Categoria: Tecnologias e Tratamentos

  • Niacinamida: para que serve, como usar e mitos

    Niacinamida: para que serve, como usar e mitos

    Resposta rápida: niacinamida é uma forma da vitamina B3 usada em cremes e séruns. Estudos mostram que ela ajuda a fortalecer a barreira da pele, reduzir a oleosidade, suavizar manchas e melhorar sinais de envelhecimento, com boa tolerância na maioria das pessoas. Os efeitos são graduais e moderados, e ela não substitui o tratamento de condições como acne inflamada ou melasma. Segundo o dermatologista Dr. Rubens Pontello Junior, a niacinamida é um ativo versátil para a rotina, que funciona melhor quando escolhido de acordo com o objetivo e combinado com o protetor solar diário.

    O que é a niacinamida

    A niacinamida, também chamada de nicotinamida, é uma das formas da vitamina B3. No organismo, ela participa da produção de moléculas que as células usam para gerar energia e reparar danos. Na pele, é usada principalmente em produtos de aplicação local, em concentrações que costumam variar de 2% a 5% nos estudos [1–4].

    Por que a niacinamida é tão falada

    • Serve para várias queixas ao mesmo tempo: oleosidade, manchas, textura e sensibilidade.
    • Costuma ser bem tolerada, inclusive por peles que não se adaptam a ativos mais irritantes [1].
    • Combina com quase tudo na rotina, como retinol, protetor solar e hidratantes.
    • Tem estudos clínicos em diferentes situações, o que a diferencia de muitos ativos da moda. Parte desses estudos foi feita por fabricantes de cosméticos, o que vale lembrar ao avaliar os resultados [1, 3, 4].

    Para que a niacinamida serve

    Barreira da pele e hidratação

    Em estudo de laboratório, a niacinamida aumentou a produção de ceramidas e de outras gorduras que formam a barreira da pele. Aplicada na pele seca, aumentou essas gorduras na camada superficial e reduziu a perda de água [2]. Por isso, aparece em produtos para pele seca e sensível.

    Oleosidade

    Em um estudo com 100 voluntários japoneses, um hidratante com 2% de niacinamida reduziu a produção de oleosidade após 2 e 4 semanas em comparação com o mesmo creme sem o ativo. Em um segundo estudo, com 30 voluntários brancos, a oleosidade da superfície diminuiu em 6 semanas, mas a produção das glândulas não mudou de forma significativa [3]. O efeito, portanto, existe, mas varia de pessoa para pessoa.

    Acne

    Em um estudo com 76 pacientes com acne inflamatória moderada, o gel de niacinamida a 4% teve resultado semelhante ao do antibiótico clindamicina em gel após 8 semanas: 82% dos pacientes com niacinamida e 68% com clindamicina melhoraram, sem diferença estatística entre os grupos [5]. A niacinamida pode ajudar, mas o tratamento da acne é definido na consulta. Veja acne.

    Manchas e melasma

    A niacinamida reduz a passagem do pigmento das células que o produzem para as células da superfície da pele. Em estudos clínicos, diminuiu manchas após 4 semanas de uso [4]. Em um estudo com 27 pacientes com melasma, a niacinamida a 4% foi aplicada em um lado do rosto e a hidroquinona a 4% no outro, por 8 semanas: todos melhoraram com os dois, com melhora boa a excelente em 44% dos lados com niacinamida e 55% com hidroquinona, e menos efeitos colaterais com a niacinamida (18% contra 29%) [6]. Ela pode fazer parte do tratamento, mas o melasma exige um plano completo. Veja tratamento do melasma.

    Envelhecimento da pele

    Em um estudo com 50 mulheres com sinais de fotoenvelhecimento, a niacinamida a 5% aplicada em metade do rosto por 12 semanas reduziu linhas finas, manchas, vermelhidão e o tom amarelado da pele, e melhorou a elasticidade em comparação com o lado que recebeu só o creme sem o ativo [1].

    Como usar a niacinamida

    1. Pode ser usada de manhã, à noite ou nos dois horários, conforme o produto.
    2. Aplique na pele limpa, antes do hidratante, se for sérum, ou como o próprio hidratante.
    3. Prefira concentrações estudadas, em geral entre 2% e 5% [1–6]. Concentrações muito altas não têm vantagem comprovada e podem irritar peles sensíveis.
    4. Use protetor solar todos os dias, principalmente se o objetivo for manchas. Veja protetor solar.
    5. Dê tempo: os estudos avaliaram resultados entre 4 e 12 semanas de uso contínuo [1, 3–6].

    Mitos da internet sobre a niacinamida

    “Niacinamida não pode ser usada com vitamina C”

    Essa ideia vem de testes antigos com as substâncias puras, em condições diferentes do uso na pele. Nos produtos atuais, as duas podem fazer parte da mesma rotina. Se houver vermelhidão, uma opção é usar a vitamina C de manhã e a niacinamida à noite.

    “Quanto maior a porcentagem, melhor”

    Mito. Os estudos com bons resultados usaram de 2% a 5% [1–6]. Produtos com concentrações muito altas não mostraram vantagem e podem causar ardência e vermelhidão em parte das pessoas.

    “Niacinamida fecha os poros”

    Os poros não abrem nem fecham. A niacinamida pode reduzir a oleosidade [3], o que às vezes faz os poros parecerem menores, mas não muda a estrutura deles.

    “Niacinamida substitui o tratamento da acne ou do melasma”

    Mito. Ela pode ajudar nos dois casos [5, 6], mas acne inflamada, cicatrizes e melasma precisam de avaliação e de um plano de tratamento.

    “Niacinamida é o mesmo que tomar vitamina B3”

    Não. O uso na pele e o uso por via oral são diferentes. A nicotinamida oral foi estudada em pessoas com alto risco de câncer de pele: em um estudo com 386 pessoas que já tinham tido pelo menos dois cânceres de pele não melanoma, 500 mg duas vezes ao dia reduziu em 23% os novos casos em 12 meses, e o benefício desapareceu ao parar [7]. Esse uso é uma indicação médica específica, não uma suplementação para todos. Veja ceratose actínica.

    Niacinamida e retinol podem ser usados juntos?

    Sim. A niacinamida costuma ser bem tolerada e pode ser usada na mesma rotina que o retinol, por exemplo, niacinamida de manhã e retinol à noite. Para quem está começando, vale introduzir um ativo de cada vez. Saiba mais no artigo sobre retinol.

    Efeitos colaterais e cuidados

    • A maioria das pessoas tolera bem [1].
    • Algumas pessoas sentem ardência, coceira ou vermelhidão, principalmente com concentrações mais altas ou na pele com rosácea. Veja rosácea.
    • Se a pele irritar, suspenda o produto e procure orientação.
    • Na gravidez e na amamentação, converse com o médico antes de iniciar qualquer ativo novo.

    Avaliação da pele em Londrina

    O Dr. Rubens Pontello Junior, dermatologista em Londrina, avalia o tipo de pele e as queixas para indicar os ativos certos, como niacinamida, retinoides e outros, a concentração e a forma de uso, além de tratamentos para acne, manchas e envelhecimento quando necessário. O atendimento é particular.

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    Perguntas frequentes

    Niacinamida serve para pele oleosa?

    Sim. Em estudos, a niacinamida a 2% reduziu a oleosidade da pele [3]. O efeito varia de pessoa para pessoa.

    Niacinamida clareia manchas?

    Ela ajuda a reduzir manchas, com resultados observados a partir de 4 semanas [4, 6]. No melasma, costuma fazer parte de um tratamento combinado, sempre com protetor solar.

    Posso usar niacinamida todos os dias?

    Sim. Nos estudos, ela foi usada uma ou duas vezes ao dia por semanas a meses [1, 3–6].

    Niacinamida pode ser usada de dia?

    Pode. Nos estudos, ela foi usada inclusive pela manhã, junto com o protetor solar, que continua indispensável [1, 4].

    Qual a melhor concentração de niacinamida?

    Os estudos com bons resultados usaram entre 2% e 5% [1–6]. Concentrações mais altas não têm vantagem comprovada.

    Niacinamida serve para acne?

    Pode ajudar: em um estudo, o gel a 4% teve resultado semelhante ao de um antibiótico em gel [5]. Mas a acne inflamada precisa de avaliação dermatológica.

    Leia também: Retinol: o que é, como usar e mitos; Tratamento do melasma; Protetor solar; Acne: causas e tratamento.

    Referências científicas

    1. Bissett DL, Oblong JE, Berge CA. Niacinamide: a B vitamin that improves aging facial skin appearance. Dermatol Surg. 2005;31(7 Pt 2):860-865. DOI: 10.1111/j.1524-4725.2005.31732
    2. Tanno O, Ota Y, Kitamura N, Katsube T, Inoue S. Nicotinamide increases biosynthesis of ceramides as well as other stratum corneum lipids to improve the epidermal permeability barrier. Br J Dermatol. 2000;143(3):524-531. DOI: 10.1111/j.1365-2133.2000.03705.x
    3. Draelos ZD, Matsubara A, Smiles K. The effect of 2% niacinamide on facial sebum production. J Cosmet Laser Ther. 2006;8(2):96-101. DOI: 10.1080/14764170600717704
    4. Hakozaki T, Minwalla L, Zhuang J, et al. The effect of niacinamide on reducing cutaneous pigmentation and suppression of melanosome transfer. Br J Dermatol. 2002;147(1):20-31. DOI: 10.1046/j.1365-2133.2002.04834.x
    5. Shalita AR, Smith JG, Parish LC, Sofman MS, Chalker DK. Topical nicotinamide compared with clindamycin gel in the treatment of inflammatory acne vulgaris. Int J Dermatol. 1995;34(6):434-437. DOI: 10.1111/j.1365-4362.1995.tb04449.x
    6. Navarrete-Solís J, Castanedo-Cázares JP, Torres-Álvarez B, et al. A double-blind, randomized clinical trial of niacinamide 4% versus hydroquinone 4% in the treatment of melasma. Dermatol Res Pract. 2011;2011:379173. DOI: 10.1155/2011/379173
    7. Chen AC, Martin AJ, Choy B, et al. A phase 3 randomized trial of nicotinamide for skin-cancer chemoprevention. N Engl J Med. 2015;373(17):1618-1626. DOI: 10.1056/NEJMoa1506197

    Autoria, revisão médica e transparência

    Escrito por Dr. Rubens Pontello Junior · Dermatologista em Londrina–PR · CRM-PR 24.645 | RQE 2.050 · Diretor técnico do Instituto Pontello.

    Revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior — dermatologista (CRM-PR 24.645 | RQE 2.050). Revisado em 30/10/2026.

    Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica.

  • Retinol: o que é, como usar, mitos e diferença para a tretinoína

    Retinol: o que é, como usar, mitos e diferença para a tretinoína

    Resposta rápida: retinol é uma forma de vitamina A usada em cosméticos. Na pele, ele é transformado em ácido retinoico, a substância que de fato age nas células, e por isso tem efeito mais suave e costuma irritar menos que a tretinoína, que já é o ácido retinoico pronto e é vendida como medicamento. Estudos mostram que o retinol melhora rugas finas e estimula colágeno, mas os resultados levam meses e dependem do uso correto. Segundo o dermatologista Dr. Rubens Pontello Junior, o retinol pode ser um bom começo para a rotina, mas a escolha entre retinol e tretinoína depende do objetivo e da tolerância de cada pele.

    O que é o retinol

    O retinol pertence à família dos retinoides, que são substâncias derivadas da vitamina A. Ao ser aplicado, ele passa por etapas de conversão dentro da pele até virar ácido retinoico. Em um estudo que aplicou retinol e ácido retinoico na pele de voluntários, o retinol produziu mudanças parecidas com as do ácido retinoico, como o espessamento da camada superficial da pele, mas sem vermelhidão significativa e sem aumentar de forma mensurável o nível de ácido retinoico. Os autores o descreveram como um “pró-hormônio” do ácido retinoico [1].

    Na prática, isso explica as duas características mais conhecidas do retinol: age de forma mais lenta e é mais bem tolerado.

    Por que o retinol é tão falado

    • É da mesma família da tretinoína, um dos medicamentos mais estudados para o envelhecimento da pele [2]. Isso dá ao retinol uma base científica que muitos ativos cosméticos não têm.
    • Tem estudos próprios: em um estudo randomizado e duplo-cego com 36 idosos, o retinol a 0,4% aplicado em um braço por 24 semanas melhorou as rugas finas e aumentou a produção de colágeno em comparação com o braço que recebeu só o creme sem o ativo [3].
    • Não precisa de receita e aparece em cremes, séruns e marcas de todos os preços, o que fez dele presença constante em redes sociais e rotinas de cuidados.
    • Irrita menos que a tretinoína, o que o torna uma porta de entrada para quem nunca usou retinoides [2].

    Para que o retinol serve

    • Rugas finas e textura: é o uso mais estudado [3, 4].
    • Prevenção do envelhecimento da pele, junto com o protetor solar diário. Veja o artigo sobre protetor solar.
    • Uniformidade da pele e poros aparentes, como parte de uma rotina.
    • Acne leve: pode ajudar como cuidado complementar, mas o tratamento da acne com retinoides costuma usar medicamentos de prescrição, como a tretinoína e o adapaleno, que têm recomendação forte na diretriz americana de acne [5].

    O retinol não trata flacidez importante, perda de volume, melasma intenso ou doenças da pele. Nesses casos, ele pode até fazer parte da rotina, mas não substitui o tratamento médico.

    Retinol ou tretinoína: qual a diferença?

    A tretinoína é o próprio ácido retinoico, vendida como medicamento (no Brasil, por exemplo, como Vitacid e Vitanol-A). O retinol precisa ser convertido na pele até chegar a essa forma.

    • Força: em um estudo que comparou os dois, retinol e ácido retinoico aumentaram a espessura da pele e os genes de colágeno após 4 semanas, mas o efeito do retinol tende a ser menor [4].
    • Evidência: a tretinoína tem mais estudos. Em um estudo clássico, 14 de 15 pacientes que usaram tretinoína no rosto tiveram melhora do fotoenvelhecimento em 16 semanas, contra nenhum no grupo que usou só o creme sem o ativo [6].
    • Irritação: é mais comum com a tretinoína. Vermelhidão, ardência e descamação são os efeitos mais frequentes dos retinoides e o principal motivo de abandono do tratamento [2].
    • Acesso: o retinol é cosmético; a tretinoína é medicamento e deve ser usada com orientação médica.

    Um não é simplesmente “melhor” que o outro. O retinol costuma servir para cuidados diários e prevenção; a tretinoína, para tratar condições como acne e fotoenvelhecimento mais marcado. Para saber mais sobre a tretinoína, leia Vitacid (tretinoína) e Vitanol-A ou Vitacid.

    Como usar o retinol

    1. Use à noite. Os retinoides se degradam com a luz, e a pele em adaptação fica mais sensível ao sol.
    2. Comece devagar: duas ou três noites por semana nas primeiras semanas e aumente conforme a pele tolerar.
    3. Quantidade pequena: o equivalente a uma ervilha para o rosto todo, espalhado em camada fina.
    4. Pele limpa e seca. Evite os cantos dos olhos, do nariz e da boca, onde a irritação é mais comum.
    5. Hidratante depois do retinol, ou antes, se a pele for muito sensível.
    6. Protetor solar todos os dias, pela manhã, com reaplicação quando houver exposição ao sol.
    7. Introduza um ativo novo de cada vez. Esfoliantes e outros ácidos na mesma noite aumentam a chance de irritação.
    8. Tenha paciência: os estudos avaliaram resultados após 12 a 24 semanas de uso contínuo [3, 4].

    Vermelhidão leve e descamação discreta no início podem acontecer. Ardência forte, inchaço ou feridas não são esperados: suspenda e procure orientação.

    Mitos da internet sobre o retinol

    “Retinol afina a pele”

    Mito. A descamação dá essa impressão, mas os estudos mostram o contrário: o retinol aumentou a espessura da camada superficial da pele e estimulou a produção de colágeno [1, 3, 4].

    “Quanto mais a pele descama, melhor o resultado”

    Mito. Em um estudo de 48 semanas com tretinoína, as concentrações de 0,1% e 0,025% tiveram melhora semelhante do fotoenvelhecimento, mas a mais forte irritou mais. Os autores concluíram que a melhora não depende da irritação [7]. O mesmo raciocínio vale para o retinol: irritar não é sinal de que está funcionando.

    “Quanto maior a concentração, melhor”

    Nem sempre. Concentrações altas aumentam a chance de irritação, o que leva muita gente a abandonar o uso [2, 7]. A melhor concentração é a que a pele tolera todos os dias.

    “Quem usa retinol não pode tomar sol nunca”

    Exagero. A recomendação é usar à noite e manter o protetor solar diário, o que já faz parte de qualquer rotina de cuidados. Não é preciso suspender o retinol no verão se a pele estiver adaptada e protegida, mas em períodos de exposição intensa, como praia, vale conversar com o dermatologista.

    “Retinol não pode ser usado com vitamina C ou niacinamida”

    Não há proibição. O cuidado é com a irritação ao somar vários ativos ao mesmo tempo. Uma forma comum é usar a vitamina C pela manhã e o retinol à noite, introduzindo um de cada vez. Veja também o artigo sobre niacinamida.

    “Retinol é cosmético, então pode na gravidez”

    Mito. Um estudo com 235 gestantes expostas a retinoides tópicos no início da gravidez não encontrou aumento de malformações, mas os autores concluíram que, pelo conhecimento atual, os retinoides tópicos não devem ser usados na gestação, porque a relação entre risco e benefício continua incerta [8]. A recomendação é suspender na gravidez e na amamentação e conversar com o médico.

    “Retinol dá resultado em poucos dias”

    Mito. A sensação de pele mais lisa pode aparecer cedo, mas a melhora de rugas e colágeno foi medida após meses de uso [3, 4].

    Quem deve ter cuidado

    • Gestantes, quem está tentando engravidar e lactantes [8].
    • Pessoas com rosácea, dermatite ou pele muito sensível: o uso deve ser orientado. Veja rosácea.
    • Quem usa isotretinoína oral ou outros tratamentos que deixam a pele sensível. Veja Roacutan.
    • Antes e depois de procedimentos como peelings e lasers, quando o retinol costuma ser pausado conforme orientação.

    Avaliação da pele em Londrina

    O Dr. Rubens Pontello Junior, dermatologista em Londrina, avalia o tipo de pele, os objetivos e o histórico para indicar retinol, tretinoína ou outro ativo, além da concentração e da forma de uso. O atendimento é particular.

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    Perguntas frequentes

    Com que idade posso começar a usar retinol?

    Não existe uma idade fixa. Muitas pessoas começam como prevenção entre os 25 e os 35 anos, mas a indicação depende da pele e do objetivo. Na adolescência, o retinoide costuma ser usado para acne, com prescrição.

    Posso usar retinol todos os dias?

    Sim, depois que a pele se adapta. No início, o uso costuma ser em noites alternadas para reduzir a irritação.

    Retinol clareia manchas?

    Pode ajudar na uniformidade da pele, mas não é o tratamento principal de manchas como o melasma. Veja o artigo sobre tratamento do melasma.

    Retinol pode ser usado na área dos olhos?

    Existem produtos específicos para essa região, com concentrações menores. O produto do rosto não deve ser aplicado perto dos olhos sem orientação.

    Retinol ou tretinoína: qual devo usar?

    O retinol é mais suave e serve bem para prevenção e cuidados diários. A tretinoína é mais potente e indicada para tratar acne e fotoenvelhecimento mais marcado, com prescrição [4–6]. A escolha é feita na consulta.

    Retinol na gravidez pode?

    Não é recomendado. Retinoides tópicos devem ser suspensos na gestação e na amamentação [8].

    Leia também: Vitacid (tretinoína): como funciona e cuidados; Vitanol-A ou Vitacid; Protetor solar; Padrões de envelhecimento facial.

    Referências científicas

    1. Kang S, Duell EA, Fisher GJ, et al. Application of retinol to human skin in vivo induces epidermal hyperplasia and cellular retinoid binding proteins characteristic of retinoic acid but without measurable retinoic acid levels or irritation. J Invest Dermatol. 1995;105(4):549-556. DOI: 10.1111/1523-1747.ep12323445
    2. Mukherjee S, Date A, Patravale V, et al. Retinoids in the treatment of skin aging: an overview of clinical efficacy and safety. Clin Interv Aging. 2006;1(4):327-348. DOI: 10.2147/ciia.2006.1.4.327
    3. Kafi R, Kwak HS, Schumacher WE, et al. Improvement of naturally aged skin with vitamin A (retinol). Arch Dermatol. 2007;143(5):606-612. DOI: 10.1001/archderm.143.5.606
    4. Kong R, Cui Y, Fisher GJ, et al. A comparative study of the effects of retinol and retinoic acid on histological, molecular, and clinical properties of human skin. J Cosmet Dermatol. 2016;15(1):49-57. DOI: 10.1111/jocd.12193
    5. Reynolds RV, Yeung H, Cheng CE, et al. Guidelines of care for the management of acne vulgaris. J Am Acad Dermatol. 2024;90(5):1006.e1-1006.e30. DOI: 10.1016/j.jaad.2023.12.017
    6. Weiss JS, Ellis CN, Headington JT, et al. Topical tretinoin improves photoaged skin: a double-blind vehicle-controlled study. JAMA. 1988;259(4):527-532. DOI: 10.1001/jama.1988.03720040019020
    7. Griffiths CE, Kang S, Ellis CN, et al. Two concentrations of topical tretinoin (retinoic acid) cause similar improvement of photoaging but different degrees of irritation: a double-blind, vehicle-controlled comparison of 0.1% and 0.025% tretinoin creams. Arch Dermatol. 1995;131(9):1037-1044. DOI: 10.1001/archderm.1995.01690210067011
    8. Panchaud A, Csajka C, Merlob P, et al. Pregnancy outcome following exposure to topical retinoids: a multicenter prospective study. J Clin Pharmacol. 2012;52(12):1844-1851. DOI: 10.1177/0091270011429566

    Autoria, revisão médica e transparência

    Escrito por Dr. Rubens Pontello Junior · Dermatologista em Londrina–PR · CRM-PR 24.645 | RQE 2.050 · Diretor técnico do Instituto Pontello.

    Revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior — dermatologista (CRM-PR 24.645 | RQE 2.050). Revisado em 30/10/2026.

    Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica.

  • Composição corporal: por que o peso não conta a história toda

    Composição corporal: por que o peso não conta a história toda

    Resposta rápida: composição corporal é a proporção de gordura, músculo, água e ossos no corpo. A balança e o IMC não fazem essa separação. A bioimpedância e o escaneamento corporal 3D estimam essas partes e onde elas estão, o que ajuda a entender o corpo e a indicar tratamentos com mais critério. Segundo o dermatologista Dr. Rubens Pontello Junior, esses números são úteis quando interpretados junto com a avaliação clínica, e não sozinhos.

    Novidade em Londrina: o Instituto Pontello trouxe, com exclusividade na cidade, o Visbody S30, que reúne escaneamento 3D e bioimpedância em uma única avaliação, na Pontello Corpo e Saúde. Conhecer o Visbody S30 →

    Por que o IMC não basta

    O IMC relaciona peso e altura, mas não diferencia gordura de músculo nem mostra onde a gordura está. A gordura acumulada no abdome, especialmente a que envolve os órgãos (visceral), está ligada a maior risco cardiovascular e metabólico, mesmo em quem tem peso normal [3, 4].

    O que a bioimpedância mede

    Uma corrente elétrica muito fraca, imperceptível, passa pelo corpo. Como água e músculo conduzem melhor que gordura, o aparelho estima gordura, massa magra e água [1]. Os aparelhos que usam várias frequências e medem por segmento fazem essa estimativa separada para braços, pernas e tronco.

    O que o escaneamento 3D acrescenta

    Câmeras capturam o formato do corpo e calculam circunferências. A forma do corpo se relaciona com a quantidade e a distribuição da gordura [2], e o modelo 3D facilita comparar mudanças ao longo do tempo.

    Relatório de composição corporal no celular e avatar 3D de um exame de escaneamento 3D com bioimpedância
    Relatório de composição corporal e avatar 3D (imagem ilustrativa do fabricante).

    Balança, fita métrica, bioimpedância, 3D e DXA: o que cada um mostra

    Método O que mostra Limites
    Balança Peso total Não separa gordura, músculo e água
    IMC Relação entre peso e altura Não mostra a composição nem onde a gordura está [3, 4]
    Fita métrica Circunferências, como a da cintura Depende de quem mede e não separa gordura de músculo [4]
    Bioimpedância Estimativa de gordura, massa magra e água, inclusive por segmento Varia com hidratação, refeição, exercício e ciclo menstrual [1]
    Escaneamento 3D Formato do corpo, circunferências e avatar para comparação Estima a composição a partir do formato do corpo [2, 5]
    DXA Exame de referência para composição corporal Feito em serviços de diagnóstico por imagem, com baixa dose de radiação [5]

    Limites que você precisa conhecer

    • São estimativas, não medidas diretas. Comparados ao DXA, exame de referência, os aparelhos podem dar resultados um pouco diferentes [1, 5].
    • Hidratação, refeição recente, exercício e ciclo menstrual alteram a bioimpedância [1].
    • O mais útil é comparar a mesma pessoa, no mesmo aparelho e nas mesmas condições [5].
    • Não é exame diagnóstico: valores fora do esperado pedem avaliação médica.
    • Não é indicado para gestantes nem para quem tem marca-passo ou outros implantes metálicos ou eletrônicos.

    Como esses dados ajudam na indicação de tratamentos corporais

    • Gordura localizada ou pouca massa muscular? Regiões com aspecto parecido podem ter causas diferentes, e o tratamento muda conforme o que predomina.
    • Quando o foco não é só a tecnologia: gordura visceral elevada ou pouca massa muscular indicam que alimentação, atividade física e acompanhamento médico também entram no plano [3, 6].
    • Ponto de partida e acompanhamento: registrar medidas antes e reavaliar ajuda a ajustar o plano. Pequenas mudanças podem ficar dentro da variação do próprio exame, por isso a avaliação clínica continua sendo a referência [5].

    Onde fazer em Londrina

    Em Londrina, o Visbody S30 está disponível com exclusividade no Instituto Pontello, na Pontello Corpo e Saúde, núcleo de cuidados corporais do Instituto. Conhecer o Visbody S30

    Perguntas frequentes

    Bioimpedância é confiável?

    É um método prático e com boa repetibilidade quando feito nas mesmas condições. Como é uma estimativa, serve melhor para acompanhar a evolução do que para dar um número absoluto exato [1, 5].

    Precisa de preparo?

    Em geral, sim: algumas horas sem comer, bexiga vazia, sem exercício intenso e sem álcool na véspera. Siga a orientação de quem vai fazer o exame [1].

    Dói ou tem radiação?

    Não dói, e nem a bioimpedância nem o escaneamento 3D usam radiação.

    Quem não pode fazer?

    Gestantes e pessoas com marca-passo ou outros implantes metálicos ou eletrônicos.

    De quanto em quanto tempo repetir?

    Depende do objetivo e do tratamento; o intervalo é definido na avaliação.

    Leia também: Celulite: por que aparece e quais tratamentos podem melhorar seu aspecto; Exercício físico e pele: o que a ciência mostra.

    Referências científicas

    1. Kyle UG, Bosaeus I, De Lorenzo AD, et al. Bioelectrical impedance analysis — part II: utilization in clinical practice. Clin Nutr. 2004;23(6):1430-53. DOI: 10.1016/j.clnu.2004.09.012
    2. Ng BK, Sommer MJ, Wong MC, et al. Detailed 3-dimensional body shape features predict body composition, blood metabolites, and functional strength: the Shape Up! studies. Am J Clin Nutr. 2019;110(6):1316-26. DOI: 10.1093/ajcn/nqz218
    3. Neeland IJ, Ross R, Després JP, et al. Visceral and ectopic fat, atherosclerosis, and cardiometabolic disease: a position statement. Lancet Diabetes Endocrinol. 2019;7(9):715-25. DOI: 10.1016/S2213-8587(19)30084-1
    4. Ross R, Neeland IJ, Yamashita S, et al. Waist circumference as a vital sign in clinical practice: a consensus statement. Nat Rev Endocrinol. 2020;16(3):177-89. DOI: 10.1038/s41574-019-0310-7
    5. Oliver CJ, Del Vecchio L, Climstein M, Rosic N, Robinson S, Myers S. Precision, least significant change and validity of body composition estimates from bioelectrical impedance analysis, 3D-optical scanning, and dual X-ray absorptiometry. Clin Nutr ESPEN. 2026. DOI: 10.1016/j.clnesp.2026.102959
    6. Donini LM, Busetto L, Bischoff SC, et al. Definition and diagnostic criteria for sarcopenic obesity: ESPEN and EASO consensus statement. Clin Nutr. 2022;41(4):990-1000. DOI: 10.1016/j.clnu.2021.11.014

    Autoria, revisão médica e transparência

    Escrito por Dr. Rubens Pontello Junior · Dermatologista em Londrina–PR · CRM-PR 24.645 | RQE 2.050 · Diretor técnico do Instituto Pontello.

    Revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior — dermatologista (CRM-PR 24.645 | RQE 2.050). Revisado em 30/10/2026.

    Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica.

  • Laser de CO2 fracionado: como funciona, recuperação e indicações

    Tecnologias · Londrina

    Em poucas palavras

    O laser de CO2 fracionado aquece e remove microcolunas de pele, deixando áreas intactas entre elas. Isso estimula a renovação e a produção de colágeno com uma recuperação menor do que a do laser de CO2 tradicional, que remove toda a superfície [1].

    É usado principalmente para cicatrizes de acne, textura irregular, rugas finas e sinais de fotoenvelhecimento [1]. Em peles mais morenas, o risco de manchas após o tratamento é maior e exige parâmetros e cuidados específicos [2][3].

    No Instituto Pontello, o laser de CO2 é feito com a plataforma DuoGlide (DEKA).

    A consulta define se o laser de CO2 faz sentido para o seu caso, qual protocolo e qual recuperação esperar.

    Consultas com o Dr. Rubens Pontello Junior no Instituto Pontello, em Londrina.

    O que é o laser de CO2

    O laser de CO2 emite luz no comprimento de onda de 10.600 nm, que é muito bem absorvida pela água. Como a pele tem muita água, o laser consegue vaporizar camadas finas de tecido com precisão e aquecer a pele logo abaixo [1]. Esse aquecimento controlado estimula a remodelação do colágeno.

    Na dermatologia, ele é usado há décadas tanto para remover lesões elevadas benignas quanto para tratar cicatrizes e rejuvenescer a pele [1].

    Laser de CO2 fracionado e tradicional

    No modo tradicional, o laser remove toda a superfície da área tratada. O resultado pode ser intenso, mas a recuperação é longa e o risco de complicações é maior.

    No modo fracionado, o feixe é dividido em centenas de microfeixes. Eles tratam pequenas colunas de pele e preservam áreas intactas ao redor, que aceleram a cicatrização. Por isso o fracionado ocupa um meio-termo entre os lasers totalmente ablativos e os não ablativos [1].

    Uma série com 665 pacientes latino-americanos mostra a diferença na prática: manchas após o tratamento ocorreram em 30% dos tratados com o modo tradicional e em 11% dos tratados com o fracionado, e os índices aumentaram quanto mais escuro era o fototipo [2].

    Para que é indicado

    • Cicatrizes de acne, sobretudo as atróficas (em depressão) [1]. Veja também o artigo sobre acne e cicatrizes.
    • Textura irregular, poros e rugas finas [1].
    • Sinais de fotoenvelhecimento no rosto e fora dele, como pescoço e colo [1].
    • Outras cicatrizes, conforme a avaliação. Saiba mais em tratamentos para cicatrizes.

    O laser de CO2 não é indicado para tudo. Flacidez acentuada, perda de volume e manchas como o melasma costumam pedir outras abordagens, ou o laser só entra como parte de um plano maior.

    O laser de CO2 no Instituto Pontello

    No Instituto Pontello, o laser de CO2 é feito com a plataforma DuoGlide, da DEKA, que reúne um laser de CO2 (10.600 nm) e um laser não ablativo de 1540 nm. Os dois podem ser usados separadamente ou em sequência. Estudos sobre esse uso sequencial mostram que a combinação amplia a zona de aquecimento sem necessariamente aumentar a profundidade da ablação [4].

    Com essa plataforma, o Dr. Rubens Pontello Junior realiza dois protocolos autorais:

    • CooLaser, com o laser de CO2 aplicado de forma ultrarrápida;
    • Duolaser, que integra o CO2 e o 1540 nm na mesma sessão.

    O Dr. Rubens Pontello Junior realiza o laser de CO2 e, conforme o caso, indica a Dra. Renata Pontello para executar o tratamento. Os dois trabalham em conjunto, e o planejamento fica sob a responsabilidade dele.

    Como é a sessão

    Antes de tudo, a consulta avalia a pele, o histórico de manchas, cicatrizes e herpes, o fototipo e a rotina de exposição ao sol. Se o laser for indicado, o médico define o protocolo, os parâmetros e o preparo da pele.

    No dia, a pele é limpa e recebe anestésico tópico. Durante a aplicação, é comum sentir calor e pequenas picadas. A duração depende do tamanho da área tratada.

    Recuperação

    Nos primeiros dias, é esperado que a pele fique avermelhada, levemente inchada e com aspecto áspero ou de pequenas crostas, que se soltam com a descamação. A intensidade e o tempo variam conforme os parâmetros e a área tratada.

    Na experiência clínica do Dr. Rubens Pontello Junior, a recuperação costuma levar de 1 a 2 dias no CooLaser e de 3 a 4 dias no Duolaser, como detalhado na página da DuoGlide. Protocolos mais intensos exigem mais tempo.

    Nas semanas seguintes, a fotoproteção rigorosa e os cuidados indicados pelo médico são parte do tratamento. É nessa fase que se reduz o risco de manchas.

    Pele morena e melasma

    Peles com fototipos mais altos, comuns no Brasil, têm mais tendência a escurecer depois de uma inflamação. Isso não impede o uso do laser, mas exige parâmetros adequados, preparo e acompanhamento [2][3].

    No melasma, o cuidado é maior: lasers usados de forma agressiva podem piorar as manchas. Quando a pessoa tem melasma e outra queixa que o laser trataria, a decisão é individual. Entenda melhor no artigo sobre tratamento do melasma.

    Riscos e quando adiar

    Entre as complicações descritas estão manchas escuras após a inflamação, vermelhidão prolongada, infecções (incluindo a reativação do herpes) e, raramente, cicatrizes. Em fototipos mais altos, o risco de complicações pigmentares é maior [3]. A maioria pode ser prevenida ou tratada quando a indicação e os cuidados são bem conduzidos.

    Algumas situações pedem que o tratamento seja adiado ou contraindicam o laser, como infecção ativa na área, pele bronzeada recentemente, gestação e o uso de certos medicamentos. Tudo isso é revisado na consulta.

    Quer saber se o laser de CO2 é uma boa opção para a sua pele?

    Consultas com o Dr. Rubens Pontello Junior no Instituto Pontello, em Londrina.

    Perguntas frequentes

    Laser de CO2 dói?

    A aplicação é feita com anestésico tópico. Mesmo assim, é comum sentir calor e pequenas picadas. A sensação varia de pessoa para pessoa e conforme a área e o protocolo.

    Como fica o rosto depois do laser de CO2?

    Nos primeiros dias, a pele costuma ficar vermelha, um pouco inchada e áspera, com pequenas crostas que se soltam na descamação. O tempo de recuperação depende do protocolo e da intensidade.

    Quantas sessões de laser de CO2 são necessárias?

    Depende da indicação e da resposta da pele. Cicatrizes de acne, por exemplo, costumam exigir mais de uma sessão. O número é definido no planejamento.

    Pele morena pode fazer laser de CO2?

    Pode, com cuidados. O risco de manchas após o tratamento é maior em fototipos mais altos, por isso os parâmetros, o preparo e a fotoproteção precisam ser adequados ao tipo de pele [2][3].

    Laser de CO2 trata melasma?

    Não é o tratamento de base do melasma e, usado de forma agressiva, pode piorá-lo. Quando há melasma, a indicação de qualquer laser é avaliada com cautela.

    Posso tomar sol depois do laser de CO2?

    A exposição ao sol deve ser evitada nas semanas seguintes, com fotoproteção rigorosa. Isso reduz o risco de manchas.

    Referências

    1. Omi T, Numano K. The role of the CO2 laser and fractional CO2 laser in dermatology. Laser Ther. 2014;23(1):49-60. DOI: 10.5978/islsm.14-RE-01
    2. Triana L, Cuadros SC, Triana C, Barbato C, Zambrano M. Laser resurfacing for Latin skins: the experience with 665 cases. Aesthetic Plast Surg. 2015;39(4):582-588. DOI: 10.1007/s00266-015-0489-5
    3. Soares I, Amaral IP, Correia MP, Travassos R, Filipe P. Complications of dermatologic lasers in high Fitzpatrick phototypes and management: an updated narrative review. Lasers Med Sci. 2024;39(1):149. DOI: 10.1007/s10103-024-04100-4
    4. Clementi A, Cannarozzo G, Guarino L, Zappia E, Cassalia F, Alma A, et al. Sequential fractional CO2 and 1540/1570 nm lasers: a narrative review of preclinical and clinical evidence. J Clin Med. 2025;14(11):3867. DOI: 10.3390/jcm14113867

    Autoria, revisão médica e transparência

    Autoria: Dr. Rubens Pontello Junior — Dermatologista em Londrina–PR · CRM-PR 24.645 | RQE 2.050 · Diretor técnico do Instituto Pontello.
    Revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior, em 28/10/2026.
    Transparência: as informações sobre causas, evidências e segurança se apoiam nas referências acima. As especificações da plataforma DuoGlide seguem a documentação técnica do fabricante (DEKA). Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação individual.

  • QuantifiCare LifeViz: quando a imagem 3D passa a fazer parte da consulta dermatológica

    QuantifiCare LifeViz: quando a imagem 3D passa a fazer parte da consulta dermatológica

    Por Dr. Rubens Pontello Junior
    Médico dermatologista — CRM-PR 24.645 | RQE 2.050
    Londrina, Paraná

    Olhar uma fotografia de antes e depois parece simples. Mas, quando queremos realmente acompanhar o que mudou no rosto ou na pele ao longo de meses, surge uma questão importante: as duas imagens foram produzidas nas mesmas condições?

    Uma pequena diferença de iluminação, distância, posição da cabeça, expressão ou ângulo pode alterar consideravelmente a percepção.

    É por isso que, em determinadas consultas e acompanhamentos, utilizo o QuantifiCare LifeViz, sistema francês de fotografia médica tridimensional que permite produzir registros padronizados e reconstruções 3D da face.

    Para mim, o principal valor dessa tecnologia não está simplesmente em “ver o rosto em 3D”. Está em criar uma referência. Uma imagem inicial que pode ser analisada hoje e revisitada no futuro, permitindo que médico e paciente comparem diferentes momentos com mais informação e menos dependência da memória.

    Em resumo: o QuantifiCare LifeViz é um sistema de fotografia médica 3D utilizado para produzir imagens padronizadas da face e auxiliar na documentação, análise e comparação ao longo do acompanhamento. Na minha prática, ele funciona como recurso complementar à avaliação dermatológica — não substitui o exame clínico, o diagnóstico ou a indicação médica.

    Antes de pensar no procedimento, precisamos compreender o ponto de partida

    É comum um paciente chegar à consulta já com o nome de um tratamento em mente. XERF, laser, bioestimulador, toxina botulínica, preenchimento ou alguma tecnologia que conheceu por indicação ou pelas redes sociais.

    Mas a minha consulta não começa pelo equipamento. Começa pela avaliação.

    Procuro compreender o que incomoda aquele paciente, o que mudou ao longo dos anos, quais tratamentos já foram realizados e, principalmente, o que encontro ao examiná-lo.

    Quando estamos avaliando envelhecimento facial, por exemplo, diferentes fenômenos podem coexistir: alterações na qualidade da pele, pigmentação, flacidez, perda ou redistribuição de volume, mudanças de contorno e assimetrias que já faziam parte daquele rosto.

    Nem tudo precisa ser tratado. E nem tudo deve ser tratado da mesma maneira.

    É nesse contexto que a documentação por imagem pode acrescentar valor à consulta.

    O que é o QuantifiCare LifeViz?

    O LifeViz é uma família de sistemas de fotografia médica tridimensional desenvolvida pela QuantifiCare, empresa francesa especializada em soluções de imagem utilizadas em dermatologia, medicina estética e pesquisa clínica.

    No sistema facial, fotografias realizadas de maneira padronizada são processadas para produzir uma representação tridimensional da face.

    A tecnologia utiliza recursos próprios para favorecer a reprodutibilidade das imagens. Isso é particularmente importante quando pretendemos comparar registros realizados em visitas diferentes.

    Dependendo dos módulos utilizados, a plataforma permite observar e comparar informações relacionadas à morfologia facial, medidas, contornos, volume e determinadas características da pele.

    O fabricante descreve recursos para avaliação de rugas, poros, oleosidade, uniformidade, vascularização e pigmentação, além de ferramentas para comparação de medidas e alterações volumétricas.

    Mas é importante estabelecer um limite: o software analisa imagens. O médico avalia o paciente. Uma área destacada pelo sistema não representa, isoladamente, um diagnóstico ou uma indicação de tratamento.

    Reconstrução 3D facial pelo sistema QuantifiCare LifeViz, comparando dois registros do mesmo paciente em horários diferentes
    Reconstrução facial 3D no sistema QuantifiCare LifeViz: dois registros do mesmo paciente, padronizados para permitir comparação.

    Por que uma fotografia padronizada é diferente de uma foto comum?

    O “antes e depois” só é confiável quando conseguimos reduzir as variáveis existentes entre as duas fotografias.

    Imagine uma fotografia feita hoje com o rosto discretamente inclinado para baixo e outra, seis meses depois, com o queixo ligeiramente elevado. Ou uma imagem com iluminação frontal e outra com luz lateral.

    A percepção do contorno mandibular, das sombras, da textura e até da profundidade de determinadas linhas pode mudar.

    O LifeViz utiliza recursos destinados a tornar a captura mais reproduzível entre diferentes momentos. Isso não elimina todas as variáveis biológicas e fotográficas, mas cria condições melhores para uma comparação longitudinal do que simplesmente tentar repetir uma fotografia convencional de memória.

    E, na minha visão, essa é uma das partes mais interessantes da tecnologia.

    Como utilizo o LifeViz durante a consulta

    A fotografia 3D não precisa fazer parte de todas as consultas. Ela é utilizada quando considero que o registro pode acrescentar informação à avaliação ou ao acompanhamento.

    Quando há indicação, penso em sua utilização em três momentos.

    1. Registrar

    Primeiro precisamos saber de onde estamos partindo. O registro inicial cria uma referência das características do paciente naquele momento.

    Em uma avaliação facial, podemos estar interessados em aspectos diferentes: pele, contornos, proporções, volume, flacidez ou outras características relevantes para aquele caso.

    A imagem não determina o tratamento. Ela documenta o ponto de partida.

    2. Compreender

    A imagem também pode melhorar a comunicação durante a consulta. Algumas alterações são difíceis de explicar apenas apontando para um espelho.

    Ao observar uma representação tridimensional, conseguimos discutir o rosto por diferentes perspectivas e mostrar ao paciente o que está sendo considerado durante o raciocínio médico.

    Isso muda a conversa. Em vez de a discussão começar com “Qual procedimento eu deveria fazer?”, podemos começar com “O que estamos observando e o que realmente merece ser tratado?” São perguntas muito diferentes.

    3. Acompanhar

    Depois de um tratamento, podemos realizar novos registros quando houver indicação e compará-los com o ponto inicial.

    A plataforma oferece ferramentas para comparar imagens de visitas diferentes, incluindo sobreposição, medidas e avaliação de alterações volumétricas em regiões selecionadas.

    Para tratamentos cuja evolução acontece progressivamente, esse acompanhamento pode ser particularmente interessante.

    Veja a tecnologia sendo utilizada no Instituto Pontello

    A tecnologia ganha sentido quando deixa de ser apenas uma especificação técnica e passa a fazer parte do processo de avaliação.

    No Instituto Pontello, o LifeViz é utilizado como recurso de documentação por imagem em avaliações e acompanhamentos conduzidos pelo Dr. Rubens Pontello Junior, quando clinicamente pertinente.

    ▶ Assista ao vídeo no Instagram do Instituto Pontello

    QuantifiCare LifeViz no Instituto Pontello. A fotografia tridimensional pode integrar a avaliação e o acompanhamento, criando registros padronizados que permitem comparar diferentes momentos do paciente.

    REGISTRAR

    Criar uma referência inicial.

    ANALISAR

    Acrescentar informações visuais à avaliação médica.

    COMPARAR

    Revisitar o registro inicial durante o acompanhamento.

    O antes e depois deixa de depender apenas da memória

    Esse talvez seja um dos pontos que mais valorizo.

    Nós nos vemos todos os dias. Quando uma mudança acontece gradualmente, nossa percepção se adapta a ela. Depois de alguns meses, pode ser difícil lembrar exatamente como determinado contorno ou região se apresentava no início.

    Por isso, em vez de perguntar apenas “Você acha que melhorou?”, podemos voltar ao registro inicial. A comparação deixa de depender exclusivamente da lembrança do paciente ou do médico.

    Isso não significa que toda mudança possa ser reduzida a uma medida. A percepção de resultado envolve anatomia, pele, movimento, expressão, naturalidade e satisfação do próprio paciente. Mas a documentação acrescenta uma referência que antes não existia.

    Imagem 3D e alterações de volume

    O rosto é tridimensional. Uma fotografia convencional transforma essa estrutura em um plano bidimensional.

    Isso é suficiente para inúmeras avaliações dermatológicas, mas pode representar uma limitação quando o que queremos observar envolve forma, projeção ou volume.

    O LifeViz dispõe de ferramentas destinadas à avaliação e comparação volumétrica de áreas selecionadas.

    Esse tipo de aplicação também já foi estudado cientificamente. Pesquisadores compararam diferentes sistemas portáteis de fotografia tridimensional, incluindo o LifeViz Mini, na detecção de pequenas alterações de volume. Os dispositivos avaliados apresentaram, de modo geral, boa acurácia para pequenas mudanças volumétricas, e os autores consideraram as tecnologias portáteis 3D métodos não invasivos, precisos e reprodutíveis para determinados tipos de acompanhamento volumétrico.

    Outros trabalhos avaliaram especificamente a reprodutibilidade de medidas faciais obtidas por estereofotogrametria 3D com LifeViz, encontrando boa confiabilidade para diversas medidas.

    Isso sustenta algo importante: não estamos falando apenas de uma imagem visualmente interessante. Existe aplicação científica da fotografia tridimensional como método de documentação e mensuração.

    Mapa de análise vascular e de pigmentação da pele gerado pelo sistema QuantifiCare LifeViz
    Análise de características da pele (mapa vascular) gerada pelo sistema QuantifiCare LifeViz, comparando dois registros do mesmo paciente.

    O LifeViz também pode avaliar características da pele?

    Dependendo do sistema e dos módulos utilizados, a plataforma dispõe de recursos de análise de características como:

    • rugas;
    • poros;
    • oleosidade;
    • uniformidade;
    • vascularização;
    • pigmentação.

    Essas informações podem complementar a documentação.

    Mas novamente existe uma diferença fundamental entre detectar uma característica em uma imagem e diagnosticar uma condição dermatológica.

    A tecnologia não substitui anamnese, exame físico, dermatoscopia quando necessária ou qualquer outro método diagnóstico indicado. Ela fornece dados de imagem que precisam ser interpretados dentro de um contexto clínico.

    A tecnologia não existe para encontrar “defeitos”

    Esse é um ponto particularmente importante quando trabalhamos com imagens de alta definição, medidas e reconstruções tridimensionais.

    Quanto mais detalhada a tecnologia, maior deve ser o critério de quem a utiliza.

    Todo rosto apresenta assimetrias. Nem toda diferença entre um lado e outro é um problema. Nem toda alteração associada ao envelhecimento precisa ser corrigida. E uma ferramenta capaz de medir alguma coisa não significa que aquilo precise ser modificado.

    A finalidade da avaliação não é criar uma lista de imperfeições. É compreender o paciente.

    Tecnologia também pode ajudar na decisão de não tratar

    Existe uma ideia equivocada de que tecnologias de avaliação servem para encontrar mais procedimentos para fazer. Não deveria ser assim.

    Uma boa avaliação também precisa ser capaz de terminar com: “Isso não precisa ser tratado agora.” Ou: “Existe uma alteração, mas não considero que o benefício de intervir justifique um procedimento neste momento.”

    A presença de uma fotografia 3D não cria indicação médica. Tecnologia só agrega valor quando melhora a qualidade da decisão.

    Simulação não é previsão

    Algumas ferramentas de sistemas tridimensionais permitem simulações visuais. Quando utilizadas, existe uma distinção que o paciente precisa compreender: simular não significa prever.

    Uma representação digital pode ser útil para comunicação e discussão de possibilidades, mas não consegue determinar exatamente como tecidos biológicos responderão a um tratamento. Resultados dependem de anatomia, características individuais, técnica, resposta biológica e outros fatores.

    Por isso, uma simulação nunca deve ser apresentada como garantia de resultado.

    O acompanhamento ao longo do tempo é mais interessante do que uma fotografia isolada

    Talvez o maior potencial da documentação médica esteja na construção de uma linha do tempo.

    Uma fotografia mostra como o paciente estava naquele dia. Uma sequência de registros permite observar uma trajetória.

    Isso pode ser especialmente relevante quando acompanhamos tratamentos que produzem alterações graduais ou quando diferentes estratégias são realizadas ao longo dos anos.

    Podemos voltar ao início e perguntar:

    • o que efetivamente mudou?
    • o que permaneceu igual?
    • como determinado contorno evoluiu?
    • aquela assimetria já estava presente?
    • houve alteração mensurável naquela região?
    • a estratégia atual continua fazendo sentido?

    Nesse momento, a tecnologia deixa de ser apenas uma câmera sofisticada. Ela passa a fazer parte da documentação clínica longitudinal.

    Por que utilizo o QuantifiCare LifeViz na minha prática

    Eu não utilizo fotografia 3D porque acredito que um equipamento seja capaz de substituir experiência clínica.

    Utilizo justamente porque acredito que decisões médicas melhores dependem de informações melhores.

    Durante a consulta, procuro reunir diferentes camadas de informação: história clínica + exame dermatológico + anatomia + experiência médica + documentação por imagem + acompanhamento.

    O LifeViz acrescenta uma dessas camadas. Ele permite registrar um momento de maneira estruturada e cria uma referência que podemos revisitar posteriormente.

    O tratamento continua sendo consequência da avaliação — e não o contrário.

    O LifeViz é uma das tecnologias utilizadas na prática clínica para apoiar a avaliação e o acompanhamento dos pacientes.

    Perguntas frequentes sobre QuantifiCare LifeViz

    O que é o QuantifiCare LifeViz?

    LifeViz é uma família de sistemas de fotografia médica tridimensional desenvolvida pela empresa francesa QuantifiCare. A tecnologia permite produzir imagens padronizadas e reconstruções 3D utilizadas para documentação, visualização, mensuração e comparação ao longo do acompanhamento.

    Para que serve a fotografia 3D facial?

    Ela pode auxiliar na documentação da morfologia facial e na comparação de características entre diferentes momentos. Dependendo do sistema e dos módulos disponíveis, existem recursos relacionados a medidas, contornos, volume e características da pele.

    O LifeViz é utilizado antes ou depois dos procedimentos?

    Pode ser utilizado nos dois momentos. Um registro inicial estabelece uma referência antes do tratamento e novos registros podem ser realizados posteriormente, quando indicados, para acompanhamento e comparação.

    O LifeViz consegue mostrar mudanças de volume?

    O sistema dispõe de ferramentas de avaliação volumétrica de regiões selecionadas. A utilização de sistemas LifeViz para mensuração de alterações de volume também já foi investigada em estudos científicos.

    A QuantifiCare diagnostica doenças de pele?

    Não. A tecnologia é um recurso complementar de imagem. Diagnóstico e indicação terapêutica dependem da avaliação médica.

    A análise 3D é realizada em todas as consultas?

    Não necessariamente. O Dr. Rubens utiliza recursos de imagem quando eles podem acrescentar informação relevante à avaliação ou ao acompanhamento.

    A fotografia 3D substitui fotografias convencionais?

    Não. Fotografias bidimensionais continuam tendo diversas aplicações. A representação tridimensional acrescenta possibilidades especialmente quando forma, contorno, projeção, medidas ou volume são relevantes.

    A QuantifiCare consegue prever o resultado de um procedimento?

    Não. Recursos de simulação, quando utilizados, servem para comunicação e discussão de possibilidades. Não representam previsão ou garantia do resultado clínico.

    Qual é a diferença entre QuantifiCare e uma fotografia feita com celular?

    Uma das diferenças importantes é a padronização. Os sistemas LifeViz possuem recursos destinados à captura reproduzível, permitindo produzir registros mais adequados para comparação entre diferentes visitas.

    Onde o Dr. Rubens Pontello Junior utiliza o LifeViz?

    O Dr. Rubens Pontello Junior utiliza o sistema em seu atendimento no Instituto Pontello, em Londrina, como recurso complementar de documentação, avaliação e acompanhamento quando clinicamente indicado.

    Quando tecnologia realmente melhora uma consulta?

    Para mim, a pergunta mais importante diante de uma nova tecnologia não é: “O que esse equipamento consegue fazer?”

    É: “Essa informação muda ou melhora a maneira como eu avalio, explico ou acompanho este paciente?”

    Quando a resposta é sim, a tecnologia encontra seu lugar.

    É assim que utilizo o QuantifiCare LifeViz. Não como substituto do exame clínico. Não como uma forma de procurar imperfeições. Não como promessa de resultado. Mas como uma ferramenta capaz de registrar melhor o presente para que possamos compreender, no futuro, o que realmente mudou.

    Dr. Rubens Pontello Junior
    Médico dermatologista em Londrina
    CRM-PR 24.645 | RQE 2.050

    Referências

    QuantifiCare. LifeViz Mini — 3D Imaging System for the Face. Documentação técnica oficial do fabricante sobre reconstrução facial 3D, padronização de imagens, medidas, análise da pele e comparação entre visitas.

    QuantifiCare. 3D Photography Systems. Documentação sobre captura reproduzível, padronização e comparação tridimensional longitudinal.

    Hoeffelin H, et al. Portable three-dimensional imaging to monitor small volume enhancement in face, vulva, and hand: A comparative study. Journal of Plastic, Reconstructive & Aesthetic Surgery. 2022. DOI: 10.1016/j.bjps.2022.04.042.

    Inter- and Intra-Operator Reliability of Facial and Dental Measurements Using 3D-Stereophotogrammetry. Journal of Esthetic and Restorative Dentistry. 2016. Estudo de reprodutibilidade de medidas faciais utilizando LifeViz 3D.

    Revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior — CRM-PR 24.645 | RQE 2.050
    Última atualização: setembro de 2026

    Cada indicação parte da avaliação médica individual. Agendar consulta.

  • Cicatrizes: como suavizá-las com tratamentos dermatológicos avançados

    Cicatrizes: como suavizá-las com tratamentos dermatológicos avançados

    Resposta rápida: não é possível fazer uma cicatriz desaparecer por completo, porque ela representa uma reparação definitiva do tecido, diferente da pele original. No entanto, tratamentos como o laser fracionado de CO2, a radiofrequência microagulhada e os bioestimuladores de colágeno conseguem melhorar de forma significativa a textura, a espessura e a cor da cicatriz, tornando-a muito menos perceptível. Quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maior tende a ser a resposta.

    Por que uma cicatriz nunca é igual à pele original

    Quando a pele sofre uma lesão profunda o suficiente para atingir a derme — seja por acne, cirurgia, trauma ou varicela —, o corpo repara essa área com um tecido cicatricial, formado principalmente por colágeno organizado de maneira diferente do colágeno da pele saudável. Esse tecido não possui folículos pilosos, glândulas sebáceas nem a mesma rede de vasos sanguíneos da pele ao redor, o que explica por que uma cicatriz tem textura, brilho e comportamento diferentes da pele normal, mesmo anos depois de formada.

    Corte esquemático da pele comparando a pele saudável com uma cicatriz atrófica, deprimida abaixo do nível da pele, e uma cicatriz hipertrófica, elevada, sem folículos pilosos nem glândulas

    O que a ciência mostra sobre os tratamentos de cicatrizes

    O laser fracionado de CO2 é hoje um dos tratamentos mais estudados para cicatrizes, especialmente as de acne. Revisões sistemáticas mostram melhora consistente na textura e na profundidade das cicatrizes atróficas, com resultados que se acumulam ao longo de várias sessões. A radiofrequência fracionada microagulhada também mostra eficácia comparável ao laser fracionado em diversos estudos comparativos, com a vantagem de ser mais bem tolerada em peles mais escuras, por não depender da mesma quantidade de energia luminosa absorvida pela melanina.

    Além dos lasers, bioestimuladores de colágeno injetáveis podem ser úteis em cicatrizes mais deprimidas, já que estimulam a produção de novo colágeno ao redor da área tratada, ajudando a preencher parcialmente a depressão cicatricial de dentro para fora.

    Fatores que influenciam o resultado do tratamento

    Fator Por que importa
    Tempo de formação da cicatriz Cicatrizes mais recentes (avermelhadas) costumam responder melhor do que cicatrizes antigas e esbranquiçadas.
    Tipo de cicatriz Cicatrizes atróficas (deprimidas), hipertróficas (elevadas) e por acne respondem a combinações diferentes de tratamento.
    Fototipo de pele Peles mais escuras exigem parâmetros de laser mais conservadores para reduzir o risco de manchas pós-inflamatórias.
    Número de sessões A maioria dos protocolos exige de 3 a 6 sessões espaçadas, com melhora progressiva a cada uma.

    O que esperar de um tratamento realista

    Um dos maiores erros na expectativa sobre tratamento de cicatrizes é acreditar que existe uma solução única e definitiva. Na prática, o planejamento costuma combinar mais de uma abordagem — por exemplo, laser fracionado associado a bioestimulador de colágeno — de forma individualizada, considerando o tipo de cicatriz, o fototipo do paciente e o tempo desde a formação da lesão.

    Leia também: Laser de CO2 fracionado: como funciona, recuperação e indicações; Subcisão; Estrias: por que aparecem e quais tratamentos funcionam; Estrias vermelhas: causas, se somem e como tratar.

    Perguntas frequentes sobre tratamento de cicatrizes

    É possível eliminar completamente uma cicatriz?

    Não. Uma cicatriz é tecido cicatricial permanente. O objetivo realista do tratamento é reduzir sua visibilidade, melhorando textura, espessura e uniformidade de cor — e não apagá-la por completo.

    Qual é o melhor tratamento para cicatrizes de acne?

    Depende do tipo de cicatriz. Cicatrizes atróficas costumam responder bem a laser fracionado de CO2 ou radiofrequência microagulhada; cicatrizes hipertróficas podem exigir abordagens diferentes, incluindo infiltração de corticoide. Uma avaliação dermatológica é necessária para definir a estratégia.

    Quantas sessões de laser são necessárias?

    Na maioria dos protocolos, entre 3 e 6 sessões, espaçadas de 4 a 8 semanas, com melhora cumulativa a cada sessão.

    Cicatrizes antigas ainda podem ser tratadas?

    Sim, mas a resposta tende a ser mais lenta e discreta do que em cicatrizes recentes, já que o tecido já está totalmente maduro e menos reativo a estímulos de remodelação.

    O tratamento a laser dói?

    A maioria dos protocolos utiliza anestesia tópica antes do procedimento, tornando o desconforto tolerável para a maioria dos pacientes.

    Referências científicas

    • A systematic review of evaluating the efficacy of acne scar treatment by Fractional Laser. PubMed
    • The efficacy of fractional CO2 laser in acne scar treatment: A meta-analysis. PubMed

    Revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior, dermatologista, CRM-PR 24.645 | RQE 2.050.

  • Lipoglow (Nanofat): o que é, como funciona e para quem é indicado

    Lipoglow (Nanofat): o que é, como funciona e para quem é indicado

    Nos últimos anos, cresceu o interesse por tratamentos que utilizam material do próprio paciente para estimular a renovação da pele. Entre essas técnicas, uma vem ganhando espaço nos consultórios de dermatologia estética: o Lipoglow, nome pelo qual este consultório se refere a um procedimento baseado na técnica de nanofat.

    O que é o Lipoglow (Nanofat)

    O Lipoglow é a forma como este consultório nomeia um procedimento construído sobre a técnica de nanofat. Na prática, pequenas quantidades de gordura são coletadas do próprio paciente, processadas e refinadas até se tornarem uma emulsão concentrada em células de origem adiposa. Essa emulsão é então reintroduzida em camadas superficiais da pele, em vez de ser usada apenas para repor volume, como ocorre nas técnicas tradicionais de enxerto de gordura.

    Como funciona a técnica

    O processo começa com uma pequena coleta de gordura, geralmente realizada em áreas doadoras como abdômen ou flancos, sob anestesia local. Esse material passa por um processo de filtragem e emulsificação que reduz o tamanho das partículas de gordura, concentrando frações ricas em células de potencial regenerativo e eliminando estruturas maiores, que não seriam adequadas para injeção em camadas superficiais. Em seguida, o material processado é aplicado com agulhas finas, distribuído na pele de forma pontual, onde pode favorecer processos relacionados à formação de colágeno e à renovação do tecido cutâneo.

    Infográfico das quatro etapas do Lipoglow: coleta de pequena quantidade de gordura do próprio paciente, filtragem e emulsificação, concentração das frações ricas em células e aplicação com agulhas finas na pele

    Lipoglow não é sinônimo de preenchimento tradicional

    Diferente dos preenchimentos convencionais, que costumam atuar em planos mais profundos para repor volume, o Lipoglow tem como foco principal a qualidade da pele. Por utilizar tecido do próprio paciente, o risco de reação de estranhamento tende a ser baixo, mas isso não dispensa critérios de indicação, técnica adequada e planejamento individualizado. Qualquer procedimento que envolva coleta e reintrodução de tecido exige avaliação médica prévia.

    Tabela comparativa: o preenchimento repõe volume em planos profundos com produto industrializado; o Lipoglow melhora a qualidade da pele em camadas superficiais com tecido do próprio paciente

    Quais alterações podem motivar a indicação

    De forma conservadora, o recurso costuma ser considerado quando a avaliação identifica questões como:

    • perda de viço ou luminosidade da pele
    • textura irregular ou aspecto opaco
    • linhas finas relacionadas ao envelhecimento cutâneo
    • marcas superficiais associadas a cicatrizes ou estrias
    • região dos olhos com aspecto cansado

    Quem não deve realizar o procedimento

    Assim como qualquer procedimento que envolva coleta e reintrodução de tecido, o Lipoglow exige triagem clínica prévia. De forma geral, costuma ser contraindicado para:

    • gestantes e lactantes
    • pessoas com doenças autoimunes ativas
    • pessoas com alterações de coagulação ou em uso de anticoagulantes sem avaliação médica
    • infecções ou inflamações ativas na área a ser tratada
    • doenças oncológicas em atividade

    Duração, recuperação e resultados esperados

    O procedimento costuma durar entre uma e duas horas, o que inclui a coleta, o processamento e a aplicação, geralmente sob anestesia local. Nos dias seguintes, é comum haver algum edema ou hematomas discretos tanto na área doadora quanto na área tratada. Por depender da resposta biológica individual, os resultados costumam se manifestar de forma gradual ao longo das semanas seguintes, e não de maneira imediata.

    O que a literatura científica indica

    A técnica de nanofat vem sendo estudada há alguns anos, com publicações descrevendo seu uso em regeneração cutânea e em cicatrizes. Ainda assim, a produção científica disponível é menor do que a de tratamentos mais consolidados, como os bioestimuladores de colágeno e o preenchimento com ácido hialurônico. Por isso, a nomenclatura, os protocolos de processamento e os critérios de indicação ainda podem variar entre diferentes serviços, o que reforça a importância da avaliação individual antes de qualquer indicação.

    Por que avaliar essa indicação com o Dr. Rubens Pontello Junior

    Como qualquer procedimento que utiliza tecido do próprio paciente, o Lipoglow exige avaliação clínica cuidadosa antes de qualquer indicação. Durante a consulta, o Dr. Rubens Pontello Junior analisa a queixa, o histórico de saúde e as características da pele para definir se esse recurso faz sentido isoladamente ou como parte de um planejamento mais amplo, que pode incluir tratamentos como bioestimuladores de colágeno ou preenchimento com ácido hialurônico. Se você quer entender se o Lipoglow (Nanofat) é indicado para o seu caso, agende uma avaliação com o Dr. Rubens Pontello Junior.

    Perguntas frequentes

    O que é nanofat?

    É uma técnica de processamento de gordura autóloga: o tecido adiposo coletado do próprio paciente é filtrado e emulsificado até reduzir o tamanho das partículas, concentrando frações ricas em células de origem adiposa e eliminando estruturas maiores, de forma a permitir a aplicação em camadas superficiais da pele.

    Lipoglow e nanofat são a mesma coisa?

    Não exatamente. Nanofat é o nome da técnica descrita na literatura científica. Lipoglow é a denominação que este consultório utiliza para o procedimento realizado com base nessa técnica — não é um termo científico nem uma marca estudada de forma independente na literatura.

    De onde vem a gordura utilizada?

    Do próprio paciente (tecido autólogo), coletada geralmente em áreas doadoras como abdômen ou flancos, sob anestesia local.

    Para quais situações o nanofat pode ser considerado?

    De forma conservadora, costuma ser considerado quando a avaliação identifica perda de viço ou luminosidade da pele, textura irregular, linhas finas, marcas superficiais associadas a cicatrizes ou estrias, ou região dos olhos com aspecto cansado — sempre a partir de avaliação médica individual.

    O procedimento substitui preenchimento com ácido hialurônico?

    Não. O preenchimento com ácido hialurônico atua principalmente em planos mais profundos para repor volume, enquanto o Lipoglow (Nanofat) tem como foco a qualidade da pele em camadas mais superficiais. São recursos com propostas diferentes, que podem inclusive ser combinados conforme o planejamento definido em consulta.

    Quanto tempo leva para perceber mudanças?

    Os resultados costumam se manifestar de forma gradual ao longo das semanas seguintes ao procedimento, e não de maneira imediata, já que dependem da resposta biológica individual.

    Existe recuperação após o procedimento?

    Sim. Nos dias seguintes é comum haver algum edema ou hematomas discretos, tanto na área doadora quanto na área tratada, com recuperação gradual.

    Os resultados são permanentes?

    Não é o esperado. A resposta varia de pessoa para pessoa, e a evidência científica disponível sobre a técnica de nanofat sugere que parte dos ganhos observados no curto prazo pode diminuir ao longo do tempo. Por isso, o resultado não deve ser entendido como definitivo ou garantido, e o acompanhamento médico ajuda a avaliar a necessidade de manutenção.

    Referências científicas sobre a técnica de nanofat

    As referências abaixo tratam da técnica de nanofat, tal como estudada na literatura científica — e não do protocolo Lipoglow especificamente, que é a denominação clínica adotada por este consultório e não foi objeto de estudo independente.

    Tonnard P, Verpaele A, Peeters G, Hamdi M, Cornelissen M, Declercq H. Nanofat Grafting: Basic Research and Clinical Applications. Plastic and Reconstructive Surgery. 2013;132(5):1017-1026. doi:10.1097/PRS.0b013e31829fe1b0

    Ramaut L, Moonen L, Geeroms M, Leemans G, Peters E, Forsyth R, Gutermuth J, Hamdi M. Improvement in Early Scar Maturation by Nanofat Infiltration: Histological and Spectrophotometric Preliminary Results From a Split Scar-Controlled, Randomized, Double-Blinded Clinical Trial. Aesthetic Surgery Journal Open Forum. 2024;6:ojae072. doi:10.1093/asjof/ojae072

    Al-sabri G, Alavi S, Alkaabi S, Maningky M, Forouzanfar T, Helder M. The Effectiveness of Nanofat in the Management of Skin Scars: A Systematic Review. Aesthetic Surgery Journal Open Forum. 2025;7:ojaf080. doi:10.1093/asjof/ojaf080

    Bonini S, Fuentes P, Claytor RB. Autologous Nanofat Indications in Wound Healing: A Systematic Review. Biomedicines. 2026;14(6):1215. doi:10.3390/biomedicines14061215

    Autoria, revisão médica e transparência

    Conteúdo médico e revisão: Dr. Rubens Pontello Junior — CRM-PR 24.645 | RQE 2.050 · perfil profissional
    Área de atuação: Dermatologia e Cosmiatria
    Produção editorial: Equipe de Conteúdo do Instituto Pontello, Londrina — Paraná
    Publicado em: 4 de setembro de 2026 · Última revisão editorial: 10 de setembro de 2026
    Próxima revisão programada: setembro de 2027
    Transparência: Lipoglow é a denominação usada por este consultório para um procedimento baseado na técnica de nanofat, oferecido pelo Instituto Pontello — o que representa uma relação direta entre este conteúdo editorial e um serviço comercializado pela clínica. As referências científicas citadas neste artigo dizem respeito à técnica de nanofat estudada na literatura, e não constituem comprovação de resultados específicos do protocolo Lipoglow.

  • Botox e Emoções: O Que a Ciência Diz Sobre os Efeitos da Toxina Botulínica no Humor

    Botox e Emoções: O Que a Ciência Diz Sobre os Efeitos da Toxina Botulínica no Humor

    Quando falamos em toxina botulínica (Botox), a primeira associação costuma ser estética: suavizar rugas, levantar o olhar, promover rejuvenescimento. Nos últimos anos, porém, um número crescente de estudos passou a investigar se essa mesma substância também poderia influenciar o humor.

    Neste artigo, explicamos o que essas pesquisas de fato mostram — e, com a mesma importância, o que elas ainda não permitem afirmar. Desde já, um ponto precisa ficar claro: o uso da toxina botulínica com essa finalidade continua sendo off-label (fora da indicação aprovada pelos órgãos reguladores), não tem aprovação da Anvisa nem do FDA para tratar depressão, e não deve ser considerado substituto de nenhum acompanhamento psiquiátrico ou psicológico estabelecido.

    O que é a toxina botulínica (Botox)?

    O Botox é uma toxina botulínica do tipo A, utilizada em procedimentos médicos e estéticos para relaxar temporariamente a musculatura. Ela age bloqueando a liberação de acetilcolina, um neurotransmissor responsável por contrair os músculos. O resultado é a paralisia controlada de áreas específicas, como a testa ou os olhos, o que ameniza linhas de expressão.

    A teoria da retroalimentação facial

    Uma das bases usadas para investigar a relação entre toxina botulínica e emoções é a teoria da “retroalimentação facial” (facial feedback). Segundo essa teoria, nossas expressões faciais não apenas refletem o que sentimos, mas também podem ajudar a modular nossas emoções: franzir a testa ao se sentir triste ou irritado enviaria um sinal ao cérebro que reforça esse sentimento.

    A partir dessa hipótese, pesquisadores passaram a investigar se bloquear certas expressões com a toxina botulínica poderia, em tese, atenuar esse ciclo de retroalimentação em algumas emoções negativas, como tristeza, ansiedade e raiva. É importante frisar que essa é uma hipótese explicativa entre outras possíveis, e não um mecanismo comprovado de forma definitiva.

    Diagrama do ciclo da hipótese da retroalimentação facial: emoção negativa, expressão de franzir a testa e sinal ao cérebro que reforça o sentimento, com a toxina botulínica interrompendo a expressão; hipótese ainda não comprovada

    O que os estudos sugerem sobre toxina botulínica e humor?

    A evidência disponível até o momento é preliminar e vem de um número relativamente pequeno de estudos. Ela sugere uma possível associação entre a aplicação da toxina botulínica na região glabelar (entre as sobrancelhas) e a redução de sintomas depressivos — o que é diferente de comprovar uma relação de causa e efeito ou de justificar seu uso como tratamento de rotina.

    Um ensaio clínico de fase 2, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, avaliou a aplicação de toxina botulínica onabotulínica A na região glabelar em mulheres adultas com transtorno depressivo maior, encontrando sinais de melhora nos escores de sintomas depressivos em comparação ao grupo placebo. Por ser um estudo de fase 2 — uma etapa inicial de investigação — e por ter incluído apenas mulheres, seus resultados não podem ser generalizados a toda a população nem substituem a confirmação de estudos de fase 3.

    Uma meta-análise publicada em 2022 reuniu sete ensaios clínicos randomizados sobre o tema, com amostras que variaram de 30 a 255 participantes (a maioria mulheres) e períodos de acompanhamento de 6 a 24 semanas. A análise conjunta identificou uma diferença estatisticamente significativa a favor do grupo tratado com toxina botulínica na redução de sintomas depressivos. Os próprios autores, no entanto, fazem uma ressalva importante: não foi possível determinar se o efeito encontrado decorre de um mecanismo biológico direto sobre o humor ou se está relacionado, ao menos em parte, à percepção estética do próprio paciente — e destacam a necessidade de estudos maiores e mais bem controlados para confirmar o achado.

    Uma análise de farmacovigilância baseada em mais de 13 milhões de notificações de eventos adversos do sistema FAERS, da agência regulatória americana (FDA), encontrou uma frequência menor de registros relacionados à depressão entre pacientes que haviam recebido toxina botulínica para diferentes finalidades (estética, enxaqueca, espasticidade, hiperidrose, entre outras), em comparação a pacientes que fizeram outros tratamentos para essas mesmas condições. Por se tratar de dados observacionais de segurança — e não de um ensaio clínico desenhado para testar eficácia antidepressiva —, os próprios autores classificam esse achado como sugestivo de um possível efeito preventivo, não terapêutico, e reforçam que ele não deve ser interpretado como evidência de que a toxina botulínica trata a depressão.

    Em resumo: existem sinais preliminares, oriundos de estudos ainda limitados em número e tamanho de amostra, de que a toxina botulínica pode estar associada a uma redução de sintomas depressivos em parte dos pacientes estudados. Isso é diferente de afirmar que a toxina botulínica é eficaz para tratar depressão, e a evidência atual não justifica tratá-la como alternativa ou substituto das terapias psiquiátricas estabelecidas.

    O uso da toxina botulínica para humor é aprovado pela Anvisa ou pelo FDA?

    Não. As indicações aprovadas para a toxina botulínica tipo A — tanto pela Anvisa, no Brasil, quanto pelo FDA, nos Estados Unidos — envolvem usos estéticos (como linhas de expressão) e um conjunto específico de condições médicas, como blefaroespasmo, estrabismo, hiperidrose, enxaqueca crônica, espasticidade e algumas disfunções da bexiga. O tratamento de depressão ou de outros transtornos do humor não consta entre essas indicações aprovadas.

    Isso significa que, quando a toxina botulínica é aplicada com o objetivo específico de atuar sobre o humor, esse uso é considerado off-label: realizado fora da bula e da indicação regulatória, com base em evidência científica ainda em construção, e que deve ser conduzido exclusivamente por decisão médica, caso a caso.

    A toxina botulínica pode substituir o tratamento psiquiátrico?

    Não. Mesmo nos estudos mais favoráveis, a toxina botulínica foi investigada como um recurso adjunto e experimental, nunca como substituto do acompanhamento psiquiátrico ou psicológico estabelecido. Sintomas depressivos podem ter causas variadas e exigem avaliação individualizada, diagnóstico apropriado e, quando indicado, tratamento com psicoterapia e/ou medicação específica. Interromper, adiar ou substituir esse acompanhamento por um procedimento estético não é respaldado pela evidência científica atual e pode representar um risco à saúde.

    Efeitos colaterais e considerações éticas

    Apesar dos sinais de pesquisa mencionados acima, o uso da toxina botulínica com finalidade emocional ainda é considerado off-label e levanta questões éticas que vão além da eficácia. Bloquear a expressão facial pode ter efeitos sobre a comunicação não verbal e o reconhecimento de emoções — tanto as próprias quanto as de outras pessoas —, um aspecto que a ciência ainda está investigando e que reforça a importância de um uso criterioso, sempre com acompanhamento médico.

    Como qualquer procedimento médico, a toxina botulínica também tem efeitos colaterais possíveis (como assimetria, ptose ou reações no local da aplicação) e contraindicações que precisam ser avaliadas individualmente por um profissional habilitado.

    Aviso médico

    Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui consulta, exame físico ou diagnóstico médico ou psiquiátrico. As informações aqui apresentadas não devem ser usadas para autodiagnóstico de depressão, ansiedade ou qualquer outra condição de saúde mental.

    Este conteúdo não deve orientar o início, a suspensão ou a troca de qualquer tratamento psiquiátrico ou psicológico. Procedimentos estéticos, incluindo a toxina botulínica, não devem ser buscados como substitutos de tratamento em saúde mental. Se você ou alguém próximo apresenta sintomas persistentes de tristeza, desânimo ou perda de interesse pela vida, procure avaliação de um médico psiquiatra ou psicólogo.

    Perguntas frequentes

    A toxina botulínica é aprovada para tratar depressão?

    Não. Nem a Anvisa nem o FDA aprovaram a toxina botulínica para essa finalidade. As indicações aprovadas são estéticas e um conjunto específico de condições médicas, como blefaroespasmo, enxaqueca crônica e hiperidrose. O uso voltado ao humor é off-label.

    Existem estudos sobre toxina botulínica e humor?

    Sim. Existe um número ainda limitado de ensaios clínicos e uma meta-análise que investigaram a aplicação de toxina botulínica na região glabelar e sua possível associação com a redução de sintomas depressivos, além de uma análise de dados de farmacovigilância. Os resultados são preliminares e não substituem estudos maiores e de fases mais avançadas.

    A toxina botulínica pode substituir antidepressivos ou psicoterapia?

    Não. Em nenhum dos estudos disponíveis a toxina botulínica foi testada ou indicada como substituto de antidepressivos, psicoterapia ou outras formas estabelecidas de tratamento psiquiátrico. Ela foi investigada apenas como um recurso adjunto experimental.

    Por que alguns estudos investigam essa relação?

    Porque a teoria da retroalimentação facial sugere que expressões faciais podem influenciar a experiência emocional, e porque uma parcela relevante dos pacientes com depressão não responde satisfatoriamente aos tratamentos disponíveis atualmente. Isso motiva a pesquisa por alternativas complementares, ainda em fase de investigação.

    Quem tem depressão pode fazer toxina botulínica por motivo estético?

    Em geral, sim, desde que avaliado individualmente por um médico, já que a aplicação estética de toxina botulínica não é, em si, contraindicada para quem tem depressão. O ponto de atenção é outro: a aplicação não deve ser buscada como tratamento da depressão, nem substituir o acompanhamento psiquiátrico ou psicológico em curso.

    Autoria, revisão médica e transparência

    • Conteúdo médico e revisão: Dr. Rubens Pontello Junior — CRM-PR 24.645 | RQE 2.050 · perfil profissional
    • Área de atuação: Dermatologia e Cosmiatria
    • Produção editorial: Equipe de Conteúdo do Instituto Pontello, Londrina — Paraná
    • Publicado em: 31 de agosto de 2026 · Última revisão médica: 10 de setembro de 2026
    • Próxima revisão programada: setembro de 2027
    • Conflitos de interesse: não há conflito de interesse a declarar em relação aos produtos, medicamentos e tecnologias citados neste conteúdo.

    Referências científicas

    1. Söderkvist S, Ohlén K, Dimberg U. How the Experience of Emotion is Modulated by Facial Feedback. Journal of Nonverbal Behavior. 2017;42(1):129–151. doi:10.1007/s10919-017-0264-1
    2. Brin MF, Durgam S, Lum A, et al. OnabotulinumtoxinA for the treatment of major depressive disorder: a phase 2 randomized, double-blind, placebo-controlled trial in adult females. International Clinical Psychopharmacology. 2020;35(1):19–28. doi:10.1097/YIC.0000000000000290
    3. Costa ACF, Silva EC, Gondim DV. Botulinum Toxin in Facial Aesthetics Affects the Emotion Process: A Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. Clinical Psychopharmacology and Neuroscience. 2022;20(4):600–608. doi:10.9758/cpn.2022.20.4.600
    4. Makunts T, Wollmer MA, Abagyan R. Postmarketing safety surveillance data reveals antidepressant effects of botulinum toxin across various indications and injection sites. Scientific Reports. 2020;10:12851. doi:10.1038/s41598-020-69773-7
  • Laser de picossegundos: como funciona, para que serve e quais são as diferenças entre os lasers

    Laser de picossegundos: como funciona, para que serve e quais são as diferenças entre os lasers

    Laser de picossegundos: como funciona, para que serve e quais são as diferenças entre os lasers

    O laser de picossegundos utiliza pulsos de energia extremamente curtos, medidos em trilionésimos de segundo. Essa característica permite concentrar energia em intervalos muito breves e produzir um importante efeito fotoacústico, capaz de atuar sobre determinados pigmentos da pele e partículas de tinta de tatuagem.

    Entretanto, a velocidade do pulso não determina, sozinha, a qualidade ou a indicação de um laser. O comprimento de onda, o alvo que se pretende atingir, a quantidade de energia, o modo de aplicação e as características da pele também influenciam a escolha do tratamento.

    Por isso, afirmar que um laser de picossegundos é simplesmente “melhor” do que outros lasers seria uma simplificação. Na Dermatologia, diferentes tecnologias podem cumprir funções diferentes.

    O que é o laser de picossegundos?

    O laser de picossegundos é uma tecnologia capaz de emitir energia em pulsos ultracurtos. Um picossegundo corresponde a um trilionésimo de segundo, ou seja, 0,000000000001 segundo.

    Como a energia chega ao tecido em um intervalo tão pequeno, o laser pode produzir um efeito fotomecânico ou fotoacústico relevante. Em termos simples, esse efeito ajuda a fragmentar determinados pigmentos em partículas menores.

    Esse mecanismo explica por que os lasers de picossegundos ganharam espaço principalmente no tratamento de tatuagens e algumas alterações pigmentares. Além disso, configurações específicas podem ser utilizadas para outras finalidades dermatológicas, como cicatrizes de acne e melhora de determinadas características da pele.

    Em poucas palavras: picossegundo não é o nome de um tratamento. É uma medida de tempo que descreve a duração extremamente curta de determinados pulsos emitidos pelo equipamento.

    Para que serve o laser de picossegundos?

    As aplicações do laser de picossegundos dependem do equipamento, do comprimento de onda disponível e da forma como a energia é entregue à pele. Portanto, dois aparelhos classificados como lasers de picossegundos não necessariamente possuem as mesmas indicações.

    Entre as aplicações estudadas na Dermatologia estão:

    • remoção ou clareamento de tatuagens;
    • tratamento de determinadas lesões pigmentadas benignas;
    • tratamento de algumas hiperpigmentações;
    • abordagens selecionadas para melasma;
    • tratamento de cicatrizes de acne com modalidades específicas;
    • melhora de textura e sinais de fotoenvelhecimento em protocolos selecionados.

    No entanto, a indicação precisa começar pelo diagnóstico. Uma mancha, por exemplo, pode ter diferentes causas. Além disso, doenças como o melasma exigem uma abordagem mais complexa do que simplesmente escolher um equipamento para remover pigmento.

    O laser de picossegundos é melhor que outros lasers?

    Não existe um tipo de laser que seja o melhor para todas as situações. O laser de picossegundos apresenta características interessantes para determinados alvos, sobretudo pigmentos. Porém, outros lasers podem ser mais apropriados quando o objetivo envolve resurfacing, remodelamento dérmico, estímulo de colágeno ou outros componentes da pele.

    Essa diferença ajuda a entender por que uma clínica pode utilizar várias plataformas de laser sem que uma necessariamente substitua a outra.

    No Instituto Pontello, em Londrina, diferentes tecnologias a laser permitem trabalhar com mecanismos distintos. O portfólio inclui plataformas como TORO, Fotona StarWalker, DuoGlide, Etherea e RedTouch. A escolha entre elas deve considerar o diagnóstico, o fototipo, a profundidade do alvo e o objetivo do tratamento.

    Ao longo deste artigo, vamos explicar como os picossegundos funcionam, em quais situações podem ser utilizados e como se diferenciam de outras tecnologias. Também vamos abordar suas limitações, riscos e o que a ciência realmente demonstra sobre suas principais indicações.

    Como funciona o laser de picossegundos?

    O laser de picossegundos libera energia em pulsos extremamente curtos. Como essa energia chega ao alvo em um intervalo muito pequeno, ela pode produzir um efeito fotomecânico ou fotoacústico importante. Esse mecanismo tem especial interesse quando o objetivo é atingir pigmentos.

    Para entender essa diferença, é útil comparar dois efeitos que podem ocorrer durante um tratamento a laser: o efeito fototérmico e o efeito fotoacústico.

    No efeito fototérmico, a energia luminosa absorvida pelo alvo se transforma principalmente em calor. Já no efeito fotoacústico, a entrega muito rápida de energia gera alterações mecânicas que contribuem para fragmentar estruturas pigmentadas.

    Na prática, esses fenômenos não precisam ocorrer de maneira totalmente isolada. A interação entre laser e tecido depende de vários fatores, como duração do pulso, comprimento de onda, energia utilizada, tamanho do ponto e características do alvo.

    Por que a duração do pulso do laser de picossegundos importa?

    A duração do pulso indica por quanto tempo o laser entrega energia ao tecido em cada disparo. Quanto menor esse intervalo, mais rapidamente a energia chega ao alvo.

    Um picossegundo corresponde a 10-12 segundo. Para comparação, um nanossegundo corresponde a 10-9 segundo. Portanto, um pulso de picossegundos pode ser muito mais curto do que um pulso medido em nanossegundos.

    Essa diferença é especialmente relevante quando o alvo contém pigmentos, como ocorre em determinadas lesões pigmentadas e nas partículas de tinta das tatuagens. Pulsos ultracurtos podem gerar alta pressão sobre essas estruturas e favorecer sua fragmentação.

    Depois disso, o organismo participa do processo de remoção das partículas fragmentadas. Por esse motivo, o resultado não acontece necessariamente no momento do disparo. A resposta ocorre progressivamente e pode exigir mais de uma sessão, conforme a indicação.

    O comprimento de onda também influencia o resultado do laser de picossegundos?

    Sim. A duração do pulso é apenas uma parte da equação. O comprimento de onda determina, entre outros fatores, quais estruturas absorvem melhor a energia e qual será o comportamento dessa luz ao atravessar a pele.

    Na Dermatologia, estruturas capazes de absorver seletivamente determinadas faixas de luz são chamadas de cromóforos. A melanina, a hemoglobina, a água e os pigmentos presentes em tatuagens são exemplos de alvos que podem interagir de maneiras diferentes com determinados comprimentos de onda.

    Por isso, dois lasers capazes de trabalhar com pulsos muito curtos podem apresentar comportamentos e aplicações diferentes. Além da duração do pulso, o médico precisa considerar o comprimento de onda, a profundidade do alvo, a quantidade e o tipo de pigmento, o fototipo e os parâmetros utilizados.

    Em resumo: dizer apenas que um equipamento trabalha em picossegundos não é suficiente para definir sua indicação. É necessário entender qual comprimento de onda será utilizado, qual estrutura será atingida e como aquela energia será entregue ao tecido.

    Um pulso mais rápido significa um laser melhor?

    Não necessariamente. Pulsos mais curtos podem oferecer vantagens para determinados alvos, mas isso não transforma o laser de picossegundos em uma tecnologia superior para todos os tratamentos dermatológicos.

    Quando o objetivo envolve pigmentos ou partículas de tatuagem, por exemplo, o efeito fotoacústico pode ser particularmente útil. Em contrapartida, tratamentos que dependem de coagulação, aquecimento controlado, ablação ou remodelamento térmico podem exigir outras formas de interação entre energia e tecido.

    Além disso, a tecnologia não substitui o diagnóstico. Antes de escolher um laser para uma mancha, é necessário identificar sua origem. Da mesma forma, tratar cicatrizes, textura, fotoenvelhecimento ou melasma exige avaliar diferentes componentes da pele e não apenas selecionar o equipamento com o pulso mais curto.

    Essa distinção é importante porque evita uma ideia comum, porém incorreta: a de que a tecnologia mais nova necessariamente substitui as anteriores. Na Dermatologia, lasers diferentes podem ser complementares porque atuam por mecanismos diferentes e sobre alvos diferentes.

    Quais são as principais indicações do laser de picossegundos?

    O laser de picossegundos ganhou espaço inicialmente na remoção de tatuagens. Com o avanço das plataformas e das formas de entrega de energia, os estudos passaram a avaliar outras aplicações, como lesões pigmentadas benignas, cicatrizes de acne, fotoenvelhecimento e melasma.

    Entretanto, essas indicações não possuem o mesmo nível de evidência. Além disso, os resultados variam conforme o comprimento de onda, os parâmetros utilizados, o tipo de pele e o problema que será tratado.

    Indicação Como o laser pode atuar O que sabemos atualmente
    Remoção de tatuagens Fragmentação das partículas de pigmento Uma das aplicações mais consolidadas dos picossegundos
    Lesões pigmentadas benignas Ação seletiva sobre determinados pigmentos Há evidências favoráveis para indicações selecionadas
    Cicatrizes de acne Modalidades fracionadas podem estimular remodelamento da pele Estudos mostram resultados promissores, mas não superioridade universal sobre outros lasers fracionados
    Fotoenvelhecimento e textura Modalidades específicas podem induzir remodelamento cutâneo Existem estudos favoráveis, porém a indicação depende do objetivo e da plataforma
    Melasma Pode atuar sobre componentes pigmentares da doença Os resultados são heterogêneos e não justificam considerar o picossegundo uma solução universal para melasma

    Laser de picossegundos para remoção de tatuagem

    A remoção de tatuagens está entre as aplicações mais estudadas do laser de picossegundos. Nesse tratamento, a energia atinge as partículas de tinta e favorece sua fragmentação. Em seguida, o organismo participa gradualmente da eliminação dessas partículas.

    A cor da tatuagem faz diferença. Isso ocorre porque pigmentos diferentes absorvem comprimentos de onda distintos. Portanto, não basta considerar apenas a duração do pulso. A combinação entre comprimento de onda e cor do pigmento também influencia a resposta.

    Uma revisão sistemática que comparou tecnologias para remoção de tatuagens encontrou resultados favoráveis tanto para lasers Q-Switched quanto para picossegundos em pigmentos pretos. Entretanto, os picossegundos apresentaram vantagem em alguns pigmentos coloridos, especialmente azul, verde e amarelo.

    Mesmo assim, nenhuma tecnologia permite prever a remoção completa de todas as tatuagens. Cor, composição da tinta, profundidade do pigmento, quantidade de tinta, fototipo e características individuais interferem no número de sessões e no resultado.

    Laser de picossegundos para manchas na pele

    O laser de picossegundos para manchas pode ter indicação em algumas alterações pigmentares benignas. Nesse contexto, o objetivo é direcionar energia para estruturas que contêm pigmento e reduzir sua presença sem tratar indiscriminadamente toda a pele.

    Antes do procedimento, porém, o diagnóstico da mancha é fundamental. Sardas, lentigos solares, hiperpigmentação pós-inflamatória e melasma, por exemplo, possuem mecanismos diferentes. Consequentemente, também podem exigir estratégias diferentes.

    Nem toda mancha deve ser tratada com laser. Além disso, uma lesão pigmentada sem diagnóstico adequado não deve receber tratamento apenas porque incomoda esteticamente. Quando existe dúvida sobre a natureza da lesão, a avaliação dermatológica vem antes da escolha da tecnologia.

    Laser de picossegundos para cicatrizes de acne

    Alguns equipamentos permitem utilizar o laser de picossegundos de forma fracionada. Nessa modalidade, a interação da energia com o tecido pode desencadear processos de remodelamento, o que explica o interesse dessa tecnologia no tratamento de cicatrizes atróficas de acne.

    Uma metanálise que comparou lasers fracionados de picossegundos com outros lasers fracionados encontrou melhora clínica semelhante das cicatrizes atróficas de acne. Por outro lado, os estudos analisados observaram menor incidência de hiperpigmentação pós-inflamatória e menores escores de dor com os picossegundos.

    Isso não significa que o laser de picossegundos seja sempre a melhor escolha para cicatriz de acne. Existem diferentes tipos de cicatriz, como ice pick, boxcar e rolling. Muitas vezes, o tratamento exige combinar técnicas que atuam em componentes distintos da cicatriz.

    Laser de picossegundos para rejuvenescimento e textura da pele

    Além dos pigmentos, modalidades específicas de picossegundos vêm sendo estudadas para melhorar textura, sinais de fotodano e algumas características relacionadas ao envelhecimento da pele.

    Nesses casos, o objetivo não é simplesmente destruir pigmentos. Dependendo da tecnologia, a entrega fracionada da energia pode provocar alterações microscópicas no tecido e iniciar uma resposta de remodelamento cutâneo.

    No entanto, o termo “rejuvenescimento” engloba problemas muito diferentes. Rugas, manchas, flacidez, perda de volume e alterações de textura não possuem a mesma origem. Por esse motivo, nenhum laser consegue tratar sozinho todos os componentes do envelhecimento facial.

    Laser de picossegundos funciona para melasma?

    O laser de picossegundos pode fazer parte do tratamento de pacientes selecionados com melasma, mas não representa uma solução definitiva para a doença. O melasma é uma condição crônica e complexa, na qual o pigmento constitui apenas uma parte do problema.

    Os estudos sobre picossegundos e melasma apresentam resultados heterogêneos. Uma metanálise publicada em 2023 encontrou redução dos índices de gravidade em determinados estudos, com resultados mais favoráveis para algumas configurações de 1064 nm. Entretanto, os próprios autores identificaram heterogeneidade relevante entre os trabalhos.

    Dados mais recentes reforçam a necessidade de cautela. Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2026 avaliou diferentes terapias a laser para melasma e não encontrou superioridade estatisticamente significativa dos lasers de picossegundos sobre os grupos de comparação. Além disso, os autores classificaram a certeza global das evidências como muito baixa.

    Portanto, a presença de uma tecnologia de picossegundos não transforma o melasma em uma doença simples de tratar. Fotoproteção, tratamentos tópicos, características individuais, fatores desencadeantes e risco de recorrência continuam relevantes na definição da estratégia terapêutica.

    Importante: pessoas com maior predisposição à hiperpigmentação pós-inflamatória exigem atenção especial. Qualquer procedimento que provoque inflamação na pele pode, em determinadas circunstâncias, causar ou agravar alterações de pigmentação.

    Laser de picossegundos ou outros lasers: qual é a diferença?

    O laser de picossegundos não substitui todos os outros tipos de laser. Na verdade, cada tecnologia pode produzir uma interação diferente com a pele. Por isso, a escolha depende principalmente do alvo que o dermatologista pretende tratar.

    Enquanto alguns lasers têm maior aplicação sobre pigmentos, outros promovem aquecimento, coagulação, ablação ou remodelamento das estruturas cutâneas. Além disso, o comprimento de onda e a duração do pulso influenciam a profundidade e a forma como a energia interage com o tecido.

    Consequentemente, comparar lasers apenas pela velocidade do pulso ou pela data de lançamento do equipamento pode levar a conclusões erradas. Uma tecnologia mais recente não é, necessariamente, a mais adequada para todos os objetivos.

    Qual a diferença entre laser de picossegundos e Q-Switched?

    Os lasers Q-Switched e os lasers de picossegundos conseguem entregar grande quantidade de energia em intervalos muito curtos. Por esse motivo, ambos podem ter aplicações relacionadas a pigmentos e tatuagens, dependendo do equipamento e do comprimento de onda utilizado.

    A principal diferença está na duração dos pulsos. Tradicionalmente, os sistemas Q-Switched trabalham com pulsos medidos em nanossegundos. Já os sistemas de picossegundos conseguem entregar determinados pulsos em uma escala ainda menor.

    Essa redução do tempo pode aumentar a participação do efeito fotoacústico sobre determinados alvos. No entanto, isso não significa que todos os tratamentos realizados em picossegundos serão superiores aos realizados em nanossegundos.

    Na remoção de tatuagens, por exemplo, os picossegundos apresentam vantagens em algumas situações. Ainda assim, a resposta depende da cor e da composição da tinta, do comprimento de onda utilizado, da profundidade do pigmento e das características individuais da pele.

    Em resumo: Q-Switched e picossegundos não devem ser entendidos como uma tecnologia “ruim” e outra “boa”. São formas diferentes de entregar energia, com possibilidades que podem se sobrepor em algumas indicações.

    Qual a diferença entre laser de picossegundos e laser de CO2?

    O laser de picossegundos e o laser de CO2 possuem mecanismos bastante diferentes. Por isso, não faz sentido comparar os dois apenas para decidir qual deles é melhor.

    O laser de CO2 possui forte interação com a água presente nos tecidos. Dependendo dos parâmetros e da forma de aplicação, ele pode promover ablação controlada e efeitos térmicos nas estruturas adjacentes. Essas características explicam seu uso em procedimentos de resurfacing e em outras indicações dermatológicas.

    Por outro lado, o laser de picossegundos ganhou destaque pela capacidade de produzir efeitos fotoacústicos relevantes, sobretudo quando o alvo envolve pigmentos. Além disso, algumas plataformas permitem formas fracionadas de aplicação para outras finalidades.

    Assim, um paciente que apresenta principalmente alterações de textura pode exigir uma estratégia diferente daquela indicada para uma pessoa que deseja remover uma tatuagem. Da mesma forma, manchas, cicatrizes e sinais de envelhecimento precisam de diagnóstico antes da escolha do equipamento.

    Característica Laser de picossegundos Q-Switched Laser de CO2
    Duração característica dos pulsos Escala de picossegundos em modos específicos Tradicionalmente na escala de nanossegundos Varia conforme a plataforma e a configuração
    Interação de destaque Importante componente fotoacústico Componentes fotoacústico e fototérmico conforme os parâmetros Ablação e efeito térmico por absorção da energia pela água
    Aplicações frequentes Pigmentos, tatuagens e outras indicações específicas Pigmentos e tatuagens, entre outras aplicações Resurfacing, textura, cicatrizes e outras indicações
    Substitui os demais? Não Não Não

    Laser de picossegundos ou laser para estimular colágeno?

    Essa comparação também exige cautela. “Estimular colágeno” não descreve um único mecanismo de tratamento. Diferentes lasers podem iniciar processos de remodelamento dérmico por caminhos distintos.

    Algumas tecnologias promovem aquecimento controlado da derme, camada localizada abaixo da epiderme. A resposta biológica desencadeada por esse estímulo pode favorecer a remodelação do colágeno ao longo do tempo.

    Certos sistemas de picossegundos, por sua vez, utilizam modos fracionados capazes de gerar alterações microscópicas no tecido. Estudos investigam essa abordagem para textura, cicatrizes e fotoenvelhecimento. Entretanto, a indicação depende das características específicas do equipamento e do objetivo clínico.

    Portanto, não é correto concluir que todo laser de picossegundos estimula colágeno da mesma maneira ou que ele substitui tecnologias desenvolvidas para remodelamento dérmico.

    Qual é o melhor laser para manchas?

    Não existe um único laser considerado o melhor para todas as manchas. Antes de escolher a tecnologia, o dermatologista precisa identificar qual alteração está causando a pigmentação.

    Um lentigo solar, por exemplo, não representa o mesmo processo biológico que o melasma. A hiperpigmentação pós-inflamatória também possui características próprias. Além disso, algumas lesões pigmentadas precisam de investigação diagnóstica antes de qualquer tratamento estético.

    Depois do diagnóstico, outros fatores entram na decisão. Entre eles estão o fototipo, a localização e a profundidade do pigmento, o risco de hiperpigmentação pós-inflamatória, tratamentos anteriores e características individuais da pele.

    Por esse motivo, possuir várias tecnologias pode ampliar as possibilidades terapêuticas, mas o número de equipamentos não substitui o raciocínio médico. O ponto central continua sendo escolher a interação entre luz e tecido mais adequada para aquele diagnóstico.

    Por que diferentes lasers podem ser complementares?

    Lasers diferentes podem ser complementares porque não atuam necessariamente sobre os mesmos alvos. Enquanto uma tecnologia pode ter características adequadas para pigmentos, outra pode oferecer maior utilidade para resurfacing ou remodelamento dérmico.

    Além disso, um mesmo paciente pode apresentar alterações diferentes ao mesmo tempo. Fotoenvelhecimento, por exemplo, pode envolver pigmentação irregular, mudanças de textura e alterações na qualidade da pele. Tratar todos esses componentes como um único problema reduz a precisão do planejamento.

    Essa lógica também explica por que a chegada de uma nova tecnologia não torna automaticamente os equipamentos anteriores obsoletos. Em Dermatologia, a tecnologia deve acompanhar o diagnóstico, e não determinar o diagnóstico.

    Laser de picossegundos em Londrina: como o TORO amplia as possibilidades de tratamento?

    A chegada do laser de picossegundos TORO a Londrina amplia as possibilidades de tratamento disponíveis no Instituto Pontello. A plataforma acrescenta novas formas de trabalhar com pigmentos e outras indicações específicas. Entretanto, sua incorporação não torna os demais lasers desnecessários.

    Isso acontece porque diferentes equipamentos produzem interações distintas com a pele. Portanto, a escolha não deve começar pelo nome da tecnologia. Primeiro, o dermatologista identifica o problema e define qual estrutura precisa ser atingida. Depois, seleciona o laser e os parâmetros mais adequados para aquele objetivo.

    Além do TORO, outras tecnologias podem fazer parte do planejamento dermatológico do Dr. Rubens Pontello Junior, entre elas Fotona StarWalker, DuoGlide, Etherea e RedTouch. Cada tecnologia possui características próprias e pode ocupar uma função diferente no planejamento dermatológico.

    Como funciona o laser de picossegundos TORO?

    O TORO é uma plataforma que combina diferentes comprimentos de onda e durações de pulso. Dessa forma, o equipamento não deve ser definido apenas pela expressão “laser de picossegundos”.

    Entre suas características técnicas, o sistema reúne emissões de 532 nm e 1064 nm com Nd:YAG em modo Q-Switched e uma emissão de 785 nm com Ti:Sapphire em modo picosegundo. Essa combinação amplia as possibilidades de interação com diferentes pigmentos.

    Na prática, a presença de vários comprimentos de onda é relevante porque pigmentos diferentes não absorvem a luz da mesma maneira. Por isso, a escolha do comprimento de onda precisa considerar o alvo que será tratado, além do fototipo e de outras características individuais.

    Importante: ter mais comprimentos de onda não significa que o TORO seja automaticamente indicado para qualquer mancha ou tatuagem. O diagnóstico e a seleção correta dos parâmetros continuam sendo fundamentais.

    Qual a diferença entre TORO e Fotona StarWalker?

    O TORO e o Fotona StarWalker apresentam possibilidades relacionadas ao tratamento de pigmentos, mas não são equipamentos idênticos. As plataformas utilizam configurações próprias de comprimentos de onda, duração de pulsos e formas de entrega da energia.

    O Fotona StarWalker é uma plataforma baseada em tecnologia Q-Switched, com diferentes modalidades de emissão. Por isso, possui aplicações dermatológicas relacionadas a pigmentos e tatuagens, além de outras possibilidades que dependem da configuração utilizada.

    Já o TORO acrescenta ao arsenal do Instituto Pontello uma emissão específica de 785 nm em picossegundos, além de outras emissões disponíveis na plataforma.

    Consequentemente, a chegada do TORO não deve ser interpretada como a substituição do StarWalker. Dependendo do pigmento, do diagnóstico e do objetivo terapêutico, características de uma plataforma podem ser mais interessantes do que as da outra.

    Qual a diferença entre o laser e o DuoGlide?

    O DuoGlide pertence a uma categoria bastante diferente. A plataforma utiliza laser de CO2, que possui forte interação com a água presente nos tecidos.

    Essa característica permite promover ablação controlada e efeitos térmicos. Assim, o DuoGlide pode ser utilizado em estratégias que envolvem resurfacing, alterações de textura, cicatrizes e outras indicações dermatológicas definidas após avaliação.

    O laser de picossegundos, por outro lado, apresenta uma interação particularmente relevante com pigmentos por meio do componente fotoacústico. Portanto, comparar TORO e DuoGlide como tecnologias concorrentes seria inadequado.

    Em determinadas situações, inclusive, tecnologias com mecanismos diferentes podem fazer parte de um mesmo planejamento. Nesse caso, cada uma deve atuar sobre um componente específico do problema.

    Onde o RedTouch entra entre os diferentes tipos de laser?

    O RedTouch acrescenta outro mecanismo ao conjunto de lasers. Seu objetivo principal não é fragmentar pigmentos ou promover um resurfacing ablativo como o laser de CO2.

    Essa tecnologia trabalha com um comprimento de onda de 675 nm e tem como uma de suas principais aplicações o remodelamento dérmico. Assim, o RedTouch ocupa uma posição diferente das plataformas voltadas predominantemente para pigmentos.

    Essa distinção é importante porque “rejuvenescimento” não representa um único diagnóstico. Uma pessoa pode apresentar alterações de pigmentação, textura, qualidade dérmica e outras mudanças relacionadas ao envelhecimento. Portanto, diferentes componentes podem exigir estratégias distintas.

    Qual é o papel do Etherea entre os lasers dermatológicos?

    O Etherea é uma plataforma dermatológica que permite trabalhar com diferentes tecnologias e aplicações conforme a configuração e as ponteiras disponíveis no equipamento.

    Por esse motivo, não seria correto resumir o Etherea a uma única função. Sua indicação depende da tecnologia utilizada dentro da plataforma, do alvo que será tratado e dos parâmetros selecionados.

    No contexto do arsenal de lasers, essa versatilidade acrescenta possibilidades para diferentes alterações dermatológicas. Ainda assim, a existência de várias opções aumenta a importância do diagnóstico, em vez de diminuir essa necessidade.

    Como escolher entre laser de picossegundos, CO2 e outros lasers?

    A escolha do laser deve partir do diagnóstico e do objetivo do tratamento. O equipamento vem depois. Essa ordem evita indicar uma tecnologia apenas porque ela é nova ou porque apresenta determinadas características técnicas.

    Durante a avaliação, alguns dos fatores que podem influenciar essa decisão incluem:

    • diagnóstico da alteração que será tratada;
    • estrutura ou cromóforo que precisa ser atingido;
    • profundidade do alvo;
    • fototipo do paciente;
    • risco de hiperpigmentação pós-inflamatória;
    • tratamentos realizados anteriormente;
    • tempo de recuperação aceitável;
    • benefícios e limitações de cada tecnologia.
    Plataforma Característica que ajuda a diferenciá-la Possíveis objetivos dentro de um planejamento
    TORO Combina diferentes comprimentos de onda e inclui emissão de 785 nm em picossegundos Pigmentos e outras indicações compatíveis com suas diferentes configurações
    Fotona StarWalker Plataforma com tecnologia Q-Switched e diferentes modalidades de emissão Pigmentos, tatuagens e outras aplicações conforme a configuração
    DuoGlide Laser de CO2 com interação predominante com a água Resurfacing, textura, cicatrizes e outras indicações selecionadas
    RedTouch Laser de 675 nm voltado ao remodelamento dérmico Qualidade da pele e estímulo de remodelamento em pacientes selecionados
    Etherea Plataforma com diferentes tecnologias e possibilidades de configuração Aplicações variáveis conforme a tecnologia utilizada

    Em resumo: o TORO acrescenta a tecnologia de picossegundos ao conjunto de lasers disponíveis no Instituto Pontello, mas não elimina a função dos demais equipamentos. TORO, StarWalker, DuoGlide, Etherea e RedTouch apresentam características diferentes e podem responder a objetivos distintos.

    Para o Dr. Rubens Pontello Junior, médico dermatologista (CRM-PR 24.645 | RQE 2.050), a definição do tratamento deve considerar o diagnóstico e as características individuais do paciente antes da escolha da tecnologia. Dessa forma, o equipamento funciona como uma ferramenta dentro do planejamento médico, e não como o ponto de partida da indicação.

    Esse laser é seguro?

    O laser de picossegundos pode apresentar um bom perfil de segurança quando existe indicação adequada e o procedimento utiliza parâmetros compatíveis com o diagnóstico, o fototipo e o alvo tratado. No entanto, nenhum tratamento a laser é isento de riscos.

    A segurança depende de vários fatores. Entre eles estão o comprimento de onda, a energia utilizada, o tamanho do ponto, a área tratada, o número de disparos e as características individuais da pele. Além disso, a experiência do profissional e o diagnóstico correto influenciam diretamente o planejamento.

    Por esse motivo, uma configuração segura para determinado paciente pode não ser adequada para outro. Pessoas com maior quantidade de melanina na pele, por exemplo, exigem atenção especial na escolha dos parâmetros, pois a melanina também pode absorver parte da energia luminosa.

    Quais são os efeitos colaterais do laser?

    Os efeitos após o procedimento variam conforme a indicação e os parâmetros utilizados. Em alguns tratamentos, a pele apresenta apenas vermelhidão e sensibilidade transitórias. Em outros, podem ocorrer edema, formação de pequenas crostas ou alterações temporárias da pigmentação.

    Entre as reações e complicações possíveis estão:

    • vermelhidão;
    • inchaço;
    • sensibilidade ou desconforto na área tratada;
    • formação de crostas ou pequenas alterações superficiais;
    • escurecimento temporário da pele;
    • clareamento indesejado da pigmentação;
    • hiperpigmentação pós-inflamatória;
    • alterações persistentes da pigmentação em situações menos frequentes;
    • cicatrizes, embora sejam menos comuns quando existe indicação adequada e uso correto da tecnologia.

    A probabilidade de cada efeito adverso não é igual para todos os pacientes. O risco muda conforme o procedimento realizado, o fototipo, a região tratada e os parâmetros escolhidos.

    Importante: a possibilidade de hiperpigmentação pós-inflamatória merece atenção especial em pacientes predispostos. Essa alteração ocorre quando um processo inflamatório estimula o aumento da pigmentação da pele após o procedimento.

    Como é a recuperação após o laser de picossegundos?

    Não existe um único tempo de recuperação para todos os tratamentos com picossegundos. A resposta da pele depende da indicação, do equipamento, da forma de aplicação e da intensidade utilizada.

    Procedimentos direcionados a pigmentos podem produzir vermelhidão, edema ou alterações temporárias na região. Já algumas modalidades fracionadas podem gerar uma resposta cutânea diferente. Por isso, prometer que todo tratamento com picossegundos apresenta recuperação imediata seria incorreto.

    Além disso, o resultado biológico pode continuar evoluindo depois que os sinais visíveis do procedimento desaparecem. Na remoção de tatuagens, por exemplo, a fragmentação do pigmento representa apenas uma etapa. Posteriormente, o organismo participa da eliminação gradual dessas partículas.

    Quantas sessões de laser de picossegundos são necessárias?

    O número de sessões varia de acordo com o problema tratado e não pode ser definido apenas pelo equipamento utilizado. Uma tatuagem, uma lesão pigmentada e uma cicatriz de acne possuem características completamente diferentes.

    No caso das tatuagens, fatores como cor, composição e quantidade da tinta, profundidade do pigmento e tratamentos anteriores podem alterar a resposta. Já nas alterações pigmentares da pele, o diagnóstico e a profundidade do pigmento também influenciam o planejamento.

    Além disso, aumentar a intensidade do tratamento com o objetivo de reduzir o número de sessões nem sempre representa uma estratégia mais adequada. Parâmetros excessivamente agressivos podem aumentar a inflamação e o risco de eventos adversos.

    Por isso, a estimativa do número de sessões deve ocorrer após avaliação individual. Mesmo assim, a resposta biológica varia e impede a garantia de um número exato de procedimentos ou de um resultado específico.

    O laser de picossegundos dói?

    A percepção de dor varia entre os pacientes e também depende da área, da indicação e dos parâmetros utilizados. Algumas pessoas descrevem os disparos como pequenas picadas ou sensação de impacto sobre a pele.

    Em determinados procedimentos, o médico pode utilizar estratégias para aumentar o conforto. A necessidade dessas medidas depende do tratamento planejado e da sensibilidade individual.

    Portanto, não é adequado classificar o laser de picossegundos como um procedimento sempre indolor. Da mesma forma, a intensidade do desconforto não deve ser usada como medida da eficácia do tratamento.

    Quem pode não ser um bom candidato ao laser de picossegundos?

    A indicação depende do diagnóstico e das condições da pele no momento da avaliação. Em algumas situações, o dermatologista pode optar por adiar o procedimento, ajustar os parâmetros ou escolher outra estratégia.

    Condições que podem exigir atenção especial incluem:

    • infecção ou inflamação ativa na área que será tratada;
    • lesões pigmentadas ainda sem diagnóstico;
    • bronzeamento recente ou exposição solar intensa, dependendo do tratamento;
    • histórico de alterações importantes de pigmentação após inflamações;
    • uso de medicamentos ou presença de condições que interfiram na cicatrização ou na resposta da pele;
    • expectativas incompatíveis com as possibilidades reais do procedimento.

    Essa lista não substitui uma avaliação médica e também não representa todas as possíveis contraindicações. O tipo de tratamento planejado pode acrescentar cuidados específicos.

    Quais cuidados são importantes antes e depois do laser de picossegundos?

    Os cuidados precisam acompanhar o tipo de procedimento realizado. Entretanto, a proteção contra a radiação solar costuma ter papel importante nos tratamentos dermatológicos que envolvem pigmentação.

    Antes da sessão, o médico deve conhecer tratamentos recentes, medicamentos em uso, histórico de alterações de pigmentação e outros procedimentos realizados na região. Essas informações ajudam a avaliar riscos e a definir os parâmetros.

    Depois do tratamento, o paciente deve seguir as orientações específicas para sua pele e para a indicação realizada. Além disso, não deve remover crostas ou manipular áreas sensibilizadas quando elas surgirem.

    Fotoproteção, cuidado com a barreira cutânea e acompanhamento da resposta também podem fazer parte das orientações. No entanto, o protocolo varia conforme a intensidade e o objetivo do procedimento.

    Pele negra pode fazer laser de picossegundos?

    Pessoas com pele negra podem receber tratamentos com laser de picossegundos em indicações selecionadas, mas o fototipo precisa fazer parte do planejamento. Quanto maior a quantidade de melanina epidérmica, maior pode ser a interação entre determinados comprimentos de onda e o pigmento natural da pele.

    Consequentemente, a seleção do comprimento de onda, dos parâmetros e da indicação ganha ainda mais importância. O risco de hiperpigmentação ou hipopigmentação também precisa ser considerado.

    Isso não significa que peles de fototipos altos não possam receber tratamentos a laser. Significa que segurança não depende apenas do nome do equipamento. Ela depende da combinação entre tecnologia, parâmetros, diagnóstico e características individuais.

    Por que a avaliação médica é importante antes do laser de picossegundos?

    Uma mesma aparência pode ter causas diferentes. Por exemplo, aquilo que o paciente identifica apenas como “mancha” pode corresponder a melasma, lentigo solar, hiperpigmentação pós-inflamatória ou outra alteração que exige uma abordagem distinta.

    Por isso, o primeiro objetivo da consulta não deve ser escolher entre TORO, StarWalker ou qualquer outro equipamento. O primeiro passo consiste em definir o diagnóstico e entender qual estrutura precisa ser tratada.

    Depois dessa avaliação, o dermatologista pode decidir se o laser de picossegundos faz sentido ou se outra tecnologia oferece uma estratégia mais coerente. Em alguns casos, inclusive, o melhor planejamento pode não envolver laser.

    Essa abordagem também reduz o risco de transformar uma característica tecnológica em indicação médica. O equipamento oferece possibilidades; o diagnóstico define quando utilizá-las.

    Perguntas frequentes sobre laser de picossegundos

    O que é laser de picossegundos?

    O laser de picossegundos é uma tecnologia capaz de emitir determinados pulsos de energia em intervalos extremamente curtos, medidos em trilionésimos de segundo. Essa forma de entrega pode produzir um importante efeito fotoacústico, especialmente útil quando o tratamento envolve determinados pigmentos. Entretanto, a indicação também depende do comprimento de onda, dos parâmetros e do alvo que será tratado.

    Para que serve o laser de picossegundos?

    Os lasers de picossegundos possuem aplicações principalmente relacionadas a tatuagens e determinadas alterações pigmentares. Além disso, modalidades específicas vêm sendo utilizadas ou estudadas para cicatrizes de acne, textura, fotoenvelhecimento e melasma. A qualidade das evidências, porém, não é igual para todas essas indicações.

    Laser de picossegundos tira manchas?

    Algumas manchas e lesões pigmentadas benignas podem responder ao tratamento com picossegundos. No entanto, “mancha” não representa um único diagnóstico. Lentigos solares, melasma e hiperpigmentação pós-inflamatória, por exemplo, possuem mecanismos diferentes. Por isso, o dermatologista precisa identificar a causa antes de indicar o laser.

    Laser de picossegundos funciona para melasma?

    O laser de picossegundos pode integrar o tratamento de pacientes selecionados com melasma, mas não representa uma solução definitiva para a doença. Os estudos apresentam resultados heterogêneos, e evidências recentes não demonstram superioridade consistente sobre outras abordagens. Como o melasma é uma condição crônica e multifatorial, o tratamento costuma exigir uma estratégia mais ampla.

    O laser de picossegundos remove tatuagem completamente?

    Não é possível garantir a remoção completa de uma tatuagem. A resposta depende da cor, da composição e da profundidade da tinta, além da quantidade de pigmento, dos comprimentos de onda disponíveis e das características individuais da pele. Por isso, algumas tatuagens respondem melhor do que outras.

    Qual a diferença entre picossegundos e nanossegundos?

    Um nanossegundo corresponde a 10-9 segundo, enquanto um picossegundo corresponde a 10-12 segundo. Portanto, os pulsos medidos em picossegundos podem ser muito mais curtos. Essa diferença modifica a interação da energia com determinados alvos, mas não significa que picossegundos sejam superiores em todas as aplicações dermatológicas.

    Qual a diferença entre laser de picossegundos e Q-Switched?

    A diferença mais conhecida envolve a duração do pulso. Tradicionalmente, lasers Q-Switched trabalham com pulsos na escala de nanossegundos, enquanto equipamentos de picossegundos conseguem emitir determinados pulsos em uma escala ainda menor. Apesar disso, as duas tecnologias podem apresentar aplicações sobre pigmentos e tatuagens, conforme o comprimento de onda e a configuração utilizada.

    Laser de picossegundos é melhor que laser de CO2?

    Não. Picossegundos e CO2 possuem mecanismos e objetivos diferentes. O laser de CO2 apresenta forte interação com a água e pode promover ablação e efeitos térmicos controlados. Já os picossegundos possuem importante componente fotoacústico e ganharam destaque principalmente em aplicações relacionadas a pigmentos. A escolha depende do problema que precisa ser tratado.

    Qual é o melhor laser para manchas no rosto?

    Não existe um único laser considerado o melhor para todas as manchas. Primeiro, é necessário identificar a origem da pigmentação. Em seguida, fatores como fototipo, profundidade do pigmento, risco de hiperpigmentação e características individuais ajudam a definir se existe indicação de laser e qual tecnologia pode ser utilizada.

    Quantas sessões de laser de picossegundos são necessárias?

    Não existe um número padrão de sessões. A quantidade varia conforme a indicação, as características do alvo e a resposta individual. Tatuagens, manchas e cicatrizes, por exemplo, exigem planejamentos diferentes. Portanto, uma estimativa mais adequada depende da avaliação de cada caso.

    O que é o laser TORO?

    O TORO é uma plataforma dermatológica que combina diferentes comprimentos de onda e durações de pulso. Entre suas características, o equipamento reúne emissões de 532 nm e 1064 nm com Nd:YAG em modo Q-Switched e uma emissão de 785 nm com Ti:Sapphire em modo picosegundo. Dessa forma, a plataforma oferece diferentes possibilidades para atingir pigmentos específicos, conforme a indicação e os parâmetros escolhidos.

    Onde encontrar laser de picossegundos em Londrina?

    O Instituto Pontello, em Londrina, incorporou o laser TORO ao seu conjunto de tecnologias dermatológicas. Além dele, a clínica dispõe de outras plataformas a laser, como Fotona StarWalker, DuoGlide, Etherea e RedTouch. Como esses equipamentos possuem mecanismos diferentes, a escolha deve partir do diagnóstico e do objetivo do tratamento, e não apenas da tecnologia disponível.

    Laser de picossegundos: tecnologia não substitui diagnóstico

    O desenvolvimento dos lasers de picossegundos ampliou as possibilidades da Dermatologia, sobretudo em tratamentos que envolvem pigmentos e tatuagens. Além disso, novas formas de aplicação vêm sendo estudadas para cicatrizes, textura e outras alterações da pele.

    Entretanto, a duração ultracurta do pulso não torna essa tecnologia superior a todos os outros lasers. Comprimento de onda, diagnóstico, fototipo, profundidade do alvo e parâmetros utilizados continuam influenciando a segurança e a resposta ao tratamento.

    A chegada do TORO ao Instituto Pontello amplia o arsenal de lasers disponível em Londrina. Ao mesmo tempo, plataformas como StarWalker, DuoGlide, Etherea e RedTouch continuam exercendo funções diferentes. Assim, uma tecnologia não precisa substituir a outra para acrescentar novas possibilidades ao planejamento dermatológico.

    Mais importante do que escolher o equipamento mais recente é compreender qual estrutura precisa ser tratada e qual interação entre laser e tecido faz sentido para aquele objetivo. Em alguns pacientes, a resposta pode estar nos picossegundos. Em outros, outro tipo de laser ou até uma estratégia que não envolva laser pode ser mais apropriada.

    Por isso, uma avaliação dermatológica individualizada permite definir o diagnóstico, analisar benefícios e limitações e escolher a estratégia mais adequada para cada pele.


    Revisão médica

    Este conteúdo foi elaborado e/ou revisado pelo Dr. Rubens Pontello Junior, médico dermatologista (CRM-PR 24.645 | RQE 2.050), diretor técnico do Instituto Pontello. As informações têm caráter educativo e não substituem uma consulta médica individualizada.

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    O Vitacid é um medicamento dermatológico à base de tretinoína, um derivado da vitamina A utilizado há décadas no tratamento da acne, dos sinais do fotoenvelhecimento e, em situações específicas, como parte do tratamento de algumas alterações da pigmentação da pele, como o melasma.

    Apesar de sua popularidade, o Vitacid ainda é cercado por dúvidas. Muitas pessoas acreditam que ele serve apenas para “tirar espinhas” ou “eliminar rugas”, enquanto outras iniciam o tratamento por conta própria após verem recomendações nas redes sociais. Na prática, trata-se de um medicamento potente, capaz de promover benefícios importantes quando bem indicado, mas também de causar irritação, descamação e outros efeitos adversos quando utilizado sem orientação médica.

    Mais do que aprender a aplicar o produto, é fundamental compreender como a tretinoína funciona, para quem ela pode ser indicada, quais são suas limitações e por que o tratamento deve ser individualizado. A mesma concentração que funciona bem para uma pessoa pode ser excessivamente irritante para outra, e nem toda condição da pele se beneficia do seu uso.

    Neste guia, revisado pelo Dr. Rubens Pontello Junior, médico dermatologista (CRM-PR 24.645 | RQE 2.050), você encontrará uma visão abrangente sobre a tretinoína, baseada nas evidências científicas atuais e na prática da Dermatologia moderna.


    Em poucas palavras

    Se você procura uma resposta rápida, estes são os principais pontos sobre o Vitacid:

    Pergunta Resposta rápida
    O que é o Vitacid? Um medicamento tópico que contém tretinoína, um derivado da vitamina A.
    Para que serve? É utilizado principalmente no tratamento da acne, do fotoenvelhecimento e, em situações específicas, como parte do tratamento do melasma.
    É um cosmético? Não. O Vitacid é um medicamento e deve ser utilizado com orientação médica.
    Precisa de receita? Sim. A tretinoína é um medicamento sujeito à prescrição médica.
    Pode ser usado por qualquer pessoa? Não. A indicação depende da avaliação da pele, da condição tratada e das características individuais do paciente.

    O que você vai aprender neste artigo

    Ao longo deste guia, você entenderá:

    • o que é a tretinoína e como ela atua na pele;
    • quais são as principais indicações do Vitacid;
    • como esse medicamento contribui para o tratamento da acne, do fotoenvelhecimento e de algumas alterações da pigmentação;
    • quais benefícios realmente são esperados e quais resultados costumam ser superestimados;
    • quais são os possíveis efeitos adversos e como eles podem ser manejados;
    • as diferenças entre as concentrações disponíveis;
    • como a tretinoína se compara a outros retinoides utilizados na Dermatologia;
    • os principais mitos e verdades sobre esse medicamento.

    O que é o Vitacid?

    O Vitacid é o nome comercial de um medicamento cujo princípio ativo é a tretinoína, também conhecida como ácido retinoico. A tretinoína pertence ao grupo dos retinoides, medicamentos derivados da vitamina A que exercem efeitos profundos sobre o funcionamento da pele.

    Ao contrário de produtos cosméticos voltados apenas para hidratação ou renovação superficial, a tretinoína modifica processos biológicos importantes da pele. Ela influencia a renovação das células da epiderme, regula a formação de comedões (cravos), estimula a produção de colágeno e contribui para reduzir parte das alterações provocadas pelo envelhecimento e pela exposição crônica ao sol.

    Por esse motivo, a tretinoína é considerada um dos medicamentos tópicos mais estudados da Dermatologia, com décadas de utilização clínica e um amplo conjunto de evidências científicas para diferentes indicações.

    Vídeo relacionado: Dr. Rubens Pontello Junior explica se Vitanol-A e Vitacid são a mesma coisa (Instagram).

    Importante: embora seja frequentemente lembrado como um creme para acne ou rugas, o Vitacid é um medicamento de prescrição. A indicação, a concentração e a frequência de uso devem ser individualizadas conforme a avaliação dermatológica.


    Vitacid e tretinoína são a mesma coisa?

    Na prática, sim. Tretinoína é o nome da substância ativa, enquanto Vitacid é uma das marcas comerciais que utilizam esse princípio ativo.

    Isso significa que diferentes fabricantes podem produzir medicamentos contendo tretinoína, desde que atendam às exigências regulatórias. Assim, embora o nome comercial possa variar, o mecanismo de ação da substância permanece o mesmo.

    Além da tretinoína, existem outros retinoides utilizados na Dermatologia, como o adapaleno, o tazaroteno, o retinol e o retinal. Apesar de pertencerem à mesma família, eles apresentam diferenças importantes em potência, estabilidade, indicação clínica e potencial de irritação. Essas diferenças serão discutidas mais adiante neste artigo.


    Para que serve o Vitacid?

    O Vitacid pode fazer parte do tratamento de diferentes condições dermatológicas porque a tretinoína atua em vários processos da pele ao mesmo tempo. Entretanto, isso não significa que o medicamento tenha a mesma indicação para todas as pessoas. Pelo contrário, o dermatologista precisa considerar o diagnóstico, o tipo de pele, a sensibilidade individual e os demais tratamentos em uso antes de decidir se a tretinoína faz sentido.

    Além disso, a qualidade das evidências não é igual para todas as indicações. Para acne e fotoenvelhecimento, por exemplo, a literatura científica oferece suporte consistente. Em outras situações, como o melasma, a tretinoína costuma exercer um papel complementar dentro de uma estratégia mais ampla.

    Condição Papel da tretinoína Força geral da evidência
    Acne Reduz a formação de microcomedões e ajuda a prevenir novas lesões. Robusta
    Fotoenvelhecimento Favorece a renovação epidérmica e estimula remodelação do colágeno. Robusta
    Rugas finas Pode suavizar alterações superficiais relacionadas ao dano solar ao longo do tempo. Robusta para fotoenvelhecimento
    Textura irregular Pode melhorar gradualmente a uniformidade e a aparência da superfície da pele. Moderada a robusta, conforme o contexto
    Melasma Pode integrar tratamentos combinados e favorecer a renovação da pele pigmentada. Moderada como parte de estratégias terapêuticas
    Outras manchas Depende da causa da pigmentação e do diagnóstico correto. Variável

    Importante: uma mancha não deve receber tratamento apenas porque parece semelhante a outra. Antes de indicar o Vitacid ou qualquer outro medicamento clareador, o dermatologista precisa identificar a causa da pigmentação.


    Vitacid para acne: por que a tretinoína pode ajudar?

    A acne representa uma das indicações clássicas da tretinoína. Nesse caso, o medicamento atua principalmente na formação dos microcomedões, pequenas obstruções do folículo que surgem antes mesmo de muitos cravos e espinhas se tornarem visíveis.

    Normalmente, células mortas deixam o folículo de forma organizada. Na acne, porém, alterações na queratinização favorecem o acúmulo dessas células e de sebo. Como resultado, o poro pode obstruir e formar um comedão.

    A tretinoína ajuda a normalizar esse processo. Consequentemente, ela reduz a formação de novas obstruções e contribui para prevenir novas lesões acneicas.

    Entretanto, a acne não possui uma única causa. Inflamação, produção de sebo, fatores hormonais e características individuais também participam do problema. Por isso, o Vitacid pode fazer parte do tratamento sem necessariamente representar toda a estratégia terapêutica.

    Em alguns pacientes, o dermatologista associa a tretinoína a outros medicamentos. Em outros, pode optar por outro retinoide ou por uma abordagem completamente diferente. Portanto, o diagnóstico e a gravidade da acne orientam a escolha.


    Vitacid ajuda no envelhecimento da pele?

    Sim. A tretinoína apresenta algumas das evidências mais consistentes entre os tratamentos tópicos para o fotoenvelhecimento, termo usado para descrever alterações provocadas principalmente pela exposição crônica à radiação ultravioleta.

    Com o passar dos anos, a exposição solar altera a organização do colágeno, modifica fibras elásticas e provoca mudanças na pigmentação e na textura da pele. Além disso, mecanismos celulares relacionados à degradação do colágeno tornam-se mais ativos.

    A tretinoína atua em parte desses processos. Entre outros efeitos, ela estimula a síntese de colágeno e influencia enzimas envolvidas na degradação da matriz dérmica. Dessa forma, o uso adequado e contínuo pode melhorar gradualmente alguns sinais de fotoenvelhecimento.

    Os benefícios aparecem principalmente em:

    • rugas finas;
    • textura irregular;
    • aspereza da pele;
    • algumas alterações superficiais de pigmentação;
    • aspecto geral da pele fotoenvelhecida.

    No entanto, existe uma diferença importante entre melhorar a qualidade da pele e corrigir todas as manifestações do envelhecimento facial. O Vitacid não repõe volume, não reposiciona tecidos e não trata de forma relevante a flacidez estrutural.

    Por isso, uma pessoa com perda de sustentação facial, alterações musculares ou perda de volume pode precisar de outras estratégias. Nesses casos, o tratamento tópico pode melhorar a pele, enquanto procedimentos médicos abordam outras estruturas responsáveis pelo envelhecimento.


    Vitacid realmente estimula colágeno?

    Sim. A capacidade da tretinoína de influenciar o metabolismo do colágeno está bem documentada, especialmente no contexto do fotoenvelhecimento.

    Na derme, os fibroblastos produzem componentes importantes da matriz extracelular, incluindo colágeno. Com o envelhecimento e, principalmente, com a exposição solar acumulada, a produção e a organização dessas fibras se alteram.

    A tretinoína pode estimular processos relacionados à síntese de novo colágeno. Ao mesmo tempo, ela interfere em mecanismos que favorecem sua degradação. Como consequência, tratamentos prolongados podem produzir remodelação gradual da derme.

    Entretanto, esse efeito não transforma um medicamento tópico em substituto para todos os tratamentos de flacidez. A espessura da pele, o tecido subcutâneo, os ligamentos, os músculos e a estrutura óssea também influenciam a aparência do rosto.

    Em outras palavras: a tretinoína pode melhorar a qualidade biológica da pele e estimular colágeno, mas não realiza um efeito de lifting e não corrige sozinha as alterações estruturais do envelhecimento facial.


    Vitacid pode melhorar manchas?

    A resposta depende da mancha. A tretinoína aumenta a renovação epidérmica e pode favorecer uma distribuição mais uniforme do pigmento. Por esse motivo, ela participa do tratamento de algumas alterações de pigmentação.

    Entretanto, usar o Vitacid como um “clareador universal” seria um erro. Sardas, melasma, lentigos solares, hiperpigmentação pós-inflamatória e outras manchas apresentam mecanismos diferentes. Além disso, algumas lesões pigmentadas precisam de diagnóstico médico antes de qualquer tentativa de clareamento.

    Consequentemente, o tratamento depende da origem da alteração. Em alguns casos, a tretinoína possui um papel relevante. Em outros, o dermatologista pode indicar fotoproteção, outros medicamentos tópicos, tratamentos orais, peelings ou tecnologias.


    Vitacid pode fazer parte do tratamento do melasma?

    Sim, mas essa afirmação exige contexto. O melasma é uma condição pigmentária complexa e não depende apenas do excesso superficial de melanina.

    A tretinoína pode ajudar porque aumenta a renovação da epiderme e influencia a distribuição do pigmento. Além disso, ela aparece em algumas combinações terapêuticas clássicas utilizadas contra o melasma.

    Por outro lado, a irritação excessiva pode aumentar a inflamação da pele. Em pessoas predispostas, esse processo pode favorecer hiperpigmentação e dificultar o controle do próprio melasma.

    Portanto, mais produto, maior concentração ou maior descamação não significam necessariamente melhor tratamento. Pelo contrário, preservar a barreira cutânea e controlar a inflamação também fazem parte da estratégia.

    É justamente nesse ponto que a avaliação médica ganha importância: dois pacientes com melasma aparentemente semelhante podem receber orientações diferentes porque apresentam sensibilidades, fototipos, histórico de tratamentos e padrões de pigmentação distintos.


    Vitacid melhora rugas profundas e flacidez?

    A tretinoína pode melhorar rugas finas relacionadas ao fotoenvelhecimento. Entretanto, seus limites precisam ficar claros.

    Rugas profundas resultam de vários fatores. Entre eles estão perda de colágeno, movimentos musculares repetitivos, alterações ósseas, redução dos compartimentos de gordura e mudanças nos tecidos de sustentação facial.

    Da mesma forma, a flacidez envolve estruturas que um medicamento tópico não consegue modificar de maneira suficiente.

    Assim, o Vitacid pode contribuir para melhorar a qualidade da pele, mas não substitui tratamentos destinados especificamente à movimentação muscular, perda de volume ou frouxidão dos tecidos.

    Essa distinção evita uma expectativa comum, porém equivocada: acreditar que todo sinal de envelhecimento melhora apenas com um bom creme. Na Dermatologia, diferentes alterações exigem diferentes estratégias.


    Então, para quem o Vitacid é indicado?

    Não existe uma resposta única. O dermatologista pode considerar a tretinoína para pacientes com acne, sinais de fotoenvelhecimento e determinadas alterações de pigmentação, entre outras situações específicas.

    Entretanto, a indicação depende de fatores como:

    • diagnóstico dermatológico;
    • objetivo do tratamento;
    • tipo e sensibilidade da pele;
    • idade e características individuais;
    • estado da barreira cutânea;
    • presença de outras doenças dermatológicas;
    • medicamentos e cosméticos utilizados simultaneamente;
    • histórico de irritação ou alergias;
    • gestação ou possibilidade de gestação;
    • capacidade de manter fotoproteção adequada.

    Por isso, a pergunta mais útil não é simplesmente “Vitacid é bom?”. A pergunta correta é: existe indicação de tretinoína para esta pele, neste momento e para este objetivo?

    A resposta depende de avaliação individual. Além disso, quando o dermatologista decide utilizar tretinoína, ainda precisa escolher a formulação, a concentração e a estratégia capazes de equilibrar eficácia e tolerabilidade.


    Quais benefícios podem ser esperados do Vitacid?

    Os benefícios do Vitacid dependem principalmente do motivo pelo qual o dermatologista indicou a tretinoína. Portanto, não existe um único resultado esperado para todos os pacientes.

    Na acne, por exemplo, os retinoides tópicos ajudam a desobstruir os folículos e a reduzir a formação de novas lesões. Já no fotoenvelhecimento, a tretinoína atua sobre alterações da epiderme e da derme e pode melhorar, de forma gradual, sinais como rugas finas, textura irregular e pigmentação heterogênea.

    Além disso, a resposta não acontece de maneira imediata. Como a tretinoína modifica processos celulares e promove remodelação progressiva da pele, alguns benefícios exigem tratamento prolongado para se tornarem perceptíveis.

    Objetivo do tratamento O que a tretinoína pode fazer Principal limitação
    Acne Reduz a formação de microcomedões e ajuda a prevenir novas lesões. Pode precisar de associação com outros tratamentos, principalmente quando existe componente inflamatório importante.
    Rugas finas Pode melhorar gradualmente linhas superficiais relacionadas ao fotoenvelhecimento. Não corrige rugas profundas causadas por múltiplas alterações estruturais.
    Textura da pele Pode tornar a superfície cutânea mais uniforme ao longo do tratamento. Não trata todas as causas de irregularidade da pele.
    Fotoenvelhecimento Pode melhorar alguns sinais produzidos pela exposição solar acumulada. Não reverte todas as alterações do envelhecimento facial.
    Pigmentação Pode contribuir para melhorar algumas alterações pigmentares e integrar tratamentos combinados. O resultado depende do diagnóstico da mancha e da causa da pigmentação.
    Colágeno Pode estimular processos relacionados à síntese e remodelação do colágeno dérmico. Não produz o mesmo efeito de tratamentos direcionados à flacidez ou às estruturas profundas.

    Por isso, uma avaliação adequada não começa pela pergunta “qual concentração de Vitacid usar?”. Antes disso, o dermatologista precisa definir qual alteração está sendo tratada e até onde um medicamento tópico consegue atuar.


    O que o Vitacid não consegue tratar sozinho?

    A tretinoína possui benefícios relevantes, porém apresenta limites anatômicos claros. Afinal, o envelhecimento facial não acontece somente na superfície da pele.

    Com o tempo, ocorrem alterações na pele, no tecido adiposo, nos músculos, nos ligamentos de sustentação e até no esqueleto facial. Portanto, mesmo que a tretinoína melhore determinados aspectos da qualidade cutânea, ela não consegue corrigir todas essas estruturas.

    O Vitacid não deve ser considerado um tratamento isolado para:

    • flacidez facial significativa;
    • queda ou reposicionamento dos tecidos;
    • perda de volume facial;
    • rugas profundas relacionadas à movimentação muscular;
    • alterações importantes do contorno facial;
    • cicatrizes profundas de acne;
    • vasos aparentes e vermelhidão vascular;
    • todas as formas de manchas da pele.

    Isso não reduz o valor da tretinoína. Pelo contrário, compreender seus limites permite utilizá-la no contexto correto.

    Um ponto importante: um medicamento tópico pode produzir mudanças relevantes na qualidade da pele, mas não consegue modificar todas as estruturas responsáveis pela aparência e pelo envelhecimento do rosto.


    Vitacid substitui procedimentos dermatológicos?

    Não existe uma relação de substituição simples entre tretinoína e procedimentos dermatológicos. Na verdade, eles podem tratar estruturas e mecanismos diferentes.

    Por exemplo, a tretinoína pode favorecer a renovação celular e a remodelação do colágeno. Entretanto, uma tecnologia destinada a tratar determinadas camadas da pele ou tecidos mais profundos atua por outro mecanismo. Da mesma forma, toxina botulínica, preenchedores, bioestimuladores, lasers e outros procedimentos possuem indicações específicas.

    Consequentemente, o dermatologista não deveria pensar apenas em “creme ou procedimento”. A questão mais relevante é identificar qual alteração anatômica ou biológica produz a queixa do paciente.

    Em alguns casos, o tratamento tópico será suficiente. Em outros, poderá funcionar como parte de uma estratégia mais ampla. Além disso, existem situações nas quais um procedimento específico pode oferecer uma abordagem mais adequada para o problema predominante.

    Alteração predominante Papel possível da tretinoína Outras estratégias que podem ser avaliadas
    Fotoenvelhecimento superficial Pode ter papel importante no tratamento. Fotoproteção e, quando indicado, tecnologias dermatológicas.
    Rugas de expressão Pode melhorar a qualidade da pele, mas não trata diretamente a contração muscular. Toxina botulínica em pacientes selecionados.
    Flacidez Pode contribuir para a qualidade cutânea, porém apresenta efeito limitado sobre frouxidão estrutural. Bioestimuladores, tecnologias ou outras abordagens, conforme avaliação.
    Perda de volume Não restaura volume facial. Preenchedores ou outras estratégias de reposição volumétrica, quando indicadas.
    Cicatrizes de acne Pode beneficiar aspectos superficiais em alguns casos. Lasers, procedimentos percutâneos, técnicas cirúrgicas ou combinações, dependendo do tipo de cicatriz.

    Assim, o melhor tratamento não é necessariamente aquele que utiliza mais recursos. O objetivo é escolher a estratégia compatível com o diagnóstico e evitar intervenções que não atuem sobre a causa predominante.


    Mais descamação significa mais resultado?

    Não. Esse é um dos equívocos mais frequentes relacionados ao Vitacid.

    Como a tretinoína pode provocar descamação, algumas pessoas interpretam a irritação como um sinal de eficácia. Entretanto, vermelhidão intensa, ardor ou descamação importante não são objetivos do tratamento.

    Pelo contrário, irritar excessivamente a pele pode comprometer a barreira cutânea, aumentar o desconforto e dificultar a continuidade do tratamento. Além disso, determinados pacientes apresentam maior risco de alterações pigmentares após processos inflamatórios.

    Por esse motivo, aumentar a quantidade, a frequência ou a concentração por conta própria não significa acelerar os resultados. Em vez disso, essa conduta pode aumentar os efeitos adversos.

    O tratamento dermatológico procura equilibrar dois fatores: eficácia e tolerabilidade. Portanto, uma estratégia que produz benefícios progressivos com irritação controlada costuma ser mais racional do que perseguir descamação intensa.


    Uma concentração maior de Vitacid é sempre melhor?

    Não. Embora concentrações maiores aumentem a exposição da pele à tretinoína, elas também podem elevar o potencial de irritação.

    Além disso, a resposta ao medicamento varia muito. Uma pessoa pode tolerar determinada concentração sem dificuldade, enquanto outra pode desenvolver vermelhidão, ardor e descamação importantes com a mesma formulação.

    Por isso, o dermatologista considera vários fatores antes de escolher o tratamento, incluindo:

    • diagnóstico;
    • sensibilidade da pele;
    • tratamentos anteriores;
    • presença de dermatites;
    • estado da barreira cutânea;
    • outros produtos utilizados na rotina;
    • objetivo terapêutico;
    • capacidade de aderir ao tratamento.

    Consequentemente, mais forte não significa necessariamente mais adequado. Muitas vezes, a capacidade de manter o tratamento de maneira consistente importa mais do que utilizar a maior concentração disponível.


    Por que os resultados do Vitacid levam tempo?

    A tretinoína não funciona como um procedimento que produz uma mudança visível imediatamente. Em vez disso, ela modifica processos biológicos que acontecem progressivamente.

    Na acne, por exemplo, o medicamento precisa interferir na formação de novas obstruções foliculares. Já no fotoenvelhecimento, alterações relacionadas à renovação epidérmica e à remodelação dérmica exigem continuidade.

    Por esse motivo, estudos sobre tretinoína tópica para fotoenvelhecimento avaliam frequentemente períodos de meses, e alguns acompanharam pacientes por períodos ainda mais longos.

    Além disso, o início do tratamento pode coincidir com uma fase de irritação e adaptação. Portanto, julgar a eficácia da tretinoína depois de poucos dias tende a produzir conclusões equivocadas.

    O tempo necessário para perceber resultados varia conforme a indicação, a formulação, a concentração, a tolerabilidade e as características individuais da pele. Assim, não existe um prazo único que possa ser aplicado a todos os pacientes.


    Então, qual é o verdadeiro valor da tretinoína?

    O principal valor da tretinoína está na combinação entre um mecanismo biológico bem estudado, décadas de pesquisa e benefícios clínicos documentados para indicações específicas.

    As diretrizes atuais para acne continuam incluindo os retinoides tópicos, entre eles a tretinoína, como componentes importantes do tratamento. Além disso, revisões sistemáticas de ensaios clínicos sustentam benefícios da tretinoína tópica para diferentes sinais do fotoenvelhecimento.

    Entretanto, evidência científica não significa indicação universal. O mesmo medicamento pode trazer excelente benefício para um paciente e oferecer pouco valor, ou irritação excessiva, para outro.

    Por isso, o Dr. Rubens Pontello Junior, médico dermatologista (CRM-PR 24.645 | RQE 2.050), reforça neste conteúdo um princípio fundamental da Dermatologia: primeiro é preciso identificar o que está sendo tratado. Depois, o médico decide se a tretinoína faz sentido dentro daquela estratégia.

    Essa distinção evita dois extremos: subestimar um medicamento com amplo respaldo científico ou esperar que ele resolva alterações que estão além da capacidade de um tratamento tópico.


    Quais concentrações de Vitacid existem?

    O Vitacid está disponível em diferentes concentrações de tretinoína. Embora muitas pessoas imaginem que a maior concentração seja sempre a melhor escolha, essa lógica não se aplica à Dermatologia.

    Na prática, o dermatologista seleciona a concentração considerando diversos fatores. Entre eles estão o diagnóstico, a sensibilidade da pele, a idade do paciente, o objetivo do tratamento e a capacidade de tolerar o medicamento ao longo do tempo.

    Além disso, uma concentração mais elevada pode aumentar o risco de irritação sem necessariamente proporcionar resultados proporcionalmente superiores para todos os pacientes.

    Concentração Características gerais Observações
    0,025% Menor concentração disponível. Pode ser considerada em pacientes com pele mais sensível ou quando se busca adaptação gradual.
    0,05% Concentração amplamente utilizada. Equilibra eficácia e tolerabilidade em muitos protocolos, desde que exista indicação médica.
    0,1% Maior concentração. Pode aumentar a irritação e nem sempre produz benefícios clínicos superiores para todos os pacientes.

    Importante: não existe uma concentração considerada “a melhor”. A escolha depende da avaliação clínica e deve levar em consideração a resposta individual da pele.


    Creme ou gel: existe diferença?

    Além das concentrações, a tretinoína também pode ser encontrada em diferentes veículos, principalmente na forma de creme e gel.

    Embora ambos contenham o mesmo princípio ativo, o veículo modifica a forma como o medicamento interage com a pele. Por isso, essa escolha também faz parte da estratégia terapêutica.

    Formulação Características
    Creme Costuma apresentar melhor tolerabilidade em peles secas ou sensíveis devido ao maior poder hidratante do veículo.
    Gel Apresenta textura mais leve e pode ser preferido em algumas peles oleosas. Entretanto, também pode aumentar a sensação de ressecamento.

    Entretanto, essa divisão não deve ser interpretada como uma regra absoluta. Existem diferenças entre fabricantes, formulações e necessidades individuais. Assim, o dermatologista avalia cada caso antes de definir qual veículo faz mais sentido.


    Uma concentração maior traz resultados mais rápidos?

    Nem sempre.

    É natural pensar que um medicamento mais forte produzirá resultados mais rápidos. Entretanto, os estudos mostram que essa relação não é tão simples.

    Concentrações maiores costumam aumentar a exposição da pele à tretinoína. Ao mesmo tempo, também aumentam a probabilidade de vermelhidão, ardor, descamação e desconforto. Como consequência, alguns pacientes interrompem o tratamento antes de obter os benefícios esperados.

    Por outro lado, uma concentração mais baixa, bem tolerada e utilizada de forma consistente pode proporcionar melhores resultados ao longo do tempo do que um tratamento frequentemente interrompido por irritação.

    Em Dermatologia, aderência ao tratamento costuma ser mais importante do que utilizar a concentração mais alta disponível.


    Como o dermatologista escolhe a concentração ideal?

    A escolha da concentração não segue uma fórmula única. Pelo contrário, ela faz parte do raciocínio clínico do dermatologista.

    Durante a consulta, fatores como idade, fototipo, sensibilidade da pele, presença de acne, sinais de fotoenvelhecimento, histórico de irritações, rotina de cuidados e objetivo do tratamento influenciam essa decisão.

    Além disso, o médico pode modificar a concentração ao longo do acompanhamento, caso a resposta clínica ou a tolerabilidade indiquem necessidade de ajuste.

    Por isso, dois pacientes com queixas aparentemente semelhantes podem receber prescrições diferentes. Essa individualização representa um dos princípios fundamentais da Dermatologia moderna.


    Quais cuidados são importantes durante o tratamento com Vitacid?

    O Vitacid é um medicamento eficaz quando existe indicação adequada. Entretanto, alcançar bons resultados não depende apenas da concentração escolhida. Da mesma forma, o sucesso do tratamento também está relacionado aos cuidados adotados ao longo do acompanhamento.

    A tretinoína modifica a renovação da pele e pode aumentar sua sensibilidade, principalmente nas primeiras semanas. Por isso, o objetivo do dermatologista não é provocar irritação intensa, mas sim obter benefícios clínicos preservando a barreira cutânea.

    Além disso, cada pele reage de maneira diferente. Enquanto alguns pacientes apresentam adaptação rápida, outros necessitam de ajustes graduais na rotina para manter o tratamento confortável e seguro.


    Por que o protetor solar é indispensável?

    A fotoproteção faz parte do tratamento com Vitacid. Embora a tretinoína não transforme a pele em uma “esponja para o sol”, ela pode aumentar a sensibilidade cutânea durante o período de adaptação.

    Além disso, grande parte das doenças tratadas com tretinoína — como acne, fotoenvelhecimento e melasma — piora ou se mantém pela exposição acumulada à radiação ultravioleta.

    Consequentemente, utilizar o medicamento sem proteção solar adequada reduz parte dos benefícios esperados e pode favorecer irritação ou alterações de pigmentação, principalmente em pessoas predispostas.

    Fotoproteção Por que é importante?
    Protetor solar diário Ajuda a reduzir os danos causados pela radiação ultravioleta e complementa o tratamento.
    Barreiras físicas Bonés, chapéus, óculos e roupas também diminuem a exposição ao sol.
    Evitar exposição intensa Principalmente durante períodos prolongados ao ar livre.

    Portanto, o tratamento não depende apenas do medicamento. A fotoproteção representa uma das medidas mais importantes para preservar os resultados obtidos.


    Hidratação faz diferença?

    Sim. Durante o tratamento com Vitacid, manter a pele hidratada pode melhorar significativamente a tolerabilidade.

    Como a tretinoína acelera a renovação celular, muitas pessoas apresentam sensação de ressecamento, ardor leve ou descamação no início do tratamento. Nesses casos, um hidratante adequado ajuda a fortalecer a barreira cutânea e reduz o desconforto.

    Entretanto, nem todo hidratante possui a mesma composição. O dermatologista pode recomendar produtos diferentes conforme o tipo de pele, a presença de acne, rosácea ou dermatite.

    Assim, hidratar a pele não diminui a eficácia da tretinoína. Pelo contrário, frequentemente melhora a tolerabilidade e favorece a continuidade do tratamento.


    É possível usar outros ativos junto com o Vitacid?

    Essa é uma das dúvidas mais frequentes no consultório. A resposta depende dos produtos utilizados e do objetivo do tratamento.

    Em muitos casos, o dermatologista associa a tretinoína a outros ativos para potencializar resultados ou tratar mecanismos diferentes da mesma doença. Entretanto, algumas combinações exigem ajustes de concentração, frequência ou horário de aplicação.

    Ativo Pode ser associado? Observação
    Vitamina C Frequentemente sim. A estratégia depende da rotina proposta pelo dermatologista.
    Ácido azelaico Sim, em muitos casos. Pode integrar protocolos para acne e pigmentação.
    Niacinamida Sim. Costuma apresentar boa tolerabilidade.
    Ácido glicólico Depende. A associação pode aumentar a irritação em alguns pacientes.
    Peróxido de benzoíla Depende. O dermatologista pode orientar diferentes formas de utilização.

    Portanto, a decisão não deve considerar apenas o potencial benefício de cada ativo. Também é necessário avaliar a capacidade da pele de tolerar essa combinação.


    Quem deve ter mais cautela com o Vitacid?

    Embora a tretinoína possua um perfil de segurança bem conhecido, algumas situações exigem atenção especial.

    Entre elas estão:

    • pele muito sensível;
    • histórico de dermatite;
    • rosácea ativa;
    • barreira cutânea comprometida;
    • tratamentos dermatológicos recentes;
    • uso simultâneo de outros medicamentos potencialmente irritantes.

    Além disso, mulheres grávidas ou com possibilidade de gestação devem informar essa condição ao dermatologista antes do início do tratamento. As recomendações sobre o uso de retinoides durante a gestação exigem cautela devido ao potencial risco fetal.


    É verdade que não se pode usar Vitacid no verão?

    Esse é um dos maiores mitos sobre a tretinoína.

    Na realidade, não existe uma regra que proíba o uso do Vitacid durante o verão. Entretanto, a exposição solar costuma aumentar nessa época do ano. Por esse motivo, manter uma fotoproteção rigorosa torna-se ainda mais importante.

    Pessoas que praticam atividades ao ar livre com frequência ou que apresentam irritação importante podem necessitar de ajustes temporários no tratamento. Nesses casos, o dermatologista avalia a melhor estratégia para cada paciente.

    Portanto, a estação do ano, isoladamente, não determina a indicação ou a suspensão da tretinoína. O comportamento da pele, a rotina de exposição solar e os objetivos do tratamento exercem influência muito maior.


    O acompanhamento médico faz diferença?

    Sim. O acompanhamento permite avaliar não apenas se o Vitacid está funcionando, mas também se a pele está tolerando adequadamente o tratamento.

    Durante as consultas de revisão, o dermatologista pode modificar a concentração, ajustar a frequência de uso, orientar mudanças na rotina de cuidados ou até substituir a tretinoína quando outra estratégia oferecer uma relação mais favorável entre eficácia e tolerabilidade.

    Além disso, algumas doenças da pele mudam ao longo do tempo. Consequentemente, um tratamento adequado em determinado momento pode deixar de ser a melhor opção meses depois.

    Mais importante do que iniciar a tretinoína é garantir que ela continue sendo a escolha mais adequada ao longo do tratamento.


    Vitacid ou outros retinoides: quais são as diferenças?

    Embora muitas pessoas utilizem os termos como sinônimos, Vitacid, retinol, retinal, adapaleno e tazaroteno não são a mesma substância. Todos pertencem à família dos retinoides, porém apresentam diferenças importantes em potência, mecanismo de ação, estabilidade, tolerabilidade e indicações clínicas.

    Cada molécula possui vantagens e limitações. Por esse motivo, o dermatologista não escolhe um retinoide apenas pela potência. Antes de tomar essa decisão, ele avalia o diagnóstico, o objetivo do tratamento, o tipo de pele e a capacidade de tolerar possíveis efeitos irritativos.

    Assim, perguntar “qual é o melhor retinoide?” costuma levar a uma resposta incompleta. A pergunta mais adequada é: qual retinoide faz mais sentido para determinada condição clínica?

    E entre duas marcas com o mesmo ativo? Vitanol-A e Vitacid são ambos tretinoína; a comparação entre as duas fórmulas está no artigo Vitanol-A ou Vitacid: qual a diferença entre as duas tretinoínas?

    Retinoide Características gerais Indicações mais frequentes
    Vitacid (tretinoína) Medicamento de prescrição com ampla documentação científica. Acne, fotoenvelhecimento e algumas alterações pigmentares.
    Retinol Ingrediente cosmético que precisa ser convertido em ácido retinoico pela pele. Cuidados cosméticos e prevenção do fotoenvelhecimento.
    Retinal Conversão mais curta até o ácido retinoico quando comparado ao retinol. Cosméticos voltados ao envelhecimento cutâneo.
    Adapaleno Retinoide sintético desenvolvido principalmente para acne. Acne, especialmente quando a tolerabilidade é uma prioridade.
    Tazaroteno Retinoide de prescrição utilizado em situações específicas. Acne, psoríase e fotoenvelhecimento em pacientes selecionados.

    Vitacid ou retinol: qual a diferença?

    Essa é uma das comparações mais frequentes entre pacientes que iniciam uma rotina de cuidados com a pele.

    O Vitacid contém tretinoína, ou seja, ácido retinoico pronto para agir nas células da pele. Já o retinol precisa passar por etapas de conversão até formar ácido retinoico biologicamente ativo.

    Consequentemente, a tretinoína costuma produzir efeitos mais intensos e possui evidências clínicas mais robustas para indicações médicas. Por outro lado, o retinol normalmente apresenta melhor tolerabilidade e integra produtos cosméticos destinados principalmente à prevenção e aos cuidados diários.

    Entretanto, isso não significa que um substitua o outro. Enquanto a tretinoína é um medicamento indicado para determinadas doenças e alterações da pele, o retinol costuma ocupar um espaço diferente dentro da rotina cosmética.

    Leia também: Retinol: o que é, como usar, mitos e diferença para a tretinoína


    Vitacid ou adapaleno: quando cada um pode ser considerado?

    Tanto o Vitacid quanto o adapaleno pertencem à família dos retinoides e podem fazer parte do tratamento da acne. Ainda assim, existem diferenças relevantes entre eles.

    O adapaleno foi desenvolvido para atuar de maneira mais seletiva em determinados receptores dos retinoides. Como resultado, muitos pacientes apresentam boa eficácia associada a menor potencial irritativo quando comparado à tretinoína.

    Entretanto, essa característica não torna um medicamento superior ao outro. Em vez disso, cada molécula apresenta vantagens em situações específicas.

    Assim, alguns pacientes obtêm excelente resposta com tretinoína. Outros, por sua vez, adaptam-se melhor ao adapaleno. A decisão depende do quadro clínico e do julgamento do dermatologista.


    Vitacid ou retinal: existe diferença?

    Embora possuam origem semelhante, retinal e tretinoína não atuam exatamente da mesma maneira.

    O retinal ainda precisa sofrer uma etapa de conversão até se transformar em ácido retinoico. Em contrapartida, a tretinoína já corresponde à forma biologicamente ativa utilizada pelas células da pele.

    Por esse motivo, cosméticos com retinal costumam ser bem tolerados e ocupam um espaço crescente na Dermatologia cosmética. Entretanto, eles não substituem automaticamente uma tretinoína prescrita para tratar doenças específicas.


    Vitacid ou tazaroteno?

    O tazaroteno também pertence ao grupo dos retinoides de prescrição. Entretanto, ele apresenta características farmacológicas próprias e pode ser indicado em situações específicas, como alguns casos de acne, fotoenvelhecimento e psoríase.

    Além disso, a escolha entre tretinoína e tazaroteno depende da experiência do médico, das características do paciente e dos objetivos terapêuticos. Portanto, não existe um protocolo universal que determine qual molécula deve ser utilizada em todos os casos.


    Existe um retinoide melhor que o Vitacid?

    Do ponto de vista científico, essa pergunta não possui uma resposta única.

    Cada retinoide foi desenvolvido para ocupar um papel diferente. Consequentemente, comparar essas moléculas como se competissem entre si pode levar a conclusões equivocadas.

    Em determinadas situações, o Vitacid representa uma excelente escolha devido ao amplo conjunto de evidências disponíveis. Em outras, entretanto, outro retinoide pode oferecer melhor equilíbrio entre eficácia e tolerabilidade.

    Por esse motivo, a decisão deve considerar muito mais do que a potência do medicamento. O diagnóstico correto, as características da pele, os objetivos do tratamento e a experiência do dermatologista continuam sendo fatores decisivos para escolher o retinoide mais adequado.

    Em resumo: não existe um retinoide universalmente superior. Existe, sim, o retinoide mais apropriado para cada paciente, para cada doença e para cada momento do tratamento.


    Mitos e verdades sobre o Vitacid

    O Vitacid é um dos medicamentos mais conhecidos da Dermatologia. Ao mesmo tempo, poucas medicações geram tantas dúvidas. Muitos conceitos são repetidos há anos nas redes sociais e, embora alguns tenham um fundo de verdade, outros não encontram respaldo nas evidências científicas.

    Por isso, compreender o que realmente acontece durante o tratamento ajuda a criar expectativas mais realistas e reduz o risco de abandonar precocemente um medicamento que pode trazer benefícios importantes quando bem indicado.


    Vitacid afina a pele?

    Mito.

    Essa talvez seja a dúvida mais frequente sobre a tretinoína. Nas primeiras semanas, a pele pode parecer mais fina devido à descamação e à renovação acelerada da camada mais superficial da epiderme. Entretanto, esse efeito é temporário.

    Com a continuidade do tratamento, estudos mostram que a tretinoína estimula a remodelação dérmica e favorece a produção de colágeno. Como consequência, ela pode contribuir para melhorar a espessura funcional da pele fotoenvelhecida ao longo do tempo.

    Portanto, afirmar que o Vitacid afina permanentemente a pele não está de acordo com as evidências disponíveis.


    Quanto mais a pele descama, melhor o resultado?

    Mito.

    A descamação representa um efeito esperado em muitos pacientes, principalmente no início do tratamento. No entanto, ela não funciona como um indicador de eficácia.

    Pelo contrário, irritação excessiva pode comprometer a barreira cutânea, aumentar o desconforto e dificultar a continuidade do tratamento. Assim, o objetivo do dermatologista é encontrar o equilíbrio entre eficácia clínica e boa tolerabilidade.


    Vitacid pode ser usado durante muitos anos?

    Verdade, em pacientes selecionados.

    Quando existe indicação médica e boa tolerabilidade, a tretinoína pode fazer parte de tratamentos prolongados. Inclusive, muitos estudos que avaliaram seus efeitos sobre o fotoenvelhecimento acompanharam pacientes por meses ou anos.

    Entretanto, isso não significa que todas as pessoas devam utilizá-la continuamente. O dermatologista reavalia periodicamente a necessidade de manter, ajustar ou suspender o medicamento.


    Vitacid pode piorar a acne no início?

    Verdade.

    Alguns pacientes observam aumento temporário das lesões nas primeiras semanas. Esse fenômeno ocorre porque a tretinoína acelera a renovação folicular e favorece a exteriorização de microcomedões que já estavam em formação.

    Apesar disso, nem todos apresentam essa fase inicial. Além disso, ela costuma ser transitória quando o tratamento é corretamente conduzido.


    Vitacid clareia qualquer tipo de mancha?

    Mito.

    As manchas da pele possuem causas diferentes. Enquanto algumas respondem à tretinoína, outras exigem tratamentos completamente distintos.

    Além disso, algumas lesões pigmentadas precisam de diagnóstico antes de qualquer tentativa de clareamento. Portanto, iniciar um tratamento apenas porque existe uma mancha visível pode atrasar o diagnóstico correto.


    Quem tem pele sensível nunca pode usar Vitacid?

    Mito.

    A pele sensível exige maior cuidado, mas isso não significa contraindicação absoluta.

    Na prática, o dermatologista pode adaptar concentração, frequência de aplicação, veículo e rotina de cuidados para melhorar a tolerabilidade. Ainda assim, alguns pacientes realmente apresentam sensibilidade que limita o uso da tretinoína.

    Por esse motivo, a decisão deve ser individualizada.


    Vitacid causa dependência?

    Mito.

    A tretinoína não provoca dependência química nem faz a pele “viciar”. O que acontece é diferente.

    Enquanto o medicamento está sendo utilizado, ele continua influenciando a renovação celular e outros mecanismos biológicos. Se o tratamento for interrompido, esses efeitos deixam de ocorrer gradualmente.

    Isso não representa dependência, mas apenas o fim da ação terapêutica.


    É preciso interromper o Vitacid durante o verão?

    Nem sempre.

    A estação do ano, isoladamente, não determina a suspensão da tretinoína.

    Entretanto, durante períodos de maior exposição solar, o dermatologista pode ajustar a rotina conforme a sensibilidade da pele, a intensidade da exposição e o objetivo do tratamento.

    Assim, a decisão depende muito mais do comportamento da pele e da capacidade de manter fotoproteção adequada do que do calendário.


    Vitacid substitui procedimentos estéticos?

    Mito.

    A tretinoína melhora diversos aspectos da qualidade da pele. Entretanto, ela não corrige perda de volume, flacidez importante, rugas profundas ou alterações estruturais do envelhecimento facial.

    Consequentemente, muitos pacientes obtêm melhores resultados quando o dermatologista combina estratégias que atuam em diferentes camadas da face.


    Vitacid é um dos medicamentos mais estudados da Dermatologia?

    Verdade.

    A tretinoína é utilizada há décadas e possui um dos conjuntos mais robustos de evidências entre os tratamentos tópicos para acne e fotoenvelhecimento.

    Além disso, diretrizes internacionais continuam recomendando os retinoides tópicos como parte importante do tratamento da acne. Da mesma forma, estudos clínicos sustentam seu papel no tratamento do fotoenvelhecimento em pacientes selecionados.

    Em resumo: o Vitacid não é um medicamento milagroso, mas também está longe de ser apenas um “creme para espinhas”. Quando existe indicação correta, acompanhamento médico e expectativas realistas, a tretinoína continua sendo um dos medicamentos tópicos mais importantes da Dermatologia moderna.



    Perguntas frequentes sobre o Vitacid

    O Vitacid pode ser usado por qualquer pessoa?

    Não. Embora o Vitacid seja um medicamento amplamente utilizado na Dermatologia, ele não é indicado para todos os pacientes nem para todas as doenças da pele. A decisão depende do diagnóstico, do tipo de pele, da sensibilidade individual, da presença de outras doenças dermatológicas, dos medicamentos utilizados e do objetivo do tratamento.

    Além disso, algumas situações exigem maior cautela, como gestação, dermatites ativas, pele muito sensibilizada ou uso simultâneo de outros produtos potencialmente irritantes.


    Em quanto tempo o Vitacid começa a fazer efeito?

    Não existe um prazo único. O tempo varia conforme a indicação clínica e as características individuais da pele.

    Na acne, por exemplo, os primeiros sinais de melhora costumam surgir após algumas semanas. Já no fotoenvelhecimento, as alterações relacionadas à produção de colágeno e à remodelação da pele geralmente exigem meses de tratamento contínuo.

    Por esse motivo, interromper o medicamento precocemente pode impedir que seus principais benefícios apareçam.


    É normal a pele piorar no início?

    Em alguns pacientes, sim.

    Durante as primeiras semanas, a renovação acelerada da pele pode tornar lesões que já estavam em formação mais evidentes. Além disso, vermelhidão, ressecamento e descamação leve são efeitos relativamente frequentes durante o período de adaptação.

    Entretanto, irritação intensa, dor importante ou inflamação persistente não devem ser considerados parte normal do tratamento e merecem reavaliação pelo dermatologista.


    Posso usar Vitacid durante o verão?

    Sim, desde que exista indicação médica e que o paciente consiga manter fotoproteção adequada.

    Na realidade, não é o verão que contraindica o uso da tretinoína. O principal fator é o aumento da exposição solar, que pode favorecer irritação e comprometer parte dos benefícios do tratamento.

    Assim, o dermatologista pode adaptar a rotina conforme o estilo de vida, o fototipo, a intensidade da exposição ao sol e a resposta da pele.


    Vale a pena usar Vitacid para prevenir o envelhecimento?

    A tretinoína possui evidências consistentes para o tratamento do fotoenvelhecimento. Entretanto, isso não significa que todas as pessoas devam utilizá-la preventivamente.

    A decisão depende da idade, das características da pele, do histórico de exposição solar, da tolerabilidade ao medicamento e dos objetivos individuais. Em muitos casos, fotoproteção adequada, hábitos saudáveis e uma rotina de cuidados bem estruturada representam a primeira etapa da prevenção do envelhecimento cutâneo.


    O Vitacid substitui procedimentos dermatológicos?

    Não.

    O Vitacid melhora diversos aspectos da qualidade da pele, principalmente aqueles relacionados à renovação celular e ao fotoenvelhecimento. Entretanto, ele não corrige perda de volume, flacidez importante, rugas profundas ou alterações estruturais do rosto.

    Por isso, em muitos pacientes, a melhor estratégia consiste em combinar tratamentos tópicos com procedimentos indicados para atuar em outras camadas da face.


    Existe uma concentração de Vitacid considerada a melhor?

    Não.

    A concentração ideal é aquela que oferece o melhor equilíbrio entre eficácia e tolerabilidade para cada paciente.

    Uma concentração mais alta pode aumentar o risco de irritação sem necessariamente produzir resultados superiores. Por outro lado, uma concentração mais baixa, utilizada de forma contínua e bem tolerada, frequentemente proporciona melhor adesão e melhores resultados a longo prazo.


    O que fazer se a pele ficar muito irritada?

    O primeiro passo é não aumentar nem diminuir o tratamento por conta própria.

    Quando a irritação é importante, o dermatologista pode modificar a frequência de uso, ajustar a concentração, reforçar a hidratação da pele ou até substituir o medicamento por outra estratégia terapêutica.

    Essa é uma das razões pelas quais o acompanhamento médico é tão importante durante o tratamento com tretinoína.


    Conclusão

    O Vitacid continua sendo um dos medicamentos tópicos mais importantes da Dermatologia porque reúne décadas de experiência clínica e um amplo conjunto de evidências científicas para indicações como acne e fotoenvelhecimento.

    Ao mesmo tempo, compreender seus limites é tão importante quanto conhecer seus benefícios. A tretinoína não trata todas as doenças da pele, não substitui todos os procedimentos dermatológicos e não deve ser utilizada de maneira indiscriminada apenas porque apresenta bons resultados em determinadas situações.

    Na prática, o melhor tratamento não depende apenas do medicamento. Ele começa com um diagnóstico preciso, passa pela escolha da estratégia mais adequada e continua com acompanhamento para avaliar eficácia, tolerabilidade e necessidade de ajustes ao longo do tempo.

    Se existe uma mensagem central neste guia, ela é simples: mais importante do que saber qual concentração de Vitacid usar é entender se a tretinoína realmente é o tratamento mais indicado para a sua pele.


    Principais referências científicas

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    Autoria e revisão médica

    Dr. Rubens Pontello Junior — Dermatologista, CRM-PR 24.645 | RQE 2.050, diretor técnico do Instituto Pontello.

    Conflitos de interesse: o Dr. Rubens Pontello Junior declara não possuir conflitos de interesse relacionados ao conteúdo deste artigo.

    O objetivo deste artigo é fornecer informação médica baseada em evidências e auxiliar na compreensão do tema. As informações apresentadas não substituem uma consulta médica individualizada.

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