Niacinamida: para que serve, como usar e mitos

Ilustração de células da pele em círculo, capa do artigo sobre niacinamida

Resposta rápida: niacinamida é uma forma da vitamina B3 usada em cremes e séruns. Estudos mostram que ela ajuda a fortalecer a barreira da pele, reduzir a oleosidade, suavizar manchas e melhorar sinais de envelhecimento, com boa tolerância na maioria das pessoas. Os efeitos são graduais e moderados, e ela não substitui o tratamento de condições como acne inflamada ou melasma. Segundo o dermatologista Dr. Rubens Pontello Junior, a niacinamida é um ativo versátil para a rotina, que funciona melhor quando escolhido de acordo com o objetivo e combinado com o protetor solar diário.

O que é a niacinamida

A niacinamida, também chamada de nicotinamida, é uma das formas da vitamina B3. No organismo, ela participa da produção de moléculas que as células usam para gerar energia e reparar danos. Na pele, é usada principalmente em produtos de aplicação local, em concentrações que costumam variar de 2% a 5% nos estudos [1–4].

Por que a niacinamida é tão falada

  • Serve para várias queixas ao mesmo tempo: oleosidade, manchas, textura e sensibilidade.
  • Costuma ser bem tolerada, inclusive por peles que não se adaptam a ativos mais irritantes [1].
  • Combina com quase tudo na rotina, como retinol, protetor solar e hidratantes.
  • Tem estudos clínicos em diferentes situações, o que a diferencia de muitos ativos da moda. Parte desses estudos foi feita por fabricantes de cosméticos, o que vale lembrar ao avaliar os resultados [1, 3, 4].

Para que a niacinamida serve

Barreira da pele e hidratação

Em estudo de laboratório, a niacinamida aumentou a produção de ceramidas e de outras gorduras que formam a barreira da pele. Aplicada na pele seca, aumentou essas gorduras na camada superficial e reduziu a perda de água [2]. Por isso, aparece em produtos para pele seca e sensível.

Oleosidade

Em um estudo com 100 voluntários japoneses, um hidratante com 2% de niacinamida reduziu a produção de oleosidade após 2 e 4 semanas em comparação com o mesmo creme sem o ativo. Em um segundo estudo, com 30 voluntários brancos, a oleosidade da superfície diminuiu em 6 semanas, mas a produção das glândulas não mudou de forma significativa [3]. O efeito, portanto, existe, mas varia de pessoa para pessoa.

Acne

Em um estudo com 76 pacientes com acne inflamatória moderada, o gel de niacinamida a 4% teve resultado semelhante ao do antibiótico clindamicina em gel após 8 semanas: 82% dos pacientes com niacinamida e 68% com clindamicina melhoraram, sem diferença estatística entre os grupos [5]. A niacinamida pode ajudar, mas o tratamento da acne é definido na consulta. Veja acne.

Manchas e melasma

A niacinamida reduz a passagem do pigmento das células que o produzem para as células da superfície da pele. Em estudos clínicos, diminuiu manchas após 4 semanas de uso [4]. Em um estudo com 27 pacientes com melasma, a niacinamida a 4% foi aplicada em um lado do rosto e a hidroquinona a 4% no outro, por 8 semanas: todos melhoraram com os dois, com melhora boa a excelente em 44% dos lados com niacinamida e 55% com hidroquinona, e menos efeitos colaterais com a niacinamida (18% contra 29%) [6]. Ela pode fazer parte do tratamento, mas o melasma exige um plano completo. Veja tratamento do melasma.

Envelhecimento da pele

Em um estudo com 50 mulheres com sinais de fotoenvelhecimento, a niacinamida a 5% aplicada em metade do rosto por 12 semanas reduziu linhas finas, manchas, vermelhidão e o tom amarelado da pele, e melhorou a elasticidade em comparação com o lado que recebeu só o creme sem o ativo [1].

Como usar a niacinamida

  1. Pode ser usada de manhã, à noite ou nos dois horários, conforme o produto.
  2. Aplique na pele limpa, antes do hidratante, se for sérum, ou como o próprio hidratante.
  3. Prefira concentrações estudadas, em geral entre 2% e 5% [1–6]. Concentrações muito altas não têm vantagem comprovada e podem irritar peles sensíveis.
  4. Use protetor solar todos os dias, principalmente se o objetivo for manchas. Veja protetor solar.
  5. Dê tempo: os estudos avaliaram resultados entre 4 e 12 semanas de uso contínuo [1, 3–6].

Mitos da internet sobre a niacinamida

“Niacinamida não pode ser usada com vitamina C”

Essa ideia vem de testes antigos com as substâncias puras, em condições diferentes do uso na pele. Nos produtos atuais, as duas podem fazer parte da mesma rotina. Se houver vermelhidão, uma opção é usar a vitamina C de manhã e a niacinamida à noite.

“Quanto maior a porcentagem, melhor”

Mito. Os estudos com bons resultados usaram de 2% a 5% [1–6]. Produtos com concentrações muito altas não mostraram vantagem e podem causar ardência e vermelhidão em parte das pessoas.

“Niacinamida fecha os poros”

Os poros não abrem nem fecham. A niacinamida pode reduzir a oleosidade [3], o que às vezes faz os poros parecerem menores, mas não muda a estrutura deles.

“Niacinamida substitui o tratamento da acne ou do melasma”

Mito. Ela pode ajudar nos dois casos [5, 6], mas acne inflamada, cicatrizes e melasma precisam de avaliação e de um plano de tratamento.

“Niacinamida é o mesmo que tomar vitamina B3”

Não. O uso na pele e o uso por via oral são diferentes. A nicotinamida oral foi estudada em pessoas com alto risco de câncer de pele: em um estudo com 386 pessoas que já tinham tido pelo menos dois cânceres de pele não melanoma, 500 mg duas vezes ao dia reduziu em 23% os novos casos em 12 meses, e o benefício desapareceu ao parar [7]. Esse uso é uma indicação médica específica, não uma suplementação para todos. Veja ceratose actínica.

Niacinamida e retinol podem ser usados juntos?

Sim. A niacinamida costuma ser bem tolerada e pode ser usada na mesma rotina que o retinol, por exemplo, niacinamida de manhã e retinol à noite. Para quem está começando, vale introduzir um ativo de cada vez. Saiba mais no artigo sobre retinol.

Efeitos colaterais e cuidados

  • A maioria das pessoas tolera bem [1].
  • Algumas pessoas sentem ardência, coceira ou vermelhidão, principalmente com concentrações mais altas ou na pele com rosácea. Veja rosácea.
  • Se a pele irritar, suspenda o produto e procure orientação.
  • Na gravidez e na amamentação, converse com o médico antes de iniciar qualquer ativo novo.

Avaliação da pele em Londrina

O Dr. Rubens Pontello Junior, dermatologista em Londrina, avalia o tipo de pele e as queixas para indicar os ativos certos, como niacinamida, retinoides e outros, a concentração e a forma de uso, além de tratamentos para acne, manchas e envelhecimento quando necessário. O atendimento é particular.

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Perguntas frequentes

Niacinamida serve para pele oleosa?

Sim. Em estudos, a niacinamida a 2% reduziu a oleosidade da pele [3]. O efeito varia de pessoa para pessoa.

Niacinamida clareia manchas?

Ela ajuda a reduzir manchas, com resultados observados a partir de 4 semanas [4, 6]. No melasma, costuma fazer parte de um tratamento combinado, sempre com protetor solar.

Posso usar niacinamida todos os dias?

Sim. Nos estudos, ela foi usada uma ou duas vezes ao dia por semanas a meses [1, 3–6].

Niacinamida pode ser usada de dia?

Pode. Nos estudos, ela foi usada inclusive pela manhã, junto com o protetor solar, que continua indispensável [1, 4].

Qual a melhor concentração de niacinamida?

Os estudos com bons resultados usaram entre 2% e 5% [1–6]. Concentrações mais altas não têm vantagem comprovada.

Niacinamida serve para acne?

Pode ajudar: em um estudo, o gel a 4% teve resultado semelhante ao de um antibiótico em gel [5]. Mas a acne inflamada precisa de avaliação dermatológica.

Leia também: Retinol: o que é, como usar e mitos; Tratamento do melasma; Protetor solar; Acne: causas e tratamento.

Referências científicas

  1. Bissett DL, Oblong JE, Berge CA. Niacinamide: a B vitamin that improves aging facial skin appearance. Dermatol Surg. 2005;31(7 Pt 2):860-865. DOI: 10.1111/j.1524-4725.2005.31732
  2. Tanno O, Ota Y, Kitamura N, Katsube T, Inoue S. Nicotinamide increases biosynthesis of ceramides as well as other stratum corneum lipids to improve the epidermal permeability barrier. Br J Dermatol. 2000;143(3):524-531. DOI: 10.1111/j.1365-2133.2000.03705.x
  3. Draelos ZD, Matsubara A, Smiles K. The effect of 2% niacinamide on facial sebum production. J Cosmet Laser Ther. 2006;8(2):96-101. DOI: 10.1080/14764170600717704
  4. Hakozaki T, Minwalla L, Zhuang J, et al. The effect of niacinamide on reducing cutaneous pigmentation and suppression of melanosome transfer. Br J Dermatol. 2002;147(1):20-31. DOI: 10.1046/j.1365-2133.2002.04834.x
  5. Shalita AR, Smith JG, Parish LC, Sofman MS, Chalker DK. Topical nicotinamide compared with clindamycin gel in the treatment of inflammatory acne vulgaris. Int J Dermatol. 1995;34(6):434-437. DOI: 10.1111/j.1365-4362.1995.tb04449.x
  6. Navarrete-Solís J, Castanedo-Cázares JP, Torres-Álvarez B, et al. A double-blind, randomized clinical trial of niacinamide 4% versus hydroquinone 4% in the treatment of melasma. Dermatol Res Pract. 2011;2011:379173. DOI: 10.1155/2011/379173
  7. Chen AC, Martin AJ, Choy B, et al. A phase 3 randomized trial of nicotinamide for skin-cancer chemoprevention. N Engl J Med. 2015;373(17):1618-1626. DOI: 10.1056/NEJMoa1506197

Autoria, revisão médica e transparência

Escrito por Dr. Rubens Pontello Junior · Dermatologista em Londrina–PR · CRM-PR 24.645 | RQE 2.050 · Diretor técnico do Instituto Pontello.

Revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior — dermatologista (CRM-PR 24.645 | RQE 2.050). Revisado em 30/10/2026.

Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica.

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