Rosácea: causas, gatilhos e o papel dos lasers no controle da vermelhidão

Rosácea: causas, gatilhos e o papel dos lasers no controle da vermelhidão

Rosácea é uma doença inflamatória crônica da pele do rosto, que costuma se manifestar por vermelhidão persistente, vasos sanguíneos visíveis (telangiectasias), episódios de rubor (os chamados “flushings”) e, em parte dos casos, lesões semelhantes a espinhas (pápulas e pústulas). Em estágios mais avançados e menos frequentes, pode haver espessamento da pele, principalmente no nariz.

Sua causa ainda não é totalmente compreendida, mas envolve uma combinação de fatores: alteração na resposta imune inata da pele, disfunção vascular, colonização por micro-organismos como o ácaro Demodex e sensibilidade aumentada a estímulos ambientais1. Por isso, a rosácea não tem uma única causa nem um único tratamento — o plano depende do subtipo predominante e dos sinais presentes em cada pessoa.

Um ponto importante: vermelhidão facial nem sempre é rosácea. Dermatite seborreica, dermatite perioral, reações a cosméticos e sensibilidade cutânea podem produzir aspecto parecido. Por isso, o primeiro passo do tratamento é sempre o diagnóstico correto, feito por avaliação dermatológica.

Resposta rápida: a rosácea é uma doença inflamatória crônica, com causas multifatoriais, que costuma ser controlada — mas não curada — com uma combinação de cuidados diários, identificação de gatilhos, medicações tópicas ou orais conforme o subtipo, e, quando indicado, tecnologias a laser voltadas ao componente vascular, como vasos visíveis e vermelhidão persistente.

Quais são os subtipos de rosácea?

Tradicionalmente, a rosácea é descrita em apresentações que podem se sobrepor: a forma eritemato-telangiectásica (predomínio de vermelhidão e vasos visíveis), a forma pápulo-pustulosa (lesões inflamatórias semelhantes à acne), a forma fimatosa (espessamento da pele, mais comum no nariz) e a forma ocular (irritação nos olhos e pálpebras). Uma mesma pessoa pode apresentar características de mais de um subtipo ao longo do tempo.

Quais são os gatilhos mais comuns da rosácea?

Exposição solar, variações bruscas de temperatura, bebidas alcoólicas, alimentos picantes ou muito quentes, estresse emocional e determinados cosméticos estão entre os gatilhos mais relatados. Identificar quais desses fatores pioram o quadro em cada pessoa é parte do plano de controle a longo prazo, junto com o uso diário de protetor solar e uma rotina de cuidados com a pele adequada à sensibilidade típica da rosácea.

Como é feito o tratamento clínico da rosácea?

O tratamento costuma combinar cuidados de pele direcionados, proteção solar rigorosa e medicações tópicas ou orais conforme o subtipo e a intensidade — por exemplo, metronidazol tópico, ácido azelaico, ivermectina tópica ou antibióticos orais em baixa dose para o componente inflamatório1. Esse tratamento de base é o que sustenta o controle da doença ao longo do tempo.

Lasers “curam” a rosácea?

Não. Tecnologias a laser não tratam a causa inflamatória da rosácea nem substituem o tratamento clínico — elas atuam especificamente sobre um sintoma: os vasos sanguíneos dilatados e a vermelhidão visível. Por isso, são consideradas um recurso complementar, e não a base do tratamento.

Entre as tecnologias com atuação sobre o componente vascular, sistemas como o RedTouch — que combina, segundo o fabricante, ação sobre vasos, pigmentação e estímulo de colágeno em uma mesma sessão — podem ser avaliados como parte do plano quando a queixa principal é a vermelhidão persistente ou os vasos visíveis, sempre depois que o diagnóstico de rosácea (e não de outra causa de vermelhidão) está confirmado.

Revisões da literatura sobre lasers e luz pulsada intensa mostram redução do eritema e das telangiectasias associadas à rosácea em parte relevante dos pacientes tratados, com necessidade de sessões repetidas e manutenção ao longo do tempo2,3.

Existe um “melhor laser” para rosácea?

Não existe uma tecnologia universalmente superior — a escolha depende do padrão de vasos (finos ou mais calibrosos), da profundidade, do fototipo da pele e da experiência do profissional com cada equipamento. Diferentes plataformas a laser e de luz pulsada têm sido comparadas na literatura, sem que uma única opção se mostre claramente superior para todos os perfis de paciente3.

O tratamento a laser tem risco?

Como qualquer procedimento, sim — variando conforme a tecnologia, os parâmetros utilizados e as características da pele tratada. Vermelhidão temporária, manchas transitórias e, mais raramente, alterações de pigmentação podem ocorrer. Por isso, a indicação, os parâmetros e o número de sessões devem ser sempre definidos por avaliação individual.

Conheça também as demais opções de tratamento avaliadas caso a caso pelo Dr. Rubens.


Perguntas frequentes sobre rosácea

Rosácea é a mesma coisa que acne?

Não. Apesar de a forma pápulo-pustulosa da rosácea poder lembrar acne, são doenças diferentes, com mecanismos e tratamentos distintos. É possível, inclusive, que a mesma pessoa tenha as duas condições associadas.

Rosácea tem cura?

Rosácea é uma condição crônica, controlada mas geralmente não curada. O objetivo do tratamento é reduzir a frequência e a intensidade das crises, e não eliminar definitivamente a predisposição.

Posso usar o mesmo creme do corpo no rosto se tenho rosácea?

Não é recomendado. A pele do rosto é mais fina e sensível que a do corpo, e na rosácea essa sensibilidade costuma ser ainda maior. Produtos formulados para o corpo podem conter fragrâncias ou ativos irritantes que funcionam como gatilho de crises.

Qual o melhor protetor solar para quem tem rosácea?

De forma geral, protetores solares físicos (à base de filtros minerais) tendem a ser mais bem tolerados por peles com rosácea, por serem menos associados a irritação. Ainda assim, a escolha ideal depende da tolerância individual e deve ser orientada pelo dermatologista.

Álcool sempre piora a rosácea?

É um dos gatilhos mais relatados, mas a sensibilidade varia de pessoa para pessoa — algumas notam piora nítida, outras não percebem relação clara. Observar a resposta individual ajuda a personalizar as orientações.

Maquiagem piora a rosácea?

Não necessariamente. O problema costuma estar em fórmulas com álcool, fragrância ou outros ingredientes irritantes, e não na maquiagem em si. Produtos indicados para pele sensível, aplicados com técnica adequada, geralmente são bem tolerados.


Principais referências científicas

  1. Fisher GW, Travers JB, Rohan CA. Rosacea pathogenesis and therapeutics: current treatments and a look at future targets. Frontiers in Medicine. 2023;10:1292722. doi:10.3389/fmed.2023.1292722.
  2. Kwon WJ, Park BW, Cho EB, Park EJ, Kim KH, Kim KJ. Comparison of efficacy between long-pulsed Nd:YAG laser and pulsed dye laser to treat rosacea-associated nasal telangiectasia. Journal of Cosmetic and Laser Therapy. 2018;20(5):260-264. doi:10.1080/14764172.2017.1418510.
  3. Husein-ElAhmed H, Steinhoff M. Laser and light-based therapies in the management of rosacea: an updated systematic review. Lasers in Medical Science. 2021;36(6):1151-1160. doi:10.1007/s10103-020-03200-1.
  4. Zhai Q, Cheng S, Liu R, Xie J, Han X, Yu Z. Meta-analysis of the efficacy of intense pulsed light and pulsed-dye laser therapy in the management of rosacea. Journal of Cosmetic Dermatology. 2024. doi:10.1111/jocd.16549.

Este conteúdo tem finalidade exclusivamente educativa e não substitui uma consulta médica. Cada paciente apresenta características clínicas próprias e deve ser avaliado individualmente por um dermatologista.

Revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior — dermatologista (CRM-PR 24645 | RQE 2050), Instituto Pontello (Londrina/PR).

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