Melasma · Dermatologia
Em poucas palavras
O ácido tranexâmico é um medicamento usado há décadas para controlar sangramentos. Nos últimos anos, passou a ser estudado também no melasma, porque interfere em vias que estimulam a produção de pigmento [1].
Os estudos mostram que, por via oral, ele ajuda a clarear o melasma quando associado ao protetor solar e ao tratamento de base [2][3]. O efeito diminui depois que o medicamento é suspenso, e o uso exige prescrição e avaliação médica, porque nem todas as pessoas podem tomar [1][2].
O ácido tranexâmico é uma das peças possíveis no tratamento do melasma. A consulta avalia se ele faz sentido para você e como encaixá-lo no plano.
Consultas com o Dr. Rubens Pontello Junior no Instituto Pontello, em Londrina.
O que é o ácido tranexâmico
O ácido tranexâmico é um antifibrinolítico: ele dificulta a dissolução de coágulos e, por isso, é usado em situações de sangramento, como menstruação muito intensa e algumas cirurgias. Seu uso no melasma é posterior e veio da observação de que ele também interfere na pigmentação [1].
Como ele age no melasma
O melasma não depende só do sol. Inflamação, hormônios, vasos sanguíneos e substâncias liberadas pela pele participam da sua formação. O ácido tranexâmico parece atuar em mais de um desses pontos, reduzindo sinais que estimulam os melanócitos (as células que produzem pigmento) e o componente vascular do melasma [1].
Esse mecanismo ajuda a entender por que ele é usado como complemento, e não como substituto, da fotoproteção e dos tratamentos tópicos. A visão completa da doença está no artigo sobre tratamento do melasma.
O que mostram os estudos
Em um estudo randomizado e controlado com placebo, pessoas com melasma moderado a grave tomaram ácido tranexâmico ou placebo por três meses, sempre com protetor solar. A gravidade do melasma caiu 49% no grupo do medicamento e 18% no grupo placebo [2].
Três meses depois da suspensão, a melhora em relação ao início era de 26% no grupo do medicamento e de 19% no placebo [2]. Ou seja: parte do ganho se perde quando o remédio é interrompido. Isso é coerente com a natureza crônica do melasma.
Meta-análises que reuniram dezenas de estudos confirmam a melhora com o ácido tranexâmico, principalmente quando usado junto ao tratamento de base [3][4].
Comprimido, creme ou injeção
O ácido tranexâmico pode ser usado por via oral, em cremes ou aplicado na pele. Uma meta-análise de 24 ensaios clínicos randomizados mostrou benefício com todas as vias, mas a vantagem sobre o tratamento convencional só ficou clara com a via oral; nas formas tópica e intradérmica, essa superioridade não foi demonstrada [3].
Segurança e quem não deve usar
Nos ensaios clínicos com melasma, não houve eventos adversos graves [2][3]. Efeitos leves, como desconforto gástrico e alterações menstruais, são descritos [1]. Um estudo recente com registros de saúde de vários centros não encontrou associação entre o ácido tranexâmico oral usado para melasma e trombose [5].
Mesmo assim, por agir na coagulação, o medicamento exige avaliação antes do uso. O médico investiga histórico pessoal ou familiar de trombose, doenças da coagulação, uso de hormônios, tabagismo e outras condições que aumentam o risco [1]. Em geral, ele não é usado para tratar melasma durante a gestação e a amamentação.
Não use por conta própria. A dose, o tempo de uso e a decisão de usar ou não são definidos na consulta, depois da avaliação do risco individual.
O lugar dele no tratamento do melasma
O ácido tranexâmico não substitui a base do tratamento: proteção solar diária, controle de gatilhos e cremes clareadores prescritos. Ele pode entrar como reforço em casos moderados a graves ou resistentes, por um período definido, com reavaliação ao longo do caminho [1][2].
Tem melasma e quer saber se o ácido tranexâmico pode ajudar no seu caso?
Consultas com o Dr. Rubens Pontello Junior no Instituto Pontello, em Londrina.
Perguntas frequentes
Ácido tranexâmico cura melasma?
Não. O melasma é uma condição crônica, que pode ser controlada, mas tende a voltar. O ácido tranexâmico ajuda a clarear, e parte da melhora se perde após a suspensão [2].
Em quanto tempo o ácido tranexâmico faz efeito no melasma?
Nos estudos, a melhora foi avaliada após cerca de três meses de uso [2]. A resposta varia de pessoa para pessoa.
Posso tomar ácido tranexâmico por conta própria?
Não. Por agir na coagulação, ele exige avaliação do risco de trombose e de outras condições antes do uso. A prescrição é médica.
Creme de ácido tranexâmico funciona?
Pode ajudar, mas em uma meta-análise a vantagem sobre o tratamento convencional só ficou clara com a via oral [3].
Ácido tranexâmico aumenta o risco de trombose?
Nos estudos com melasma, não houve eventos graves, e um estudo recente não encontrou associação com trombose [3][5]. Ainda assim, quem tem fatores de risco precisa de avaliação cuidadosa e, em alguns casos, não deve usar.
Grávida pode usar ácido tranexâmico para melasma?
Em geral, não é usado para tratar melasma na gestação e na amamentação. Nesse período, o cuidado se concentra na fotoproteção e em opções seguras indicadas pelo médico.
Referências
- Bala HR, Lee S, Wong C, Pandya AG, Rodrigues M. Oral tranexamic acid for the treatment of melasma: a review. Dermatol Surg. 2018;44(6):814-825. DOI: 10.1097/DSS.0000000000001518
- Del Rosario E, Florez-Pollack S, Zapata L Jr, Hernandez K, Tovar-Garza A, Rodrigues M, et al. Randomized, placebo-controlled, double-blind study of oral tranexamic acid in the treatment of moderate-to-severe melasma. J Am Acad Dermatol. 2018;78(2):363-369. DOI: 10.1016/j.jaad.2017.09.053
- Feng X, Su H, Xie J. Efficacy and safety of tranexamic acid in the treatment of adult melasma: an updated meta-analysis of randomized controlled trials. J Clin Pharm Ther. 2021;46(5):1263-1273. DOI: 10.1111/jcpt.13430
- Zhang L, Tan WQ, Fang QQ, Zhao WY, Zhao QM, Gao J, et al. Tranexamic acid for adults with melasma: a systematic review and meta-analysis. Biomed Res Int. 2018;2018:1683414. DOI: 10.1155/2018/1683414
- Hernandez T, Penny K, Culotta N. Oral tranexamic acid use for melasma is not associated with thromboembolism: findings from a multicenter propensity score-matched electronic health record cohort. JAAD Int. 2026;24:64-66. DOI: 10.1016/j.jdin.2025.09.005
Autoria, revisão médica e transparência
Autoria: Dr. Rubens Pontello Junior — Dermatologista em Londrina–PR · CRM-PR 24.645 | RQE 2.050 · Diretor técnico do Instituto Pontello.
Revisão médica: Dr. Rubens Pontello Junior, em 28/10/2026.
Transparência: as informações sobre causas, evidências e segurança se apoiam nas referências acima. Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação individual.