Por Dr. Rubens Pontello Junior
Médico dermatologista — CRM-PR 24.645 | RQE 2.050
Londrina, Paraná
Olhar uma fotografia de antes e depois parece simples. Mas, quando queremos realmente acompanhar o que mudou no rosto ou na pele ao longo de meses, surge uma questão importante: as duas imagens foram produzidas nas mesmas condições?
Uma pequena diferença de iluminação, distância, posição da cabeça, expressão ou ângulo pode alterar consideravelmente a percepção.
É por isso que, em determinadas consultas e acompanhamentos, utilizo o QuantifiCare LifeViz, sistema francês de fotografia médica tridimensional que permite produzir registros padronizados e reconstruções 3D da face.
Para mim, o principal valor dessa tecnologia não está simplesmente em “ver o rosto em 3D”. Está em criar uma referência. Uma imagem inicial que pode ser analisada hoje e revisitada no futuro, permitindo que médico e paciente comparem diferentes momentos com mais informação e menos dependência da memória.
Em resumo: o QuantifiCare LifeViz é um sistema de fotografia médica 3D utilizado para produzir imagens padronizadas da face e auxiliar na documentação, análise e comparação ao longo do acompanhamento. Na minha prática, ele funciona como recurso complementar à avaliação dermatológica — não substitui o exame clínico, o diagnóstico ou a indicação médica.
Antes de pensar no procedimento, precisamos compreender o ponto de partida
É comum um paciente chegar à consulta já com o nome de um tratamento em mente. XERF, laser, bioestimulador, toxina botulínica, preenchimento ou alguma tecnologia que conheceu por indicação ou pelas redes sociais.
Mas a minha consulta não começa pelo equipamento. Começa pela avaliação.
Procuro compreender o que incomoda aquele paciente, o que mudou ao longo dos anos, quais tratamentos já foram realizados e, principalmente, o que encontro ao examiná-lo.
Quando estamos avaliando envelhecimento facial, por exemplo, diferentes fenômenos podem coexistir: alterações na qualidade da pele, pigmentação, flacidez, perda ou redistribuição de volume, mudanças de contorno e assimetrias que já faziam parte daquele rosto.
Nem tudo precisa ser tratado. E nem tudo deve ser tratado da mesma maneira.
É nesse contexto que a documentação por imagem pode acrescentar valor à consulta.
O que é o QuantifiCare LifeViz?
O LifeViz é uma família de sistemas de fotografia médica tridimensional desenvolvida pela QuantifiCare, empresa francesa especializada em soluções de imagem utilizadas em dermatologia, medicina estética e pesquisa clínica.
No sistema facial, fotografias realizadas de maneira padronizada são processadas para produzir uma representação tridimensional da face.
A tecnologia utiliza recursos próprios para favorecer a reprodutibilidade das imagens. Isso é particularmente importante quando pretendemos comparar registros realizados em visitas diferentes.
Dependendo dos módulos utilizados, a plataforma permite observar e comparar informações relacionadas à morfologia facial, medidas, contornos, volume e determinadas características da pele.
O fabricante descreve recursos para avaliação de rugas, poros, oleosidade, uniformidade, vascularização e pigmentação, além de ferramentas para comparação de medidas e alterações volumétricas.
Mas é importante estabelecer um limite: o software analisa imagens. O médico avalia o paciente. Uma área destacada pelo sistema não representa, isoladamente, um diagnóstico ou uma indicação de tratamento.

Por que uma fotografia padronizada é diferente de uma foto comum?
O “antes e depois” só é confiável quando conseguimos reduzir as variáveis existentes entre as duas fotografias.
Imagine uma fotografia feita hoje com o rosto discretamente inclinado para baixo e outra, seis meses depois, com o queixo ligeiramente elevado. Ou uma imagem com iluminação frontal e outra com luz lateral.
A percepção do contorno mandibular, das sombras, da textura e até da profundidade de determinadas linhas pode mudar.
O LifeViz utiliza recursos destinados a tornar a captura mais reproduzível entre diferentes momentos. Isso não elimina todas as variáveis biológicas e fotográficas, mas cria condições melhores para uma comparação longitudinal do que simplesmente tentar repetir uma fotografia convencional de memória.
E, na minha visão, essa é uma das partes mais interessantes da tecnologia.
Como utilizo o LifeViz durante a consulta
A fotografia 3D não precisa fazer parte de todas as consultas. Ela é utilizada quando considero que o registro pode acrescentar informação à avaliação ou ao acompanhamento.
Quando há indicação, penso em sua utilização em três momentos.
1. Registrar
Primeiro precisamos saber de onde estamos partindo. O registro inicial cria uma referência das características do paciente naquele momento.
Em uma avaliação facial, podemos estar interessados em aspectos diferentes: pele, contornos, proporções, volume, flacidez ou outras características relevantes para aquele caso.
A imagem não determina o tratamento. Ela documenta o ponto de partida.
2. Compreender
A imagem também pode melhorar a comunicação durante a consulta. Algumas alterações são difíceis de explicar apenas apontando para um espelho.
Ao observar uma representação tridimensional, conseguimos discutir o rosto por diferentes perspectivas e mostrar ao paciente o que está sendo considerado durante o raciocínio médico.
Isso muda a conversa. Em vez de a discussão começar com “Qual procedimento eu deveria fazer?”, podemos começar com “O que estamos observando e o que realmente merece ser tratado?” São perguntas muito diferentes.
3. Acompanhar
Depois de um tratamento, podemos realizar novos registros quando houver indicação e compará-los com o ponto inicial.
A plataforma oferece ferramentas para comparar imagens de visitas diferentes, incluindo sobreposição, medidas e avaliação de alterações volumétricas em regiões selecionadas.
Para tratamentos cuja evolução acontece progressivamente, esse acompanhamento pode ser particularmente interessante.
Veja a tecnologia sendo utilizada no Instituto Pontello
A tecnologia ganha sentido quando deixa de ser apenas uma especificação técnica e passa a fazer parte do processo de avaliação.
No Instituto Pontello, o LifeViz é utilizado como recurso de documentação por imagem em avaliações e acompanhamentos conduzidos pelo Dr. Rubens Pontello Junior, quando clinicamente pertinente.
▶ Assista ao vídeo no Instagram do Instituto Pontello
QuantifiCare LifeViz no Instituto Pontello. A fotografia tridimensional pode integrar a avaliação e o acompanhamento, criando registros padronizados que permitem comparar diferentes momentos do paciente.
REGISTRAR
Criar uma referência inicial.
ANALISAR
Acrescentar informações visuais à avaliação médica.
COMPARAR
Revisitar o registro inicial durante o acompanhamento.
O antes e depois deixa de depender apenas da memória
Esse talvez seja um dos pontos que mais valorizo.
Nós nos vemos todos os dias. Quando uma mudança acontece gradualmente, nossa percepção se adapta a ela. Depois de alguns meses, pode ser difícil lembrar exatamente como determinado contorno ou região se apresentava no início.
Por isso, em vez de perguntar apenas “Você acha que melhorou?”, podemos voltar ao registro inicial. A comparação deixa de depender exclusivamente da lembrança do paciente ou do médico.
Isso não significa que toda mudança possa ser reduzida a uma medida. A percepção de resultado envolve anatomia, pele, movimento, expressão, naturalidade e satisfação do próprio paciente. Mas a documentação acrescenta uma referência que antes não existia.
Imagem 3D e alterações de volume
O rosto é tridimensional. Uma fotografia convencional transforma essa estrutura em um plano bidimensional.
Isso é suficiente para inúmeras avaliações dermatológicas, mas pode representar uma limitação quando o que queremos observar envolve forma, projeção ou volume.
O LifeViz dispõe de ferramentas destinadas à avaliação e comparação volumétrica de áreas selecionadas.
Esse tipo de aplicação também já foi estudado cientificamente. Pesquisadores compararam diferentes sistemas portáteis de fotografia tridimensional, incluindo o LifeViz Mini, na detecção de pequenas alterações de volume. Os dispositivos avaliados apresentaram, de modo geral, boa acurácia para pequenas mudanças volumétricas, e os autores consideraram as tecnologias portáteis 3D métodos não invasivos, precisos e reprodutíveis para determinados tipos de acompanhamento volumétrico.
Outros trabalhos avaliaram especificamente a reprodutibilidade de medidas faciais obtidas por estereofotogrametria 3D com LifeViz, encontrando boa confiabilidade para diversas medidas.
Isso sustenta algo importante: não estamos falando apenas de uma imagem visualmente interessante. Existe aplicação científica da fotografia tridimensional como método de documentação e mensuração.

O LifeViz também pode avaliar características da pele?
Dependendo do sistema e dos módulos utilizados, a plataforma dispõe de recursos de análise de características como:
- rugas;
- poros;
- oleosidade;
- uniformidade;
- vascularização;
- pigmentação.
Essas informações podem complementar a documentação.
Mas novamente existe uma diferença fundamental entre detectar uma característica em uma imagem e diagnosticar uma condição dermatológica.
A tecnologia não substitui anamnese, exame físico, dermatoscopia quando necessária ou qualquer outro método diagnóstico indicado. Ela fornece dados de imagem que precisam ser interpretados dentro de um contexto clínico.
A tecnologia não existe para encontrar “defeitos”
Esse é um ponto particularmente importante quando trabalhamos com imagens de alta definição, medidas e reconstruções tridimensionais.
Quanto mais detalhada a tecnologia, maior deve ser o critério de quem a utiliza.
Todo rosto apresenta assimetrias. Nem toda diferença entre um lado e outro é um problema. Nem toda alteração associada ao envelhecimento precisa ser corrigida. E uma ferramenta capaz de medir alguma coisa não significa que aquilo precise ser modificado.
A finalidade da avaliação não é criar uma lista de imperfeições. É compreender o paciente.
Tecnologia também pode ajudar na decisão de não tratar
Existe uma ideia equivocada de que tecnologias de avaliação servem para encontrar mais procedimentos para fazer. Não deveria ser assim.
Uma boa avaliação também precisa ser capaz de terminar com: “Isso não precisa ser tratado agora.” Ou: “Existe uma alteração, mas não considero que o benefício de intervir justifique um procedimento neste momento.”
A presença de uma fotografia 3D não cria indicação médica. Tecnologia só agrega valor quando melhora a qualidade da decisão.
Simulação não é previsão
Algumas ferramentas de sistemas tridimensionais permitem simulações visuais. Quando utilizadas, existe uma distinção que o paciente precisa compreender: simular não significa prever.
Uma representação digital pode ser útil para comunicação e discussão de possibilidades, mas não consegue determinar exatamente como tecidos biológicos responderão a um tratamento. Resultados dependem de anatomia, características individuais, técnica, resposta biológica e outros fatores.
Por isso, uma simulação nunca deve ser apresentada como garantia de resultado.
O acompanhamento ao longo do tempo é mais interessante do que uma fotografia isolada
Talvez o maior potencial da documentação médica esteja na construção de uma linha do tempo.
Uma fotografia mostra como o paciente estava naquele dia. Uma sequência de registros permite observar uma trajetória.
Isso pode ser especialmente relevante quando acompanhamos tratamentos que produzem alterações graduais ou quando diferentes estratégias são realizadas ao longo dos anos.
Podemos voltar ao início e perguntar:
- o que efetivamente mudou?
- o que permaneceu igual?
- como determinado contorno evoluiu?
- aquela assimetria já estava presente?
- houve alteração mensurável naquela região?
- a estratégia atual continua fazendo sentido?
Nesse momento, a tecnologia deixa de ser apenas uma câmera sofisticada. Ela passa a fazer parte da documentação clínica longitudinal.
Por que utilizo o QuantifiCare LifeViz na minha prática
Eu não utilizo fotografia 3D porque acredito que um equipamento seja capaz de substituir experiência clínica.
Utilizo justamente porque acredito que decisões médicas melhores dependem de informações melhores.
Durante a consulta, procuro reunir diferentes camadas de informação: história clínica + exame dermatológico + anatomia + experiência médica + documentação por imagem + acompanhamento.
O LifeViz acrescenta uma dessas camadas. Ele permite registrar um momento de maneira estruturada e cria uma referência que podemos revisitar posteriormente.
O tratamento continua sendo consequência da avaliação — e não o contrário.
O LifeViz é uma das tecnologias utilizadas na prática clínica para apoiar a avaliação e o acompanhamento dos pacientes.
Perguntas frequentes sobre QuantifiCare LifeViz
O que é o QuantifiCare LifeViz?
LifeViz é uma família de sistemas de fotografia médica tridimensional desenvolvida pela empresa francesa QuantifiCare. A tecnologia permite produzir imagens padronizadas e reconstruções 3D utilizadas para documentação, visualização, mensuração e comparação ao longo do acompanhamento.
Para que serve a fotografia 3D facial?
Ela pode auxiliar na documentação da morfologia facial e na comparação de características entre diferentes momentos. Dependendo do sistema e dos módulos disponíveis, existem recursos relacionados a medidas, contornos, volume e características da pele.
O LifeViz é utilizado antes ou depois dos procedimentos?
Pode ser utilizado nos dois momentos. Um registro inicial estabelece uma referência antes do tratamento e novos registros podem ser realizados posteriormente, quando indicados, para acompanhamento e comparação.
O LifeViz consegue mostrar mudanças de volume?
O sistema dispõe de ferramentas de avaliação volumétrica de regiões selecionadas. A utilização de sistemas LifeViz para mensuração de alterações de volume também já foi investigada em estudos científicos.
A QuantifiCare diagnostica doenças de pele?
Não. A tecnologia é um recurso complementar de imagem. Diagnóstico e indicação terapêutica dependem da avaliação médica.
A análise 3D é realizada em todas as consultas?
Não necessariamente. O Dr. Rubens utiliza recursos de imagem quando eles podem acrescentar informação relevante à avaliação ou ao acompanhamento.
A fotografia 3D substitui fotografias convencionais?
Não. Fotografias bidimensionais continuam tendo diversas aplicações. A representação tridimensional acrescenta possibilidades especialmente quando forma, contorno, projeção, medidas ou volume são relevantes.
A QuantifiCare consegue prever o resultado de um procedimento?
Não. Recursos de simulação, quando utilizados, servem para comunicação e discussão de possibilidades. Não representam previsão ou garantia do resultado clínico.
Qual é a diferença entre QuantifiCare e uma fotografia feita com celular?
Uma das diferenças importantes é a padronização. Os sistemas LifeViz possuem recursos destinados à captura reproduzível, permitindo produzir registros mais adequados para comparação entre diferentes visitas.
Onde o Dr. Rubens Pontello Junior utiliza o LifeViz?
O Dr. Rubens Pontello Junior utiliza o sistema em seu atendimento no Instituto Pontello, em Londrina, como recurso complementar de documentação, avaliação e acompanhamento quando clinicamente indicado.
Quando tecnologia realmente melhora uma consulta?
Para mim, a pergunta mais importante diante de uma nova tecnologia não é: “O que esse equipamento consegue fazer?”
É: “Essa informação muda ou melhora a maneira como eu avalio, explico ou acompanho este paciente?”
Quando a resposta é sim, a tecnologia encontra seu lugar.
É assim que utilizo o QuantifiCare LifeViz. Não como substituto do exame clínico. Não como uma forma de procurar imperfeições. Não como promessa de resultado. Mas como uma ferramenta capaz de registrar melhor o presente para que possamos compreender, no futuro, o que realmente mudou.
Dr. Rubens Pontello Junior
Médico dermatologista em Londrina
CRM-PR 24.645 | RQE 2.050
Referências
QuantifiCare. LifeViz Mini — 3D Imaging System for the Face. Documentação técnica oficial do fabricante sobre reconstrução facial 3D, padronização de imagens, medidas, análise da pele e comparação entre visitas.
QuantifiCare. 3D Photography Systems. Documentação sobre captura reproduzível, padronização e comparação tridimensional longitudinal.
Hoeffelin H, et al. Portable three-dimensional imaging to monitor small volume enhancement in face, vulva, and hand: A comparative study. Journal of Plastic, Reconstructive & Aesthetic Surgery. 2022. DOI: 10.1016/j.bjps.2022.04.042.
Inter- and Intra-Operator Reliability of Facial and Dental Measurements Using 3D-Stereophotogrammetry. Journal of Esthetic and Restorative Dentistry. 2016. Estudo de reprodutibilidade de medidas faciais utilizando LifeViz 3D.
Revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior — CRM-PR 24.645 | RQE 2.050
Última atualização: setembro de 2026
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