos. Na pele, ele é transformado em ácido retinoico, a substância que de fato age nas células, e por isso tem efeito mais suave e costuma irritar menos que a tretinoína, que já é o ácido retinoico pronto e é vendida como medicamento. Estudos mostram que o retinol melhora rugas finas e estimula colágeno, mas os resultados levam meses e dependem do uso correto. Segundo o dermatologista Dr. Rubens Pontello Junior, o retinol pode ser um bom começo para a rotina, mas a escolha entre retinol e tretinoína depende do objetivo e da tolerância de cada pele.

O que é o retinol

O retinol pertence à família dos retinoides, que são substâncias derivadas da vitamina A. Ao ser aplicado, ele passa por etapas de conversão dentro da pele até virar ácido retinoico. Em um estudo que aplicou retinol e ácido retinoico na pele de voluntários, o retinol produziu mudanças parecidas com as do ácido retinoico, como o espessamento da camada superficial da pele, mas sem vermelhidão significativa e sem aumentar de forma mensurável o nível de ácido retinoico. Os autores o descreveram como um “pró-hormônio” do ácido retinoico [1].

Na prática, isso explica as duas características mais conhecidas do retinol: age de forma mais lenta e é mais bem tolerado.

Por que o retinol é tão falado

  • É da mesma família da tretinoína, um dos medicamentos mais estudados para o envelhecimento da pele [2]. Isso dá ao retinol uma base científica que muitos ativos cosméticos não têm.
  • Tem estudos próprios: em um estudo randomizado e duplo-cego com 36 idosos, o retinol a 0,4% aplicado em um braço por 24 semanas melhorou as rugas finas e aumentou a produção de colágeno em comparação com o braço que recebeu só o creme sem o ativo [3].
  • Não precisa de receita e aparece em cremes, séruns e marcas de todos os preços, o que fez dele presença constante em redes sociais e rotinas de cuidados.
  • Irrita menos que a tretinoína, o que o torna uma porta de entrada para quem nunca usou retinoides [2].

Para que o retinol serve

  • Rugas finas e textura: é o uso mais estudado [3, 4].
  • Prevenção do envelhecimento da pele, junto com o protetor solar diário. Veja o artigo sobre protetor solar.
  • Uniformidade da pele e poros aparentes, como parte de uma rotina.
  • Acne leve: pode ajudar como cuidado complementar, mas o tratamento da acne com retinoides costuma usar medicamentos de prescrição, como a tretinoína e o adapaleno, que têm recomendação forte na diretriz americana de acne [5].

O retinol não trata flacidez importante, perda de volume, melasma intenso ou doenças da pele. Nesses casos, ele pode até fazer parte da rotina, mas não substitui o tratamento médico.

Retinol ou tretinoína: qual a diferença?

A tretinoína é o próprio ácido retinoico, vendida como medicamento (no Brasil, por exemplo, como Vitacid e Vitanol-A). O retinol precisa ser convertido na pele até chegar a essa forma.

  • Força: em um estudo que comparou os dois, retinol e ácido retinoico aumentaram a espessura da pele e os genes de colágeno após 4 semanas, mas o efeito do retinol tende a ser menor [4].
  • Evidência: a tretinoína tem mais estudos. Em um estudo clássico, 14 de 15 pacientes que usaram tretinoína no rosto tiveram melhora do fotoenvelhecimento em 16 semanas, contra nenhum no grupo que usou só o creme sem o ativo [6].
  • Irritação: é mais comum com a tretinoína. Vermelhidão, ardência e descamação são os efeitos mais frequentes dos retinoides e o principal motivo de abandono do tratamento [2].
  • Acesso: o retinol é cosmético; a tretinoína é medicamento e deve ser usada com orientação médica.

Um não é simplesmente “melhor” que o outro. O retinol costuma servir para cuidados diários e prevenção; a tretinoína, para tratar condições como acne e fotoenvelhecimento mais marcado. Para saber mais sobre a tretinoína, leia Vitacid (tretinoína) e Vitanol-A ou Vitacid.

Como usar o retinol

  1. Use à noite. Os retinoides se degradam com a luz, e a pele em adaptação fica mais sensível ao sol.
  2. Comece devagar: duas ou três noites por semana nas primeiras semanas e aumente conforme a pele tolerar.
  3. Quantidade pequena: o equivalente a uma ervilha para o rosto todo, espalhado em camada fina.
  4. Pele limpa e seca. Evite os cantos dos olhos, do nariz e da boca, onde a irritação é mais comum.
  5. Hidratante depois do retinol, ou antes, se a pele for muito sensível.
  6. Protetor solar todos os dias, pela manhã, com reaplicação quando houver exposição ao sol.
  7. Introduza um ativo novo de cada vez. Esfoliantes e outros ácidos na mesma noite aumentam a chance de irritação.
  8. Tenha paciência: os estudos avaliaram resultados após 12 a 24 semanas de uso contínuo [3, 4].

Vermelhidão leve e descamação discreta no início podem acontecer. Ardência forte, inchaço ou feridas não são esperados: suspenda e procure orientação.

Mitos da internet sobre o retinol

“Retinol afina a pele”

Mito. A descamação dá essa impressão, mas os estudos mostram o contrário: o retinol aumentou a espessura da camada superficial da pele e estimulou a produção de colágeno [1, 3, 4].

“Quanto mais a pele descama, melhor o resultado”

Mito. Em um estudo de 48 semanas com tretinoína, as concentrações de 0,1% e 0,025% tiveram melhora semelhante do fotoenvelhecimento, mas a mais forte irritou mais. Os autores concluíram que a melhora não depende da irritação [7]. O mesmo raciocínio vale para o retinol: irritar não é sinal de que está funcionando.

“Quanto maior a concentração, melhor”

Nem sempre. Concentrações altas aumentam a chance de irritação, o que leva muita gente a abandonar o uso [2, 7]. A melhor concentração é a que a pele tolera todos os dias.

“Quem usa retinol não pode tomar sol nunca”

Exagero. A recomendação é usar à noite e manter o protetor solar diário, o que já faz parte de qualquer rotina de cuidados. Não é preciso suspender o retinol no verão se a pele estiver adaptada e protegida, mas em períodos de exposição intensa, como praia, vale conversar com o dermatologista.

“Retinol não pode ser usado com vitamina C ou niacinamida”

Não há proibição. O cuidado é com a irritação ao somar vários ativos ao mesmo tempo. Uma forma comum é usar a vitamina C pela manhã e o retinol à noite, introduzindo um de cada vez. Veja também o artigo sobre niacinamida.

“Retinol é cosmético, então pode na gravidez”

Mito. Um estudo com 235 gestantes expostas a retinoides tópicos no início da gravidez não encontrou aumento de malformações, mas os autores concluíram que, pelo conhecimento atual, os retinoides tópicos não devem ser usados na gestação, porque a relação entre risco e benefício continua incerta [8]. A recomendação é suspender na gravidez e na amamentação e conversar com o médico.

“Retinol dá resultado em poucos dias”

Mito. A sensação de pele mais lisa pode aparecer cedo, mas a melhora de rugas e colágeno foi medida após meses de uso [3, 4].

Quem deve ter cuidado

  • Gestantes, quem está tentando engravidar e lactantes [8].
  • Pessoas com rosácea, dermatite ou pele muito sensível: o uso deve ser orientado. Veja rosácea.
  • Quem usa isotretinoína oral ou outros tratamentos que deixam a pele sensível. Veja Roacutan.
  • Antes e depois de procedimentos como peelings e lasers, quando o retinol costuma ser pausado conforme orientação.

Avaliação da pele em Londrina

O Dr. Rubens Pontello Junior, dermatologista em Londrina, avalia o tipo de pele, os objetivos e o histórico para indicar retinol, tretinoína ou outro ativo, além da concentração e da forma de uso. O atendimento é particular.

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Perguntas frequentes

Com que idade posso começar a usar retinol?

Não existe uma idade fixa. Muitas pessoas começam como prevenção entre os 25 e os 35 anos, mas a indicação depende da pele e do objetivo. Na adolescência, o retinoide costuma ser usado para acne, com prescrição.

Posso usar retinol todos os dias?

Sim, depois que a pele se adapta. No início, o uso costuma ser em noites alternadas para reduzir a irritação.

Retinol clareia manchas?

Pode ajudar na uniformidade da pele, mas não é o tratamento principal de manchas como o melasma. Veja o artigo sobre tratamento do melasma.

Retinol pode ser usado na área dos olhos?

Existem produtos específicos para essa região, com concentrações menores. O produto do rosto não deve ser aplicado perto dos olhos sem orientação.

Retinol ou tretinoína: qual devo usar?

O retinol é mais suave e serve bem para prevenção e cuidados diários. A tretinoína é mais potente e indicada para tratar acne e fotoenvelhecimento mais marcado, com prescrição [4–6]. A escolha é feita na consulta.

Retinol na gravidez pode?

Não é recomendado. Retinoides tópicos devem ser suspensos na gestação e na amamentação [8].

Leia também: Vitacid (tretinoína): como funciona e cuidados; Vitanol-A ou Vitacid; Protetor solar; Padrões de envelhecimento facial.

Referências científicas

  1. Kang S, Duell EA, Fisher GJ, et al. Application of retinol to human skin in vivo induces epidermal hyperplasia and cellular retinoid binding proteins characteristic of retinoic acid but without measurable retinoic acid levels or irritation. J Invest Dermatol. 1995;105(4):549-556. DOI: 10.1111/1523-1747.ep12323445
  2. Mukherjee S, Date A, Patravale V, et al. Retinoids in the treatment of skin aging: an overview of clinical efficacy and safety. Clin Interv Aging. 2006;1(4):327-348. DOI: 10.2147/ciia.2006.1.4.327
  3. Kafi R, Kwak HS, Schumacher WE, et al. Improvement of naturally aged skin with vitamin A (retinol). Arch Dermatol. 2007;143(5):606-612. DOI: 10.1001/archderm.143.5.606
  4. Kong R, Cui Y, Fisher GJ, et al. A comparative study of the effects of retinol and retinoic acid on histological, molecular, and clinical properties of human skin. J Cosmet Dermatol. 2016;15(1):49-57. DOI: 10.1111/jocd.12193
  5. Reynolds RV, Yeung H, Cheng CE, et al. Guidelines of care for the management of acne vulgaris. J Am Acad Dermatol. 2024;90(5):1006.e1-1006.e30. DOI: 10.1016/j.jaad.2023.12.017
  6. Weiss JS, Ellis CN, Headington JT, et al. Topical tretinoin improves photoaged skin: a double-blind vehicle-controlled study. JAMA. 1988;259(4):527-532. DOI: 10.1001/jama.1988.03720040019020
  7. Griffiths CE, Kang S, Ellis CN, et al. Two concentrations of topical tretinoin (retinoic acid) cause similar improvement of photoaging but different degrees of irritation: a double-blind, vehicle-controlled comparison of 0.1% and 0.025% tretinoin creams. Arch Dermatol. 1995;131(9):1037-1044. DOI: 10.1001/archderm.1995.01690210067011
  8. Panchaud A, Csajka C, Merlob P, et al. Pregnancy outcome following exposure to topical retinoids: a multicenter prospective study. J Clin Pharmacol. 2012;52(12):1844-1851. DOI: 10.1177/0091270011429566

Autoria, revisão médica e transparência

Escrito por Dr. Rubens Pontello Junior · Dermatologista em Londrina–PR · CRM-PR 24.645 | RQE 2.050 · Diretor técnico do Instituto Pontello.

Revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior — dermatologista (CRM-PR 24.645 | RQE 2.050). Revisado em 30/10/2026.

Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica.

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