Finasterida para queda de cabelo: como age, resultados e efeitos colaterais

Ilustração de fios de cabelo afinando, capa do artigo sobre finasterida

Resposta rápida: finasterida é um medicamento tomado por via oral que reduz a ação do hormônio responsável por afinar os fios na calvície masculina (alopecia androgenética). Em estudos de dois anos, ela diminuiu a progressão da queda e aumentou a quantidade de cabelo em homens. Pode causar efeitos colaterais, inclusive sexuais, em uma parcela dos pacientes, e não deve ser usada por gestantes. Segundo o dermatologista Dr. Rubens Pontello Junior, a indicação depende do diagnóstico da queda, do histórico e dos planos de cada pessoa.

O que é a finasterida e como age

Na calvície de padrão masculino, os folículos do alto da cabeça são sensíveis à di-hidrotestosterona (DHT), um hormônio derivado da testosterona. Com o tempo, a DHT faz os fios ficarem mais finos e curtos, até pararem de crescer. A finasterida bloqueia a enzima que transforma testosterona em DHT (a 5-alfa-redutase), diminuindo esse efeito sobre o folículo.

Por isso ela age principalmente na alopecia androgenética. Quedas por outras causas, como falta de ferro, problemas de tireoide, estresse ou doenças do couro cabeludo, precisam de outro tratamento.

O que os estudos mostram

Nos estudos que levaram à aprovação para queda de cabelo, homens que tomaram finasterida 1 mg por dia tiveram aumento significativo do número de fios na coroa em 1 e 2 anos, enquanto o grupo placebo continuou perdendo cabelo [1].

Uma metanálise em rede com 23 estudos comparou finasterida, dutasterida e minoxidil em homens. A dutasterida 0,5 mg teve o maior aumento do total de fios em 24 semanas, e a finasterida 1 mg se destacou no ganho de fios grossos em 48 semanas; os resultados variaram conforme o critério e o tempo avaliados [2].

O efeito depende do uso contínuo. Ao parar, a tendência é a calvície voltar a progredir.

Efeitos colaterais

A maioria dos homens não tem efeitos colaterais, mas eles existem. Uma metanálise de 15 estudos randomizados, com 4.495 participantes, encontrou risco 1,66 vez maior de disfunção sexual (diminuição da libido, dificuldade de ereção ou alteração da ejaculação) com finasterida em comparação ao placebo [3].

Também há relatos de alterações de humor. Um estudo com notificações espontâneas de eventos adversos de vários países encontrou sinal de aumento de relatos de sintomas psicológicos e ideação suicida em homens jovens que usavam finasterida para queda de cabelo; por ser baseado em notificações, esse tipo de estudo não comprova causa e efeito, mas reforça a importância de acompanhar o paciente [4].

Qualquer mudança na função sexual ou no humor deve ser comunicada ao médico, que reavalia o tratamento.

Finasterida em loção (tópica)

Para reduzir a ação no restante do corpo, existe a finasterida aplicada no couro cabeludo. Em um estudo de fase III com 458 homens, a versão em spray aumentou a contagem de fios em relação ao placebo, com resultado numericamente semelhante ao do comprimido, e com concentração no sangue mais de 100 vezes menor [5].

Dutasterida

A dutasterida age na mesma via, bloqueando mais tipos da enzima. Ela pode ser usada por via oral ou aplicada no couro cabeludo em sessões de intradermoterapia capilar. A escolha entre finasterida, dutasterida, minoxidil ou a combinação deles é feita na consulta [2].

Quem não deve usar

  • Gestantes e mulheres que podem engravidar sem contracepção: a finasterida pode afetar o desenvolvimento do bebê do sexo masculino. Gestantes também não devem manusear comprimidos partidos ou esmagados, conforme a bula.
  • Mulheres em geral: o uso é fora da indicação de bula e só é considerado em situações específicas, avaliadas pelo médico.
  • Quem faz exame de PSA (próstata): a finasterida reduz o valor do PSA. Informe o uso ao urologista para que o resultado seja interpretado corretamente.

Avaliação da queda de cabelo em Londrina

O Dr. Rubens Pontello Junior, dermatologista em Londrina, avalia a queda de cabelo em consulta: identifica a causa, solicita exames quando necessário e define o tratamento, que pode incluir finasterida, dutasterida, minoxidil e intradermoterapia capilar. O atendimento é particular.

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Perguntas frequentes

Finasterida faz o cabelo crescer?

Ela reduz a progressão da calvície e, em parte dos homens, aumenta a quantidade de fios, principalmente na coroa [1]. Onde o folículo já não existe, não há crescimento.

Quanto tempo leva para a finasterida fazer efeito?

Os estudos avaliam o resultado depois de 6 meses a 2 anos de uso contínuo [1, 2].

Finasterida causa impotência?

Uma parcela dos homens tem efeitos sexuais, como diminuição da libido ou dificuldade de ereção. Nos estudos, o risco foi cerca de 1,7 vez o do placebo [3]. Se acontecer, o médico reavalia o tratamento.

Se eu parar a finasterida, o cabelo cai?

A tendência é a calvície voltar a progredir, porque o medicamento atua enquanto é usado.

Finasterida ou minoxidil: qual é melhor?

Eles agem de formas diferentes e podem ser combinados. A comparação entre os estudos não aponta um único vencedor em todos os critérios [2]. A escolha depende da avaliação.

Mulher pode tomar finasterida?

Não é a indicação de bula, e é contraindicada na gravidez e para quem pode engravidar sem contracepção. Em casos específicos, o médico avalia outras opções.

Leia também: Minoxidil: para que serve e efeitos colaterais; Intradermoterapia capilar; Os cabelos também envelhecem.

Referências científicas

  1. Kaufman KD, et al. Finasteride in the treatment of men with androgenetic alopecia. J Am Acad Dermatol. 1998;39(4 Pt 1):578-589. DOI: 10.1016/S0190-9622(98)70007-6
  2. Gupta AK, Venkataraman M, Talukder M, Bamimore MA. Relative efficacy of minoxidil and the 5-α reductase inhibitors in androgenetic alopecia treatment of male patients: a network meta-analysis. JAMA Dermatol. 2022;158(3):266-274. DOI: 10.1001/jamadermatol.2021.5743
  3. Lee S, Lee YB, Choe SJ, Lee WS. Adverse sexual effects of treatment with finasteride or dutasteride for male androgenetic alopecia: a systematic review and meta-analysis. Acta Derm Venereol. 2019;99(1):12-17. DOI: 10.2340/00015555-3035
  4. Nguyen DD, et al. Investigation of suicidality and psychological adverse events in patients treated with finasteride. JAMA Dermatol. 2021;157(1):35-42. DOI: 10.1001/jamadermatol.2020.3385
  5. Piraccini BM, et al. Efficacy and safety of topical finasteride spray solution for male androgenetic alopecia: a phase III, randomized, controlled clinical trial. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2022;36(2):286-294. DOI: 10.1111/jdv.17738

Autoria, revisão médica e transparência

Escrito por Dr. Rubens Pontello Junior · Dermatologista em Londrina–PR · CRM-PR 24.645 | RQE 2.050 · Diretor técnico do Instituto Pontello.

Revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior — dermatologista (CRM-PR 24.645 | RQE 2.050). Revisado em 30/10/2026.

Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica. Não use finasterida sem prescrição e acompanhamento.

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